Por meio de carta, comunidades se manifestam contra o fechamento do Colégio Estadual Nilton Gonçalves

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Publicado por Editor | Colocado em Educação | Data: 13 nov 2017

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Da Redação


As comunidades dos bairros Ibirapuera, Bruno Bacelar, Nenzinha Santos, Alvorada, Nossa Senhora Aparecida e a Associação de Moradores do Bruno Bacelar, por meio de uma carta aberta, se manifestaram contrários ao fechamento do Colégio Estadual Nilton Gonçalves. De acordo com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia, a unidade escolar deixará de funcionar a partir de 2018.

Segundo as comunidades, a notícia do fechamento da escola, que atende a região, há mais de 17 anos, foi recebido com pesar e muita tristeza. Além disso, eles reclamam da falta de diálogo, já que a medida foi tomada sem realização formal de uma consulta junto à comunidade escolar. “Reconhecemos que não há nada de estranho na forma como o governador Rui Costa, por meio de sua Secretaria Estadual de Educação – SEC, está conduzindo o fechamento do colégio Nilton Gonçalves. Este mantém o mesmo tratamento dado historicamente às populações menos favorecidas pelo Estado. Não precisa dialogar, não precisa respeitar e ouvir suas demandas. Esta sempre foi a regra. A exceção é o contrário, são momentos raros”, afirma a nota divulgada.

Já conforme o Governo Estadual, os alunos que estudavam no Colégio Nilton Gonçalves “têm suas vagas garantidas nos Colégios Estaduais Anísio Teixeira e José Sá Nunes”. Porém, para os moradores da região, “o discurso em nota afirmando que está garantido o acesso dos estudantes a outros estabelecimentos de ensino é vago, frio e protocolar. É a mesma lógica de quem fecha uma escola numa cidade pequena do interior e diz que está assegurado o acesso a outra no município vizinho a quilômetros de distância”.

Confira a nota na íntegra:

A comunidade escolar do colégio Nilton Gonçalves, as comunidades dos bairros Ibirapuera, Bruno Bacelar, Nenzinha Santos, Alvorada, Nossa Senhora Aparecida e a Associação de Moradores do Bruno Bacelar declaram publicamente, com pesar e muita tristeza, o lamentável fato do fechamento de uma escola que serve a estas comunidades há mais de 17 anos.

Reconhecemos que não há nada de estranho na forma como o governador Rui Costa, por meio de sua Secretaria Estadual de Educação – SEC, está conduzindo o fechamento do colégio Nilton Gonçalves. Este mantém o mesmo tratamento dado historicamente às populações menos favorecidas pelo Estado. Não precisa dialogar, não precisa respeitar e ouvir suas demandas. Esta sempre foi a regra. A exceção é o contrário, são momentos raros.

Trata-se de escola de periferia, devem estar pensando. Os alunos e pais se viram para conseguirem acesso a outras escolas. Aliás, o discurso em nota afirmando que está garantido o acesso dos estudantes a outros estabelecimentos de ensino é vago, frio e protocolar. É a mesma lógica de quem fecha uma escola numa cidade pequena do interior e diz que está assegurado o acesso a outra no município vizinho a quilômetros de distância.

Não importa como chegarão, com que esforços, com que sacrifícios. Mas o direito está garantido. Não importa se a escola atende a uma comunidade de mais de 15 mil pessoas. Não importa se quase 800 alunos estão matriculados e perderão os laços de pertencimento com o lugar que estudam. Não importa se os alunos do turno noturno terão que vencer o medo da violência e o cansaço do dia de trabalho para retornarem para suas casas numa distância ainda maior. Não importa que nossa educação brasileira seja frágil, marcada por números de evasão enormes e que, criar mais dificuldades, só eleva estes números.

Não importa se entre essas comunidades estão famílias que precisam de ensino mais acessível porque as condições socioeconômicas são frágeis. Se entre essas comunidades existem parcelas significativas de sua juventude convivendo com a vulnerabilidade criada pela presença do tráfico de drogas ou com a violência urbana que, lamentavelmente, separa jovens de bairros que se enxergam em oposição e conflito. Nada disso importa. Importa mesmo a lógica fria onde só os números fazem sentido. As pessoas são meros detalhes.

Vitória da Conquista, novembro de 2017, Bahia.

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