Que será de nós?

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Publicado por Editor | Colocado em Política | Data: 22 ago 2015

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Por Ubirajara Brito

ubirajara-britoEstamos todos muito apreensivos com a situação a que chegou o Brasil, outrora tão promissor, vivendo, nos dias atuais, duas crises das mais terríveis que nos atingiram nos últimos 25 anos: crise de caráter político e crise econômica. O povo perdeu a fé nos seus representantes, na maioria dos seus líderes e dirigentes, chefes de empresa, e na própria mídia, cuja opinião não merece credibilidade para a maioria esmagadora da população.

Os partidos de oposição carecem de base ideológica e de programas consolidados que os instrumentem à uma crítica construtiva às ações governamentais. Por outro lado, o governo, desestruturado e atabalhoado, sem rumo, apela para atos punctuais, e quase todos de importância discutível para o país. As grandes empresas, responsáveis por abrigar a mão de obra nacional, e de vender produtos tecnológicos no exterior, estão ocupadas em resolver os problemas policiais que envolvem alguns de seus dirigentes. O judiciário, em lugar de cuidar do ordenamento jurídico de todas as instituições do país, está tomado pelos escândalos que lhes chegam em centenas de inquéritos, ocupando milhares de policiais federais. Toda a nação brasileira entrou numa fase de retrocesso irrefreável, para o qual os ajustes fiscais que se anunciam são meros paliativos.

Cada poder da República está mais preocupado em atender os seus interesses corporativos. O projeto de Brasil potência, quinto país do mundo em extensão e população, sétima economia do globo, e que dispunha do melhor corpo diplomático profissional do planeta, ao lado de algumas escolas de quadros comparáveis as melhores do mundo, está indo às brecas. Abandonou-se a Educação como prioridade programada. A saúde esbanjou recursos na nossa melhor fase financeira. Os projetos de infraestrutura, sem obedecer a qualquer plano, encontram-se inacabados.

Os abundantes recursos da nossa fase áurea (ano 2002-2013), foram gastos em estádios, vilas olímpicas e nas farras das estatais e para-estatais, dirigidas com incompetência e eficazmente aparelhadas pelos partidos do poder. Foi assim.

Que será de nós?

Foram pelo ralo: 80 bilhões na Petrobrás; cerca de 40 bilhões no sucateamento de obras inconclusas; 60 bilhões em estádios, olimpíada e financiamentos de infraestrutura hoteleira; 60 bilhões desperdiçados pelo FIES, financiando, sem critério de avaliação, 1.900.000 universitários nas instituições privadas de ensino superior; 60 bilhões de subsídios fiscais, para incentivar o consumismo das classes emergentes C, D e E. Há ainda a registrar as transferências com perdas brutais de recursos do FAT, que foram repassados aos banqueiros e empresários a juros subsidiados. Se fosse só a empresários brasileiros, tudo bem. O pior é que parte desses recursos foi para o caixa de empresas estrangeiras, as quais remetem os lucros sobre eles para suas matrizes no exterior, a exemplo das multinacionais FIAT e VIVO.

Apenas as cifras citadas e somadas alcançariam quase 300 bilhões de reais, suficientes para construir 15.000 kms de ferrovias (75 bilhões), 100 universidades equipadas para 10.000 alunos cada (50 bilhões), duplicar e construir 30.000 kms de rodovias pavimentadas (90 bilhões), implantar 30.000 leitos hospitalares, munidos de todos os recursos técnicos e tecnológicos para procedimentos médico-cirúrgicos de última geração (30 bilhões); e ainda sobraria para a transposição do São Francisco, modernizar e equipar portos e aeroportos, desobstruir e adequar hidrovias, com vistas a reduzir o custo Brasil. Que será de nós?

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