A política do asfalto

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Brasil, Manifesto Popular, Política | Data: 01 jul 2013

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Por Stênio de Araújo Verde 

539689_4565190936568_22399295_nUm dos cartazes que expressam o sentimento das ruas diz: “Já temos estádios para a Copa, só falta um país em volta deles.”

O Brasil está descobrindo que política também se faz nas ruas. Agora a resposta do povo não se dá apenas nas urnas, mas também nas ruas. Nas urnas elegemos os nossos governantes, e nas ruas protestamos contra eles quanto não nos elegem através da boa política. Talvez não tenhamos ainda um país em volta dos estádios luxuosos, mas temos um povo que pode mudar esta dura realidade.

A força dos protestos saem das principais avenidas de nossa nação e entram nos palácios governamentais de forma poderosa e  extraordinária. Um pequeno movimento na catraca deu “passe livre” ao povo brasileiro.

O governo que sempre apoiou mais as minorias, em detrimento das maiorias, agora sabe o poder de uma delas que se agigantou contra as injustiças sociais a que o governo faz vistas grossas. O Movimento Passe Livre tem muito a ensinar ao povo brasileiro, como se vê, um pequeno movimento pode fazer girar a máquina estatal, pode provocar uma avalanche de protestos.

A consciência social foi despertada. Quando falta pudor a um governo entra em ação, num Estado democrático de direito, a consciência social que aponta a desunião e o descompasso do governo consigo mesmo.

Isto já se depreende pelo fato de a voz da consciência ter exclusivamente caráter de proibição, nosso povo está aprendendo a dizer não. Há muito tempo esta consciência cidadã estava intranquila, agora “surta” diante da inoperância governamental. Há um ditado popular que diz: “Quem não houve o murmúrio, ouve os gritos!”. O governo surdo ao clamor de um povo, agora ouve os gritos.

O ineditismo do movimento popular nos mostrou quão despreparados são os nossos líderes, a presidente Dilma está mais sorridente, mas é um sorriso vago, aéreo de quem não sabe o que fazer e nem o que dizer e muito menos o que propor. O Brasil se achou e Dilma se perdeu.

Será que o governo não sabe ainda o que o povo deseja? Que governo é esse que precisa ser movido e empurrado aos gritos? Que governo é esse que propõe um plebiscito quando tudo está tão claro, os cartazes estão escritos em algum dialeto indecifrável?

A revista Veja chama o plebiscito de golpe, pode até ser, e espero que não seja, pois a consciência social está aguçadíssima para qualquer intenção espúria e eleitoreira, eu chamaria o plebiscito de incompetência governamental para não ser indelicado.

Concordo com a revista Veja quando afirma: “Não se faz plebiscito para jogar nos ombros das pessoas o peso de decisões sobre o funcionamento de coisas complexas.”

Cabe ao povo gritar e o governo, planejar e executar. O povo tem a visão, o governo, a gestão e consequentemente a práxis. Na verdade o bom governo, o governo inteligente, tem visão e gestão, falta a Dilma e sua equipe tanto uma coisa quanto a outra e o mesmo se dá em todos os poderes da república brasileira.

É lamentável que uma dona de casa saiba exatamente o que quer o Brasil enquanto uma governante atabalhoada propõe ao povo brasileiro um plebiscito.

Que continuem os protestos pacíficos!

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