Crepúsculo Sertanejo (Castro Alves)

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Publicado por Editor | Colocado em Cultura | Data: 25 jan 2014

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Crepúsculo BA tarde morria! Nas águas barrentas

as sombras da margens deitavam-se longas;

Na esguia atalaia das árvores secas,

ouvia-se um triste chorar de arapongas.

A tarde morria! Dos ramos, das lascas,

das pedras, do líquen, das heras, dos cardos,

as trevas rasteiras com o ventre por terra,

saíam, quais negros, cruéis leopardos.

A tarde morria! Mais funda nas águas,

lavava-se a galha do escuro ingazeiro…

Ao fresco arrepio dos ventos cortantes,

em músico estalo rangia o coqueiro.

Sussurro profundo! Marulho gigante!

Talvez um silêncio!… Talvez uma orquestra…

Da folha, do cálix, das asas, do inseto…

do átomo à estrela… do verme à floresta,

Colaboração de Eloy Vianna

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