Réplicas e tréplicas no debate de sindicalistas bancários

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 16 set 2013

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Caro Eduardo

eduardo moraesInfelizmente tenho que discordar da grande maioria dos seus argumentos para tentar justificar a censura exercida pela imprensa do sindicato dos bancários de conquista em relação à opinião do bancário Yuri Durval, sobre os rumos do movimento sindical no Brasil”.

Empirismo e despolitização

Caro Alequiçônio Leite,
Entendo que numa democracia, o barulho dos maus pode contribuir muito mais para o fortalecimento dessa democracia do que o silêncio dos bons!
É salutar a discordância e o debate franco, quando esse barulho tem como objetivo fazer elevar as condições de consciência e vida dos trabalhadores para um patamar ainda mais elevado. Mesmo não concordando com muito do que foi dito pelo bancário Yuri, especialmente pela acusação de censura, o que não é verdade e já explicamos que o mesmo não foi publicado no Trocando Ideias do jornal O Piquete Bancário, porque a edição do texto para o diminuto espaço poderia desfigurá-lo, mas, de pronto publicamos nos demais canais de comunicação do Sindicato, basta clicar no link: http://www.bancarios.com.br/site/noticias.php?cod=27561.Creio que o problema foi mais na comunicação, o que poderia ter evitado toda essa celeuma.
Lamentavelmente, você enquanto diretor desrespeita a unidade que sempre prevalece em nossa diretoria. Unidade essa necessária para superar as adversidades. Você tenta se apropriar de um mal entendido, para transformar em um acontecimento político fazendo uma série de afirmações empíricas e fantasiosas.
Os trabalhadores têm pressa. Desejam respostas imediatas e permanentes para suas necessidades presentes. Apresentemos, agora, as possibilidades de solução e respostas para essas necessidades.
Lamentavelmente, sofremos os males da pós-modernidade, o consumismo, o individualismo, a busca pela realização pessoal levam as pessoas ao desinteresse pelas questões coletivas, a igualdade política e soluções para as coisas públicas.
Prevalece apenas uma visão utilitarista da política, sendo esta vista simplesmente como cenário de disputa, pela representação de diferentes interesses individuais.
“Começa a faltar com a verdade ao dizer que a opinião do bancário foi disponibilizada em todos os canais da imprensa do sindicato. Até a presente data 11 de setembro de 2013, a matéria não estava disponibilizada no site oficial do sindicato o www.bancarios.com.br, diferente da entrevista da diretora do sindicato e funcionaria do banco Itaú, Luciene Argolo.”
O texto que o bancário alega censura, e já justificado o porquê de não ter sido publicado no jornal impresso, encontra-se publicado no Facebook (https://www.facebook.com/bancariosvdc) e no site (http://www.bancarios.com.br) do Sindicato desde o dia 25 de julho de 2013.
“Mesmo tendo sido questionado em reunião de diretoria executiva na segunda-feira dia 10 de setembro, e ter se comprometido a colocar a matéria no site do sindicato, não foi feito, que só colocaria quando pudesse elaborar uma resposta. Ou seja, a censura aconteceu e permanece, já que o acesso ao face book é limitado ao usuários inscritos e não toda categoria. Porém para outros bancários o tratamento foi diferente com a predileção pelo discurso padronizado.”
Nunca houve esta resposta. Como o texto do colega bancário foi publicado em sua conta no Facebook, a resposta, da mesma forma, foi postada por mim como comentário.
A publicação no site e demais canais de comunicação do Sindicato, de ambos os textos, estendeu-se para propiciar uma melhor participação dos interessados nesse debate. De acordo com a pesquisa feita pelo Sindicato, a maioria dos bancários tem conta nesta rede social.
