Com a palavra o leitor

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Publicado por Editor | Colocado em Política, Vit. da Conquista | Data: 26 fev 2013

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Por Lázaro Santos

DSC_0180Olá senhores e senhora, mais uma vez me indigno com a forma que SMED/Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista trata os profissionais que trabalham com a capoeira. O projeto da SMED, Escola Mais, abriu Edital para contratação de profissionais de capoeira/educadores com a condicionalidade no ato da inscrição de que o profissional comprove ter cursado o ensino médio completo. Tal postura deixará sem emprego muito pai de família.

Em visita à SMED, no dia 22 de fevereiro de 2013, procuramos o Núcleo de Educação para a Diversidade buscando uma intermediação para a solução do problema. A coordenadora do núcleo foi solícita à causa e nos encaminhou ao Secretário de Educação que não nos atendeu. Com o auxilio da coordenadora da diversidade procuramos o Secretário de Governo que foi sensível à causa e nos encaminhou para a Procuradora do município, esta por sua vez informou que estava impossibilitada de anular o edital ou publicar uma errata sem a autorização do Secretário de Educação. Voltamos a procurar o Secretário, o senhor Luiz Carlos da Ibiapaba e Silva, que foi insensível, mal-educado, recebeu apenas a coordenadora da diversidade e disse que não poderia fazer nada a respeito.

Será que o Secretário de Educação não conhece o Estatuto de Promoção da Igualdade Racial, Lei 12.288/10, que nos artigos 17, 20, 21 e 22 trata da preservação e valorização da capoeira, como cultura popular e patrimônio histórico e cultural da população afro-brasileira, que o conhecimento passado pelos mestres tem como preceito a ancestralidade e a oralidade? Em Conquista não é diferente, pois a capoeira é um bem comum. Exatamente por isso não se pode proibir que os mestres e instrutores habilitados sejam proibidos de trabalhar com a arte capoeira apenas pelo fato de não se ter títulos da educação formal.

A capoeira é uma modalidade esportiva de origem humilde, dos guetos, e muitos dos seus profissionais, por falta de incentivo e oportunidade, tiveram que trabalhar desde cedo, o que impossibilitou a muitos de concluírem os estudos formais. O governo municipal deveria criar formas de apoio para que estes profissionais, representantes da cultura popular afro-brasileira, retornem às escolas formais e não impossibilitá-los de transmitirem corretamente seus saberes populares e ganharem o pão que sustenta cotidianamente as suas famílias.

Senhor Secretário e senhor prefeito não permitam que por falta de conhecimento essa arte genuinamente brasileira morra.

Senhor Secretário, será que estes profissionais que trabalham com a capoeira no mundo inteiro aprenderam-na no ensino formal? Vitória da Conquista possui alguma faculdade que tenha a disciplina capoeira para que se possa justificar a exigência de certificados de instituições de ensino que comprove que o candidato à vaga tenha sido professor? O senhor sabia que as escolas de capoeira fornecem para os seus educandos/alunos depois de anos de prática e vivência um certificado/diploma atestando que o mesmo é um profissional da cultura popular (capoeira)?

Senhores secretários, prefeito, vereadores para nós capoeiristas o preconceito e a discriminação ainda não acabou. Amigos e irmão capoeiristas não permitam que este sistema preconceituoso continue. Estamos Juntos! Senhores admiradores, alunos, professores, mestres, educadores, diretores, advogados, intelectuais, políticos, jornais, tvs, blogs e etc. nos ajudem a mudar esses sistema de exclusão.

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