A reforma política e o fim da reeleição no poder executivo

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Política | Data: 15 set 2014

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por José Maria Caires – para o Blog  Balanço do Dia

DSC_0521Existem muitos pontos polêmicos que envolvem a reforma política no Brasil. É exatamente por essa razão, que ela ainda não saiu do papel.  Um clamor social  exige alterações que possam coadunar com a velocidade das mudanças sociais no Brasil.

A possibilidade de reeleger o presidente, os governadores e os prefeitos, por exemplo,  deve ser abolida das regras eleitorais do Brasil. Em seu lugar devemos criar uma lei que permita prolongar os mandatos para cinco ou seis anos.

No modelo atual, o governante que exerce o mandato e se candidata à reeleição, leva vantagem sobre qualquer novo postulante, pois conta com o privilégio injusto de usar a máquina administrativa em seu próprio benefício. Ainda que a utilize de forma discreta, terá a seu favor uma força subliminar.

Fui funcionário de um banco durante 20 anos, e os gerentes da instituição tinham que fazer rodízio nas agências em períodos de no máximo cinco anos. A maioria das empresas privadas, que têm compromisso com a eficiência administrativa, continua agindo dessa mesma forma na atualidade.

Essa rotatividade era baseada em um estudo que mostra que, com o tempo, os executivos tendem a ficar mais conectados à equipe, porém, menos atentos aos sinais do mercado. Outro levantamento comprova que os executivos das grandes empresas são mais produtivos nos primeiros anos.

Transportando esse raciocínio para a esfera pública, reforçamos a nossa tese de que um mandato de cinco, ou de no máximo seis anos, é o suficiente para não viciar o sistema democrático.

Na última década, os presidentes de grandes empresas tem ficado cada vez menos tempo no cargo. A média de permanência no mundo, que em 2003 era de 5,6 anos, caiu para 4,8 anos em 2013. No Brasil essa permanência, que era de 4,7 anos, agora é de apenas 3 anos.

O gestor público e o gestor privado estão sujeitos às mesmas influências, até porque, a sociedade vive em sintonia, respirando os mesmos ares, interagindo nos mesmos ambientes.

Por tudo isso que acabamos de enumerar, a reeleição do gestor público que está no exercício do mandato, torna o processo eleitoral injusto e pouco eficiente no que se refere aos resultados esperados. Que a reforma política possa desfazer esse erro que tanto tem prejudicado o nosso país.

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