Eu só sei dançar forró…

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 27 jun 2014

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Por Nando da Costa Lima

NandoDeixa a política de lado, vamos falar de música.

Eu prefiro Miles Davis… Esta frase geralmente é pronunciada displicentemente pelo dono da casa com ar de “intelectual” balançando a mão esquerda e com um copo de whisky de vinte anos estragado por muito gelo e guaraná, na mão direita… O discurso dos políticos profissionais do nosso país é mutável com o gosto musical de novo rico recebendo visita. Se o visitante pertence a uma família que tem dinheiro há mais de um século eles só escutam música clássica, caso a visita tenha “enricado” nasgestões de Vargas, eles preferem escutar Jazz. Se o convidado ganhou dinheiro na construção de Brasília, época de JK, o som não podia ser outro senão a Bossa-Nova. Mas se o visitante ficou “cheio da grana” depois da ditadura militar imposta em 64, aí eles só escutam músicas de protesto feitas na época. Não tendo visitas eles escutam Pablo ou algum similar ou genérico. A semelhança com os nossos políticos é incrível. Quando sentem que o povo está se distanciando e o poder se esvaindo devido aos excessos e descasos eles começam a dançar de acordo com a música que o povo quer, passam a usar as eternas frases do tempo que se apresentavam como os legítimos representantes do povo, sempre voltados às três palavras mágicas que renascem nas campanhas: educação, saúde e segurança. Esta cantilena parece uma vela já queimando a mão do futuro defunto que, de tão preso à matéria, se recusa a morrer. Lembra também o nosso Hino que tem letra comprida, música grande, parece que nunca vai terminar, mas uma hora acaba. Dá a impressão de que o letrista e o músico se cansaram ou ficaram bêbados e perderam a inspiração, aí o português dono do bar doido pra dormir bateu a mão no balcão e pra dar um basta naquela chatice, cantarolou “Dos filhos deste solo és mãe gentil / Pátria amada Brasil”.

Está passando da hora dos nossos mandatários mudarem, não o hino, mas o discurso recheado de frases de efeito que parecem mais um adolescente pleiteando a presidênciado grêmio do colégio que estuda. Fica engraçado um cidadão (ou cidadã) engravatado e já na “melhor idade” usando termos como “pequeno burguês”, “elite conservadora”, “herdeiros dos coronéis”, “descendentes de escravagistas” etc., etc., etc. Para se defender, agredir ou preservar as oligarquias.

Quanto às palavras saúde, educação e segurança, estas nunca sairão da pauta dos profissionais da política. É como uma música inacabada por falta de criatividade ou incompetência do compositor… Talvez nossos “tatatatataranetos” é que vão ter o prazer de conhecer um artista capaz de por em ordem e terminar esta sinfonia inacabada chamada Brasil. Segundo o vidente e “responsadô” Maneca Azarão, isto só irá acontecer no aniversário de mil anos do descobrimento.Caso a ladroagem não seja um problema genético e que os espíritos sempre evoluam como diz o kardecismo. Mas não precisa desanimar,os videntes quase sempre erram.

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