Médico conquistense é destaque em Museu de Minas Gerais

0

Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Brasil, Saúde, Sudoeste, Vit. da Conquista | Data: 14 fev 2013

Tags:, , , ,

Fotografia exposta no Centro de Memória Dr. Adélio Maciel, na Associação Médica de Patos de Minas, mostra o médico conquistense  Ubaldino Gusmão Figueira retirando seu próprio apêndice, em 1941

Sem Título-1

Matéria extraída do Jornal da Associação Médica

Desde agosto de 2010, a Associação Médica de Patos de Minas conta com um Centro de Memória que abriga diferentes objetos ligados à história da medicina. Nominado Dr. Adélio Maciel, nome do primeiro patense a se tornar médico, o espaço funciona no mesmo prédio da filiada e tem entrada independente para visitantes.

O acervo é composto por documentos médicos de Patos de Minas e região. Há um livro de radioterapia do início do século XX, receitas do século XIX, diplomas originais da primeira metade do século XX, além de fotografias do Hospital Regional Antônio Dias, datadas de 1930, ano da inauguração, e da visita do médico Carlos Chagas ao município, em 1923.

Chamou a atenção do presidente da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), o cirurgião geral e gastroenterologista Lincoln Lopes Ferreira, a imagem de uma autocirurgia de apêndice, realizada em 1941. De acordo com o coordenador do Centro de Memória, Giovanni Roncalli Caixeta Ribeiro, mudou-se para Patos de Minas um médico baiano chamado Ubaldino Gusmão Figueira, que abriu o primeiro hospital privado na cidade, em Vitória da Conquista, naquele mesmo ano. Pouco tempo depois, teve uma apendicite e se auto-operou, auxiliado por outro colega médico e por espelhos colocados na sala de cirurgia. “Essas fotos foram divulgadas em mídia nacional na época”, conta Ribeiro.

Segundo o presidente da AMMG, a autocirurgia, além de ser algo inusitado, pode apresentar maior chance de complicações e intercorrências.

“Os riscos do colega, sem dúvida, foram grandes. Podem ter acontecido dores, tonturas, náuseas, tremores e outros incidentes que tornam o ato arriscado. Creio eu que o procedimento seria proibido nos dias atuais. Casos semelhantes são raros e acredito que não passam de duas dezenas em todo o mundo.”

De acordo com o Conselho Federal de Medicina, não há resoluções e/ou pareceres que discutam o tema no Brasil. Ribeiro explica que todo o material do Centro de Memória foi doado por antigos médicos da região: “Alguns colegas, inclusive, já faleceram e as próprias famílias fizeram as doações de objetos da área médica”. Um historiador da cidade, professor Antônio de Oliveira Mello, doou uma cadeira de parto e Ribeiro doou sua coleção de selos que conta a história da medicina.

Ele afirma que o auditório da filiada, Dr. João Borges, também faz parte do Centro de Memória, pois nele existem mais de 30 telas pintadas por artistas da cidade, inclusive por profissionais da medicina, retratando médicos e locais antigos referentes à saúde (consultórios, farmácias, hospitais). “O conjunto de telas gerou uma exposição intitulada ‘Cenas Médicas’.”

Outras raridades fazem parte do acervo, como um aparelho portátil de Raio X, semelhante ao utilizado pela forças armadas norte-americanas nos acampamentos de guerra; uma balança de precisão; livros do século XIX, como o dicionário de medicina francês Littrè. No Centro de Memória também podem ser encontrados o Livro do Chernoviz, formulário e guia médico, um clássico da medicina do século XIX, e o primeiro número do volume da Revista da Associação Médica Brasileira, datada de março de 1954.

De acordo com o coordenador do Centro de Memória, Patos de Minas é a quinta cidade a ter arquivos e equipamentos da área médica em uma espécie de museu. Os outros municípios que preservam a memória da medicina são Barbacena, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Uberlândia. Ele diz que os alunos de medicina do Centro Universitário de Patos de Minas já utilizam o acervo para apresentarem trabalhos no Congresso de História de Medicina. “Para aproveitar o acervo, há na filiada um projeto chamado ‘Arte no Museu’. Nos reunimos periodicamente e apresentamos aulas com temas relativos à história da medicina. Há ainda uma sessão comentada de cinema, com a projeção de filmes ligados à área médica.” Ribeiro conclui que preservar a memória é importantíssimo para não repetir os erros do passado e planejar melhor o futuro.

O acervo está aberto para pesquisas e visitação no período de 8h a 11h e de 13h a 17h, de segunda à sexta-feira. Todo o material pode ser fotografado e copiado, com prévia autorização.

Visitas guiadas podem ser marcadas na própria filiada. Mais informações pelo telefone (34) 3821 3756.

Os comentários estão encerrados.