“Não é difícil entender porque na pesquisa Ibope publicada em 02 de agosto a confiabilidade dos brasileiros nos sindicatos só é pior do que no SUS, no Congresso Nacional e nos Partidos Políticos. A dificuldade de mobilização é fruto da falta de confiança nesses representantes. Por que isso? O colega Yuri já delineou os principais aspectos. Aparelhamento partidário das Centras, dos Sindicatos viabilizando um projeto de poder que só interessa a alguns. Por isso, só pode ser hipocrisia quando o diretor de imprensa chama de fascista quem discorda e resolve se manifestar contra os oportunismos e as tentativas de ocupar o Estado sem importar o preço. Ou por acaso, o partido que o diretor defende e chama de esquerda, o PC do B fazer acordo com Paulo Maluf (inimigo publico do Brasil, isso dito por eles mesmos em outros tempos), entre outros para assumir a vice-prefeitura de São Paulo. ou é oportunismo, ou Paulo Maluf está regenerado milagrosamente. Infelizmente a imprensa do sindicato usou o editorial do Piquete para defender entre outros, Orlando Silva o Ministro dos Esportes do PC do B demitido por corrupção. Mais um motivo para a falta de credibilidade.”
Esse senso comum, de despolitização e relativismo, não é próprio de um dirigente sindical com quase 30 anos de ativismo. Na realidade, a pesquisa referida é como uma fotografia que mede o momento.
É lúcido e verdadeiro afirmar que nenhuma instituição passou incólume pela onda de protestos. Dos bombeiros aos partidos políticos, das igrejas aos sindicatos, todas essas instituições não foram bem avaliadas pela população – inclusive, meios de comunicação, governo federal, prefeituras, Legislativo e Judiciário. Algumas foram bem avaliadas, outras menos. É verdade que todas as instituições, inclusive as patronais, estão tendo dificuldades em se mobilizar, já que, todos, momentaneamente, estão focados em encontrar saídas pelo individualismo. E, o fato do movimento sindical estar avaliado à frente do Congresso Nacional e SUS, não é motivo para comemoração.
Sobre a crise de representatividade, estudos apontam que, em função da melhoria da renda e qualidade de vida no país, a nova classe média se acomodou e, no lugar da luta pelo bem comum, agora quer ter acesso ao consumo, aos bens e serviços que lhes foram negados desde sempre.
É tudo o que os políticos tradicionais querem: uma nova classe média despolitizada, e que pensa que acesso à cidadania é apenas consumir. Penso que as dificuldades de mobilização e a “crise de representatividade” enfrentadas neste momento foram o que nos restou de legado da ditadura militar. O que restou dela é a total aniquilação de qualquer resquício de uma sociedade civil consciente e politizada.
Que aparelhamento? Quanto à instituição, ressalto, o nosso Sindicato é uma entidade que transpira democracia, que convive em sua diretoria com um diretor que faz oposição sistemática, mesmo o Sindicato tendo historicamente uma prática plural e democrática, a serviço das mudanças que interessam aos trabalhadores e trabalhadoras. Se há hipocrisia, é de quem odeia a liberdade e a construção da igualdade política.
Mentir, caluniar, invejar, espalhar preconceito e ódio contra aquele que se declara militante, especialmente dos partidos de esquerda PC do B e PT. Essa é uma tentativa nefasta de afastar o povo da política, materializada em uma prática que só interessa aos fascistas.
O fascismo, para quem não sabe, “é o sistema de governo em que a ordem é negar todos os direitos e liberdades fundamentais aos indivíduos e tornar o poder executivo o senhor irrestrito da sociedade”.
É uma forma de radicalismo político autoritário que ganhou destaque no início do século XX na Europa. Os fascistas procuravam unificar sua nação através de um Estado totalitário e hostil à democracia liberal, ao socialismo e ao comunismo.
Os fascistas compartilham características comuns, incluindo a veneração ao Estado, devoção a um líder forte e uma ênfase em ultranacionalismo, etnocentrismo e militarismo.
O fascismo vê a violência política, a guerra, e o imperialismo como meios para alcançar o rejuvenescimento nacional e afirma que as nações e raças consideradas superiores devem obter espaço deslocando aquelas consideradas fracas ou inferiores. Como no caso da prática nazista na Alemanha (Hitler), Espanha (Franco) e Itália (Mussolini)”.
