Artista critica falta de estímulo à Cultura durante entrega da Medalha Glauber Rocha

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Cultura | Data: 16 mar 2016

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por Mateus Novais

IMG_1642Kétia Damasceno, produtora e integrante da Companhia Operakata de Teatro. Foto: Ascom Câmara

Nesta quarta-feira, 16 de março, quando se comemora o Dia Municipal da Cultura, a Companhia Operakata de Teatro e o idealizador da Mostra Cinema Conquista, Esmon Primo, foram homenageados com a Medalha Glauber Rocha. A honraria é concedida pela Câmara de Vereadores a uma personalidade e uma entidade que tenham contribuído para o desenvolvimento, difusão e valorização da cultura no município.

Esmon Primo não pôde comparecer a solenidade devido a problemas dentro de saúde sua família, mas foi representado pelo professor e pesquisador Marcelo Lopes, que leu uma mensagem enviada pelo produtor. No texto, Esmon fez questão de agradecer às pessoas que foram importantes para sua trajetória cultural: o cineasta Glauber Rocha e sua mãe, Dona Lúcia Rocha; o amigo e também produtor cultural, Jorge Melquisedeque; o jornalista e crítico de cinema, João Carlos Sampaio; e o artista Paulo Thiago Leite.

“Eu me sinto carregado de contentamento, por ter escolhido para viver e trabalhar aqui, em Vitória da Conquista, nos últimos trinta anos, e mesmo não tendo nascido nesta cidade, essa alegria com certeza vem de ter conhecido, aproximado e compartilhado com algumas pessoas “onipresentes”, a batalha com e pelo cinema e o audiovisual, e também por ter chegado a este grato momento em que sou indicado para receber a Medalha Glauber Rocha, pela Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista”, agradeceu Esmon.

IMG_1651Professor Marcelo Lopes representou o produtor Esmon Primo. Foto: Ascom Câmara

Já a entidade homenageada, a Cia Operakata, foi representada pela produtora e integrante do grupo, Kétia Damasceno. Ela ressaltou que a Operakata vem se apresentando em palcos baianos e do eixo Sul-Sudeste do Brasil, o que é motivo de orgulho para o grupo de teatro. “Tenho muito orgulho desta terra, por representar o interior da Bahia, o interior forte. Representar que a Bahia não se limita à capital do estado. Nós temos 417 municípios que precisam ser reconhecidos. Nós temos um grande celeiro cultural”, falou.

No entanto, Kétia lamentou que o município pouco conhecesse o trabalho da Operakata. “Quantas que aqui estão presentes, inclusive nossos vereadores, nossos representantes, conhecem a Companhia Operakata?”, questionou. A produtora cultural relatou uma história, vivenciada em 2014, que ilustra o problema: “Quando nós estávamos em Vitória (ES), num Teatro Municipal lindíssimo, de quase 300 anos, encontramos estudantes de Geografia [da Uesb de Vitória da Conquista] que nos conheceram lá. Nunca tinham nos assistido aqui na cidade”.

Kétia ressaltou que esse desconhecimento interno se estende a outros artistas, que muitas vezes acabam indo embora, por falta de políticas públicas culturais. Mas, segundo a produtora cultural, esse problema vem de muito tempo e chegou a afetar até o cineasta Glauber Rocha, que dá nome a premiação. “Infelizmente, na história real, Glauber não gostava da cidade por ter tido recusado, diversas vezes, apoio a seus projetos”, disse.

Ela também apontou a interdição do Centro de Cultura como exemplo do descaso com a Cultura local. “Nós não conseguimos mais fazer apresentações locais. […]Precisamos de ações de formação. Precisamos que os nossos legisladores olhem com mais seriedade e mais importância para o que é cultura”, defendeu.

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