Alberto David: autodidata das artes e da literatura

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 23 jul 2014

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Por Claudio Hermes

Desde jovem, David se dedica às várias formas de arte, destacando-se na pintura e, talvez, seja o primeiro artista moderno desta terra.

Foi ainda pela década de 70 que iniciou sua carreira, uma carreira polivalente, sobressaindo-se também na literatura, escreveu para todos os jornais conquistenses, desde os anos 7O. Filho de família tradicionalista, iniciou sua carreira com a indiferença e falta de apoio dos pais, que não viram “aquilo com bons olhos“ . Casou cedo, constituindo uma família bastante povoada, e tudo isso dificultou o seu trabalho, mesmo assim, com todas as intempéries, continuou o seu trabalho, numa época em que os artistas não tinham apoio.

Alberto David viu nascer o Centro de Cultura e faz parte do quadro de funcionários. Chegou a ser diretor do espaço, fez um trabalho voltado para a busca de novos talentos locais, sendo esta a sua preocupação maior.

O seu início na pintura se deu quando ajudava o pai no posto de gasolina, o primeiro posto existente em Conquista, seu cargo era de frentista, logo depois, gerente e, então, nas horas vagas, rascunhava seus primeiros desenhos na mesa do escritório do Posto Shell, de propriedade de Seu Emilio ( como ficou conhecido) e pregava as telas em enormes papéis, que eram colados nas paredes do estabelecimento. Abaixo dos quadros, postava legendas, pensamentos e frases soltas e,com isso , quem passava por ali , achava tudo aquilo muito estranho, até mesmo as pinturas, mal acabadas , grosseiras , abstratas, nervosas , borradas; mas havia aquelas pessoas que achavam interessante e elogiava a inteligência daquele moço ; outros diziam “ coisas de gente doida”. Até que um dia, passou por ali o pintor Walter Levi, Diretor da Escola Pan- Americana de Belas Artes, que estava de passagem pela cidade , e viu aqueles quadros e estimulou o jovem a prosseguir carreira: “ Você sabe que a pedra bruta tem que ser lapidada, para tornar-se preciosa”, acrescentando em seguida: “ Você, menino , tem talento! Vá até a Faculdade, eu lhe arranjo uma bolsa”. Deu-me um abraço e saiu.

Alberto David realizou inúmeras mostras individuais, dentro e fora da Bahia, em Minas Gerais, nas cidades de Governador Valadares e Teófilo – Otoni (1972) ; aqui em Conquista foram diversas exposições, com destaque no foyer do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, logo após a inauguração do mesmo, mas o foco do artista era viver em Salvador, pois lá realizou importantes exposições – foyer da Biblioteca Pública do Estado da Bahia , então sede da Fundação Cultural do Estado da Bahia, apresentando como tema: “NUS ” à grafite, , tendo como um dos responsáveis pela mostra, Heitor Reis ( ex-diretor do Museu de Arte Moderna), que ficou muito extasiado com o desenho do artista. Além das suas incontáveis mostras individuais, houve as semi–individuais, sendo a mais importante de todas a que fez com a artista Mida Magnavita , “TERRA E MAR”, bastante aplaudida pelos críticos de artes e polarizada pela mídia soteropolitana, tendo como curador da mostra o crítico da Associação dos Críticos Internacionais, Eduardo Evangelista. O evento ocorreu na galeria Dante Alighieri.,

E foi com “TERRA E MAR” que o artista teve o seu nome consagrado, em l994. Sendo esta sua última exposição em Salvador, cidade onde teve início a sua carreira, através do convite do marchand e proprietário da galeria Debret, que ficava localizada na ladeira do Sodré, era uma galeria de nomes renomados e o artista era exclusivo.

O artista volta a residir na sua terra Natal e faz novas exposições, na Galeria Geraldo Rocha a convite da professora e marchand Mariza Fernandes, então importante galeria de Conquista e uma das mais conceituadas da Bahia. A Geraldo Rocha fazia exposições com os melhores
artistas do Brasil e Mariza Fernandes, para quem não a conhece, foi a Secretária da 1 ª Bienal de Artes Plásticas da Bahia; outras exposições:

Museu Regional de Vitória da Conquista – Uesb, galeria Vila Imperial, com importantes premiações.
Menção honrosa –1 ª Bienal de Artes Plásticas do Interior da Bahia. (Comissão julgadora: Eduardo Evangelista, Justino Marinho e Edson Calmon) ;1º lugar :Salão Nacional de Artes Plásticas Aurino Cajaiba -; e premiação no X – Salão Regional de Artes Plásticas do Interior da Bahia, pela Fundação Cultural da Bahia com uma importante comissão de peso: Juarez Paraíso, Juracy Dórea e Eduardo Evangelista, no ano de l995, com o tema: “ Naufrágios”.

Alberto é escritor com vários livros publicados distribuídos nos gêneros da filosofia, crônicas, prosa, memória e artigos, com várias premiações, dentre elas no Primeiro Torneio Intercolegial de Artes, o primeiro ocorrido em Vitória da Conquista, em 73 , onde passou a alcunha de “O poeta da cidade” venceu com o poema “O desespero do Mendigo” e premiação no IX Festival de Inverno da Bahia com o poema “ Terra em chamas”. Publicou (2008) “Uma cachorrinha notável”, livro de memória, revelando muita sensibilidade e habilidade no processo narrativo, com um discurso envolvente, que acaba seduzindo o leitor. E em 2010, o autor lança “Meus poemas esquecidos”, obra em versos que também, de forma sensível, retrata o olhar do poeta em relação aos dramas vividos pela humanidade.
Atualmente, Alberto David prepara dois livros : “Poemas escolhidos” e “Um olhar para traz” (memórias ).

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