2009 determinará rumo político de 2010

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Política | Data: 05 jan 2010

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do Tribuna da Bahia

O ano de 2009 foi próspero em relação ao surgimento de fatos políticos que tiveram ampla repercussão na mídia, com desdobramentos que se refletirão na disputa eleitoral de 2010. Brigas políticas, adesão de partidos tradicionalmente de oposição à base governista, escândalos financeiros, denúncias, CPIs abortadas, rompimentos, antecipação da campanha eleitoral, foram alguns dos fatos que moldaram o fazer política de 2009 e que determinarão a estrutura da campanha eleitoral deste ano.

Entre todos os episódios políticos de 2009, o que mais chamou a atenção foi o rompimento do PMDB com o PT, e, consequentemente, do ministro Geddel Vieira Lima com o governador Jaques Wagner, as duas principais lideranças destes partidos e candidatos declarados ao Palácio de Ondina em 2010. Sem dúvida, o fato já proporcionou um novo ambiente na política baiana, com desdobramentos que só poderão ter as suas consequências avaliadas durante as eleições deste ano.

A querela entre petistas e peemedebistas se arrastava desde o início de 2008, mas veio a se agravar durante a campanha eleitoral de Salvador disputada nesse mesmo ano, quando os dois partidos se enfrentaram nas urnas. Com a candidatura de Walter Pinheiro, os petistas fizeram frente à candidatura de João Henrique, que disputou a reeleição pelo PMDB. Durante a disputa, o próprio governador Jaques Wagner se atritou com os peemedebistas, ampliando os desentendimentos entra as duas legendas.

Para agravar mais ainda a crise com os petistas, os peemedebistas amarram uma aliança com o Democratas no segundo turno da eleição de Salvador, que disputou o primeiro turno com o deputado federal ACM Neto. Para reforçar o novo mapa político que se desenhava a partir da eleição na capital baiana, o PR do senador Cesar Borges também se incorporou a esta aliança, garantindo a vitória de João Henrique sobre Walter Pinheiro. Isso, de certa forma, representou uma derrota para o governador Jaques Wagner, que foi a campo de forma mais explícita em defesa do candidato petista.

A aproximação entre peemedebistas e democratas se ampliou após a posse de João Henrique, embora a participação do partido comandado pelo ex-governador Paulo Souto tivesse indicado poucos quadros para a nova estrutura administrativa adotada pelo prefeito João Henrique. Prevenindo-se da crise econômica que afetava o mundo e os cofres da maioria das prefeituras baianas, o prefeito de Salvador anunciou uma reforma administrativa desde o inicio do seu segundo mandato, que visava enxugar a máquina e preparar a Prefeitura para o seu segundo mandato.

Parceiros primordiais

A crise com o PMDB fez o governador Jaques Wagner se antecipar, reforçando a sua base política na Assembleia Legislativa, mas também de olho na sua reeleição. Com isso, o secretário de Relações Institucionais, Rui Costa, saiu a campo em busca de novos aliados. Houve resultados. Primeiro foi o PP, adversário histórico dos petistas na Bahia, e sempre comandado por aliados do ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

O partido ganhou a secretaria da Agricultura, inicialmente, entregue ao deputado estadual Roberto Muniz, eterno desafeto da prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho. Depois, os pepistas ampliaram a sua participação no governo com a nomeação do deputado federal João Leão para a secretaria da Infraestrutura, além de passar a comandar outros órgãos da esfera estadual. Para completar a participação do partido na base governista, foi articulada nos bastidores a filiação do conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Otto Alencar, que deve se concretizar agora em janeiro. Otto deverá compor a chapa de Wagner, disputando uma vaga paro o Senado.

