Sem carros-pipa, famílias da Zona Rural recorrem à água de açude até para beber

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 mar 2015

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por Mateus Novais

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Na casa de dona Noêmia a água não chega a mais de duas semanas. Os tanques secaram e o pouco de água que ainda resta mal dá para o consumo próprio. Sem alternativa, a aposentada de 69 anos, tem que recorrer a um açude. “Essa água é suja, não presta para nada, é cheia de inseto, besouro. É tanto trem, que eu estou vendo a hora de a gente intoxicar com uma água dessa”, afirma.

Quase 40 mil famílias, divididas em 130 localidades da Zona Rural de Vitória da Conquista, estão sendo prejudicadas com esse desabastecimento. Só no povoado da Cabeceira, onde Dona Noêmia vive, são mais de 600 famílias que não tem água, nem mesmo para beber. Toda a comunidade é abastecida por meio de carro-pipa. Porém, o serviço foi suspenso depois que o fornecimento de água foi interrompido no manancial da Embasa, às margens da BR 116, próximo ao Atacadão.

zona-ruralOs ‘pipeiros’ contam que não conseguem abastecer a uma semana, e apontam como culpados a Embasa e a Prefeitura. “A Defesa Civil [órgão ligado à Prefeitura] conhece todo o problema, só que eles parecem que não estão interessados em correr atrás da solução, e a população cobra da gente a água”, disse o ‘pipeiro’ Fabio Luiz em recente entrevista ao BLOG DA RESENHA GERAL.

Em nota, a Defesa Civil informou que “está em contato com a Embasa para que a situação seja solucionada o mais rápido possível”. Já a Embasa diz que o desabastecimento foi provocado por uma queda de energia na barragem Água Fria 1, que abastece o município, no último domingo (22). O comunicado da Embasa diz ainda que “outras duas paradas ocorreram nas semanas anteriores” e que “o abastecimento está sendo retomado de forma gradativa”.

Em resposta às acusações dos ‘pipeiros’, a concessionária estadual de Águas e Saneamento afirmou que “não coloca restrições ao fornecimento de água para os carros-pipa do Exército, pois eles continuam sendo abastecidos. Ocorre que o fornecimento está em processo e regularização no ponto de abastecimento dos veículos, localizado na adutora de Belo Campo”.

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