Laudicéia

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Publicado por Editor | Colocado em Cultura | Data: 17 maio 2013

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Escrito por Nando da Costa Lima

   Nando C. LimaAquela briga estava sendo esperada há muito tempo…,foi em 1919, quando os grupos políticos denominados Peduros e Meletes decidram quem ficaria com o poder atra­vés das armas, um tempo distante onde a palavra era mantida à risca! Os Meletes tinham assumido o poder sobre pressão e que­riam mantê-lo a qualqer custo. Dino Correia já estava em Conquista quando o melete Almirante sacou a pistola e deu alguns tiros pra cima, dizendo que a situação seria resolvida a bala, ele tinha cons­ciência que estava dando início a uma luta que decidiria o destino da política e principalmente do seu pai, o juiz Araújo, um dos líde­res Meletes.

   Coronel Gugé tinha se afastado do cargo de intendente em 1916, seu genro foi nomeado em seu lugar, depois disso a oposi­ção começou criticar a política do sucessor através do jornal ” O CONQUSTENSE”. Os Peduros levaram a melhor nos debates pela imprensa graças ao poeta Maneca Grosso que atacava os meletes pelo jornal “A PALAVRA”. Dino Correia só entrou na briga depois que espancaram seu ex-professor por causa de um artigo dirigido ao Juiz Araújo. Dino ficou muito sentido com a surra que deram em Maneca Grosso e resolveu dar o troco. Maneca era dia­bético e faleceu devido à violência sofrida.E do seu leito de morte, escreveu “Por ti, Conquista, se sofri não nego, nem te renego como sabe Deus, és inocente, não me deste a morte. Mas fora a sorte, fora o fado, adeus….”

   Os Peduros estavam entrincheirados em pontos estatégicos da cidade, os Meletes estavam acuados, um homem morreu no iní­cio da luta e tudo indicava que iria acontecer uma carnificina. Os chefes meletes Maneca Moreira e o juiz Araújo, esperavam o pior, eram experientes e conheciam a capacidade do inimigo, os homens de Dino eram em maior número e estavam mais bem armados, muitos jagunços dos Meletes que se diziam valentes fu­giram assim que correu o boato que o “coroné” Dino ia sangrar todo Melete capturado, alguns deixaram até as armas antes de correr. A morte estava rondando, era só os Peduros resolverem fechar o cer­co, a cauã tinha lançado seu canto agourento mais uma vez sobre o céu de Conquista! Mas felizmente desta vez havia uma mulher, que por coincidência era parteira, uma pessoa reponsável pela chegada da vida, tenha evitado tantas mortes. Dona Laudicéia Gusmão não se intimidou com o tiroteio e atravessou a praça com uma repetição “papo-amarelo” servindo de mastro para uma bandeira branca. Ela queria por fim àquela briga entre parentes que acabaria em tragédia caso não houvesse interferência, sua marcha foi vitoriosa! As mulheres da cidade, incentivadas por sua coragem, acompanha­ram a parteira pelas ruas em sinal de protesto pelos acontecimentos. Foi Dona Laudicéia que conseguiu um acordo enre os dois lí­deres, o coronel Dino já linha saído vitorioso, abriu mão da violên­cia, o que não era comum na época! E assim a atitude de coragem de uma mulher evitou uma grande tragédia que novamente man­charia nossa história de sangue.

   Os Peduros assumiram o poder na figura de Dino Correia. O juiz Araújo e vários outros oposicionistas escaparam da morte e da humilhação graças à interferência de Dona Laudicéia, A Parteira da Paz!

                         Liga não Mô, tudo é passado…

                                                                              (Homenagem aos noivos de maio)

Por conselho de um amigo

me mudei pro interior,

pra arranjar uma noiva

uma moça de valor

Encontrei o que queria

Anabela era divina

era uma moça linda

tinha charme e educação.

Numa relação de amor

tem que ter sinceridade

mesmo que machuque um pouco

o que vale é a verdade

pra conservar a paixão

Preguei com pasta de dente

o bilhete no espelho

só pra não lhe acordar,

noiva tem que descansar.

O bilhete era o seguinte:

Bela tinha prometido

que antes do casório feito

iria me revelar o nome dos namorados

que ela deixou pra trás

antes “da gente” casar

Quando chegou a resposta

o envelope era tão grande

que cheguei a me assustar

recebi um alfabeto

que eu li boquiaberto

em tempo de desmaiar

Só de Zé tinha quatorze

“Nove Chico” e “Seis João”

mesmo morrendo de dor

continuei passando a vista

naquela maldita lista

que arrasou meu coração

Tinha uns “dezoito Zuza”

“três Manéu”, “quatro Aparício”

“doze Pedro” e “sete Dão”

Pra você ter uma ideia

até com  “X” tinha nome

sem contar os ípsilones

“W” tinha de montão

Sem falar ”dos Waldemar”

Walter tinha “doze par”

E Wilton uma porção

Pra acabar de me matar

revelou os apelidos

dos que ela só ficou,

só teve uma relação!

Pé de Banco e João Três Pernas

Nô Bengala e Jonas Jegue

Completaram o listão

Eu chorei de emoção,

triplicou minha paixão

por isso vou me casar

foi pra cama com o ABC

e teve coragem de dizer,

outra assim não acho não

                                                                    Nando da Costa Lima

                                                                                          (Poesia popular)

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