POLÍTICA BRASIL – 2010

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 30 out 2010

Paulo Pires


Debate ou sabatina?

O encontro dos candidatos à presidência, promovido pela TV Globo ontem (29/10/2010) mostrou-se pouco eficaz para os eleitores indecisos. Principalmente estes. O modelo arquitetado pelos sábios da TV efetivamente não funcionou. As pessoas que o IBOPE selecionou, ao final do encontro, ficaram com cara de panacas, visivelmente frustradas. Motivo? Simples. Ao fazer sua pergunta ao candidato e obter deste a resposta, quem fazia a réplica não era o próprio eleitor, mas o candidato oponente, que direcionava seu discurso invariavelmente para um enfoque que não contemplava o questionamento do indeciso. Ao final de cada questionamento observava-se que nem o respondente tampouco o replicante atendiam adequada e objetivamente ao que foi perguntado. Por isso a coisa falhou, não deu certo.
No frigir dos ovos, quem ganhou o debate foi Dilma. Não porque ela tenha se saído melhor, mas porque o candidato Serra não pôde aplicar as bordoadas que vinha desferindo na petista como fez em debates anteriores. Por incrível que pareça justamente na última semana os tucanos foram vítimas de peripécias delinqüentes de alguns dos seus correligionários. Serra vinha crescendo, espalhando boas sementes, “vendendo” imagem positiva de “candidato do bem”. Eis que nos últimos dias explodiu uma série de denúncias naquele bendito ou maldito Metrô de São Paulo colocando o ex-governador numa situação de estagnação e declínio eleitoral que ele e milhões de eleitores jamais esperavam que fosse ocorrer. Como dizia meu velho pai: “Mas será o seiscentos diabos?”.
O fato é que desde o início da campanha, ou melhor, antes do início da campanha, a candidatura Serra começou claudicante. Sua relutância (pelo menos aparente) em assumir logo que era o candidato, a inveja de Aécio Neves, a escolha do Vice (o adolescente índio da Costa) e mais outras trapalhadas e equívocos (que posteriormente detalharei) mais a luta inglória de ter como adversário um Presidente com aprovação popular jamais vista em nossa História, tudo isso e outras coisas indicavam dissabores múltiplos que o ex-governador de São Paulo iria experimentar.
Infelizmente, ainda não foi desta vez. O autor desta coluna, eleitor neste segundo turno de Dilma Roussef, declara mais uma vez estar identificado com o Projeto de Governo proposto pela petista. Ele dá continuidade às políticas do Presidente Lula. Creio que Dilma fará um grande governo e o Brasil ao final do seu mandato vai chegar a conclusão de que a escolha foi certa. Tudo lhe é favorável. Desde o apoio majoritário da Câmara e do Senado, até o conjunto de obras projetado para o PAC 2, sem falar nas expectativas de uma alavancagem gigantesca propiciada pelas riquezas do Pré-Sal.
Se Dilma Roussef conseguir abrandar a sanha da corrupção de alguns políticos que inarredavelmente lhe cercarão (dizem que ela é mais durona que o Sargento Tainha), certamente terá condições de fazer um grande Governo.
Em relação ao pessoal que apoiou Serra, considero que resta a opção de torcer para que Dilma dê certo. Já imaginou se ela falhar? Já imaginou se nossa Economia voltar a ficar desguarnecida, sem blindagem? Lembremo-nos de 2008/ 2009. Se não tivéssemos “blindado” adequadamente nossa Economia muita gente que hoje está aí, em pé, ganhando dinheiro adoidado, teria quebrado. Teria mesmo. Mas o Governo Lula da Silva criou um modelo econômico que evitou, debelou de forma magistral, nossa entrada na Ciranda da Quebradeira Internacional. Méritos para Lula e para os ministros Guido Mantega e Henrique Meirelles (este Lula trouxe do PSDB) para dar um jeito em nossa Economia e Política Financeira (Meirelles é um bambambã em Finanças).
Em relação ao moderado apoio dos empresários à campanha de Dilma, os jornalistas internacionais ficaram sem entender essa baixa adesão. O do New York Times disse que “muitos dos empresários brasileiros não souberam avaliar o perigo a que escaparam em 2008/2009, se as políticas econômicas do Governo Lula não fossem corretas”.
Com toda honestidade: Se o ministro Mantega e o ministro Meirelles não fossem excelentes o Brasil e os brasileiros teriam entrado no maior pepino Econômico-Financeiro dos últimos 80 anos. Mais uma vez mérito para Lula que na formação do seu governo perguntou aos auxiliares mais diretos: Quem é bom de Finanças no Brasil? Informaram-lhe: Henrique Meirelles, do PSDB. Lula respondeu: “Eu quero esse homem no meu governo”. E não é que deu certo? Como dizia Sarney (Deus me perdoe por citar esse nome): “Tem que dar certo”. Dessa vez deu…

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