Projetos estratégicos de desenvolvimento para Vitória da Conquista

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Publicado por Editor | Colocado em Economia, Vit. da Conquista | Data: 26 set 2015

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Por Josemar Rodrigues

A massa humana que vive e circula em Conquista pode estar aproximando-se das 400.000 pessoas.

Conquista

Vitória da Conquista chegou à posição de cidade emergente do interior irradiando a influência de seus serviços sociais, econômicos e financeiros a uma região com mais de 2,0 milhões de habitantes, cujo espaço geográfico já ultrapassa o Sudoeste da Bahia para alcançar municípios da Serra Geral. Documento da Prefeitura estima em 90.000 pessoas a composição do fenômeno que os demógrafos chamam de população flutuante, ou seja, não residentes que, periodicamente, entram e saem do perímetro urbano da cidade. A massa humana que vive e circula em Conquista pode estar, portanto, aproximando-se das 400.000 pessoas.

Frente a essa realidade, surge naturalmente a questão. Como criar condições propícias à geração de renda e de empregos permanentes para o segmento da população economicamente ativa, sem aqui mencionar e analisar o alcance e à abrangência que devem ter os serviços de infraestrutura, de educação, saúde, mobilidade urbana, segurança e de lazer, entre outros? Setores que, por sua vez, geram empregos.

Para enfatizar a importância da empregabilidade formal e colocá-la acima de outras necessidades do desenvolvimento econômico e socialmente equilibrado, vale à pena lembrar que o trabalho dignifica o ser humano e que o desafio de gerar emprego para homens e mulheres, com o avanço das tecnologias economizadoras de mão de obra e as sucessivas crises econômicas, deixou de ser questão exclusiva dos países pobres e em desenvolvimento, para estender-se às denominadas nações industrializadas. Atualmente, países europeus, ditos desenvolvidos, sofrem com o desemprego que ameaça os níveis de bem-estar social e econômico alcançados por suas populações. A geração de empregos formais transformou-se no grande desafio global do Século XXI. Os projetos estratégicos de desenvolvimento, cujas ações e efeitos atingem grupos de população, bem trabalhados com abordagens analíticas de diagnósticos esclarecedores, técnicas de planejamento dinâmico, ofertas de incentivos fiscais e com parcerias público-privadas oportunas e bem estruturadas, representam a resposta ideal para promover a geração de empregos permanentes e a distribuição da renda.

A identificação e priorização de projetos de desenvolvimento nos diversos setores da economia de Conquista, dentro de um esquema de planejamento sistêmico, é uma alternativa que pode ser usada nas atuais circunstancias que caracterizam o seu sólido e consistente crescimento urbano e sua influência regional. Demanda gastos, mas a relação custo x benefício é altamente favorável no espaço e no tempo. Estabelecida como parte de uma programação urbanística voltada para o bem-estar da população, é um exercício eficiente que permite analisar criticamente as múltiplas necessidades de desenvolvimento da cidade e projetar e priorizar soluções eficazes e efetivas para remover os entraves, as restrições ou os déficits revelados sob a ótica da geração de empregos, principalmente para a população jovem que luta por um espaço no mercado de trabalho.

Vitória da Conquista, com seu dinâmico crescimento de cidade emergente e com seu raio de influência sobre um amplo espaço geográfico, abre um imenso leque para a identificação e priorização de projetos estratégicos de desenvolvimento que gerem empregos e que, necessariamente, devem ser concebidos com dois focos bem distintos. Primeiro, a busca dos projetos voltados para o perímetro urbano de Conquista, que são essenciais. Segundo, os projetos de abrangência regional para a produção de bens do setor primário da economia, tendo Conquista como centro de polarização das ações. A economia do nosso município, cujo setor de serviços entra com 81% na composição de seu PIB, considerando a pequena dimensão de seu atual território, depende em grande medida dos projetos produtivos de abrangência regional. Com feito, para fortalecer a economia da Conquista, faz-se necessário promover e incentivar os setores econômicos geradores de bens (agricultura e indústria), cuja riqueza produzida é essencial para ampliar e robustecer os serviços econômicos e sociais. O impacto do Polo Cafeeiro do Sudoeste da Bahia, no passado, ilustra sobremaneira e reforça esse argumento. Vejamos brevemente alguns exemplos ilustrativos.

No primeiro grupo, entre os projetos de desenvolvimento urbano geradores de emprego por excelência, considerando as características, dimensão, localização, altitude e clima da cidade, podem ser citados:

Plano de Desenvolvimento Industrial

Polo de Turismo de Inverno para Conquista

– Parque Industrial de Tecnologia Limpa

No grupo dos projetos regionais, cuja execução teria impacto na geração de empregos e incidiria diretamente no desenvolvimento de Conquista, estão:

 – Reativação do Polo Cafeeiro;

Produção de Maçã nas Partes mais Alta do Planalto

– Cacau no Semiárido do Sudoeste e da Serra Geral

Melhoramento Genético da Cadeia Ovina/Caprina no Sudeste e na Serra Gera Ø Produção e Processamento de Mel de Abelha

– Aquicultura do camarão marinho cultivado nas represas da região

Existem estudos preliminares e exploratórios de cada um desses projetos, em alguns casos em nível de prê- viabilidade. São ideias ou propostas que demandam estudos adicionais viabilidade e que, com o Brasil superando a crise que abala sua economia e que exige uma renovação política no país, poderiam ser objeto de exame analítico por parte de uma Administração Municipal, também renovada, que tenha visão futura do desenvolvimento de Vitória da Conquista como a cidade emergente que detém o maior potencial de crescimento na Macrorregião Nordeste do Brasil.

* Josemar Ferraz Rodrigues, filho de Arlindo Rodrigues, ex-prefeito de Conquista, é aposentado como coordenador de projetos do Banco Mundial em Washington

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