Outro parceiro importante conquistado pelo governo foi o PDT, que agora é comandado por Alexandre Brust. Contudo, enquanto esteve sob o comando do deputado federal Severiano Alves, o governo não conseguiu a adesão oficial da legenda brizolista à sua base de apoio, o que dificultava uma participação maior na esfera administrativa. Mas, graças à intervenção do presidente nacional licenciado do partido, ministro Carlos Lupi, o PDT se integrou oficialmente à base governista, assumido, por conseguinte, a Secretaria da Ciência e Tecnologia, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM, o Ibametro e a Agerba. O acordo com o PDT envolveu também a filiação de alguns deputados governistas que tinham problemas em seus partidos. Quem liderou as novas filiações foi o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo.

Brigas voltarão a se repetir

O ano de 2009 também foi marcado por algumas brigas que tiveram pano de fundo e se refletirão nas eleições de 2010. A principal delas foi a disputa pela presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB), que aconteceu entre o peemedebista Roberto Maia (prefeito de Bom Jesus da Lapa) e o petista Luis Caetano (prefeito de Camaçari). Maia venceu a disputa de forma apertada, impondo mais uma derrota aos petistas e, por tabela, ao governador Jaques Wagner, que se envolveu discretamente.

Comandada por um peemedebista, a UPB passou a servir também de palanque oposicionista, embora todas as lutas encampadas pelo presidente Roberto Maia tenham se fundamentado em fatos concretos e que prejudicavam os municípios. A crise econômica foi um deles, forçando a entidade promover a convocação dos prefeitos até Salvador e, algumas vezes, a Brasília, para forçar tanto o Estado quanto a União a socorrerem os municípios.

Num desses movimentos em Salvador, marcado para a sede da UPB, se estendeu até a Governadoria e a Assembleia Legislativa. Liderados por Roberto Maia, os prefeitos entregaram um documento com uma pauta de reivindicações ao governador Jaques Wagner, que ia da solicitação de nomeação dos delegados para os municípios a ajuda para o transporte escolar, que são atribuições do Estado, segundo os gestores. O fato, como previsto, não terminou bem.

Além da troca de farpas entre petistas e peemedebistas, serviu para ampliar o fosso entre os dois partidos. Além dessas ações que se passavam no campo administrativo, o PMDB preparava nos bastidores a candidatura do ministro Geddel Vieira Lima ao Palácio de Ondina. Os Encontros Regionais, abertos em Salvador, trouxeram a resposta que o partido buscava para as eleições de 2010. Rompidos oficialmente pouco tempo depois de o ministro Geddel colocar os cargos à disposição do governo, os peemedebistas tiveram a resposta que buscavam antes mesmo deles (os encontros) chegarem ao fim. A tese de candidatura própria era quase unanimidade.

A última confusão entre petistas e peemedebistas se deu com a “Operação Expresso”, quando o diretor da Agerba, Antônio Lomanto Neto, tio do líder do PMDB na Assembleia Legislativa, Leur Lomanto Júnior, foi preso juntamente com o empresário Paulo Carletto, irmão do deputado estadual Ronaldo Carletto. O episódio ampliou a crise entre as duas legendas, inviabilizando qualquer possibilidade de reaproximação, como tentou o presidente Lula.

A Assembleia como testemunha

As brigas entre oposicionistas e governistas também se estenderam durante todo o ano de 2009. Tendo a Assembleia Legislativa como palco principal, elas se acentuaram mais em função do ano pré-eleitoral. As discussões pela formação das comissões, a reeleição do presidente Nilo e as querelas entre Paulo Souto e Jaques Wagner deram sustentabilidade aos discursos. Os oposicionistas, comandados pelo líder Heraldo Rocha, souberam focar bem os pontos fracos do governo, concentrando as suas críticas sobre a segurança, a saúde e a educação.

Além disso, agiram sobre as incoerências do governo, como a manutenção dos contratados pelo sistema do Reda, antes tão criticado pelos petistas, e aumentos concedidos aquém da expectativa, como aos professores da rede estadual e dos policiais.

Atuando em outro flanco, o ex-governador Paulo Souto também armou a sua trincheira, colocando-se como alternativa para as eleições do ano que se inicia.

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