O que é o adoecimento?

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Publicado por Editor | Colocado em Saúde, Vit. da Conquista | Data: 26 maio 2016

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Por Wolmar Carregozi (Médico)

WolmarTudo o que acontece de diferente com o nosso corpo durante a doença, faz parte de um conjunto de medidas necessárias para a retomada da saúde.
A ciência médica, a imprensa leiga e as próprias pessoas sempre se interessaram em buscar informações sobre doenças, estados mórbidos e suas variações, tais como, grau de acometimento, repercussões clínicas, diagnósticos e prognósticos. Mas, ao que poucos dão importância é à questão fundamental que nos faria entender todo o restante: porque adoecemos, ou ainda, o que é o adoecimento?

O ser humano nada mais é do que um bioma, isto é, a coexistência de vários seres vivos em um mesmo ambiente, já que em nosso organismo coexistem micro-organismos parasitas e comensais. Vivemos sendo atacados a todo instante por bactérias, vírus, fungos, vermes e protozoários, dos quais nos defendemos em maior ou menor grau, conforme as condições do nosso sistema imunológico.

Nossa maior defesa são os glóbulos brancos que circulam na corrente sanguínea. Eles nos defendem de bactérias, vírus, fungos, usando o recurso da fagocitose, que consiste, literalmente, em devorar estes agentes agressores.

Porém, os inimigos em questão não se entregam com facilidade e acabam despejando suas toxinas nas células defensoras e o conjunto da obra acaba culminando na morte de agressores e agredidos. O sistema formado por glóbulo branco morto e bactéria morta, por exemplo, é chamado de piócito (célula de pús).

Em condições normais, mantemos uma quantidade padrão de glóbulos brancos, suficiente para suprir a demanda diária de ataques a que somos submetidos. Porém, quando a infecção se dá em grandes proporções, a reação é imediata e o sistema imunológico entra em estado de alerta.

Ocorre uma proliferação de glóbulos brancos no sangue para compensar a quantidade de células agressoras e é a partir daí que surge o estado de adoecimento.
Para que haja aumento na produção das células de defesa, a medula óssea (onde são originados os glóbulos brancos) necessita de aumento de temperatura para acelerar a eclosão dos novos defensores. O sistema termorregulador é acionado no cérebro e começamos a sentir a febre e seus efeitos bons e ruins.

Como em todo processo de reforma ou reparação, neste caso também cabe a realização de algumas providências necessárias para viabilizar o processo, tais como, racionamentos, cortes de gastos e poupança.

A primeira providência que o organismo toma em caso de adoecimento é promover a falta de apetite, pois, com a diminuição do aporte de alimento, o processo digestivo (que é o maior gerador de gasto energético) estará reduzido, facilitando, assim, a economia de energia, necessária para manter o indivíduo em condições satisfatórias para a recuperação.

Da mesma forma, a pessoa doente sente necessidade de repouso, o que chamamos de adinamia, também imposta com a finalidade de economia de energia.

Muitas mães, diante do pediatra, queixam-se que seus filhos estão indispostos, não querem brincar e nem comer. Basta entender que estas são medidas de racionamento energético que o próprio organismo adota na intenção de utilizar as reservas durante o processo de cura.

A natureza é sábia, então, fatores que aparentemente são nocivos, neste caso, estão sendo utilizados para contribuir com o restabelecimento do paciente. Um computador quando é reiniciado, dá, inicialmente, a falsa impressão de falência, já que passa por um processo de “desligamento”, porém, quando retorna à atividade está com outro ânimo.

Assim, também acontece com o nosso organismo quando adoecemos e precisamos passar por um processo necessário de verdadeira desconfiguração.

Quando apresentamos febre, sentimos sede, porque quando há elevação da temperatura para aumentar a produção de glóbulos brancos, há grande consumo de água, daí a necessidade da ingestão de líquidos.

Como muitos resíduos da atividade de defesa são excretados pelos rins, necessitamos ingerir maior quantidade de líquidos para que haja uma melhor depuração e, consequentemente, melhor reparação dos estragos causados pela infecção (eliminação de bactérias oportunistas, piócitos, cristais e outros elementos que devem ser descartados).

Quando, rotineiramente, nos preocupamos em ingerir a quantidade de líquido necessária (2,5 l/dia) para um bom desempenho da função renal, este trabalho é facilitado e otimizado quando houver necessidade de excretar estes resíduos com maior rapidez e eficiência.

Tudo o que acontece de diferente com o nosso corpo durante a doença, faz parte de um conjunto de medidas necessárias para a retomada da saúde.

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