A influência do sono na qualidade de vida

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Publicado por Editor | Colocado em Geral, Saúde | Data: 13 ago 2019

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O ritmo agitado da vida moderna tem feito a população dormir cada vez menos. Entre os distúrbios do sono mais comuns nas noites dos brasileiros estão a insônia, o ronco e a apneia. No entanto, há ainda uma série de outros problemas bem mais comuns do que imaginamos, tais quais o sonambulismo e a síndrome das pernas inquietas. Já é consenso que a qualidade do nosso sono está intimamente relacionada à nossa qualidade de vida.  Ou seja, mais do que comprometer as noites de descanso, esses distúrbios podem efetivamente impactar nossa saúde física, cognitiva e emocional ou ainda serem sinais de doenças bem mais complexas.

Diversos estudos já comprovaram que a falta de sono aumenta riscos em cardiopatas e piora crises em portadores de dor crônica. Por outro lado, uma noite bem dormida pode reduzir o risco de obesidade e hipertensão, além de proteger contra o declínio cognitivo relacionado às demências. O sono reparador, ainda,  também é associado à diminuição das taxas de depressão e à regulação de várias funções, sejam elas físicas ou mentais, que garantem a vitalidade geral do nosso organismo. Dessa forma, dormir bem ao longo da vida é também essencial para um envelhecimento saudável.

“É durante o sono que o nosso organismo se restaura, equilibrando a produção de hormônios, fortalecendo a imunidade e fixando o aprendizado. A privação do sono pode atrapalhar desde o desempenho físico à produtividade no trabalho até às relações sociais”, destaca o neurologista e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), Marcílio Delmondes Gomes.

A temida insônia

Afetando a capacidade de dormir ou de permanecer dormindo, a insônia é um dos distúrbios mais populares. Pessoas com esse problema costumam começar o dia mal, apresentando cansaço, dores de cabeça e alterações no humor. A falta de energia também atrapalha a concentração, aumentando o risco de acidentes, o que compromete a qualidade de vida de forma geral. Ela pode ser causada por diversos fatores, tais como maus hábitos de sono, uso de medicamentos e  consumo de estimulantes, como café, nicotina e bebidas alcoólicas.

“No caso da insônia e outros distúrbios provocados por maus hábitos, é possível se tratar o problemas apenas mudando-se certos comportamentos. Por isso exclua os estimulantes; evite jantar e se deitar; use a cama apenas para dormir; não se exponha a forte luzes durante a noite, como as de celulares e computadores; faça atividades relaxantes antes de dormir, como ler; só se deite quando se sentir sonolento e prepare o ambiente para deixá-lo o mais escuro e silencioso possível”, aconselha Gomes.

No entanto, existem casos mais sérios, em que a insônia é, na verdade, o desdobramento sintomático de alguma doença. Ou seja, a manifestação de que algo não anda bem e deve ser investigado. “Nesses casos é necessário levar em consideração fatores sociais, biológicos, psicológicos, cognitivos, comportamentais e até mesmo genéticos, que podem desencadear o quadro”, explica o neurologista Bruno Funchal, do Hospital Santa Paula.

Noites bem dormidas

De acordo com a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), quase 50% dos pacientes com o diagnóstico de dor crônica possui algum transtorno relacionado ao sono. Segundo Claudio Fernandes Corrêa, neurocirurgião mestre e doutor pela Unifesp e especialista em dor pela Associação Médica Brasileira (AMB), “a dor, por si só, já dificulta o relaxamento adequado do indivíduo para o sono, aumentando quadros de estresse físico e emocional, e gerando um ciclo vicioso para gatilhos de crises dolorosas e insônia”.

Isso ocorre porque o sono tem um componente de ação para o equilíbrio do sistema neurológico e imunológico como um todo, com atuação sobre a liberação do hormônio cortisol, ligado às funções de controle de processos inflamatórios e estabilidade emocional, por exemplo. Nesse sentido, tratar a dor crônica é importante para obter a melhora da qualidade do sono. Mas para que este tratamento seja efetivo, se faz necessário a integração de terapias medicamentosas, físicas e mentais, trabalhando o equilíbrio do corpo e da mente.

Para ajudar nesse processo, o neurologista Bruno Funchal listou dez dicas que podem te ajudar a recuperar a qualidade do seu sono e o seu bem-estar. Confira:

1. Dormir de sete a oito horas é o ideal para um sono reparador, levando a uma boa disposição durante o dia. Portanto programe-se para isso.

2. Especialmente no período da noite, dê preferência a uma dieta balanceada, com alimentos leves e de fácil digestão.

3. Durma no escuro. Abajur ou TV ligada atrapalham na hora de dormir, pois a luminosidade e o barulho dos aparelhos oferecem estímulos que atrapalham o início, a qualidade e a duração do sono. O mesmo vale para o hábito de ficar no celular já na cama, antes de dormir.

4. Use roupas confortáveis para dormir, com tecidos leves e frescos, de preferência de cores claras, já que absorvem menos o calor.

5. Café, alimentos com cafeína ou que possam estimular o sistema nervoso devem ser evitados de quatro a seis horas antes de dormir, pois levam o organismo a um estado de alerta e atrasa a sonolência.

6. Conforme a idade avança, o sono muda e ocorrem mais despertares durante a noite. Neste caso, é preciso avaliar a rotina e criar o hábito de fazer atividade física para que o corpo canse mais, incluindo as pessoas com mais de 60 anos. Dez minutos de exercício aeróbico já ajudam. Só evite exercício físico pesado pouco antes de dormir para não deixar o corpo em estado de alerta e provocar efeito contrário.

7. Dormir até 30 minutos à tarde pode melhorar o humor e a disposição para atividades. Mas caso tenha insônia ou dificuldade para dormir é melhor evitar.

8. Um banho morno é relaxante e pode preparar o corpo para dormir.

9. Mantenha uma rotina de sono e vá para a cama na mesma hora todas as noites, incluindo fins de semana.

10. Medicamentos devem ser indicados apenas em último caso.

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