Cultura da Multiplicidade

0

Publicado por Editor | Colocado em Brasil, Cultura, Vit. da Conquista | Data: 26 set 2013

Tags:, , , ,

por Valentina Vaz

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, eu sei, a vida não para”

tempoDormi ontem com uma prece. Pedia em mente para o dia ter pelo menos duas horinhas a mais. A primavera tinha chegado, as pessoas começavam a se preparar para acalmar o coração e eu, que tanto tenho falado em paciência, me achando meio polvo, resolvi movimentar as partes que eu tinha e as que nem existiam no meu corpo, imaginei que tivesse umas três mentes e uns dez braços e comecei a aproveitar o novo ciclo para acelerar.

Decidi que antes de pedir a calmaria das pessoas, tinha que senti-las em seu estado natural. Queria entender a cultura da multiplicidade. Ser muitas numa só. Entender essas pessoas que, conseguem se desdobrar em tantas outras, sentir na pele o fluxo do humor com o relógio determinando se você faz ou não determinada coisa, saber se era possível equilibrar-me na corda bamba entre as emoções e os compromissos que não se adiam por causa delas, sentir a pressão das obrigações que você mesmo se comprometeu a cumprir.

Foi ai que eu descobri que não era tão fácil assim. Entendi que até podia ser o que eu quisesse e que o corpo não termina onde a pele delimita, mas Lenine tinha razão, pra esses corpos pulsando acelerados “mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, eu sei, a vida não para”. A corrupção pode ser legalizada, a cerveja pode estar quente, o café requentado, a casa ficar só durante todo o dia, a cólica aparecer, as urgências de amor acontecerem, que não adianta. A vida não para.

Depois de entendê-las e inserir-me na cultura da multiplicidade, vi que entramos porque queremos e, na maioria das vezes continuamos porque aquilo se torna parte da gente, se torna parte das nossas missões terrenas, se torna uma espécie de cordão umbilical com o mundo. Eu, finalmente, entendo vocês, mas Lenine me entende ainda mais. Eu entrei, mas entrei com uma lei leniniana: “Enquanto o tempo acelera e pede pressa. Eu me recuso faço hora vou na valsa, a vida é tão rara…”

Já que é assim, permaneçamos em acelerada desaceleração companheiros.

AGENDA CULTURAL

1. MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL

Programação para o mês de outubro:

01/10 – Expressionismo Alemão: O gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1920).

08/10 – Vanguarda Soviética: O Encouraçado Potemkin (Sergei Eisenstein, 1925) e Um Homem com uma Câmera (Dziga Vertov, 1929).

15/10 – Realismo Poético francês: Um Dia no Campo (Jean Renoir, 1936) e A regra do jogo (Jean Renoir, 1939).

22/10 – Orson Welles: Cidadão Kane (1941).

29/10 – Neorrealismo italiano – Belissima (Luchino Visconti, 1952).

LOCAL: UESB, das 7h30 às 11h.

2. CUICA CHEGA AO SUDOESTE

LOCAL: Teatro Carlos Jeovah

DATA: 27 de Setembro, 19h.

3. Café Society apresenta: BARATO TOTAL, com Bruno Lina e Will Lopes (Baseado nas canções de Gilberto Gil)

LOCAL: Café Society

DATA: 27 de Setembro, 21h30

5. DEIXE DE ESTÓRIA E VENHA APRENDER HISTÓRIA.

Com Gerson Guimarães e Henrique Carballal/ Atualidades com Prof. Adão/ Show Musical com Narjara Paiva.

LOCAL: Auditório da Escola Normal.

DATA: 28 de Setembro, 15h.

4.  AGROFEST

LOCAL: Área de eventos da COOPMAC (Parque de Exposição)

DATA: 28 de Setembro, a partir das 15h.

 

Os comentários estão encerrados.