7 x 1 – Lição de primeiro mundo

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 09 jul 2014

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Por Robson do Val (site balancododia.com.br e Rádio Clube FM (95,9)

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Fora do campo a goleada é bem maior. A Alemanha é um dos países mais desenvolvidos do mundo. Não existem crianças alemãs fora da escola e nem dormindo na rua. Lá os viadutos não caem nem são superfaturados. As estradas são largas e bem sinalizadas, os hospitais públicos prestam atendimento de excelência, as instituições de ensino dão um show de eficiência e educação. O índice de assaltos é quase zero. A bicicleta está se tornando o principal meio de transporte do país; já planejam até retirar os carros das ruas de Hamburgo, uma das maiores cidades alemãs. Fizeram recentemente uma Copa do Mundo perfeita, em que gastaram um terço do que foi gasto no Brasil.

Enquanto sonhamos com hexas, carnavais e outras baboseiras, eles sonham e cuidam, prioritariamente, do que realmente interessa, e só depois pensam em diversão. Não acreditam nem se deixam contaminar por entusiasmo vazio, não tratam seus ídolos com histeria, como se fossem semideuses, nem se esquecem dos problemas quando estão em festa. Não associam a honra nacional a um campeonato de futebol, nem gastam todo tempo do noticiário com isso. São fruto de uma sociedade madura, consciente de si mesma.

Se conseguiram sobreviver à destruição de duas guerras mundiais e reconstruíram o país inteiro, é claro que não perderiam tempo chorando uma derrota esportiva como se fosse o fim do mundo, que é o que estamos fazendo agora; remoendo mil vezes os momentos dramáticos, buscando culpados, e transformando os antigos heróis inconsistentes em vilões imperdoáveis. Fred que o diga!

O 7 x 1 foi o mínimo. Não acredito, como acredita o Galvão, o comentarista bobão dos alienados, que isso vá manchar a história do país. É amadurecer e se preocupar com o que realmente interessa, que a história ganha outro rumo. E quantas lições nos deu a Alemanha, dentro e fora do campo?

Nem tudo está perdido. Enquanto milhões de nós estávamos mergulhados numa fantasia coletiva, anestesiados feito babacas, uma minoria corajosa apanhava da polícia tentando mostrar, desde o começo, que estava tudo errado. Quem sabe agora não deixamos de acreditar que são apenas vândalos? Vamos prestar atenção, não ao que diz A TV da ilusão, que só mostra o quebra-quebra, mas ao que está escrito nos cartazes dos manifestantes: “Queremos escolas e hospitais padrão Fifa”.  É aí que devemos concentrar nossas energias. Que venha o 5 de outubro! Obrigado Alemanha.

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