Mesmo com pedágios, BR-324 acumula mais de 500 buracos na pista

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Publicado por Roberto Silva | Colocado em Bahia | Data: 03 ago 2013

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RTEmagicC_BURACO1.jpgA fama da cratera de 30 metros de comprimento, 15 de largura e, agora, quase 9 de profundidade, que se abriu no Km 618 Oeste da BR-324, no dia 5 de junho deste ano — e continua por lá —, corre longe. Mas, definitivamente, o ‘buraco-pai’ das redondezas não está sozinho. A rodovia que liga Salvador a Feira de Santana tem buracos, buraquinhos e buracões. São pelo menos 517 nas duas pistas. E, sim, eles foram contados ontem pela reportagem do CORREIO.

Mas não fomos os primeiros. O professor Antônio Freire da Silva Neto também contou os buracos, na segunda-feira passada. Ele vai a Feira de Santana toda semana, desde outubro do ano passado, a trabalho ou para visitar familiares. “Na segunda-feira, como o trânsito estava bem lento, fui contar. É tanto buraco que tem trechos em que só dá para andar bem pela pista da esquerda”, disse.

No trajeto de 108 quilômetros entre Salvador e Feira, Antônio contou 244 buracos. No sentido inverso, 188. “A gente paga R$ 7,20 toda vez que vai pra Feira e volta. Para uma pista toda pedagiada, eu posso dizer que estou muito insatisfeito”, disse.

Ele comparou a situação da rodovia com a Linha Verde, também pedagiada, que corta o Litoral Norte e segue até Sergipe. “Eu dou aula em Aracaju e vou uma vez por mês. Eu pago e fico satisfeito, porque tem sinalização, tem telefone de emergência. Agora, a gente vai pra Feira e um trecho tão curto está estragado daquele jeito”, disse. Na BR-324, a tarifa para automóveis é de R$ 1,80 por praça. De Salvador a Feira, há duas praças. Na Linha Verde, R$ 4,60 em dias úteis.

Contagem

O intervalo entre as duas contagens foi de quatro dias. Ontem, no mesmo trecho percorrido pelo professor (Salvador-Feira), o CORREIO contou 327 buracos. No sentido inverso, foram 190. Muitos deles são pequenos, mas ficam próximos, formando um grupo de buracos. Em número menor e mais distante uns dos outros, há buracos que obrigam os condutores a desviar. A maior parte das aberturas grandes — 15 no sentido Feira e 28 no sentido Salvador — fica no acostamento, mas, em alguns casos, já começam a invadir a pista.

Caminhoneiro há 30 anos, Natanael dos Santos, 55, não gosta do que enfrenta diariamente. “Para uma pista pedagiada, deveria estar melhor. Aqui, a gente paga para andar no buraco, isso não é condição de asfalto”, disse. Segundo Natanael, a buraqueira, além de dar prejuízo aos motoristas, acaba causando engarrafamento. “Prejuízo com pneu é certo. Aqui, está em tempo de voar os parafusos”, relatou.

Os desníveis na pista, segundo o professor Antônio Freire, não mexem somente com a paciência dos motoristas, mas também com o bolso. Usando a rodovia pelo menos uma vez por semana, ele já precisa reservar cerca de

R$ 150 por mês para fazer alinhamento e balanceamento. “Não tem jeito, porque, se não fizer, tem que trocar o pneu, e aí é bem mais caro”, reclamou.

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