Sobre acordo com Maluf, peça explicações ao PT de São Paulo. Todo o trabalhador consciente deve respeito aos 91 anos de história do Partido Comunista do Brasil (PC do B), que desde 1922, até aqui, é o partido pelo qual mais militantes deram suas vidas para que vivêssemos hoje em liberdade nessa jovem democracia. O PC do B é o único partido que tem a honra de disponibilizar para a nossa nação um projeto de sociedade cientificamente fundamentado e voltado para ser aplicado coletivamente por todos que defendem e acreditam em um Brasil justo e fraterno. Os militantes desse partido merecem respeito por tudo que já fizeram e fazem por este país. Por mais que queiram, essa história não pode ser negada.
O ex-ministro Orlando Silva, condenado pelo Partido da Imprensa Golpista (PIG), pelo pagamento de um beiju com o cartão corporativo, foi inocentado pela Justiça, pois nada ficou provado por aqueles que o caluniaram. Seus questionamentos sobre a probidade do ex-ministro devem ser dirigidos a ele para que você tenha a resposta merecida.
“Enquanto os sindicatos nos anos 80 e 90 foram importantes para contrapor as ideias neoliberais, fazendo oposição sistemática aos governos, Sarney, Collor, Itamar, e FHC, a partir do final dos anos noventa quando os partidos que se diziam de esquerda (principalmente PT e PC do B) começaram a aceitar doações dos banqueiros começa a mudar as ações. Após a eleição de LULA para a presidente, o que se viu foram Centrais e Sindicatos amordaçados, uma vez que a base sindical que garantiu a eleição foi cooptada pelos mais variados motivos. A destinação de milhões de reais para as centrais sindicais, o que gerou inclusive a criação da CTB, com seus principais dirigentes ligados ao PC do B, a qual o Sindicato dos Bancários de Conquista e região passou a ser filiado após sair da CUT. Por outro lado, os milhares de empregos nos cargos públicos “amaciaram” os dirigentes sindicais ligados a esses partidos. Desde então a maioria desses sindicatos viraram “Chapa Branca” por opção, não por pressão como foi na ditadura de Vargas, ou dos Militares a partir dos anos 60. O importante era defender a governabilidade e os empregos e não os trabalhadores, basta ver a omissão dos sindicatos quando após derrubado no Congresso e Fator Previdenciário (criado por FHC, combatido veementemente pelo movimento sindical) foi vetado por LULA, silencio total das centrais e dos sindicatos, inclusive o nosso. A famosa “Kombi do Sindicato” sumiu das ruas.”
Esse é o discurso dos liberais e neoliberais, repetido nos editoriais do Jornal Nacional, Estadão, Folha de São Paulo, Veja etc. Os sindicatos continuam fazendo greves, desde sempre, dentro das condições reais. Por mais que seja desejado, nenhuma instituição sem as condições reais, dadas na correlação de forças e mobilização, faz grandes mobilizações de massa.
Não são discursos vazios e inflamados que farão os trabalhadores se levantarem na luta contra a superestrutura de todas as instituições que sustentam o capitalismo.
Lutamos e agimos diariamente para que os sindicatos e movimentos sociais voltem às ruas em grandes mobilizações, exigindo mais liberdade e direitos, reforma política que aprove o financiamento público para as eleições, fim do fator previdenciário, reforma agrária, regulamentação do sistema financeiro, saúde, educação, transporte, segurança pública universal e de qualidade para todos os trabalhadores e trabalhadoras.
“Para tentar se defender o diretor de imprensa Eduardo Moraes ataca o bancário, acusando-o “de ser novo na categoria”, “de achar tudo pronto”,” de não participar”, revelando o preconceito com os bancários recém-chegados a categoria. Parece que tudo que esta aí, foram os dirigentes sindicais que conquistaram. A forma preconceituosa e intimidatória, com a qual se refere ao bancário, demonstra o interesse de manter os trabalhadores longe das instancias de decisão da categoria , reforçando a centralização das decisões dos rumos das lutas nas mãos de uns poucos “iluminados”. Não é a toa que nos últimos dez anos praticamente são os mesmos diretores que tem viajado para representar os bancários nos congressos da categoria. Por isso, a defesa de índices que não atendem aos bancários, já que banqueiros e governo estão juntos na mesa única de negociações, e um valor justo , poderia colocar o governo em cheque, pois é dele o comando das direções da Caixa, Banco do Brasil, BNB, principais bancos públicos.”
É verdade que nem todo ser humano tem “luz” própria. Não é verdade que haja centralização, ou que sempre os mesmos diretores que têm sido eleitos delegados para as conferências.
Cumprindo as deliberações das nossas assembleias, estiveram nos representando nos últimos anos todos os companheiros e companheiras que disponibilizaram os seus nomes: Delson Coelho (BB), Eduardo Moraes (Bradesco), Sandra Mara (CEF), Edson Assunção (CEF), Rogério Braga (CEF), Renã Reis (CEF), Carlos Alberto (ITAÚ), Wilton Costa (Bradesco), Ruydemberg Coqueiro (HSBC), Luciene Argolo (ITAÚ), Lirâncio Oliveira (MERCANTIL). Não faço minha defesa pessoal, faço a defesa do nosso Sindicato.
Ao contrário da sua afirmação, estamos nos sentindo realizados, pois, quando assumimos esta diretoria, colocamos como desafio fazer com que os bancários de toda a base se aproximassem dos nossos canais de comunicação, lendo, criticando, sugerindo, concedendo entrevistas, escrevendo, interagindo.
O restante trata-se da refinada análise conjuntural aprendida nos bancos de Oxford, Harvard e Sorbonne.
“A luta dos trabalhadores vai continuar mesmo que forças adversárias utilizem de todos os artifícios para manter o status quo, se infiltrando como camaleões para confundir os horizontes, é graças a coragem e a determinação de jovens trabalhadores como Yuri Durval, que os avanços irão ocorrer.”
É verdade! Os camaleões que ainda ontem se fingiam de defensores da luta de classe, mudaram, não apenas de cor, mas de lado e se veem arrependidos e passam a pisar e cuspir no legado que outro dia ajudaram a construir.
“Fazendo parte da diretoria do Sindicato dos Bancários de Conquista e região, posso falar com a responsabilidade de quem participou acompanhou ativamente todo o processo de ascensão e declínio do movimento sindical, sempre procurando defender com independência as posições que acredito serem as mais corretas na defesa dos interesses dos trabalhadores, mesmo sendo minoria dentro da atual diretoria e contrariando os interesses daqueles que tem se utilizados das entidades sindicais para os mais diversos fins.
‘“É bom que as ilações de que as entidades sindicais são utilizadas para os mais diversos fins, sejam esclarecidas para que não paire dúvidas’.”.
Só o amor, o respeito ao próximo, a compaixão, a solidariedade, o companheirismo, a luta coletiva e a certeza de onde se quer chegar, são capazes de construir um mundo novo.
Nossa história de vida tem sido dedicada a nossa cidade e às causas do povo brasileiro, não se resume à luta sindical. Atuamos em várias frentes de forma dedicada e voluntária a serviço de quem mais precisa. A hora é de cada vez mais trabalhadores e trabalhadoras reafirmarem suas posições de classe e estarem unidos na luta contra quem nos oprime.
As reuniões de diretoria funcionam como momento de apreendizado. É o lugar onde se debate e apresenta propostas viáveis para superar adversidades.
Infelizmente, ser contra tudo e todos, o tempo todo, é assenhorar-se de proprietário da verdade absoluta, o que causa na pessoa um vazio e isolamento do mundo real tão imenso, que nem Freud explica.
A hora é de unidade, de ação e de apresentação de propostas capazes de mobilizar e fazer avançar nas mudanças que interessam à classe trabalhadora. Nossa luta é contra os banqueiros e o capital. Chega de empirismo e falsa polêmica.
• Eduardo Moraes
Diretor de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Bancários de Conquista e Região
Alex Leite é Funcionário do Bradesco e diretor de Cultura e Formação do Sindicato dos Bancários de Conquista e Região.

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