Sabedoria popular IV, ou, semelhanças e diferenças

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 13 jul 2014

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Por Valdir Gomes Barbosa

Valdir GomesDepois da pífia apresentação feita pela Seleção Brasileira em toda a Copa restou, na semifinal, a derrota humilhante contra a Alemanha e a confirmação, frente a Holanda, de que os sete a um não foi mero apagão, como disse Scolari.

Sob comando de “Filipão”, o Palmeiras caiu para a segunda divisão do campeonato brasileiro, contudo, foi escolhido para comandar a equipe nacional que disputou este campeonato findando, para nós, com ares de profunda melancolia. Não se argua acerca de vitórias anteriores, quando dirigiu o Brasil em 2002, Portugal em seguida. Daí em diante, sua “scolaridade” não revelou ter reciclado, na busca de conhecimento, das novas táticas e técnicas aplicadas pelos treinadores vencedores do cotidiano.

Frise-se, ano passado, na Copa das Confederações sai vitorioso e a euforia pela conquista ilude a grande maioria dos brasileiros, certos de arrebatar o hexa. O êxito de 2013 funciona como um mar de promessas, nas quais creem os desavisados, capazes de se deixar agradar por títulos paliativos, como bolsas que não combatem a miséria, nem extinguem a pobreza.

Todavia, não se pode enganar sempre e a mão do Soberano atenta a tudo, cuida de sacudir para despertar. Na derrota para Alemanha, pelo placar de sete a um – talvez para lembrar o 71, gíria que remete ao falsário, na referencia ao artigo 171 do código penal, que trata de estelionato – e na confirmação do fracasso frente a Holanda, por três a zero levamos de dez.

Fica assim o registro do imponderável. A alegria anódina de 2013, mero paliativo, não permitiu chegar à final tão ansiada, no dia treze, do mês sete, de 2014. Seria a maldição do treze? Seria o sete – conta do mentiroso – que ao dobro somam quatorze, uma alusão a dobradas mentiras? Incontáveis promessas irrealizadas, neste país maravilhoso, de pessoas especiais, como este varonil povo brasileiro, tão sofrido e guerreiro.

Em meu sentir, é preciso aceitar a derrota, até porque, no futebol hão de existir perdedores e ganhadores. E a derrota no esporte, como na vida deve servir de exemplo e caminho para superação. Assim, quatro anos à frente, alguns destes mesmos derrotados de hoje poderão ressurgir e empunhar a taça, como fizeram os heróis de 1970, depois de arrasados em 1966, campeões de 1962.

Pergunta-se, porém. Valeu a pena gastar trinta bilhões, saídos dos bolsos deste mesmo povo varonil que chorou nos estádios e nas ruas, a perda do que seria a Copa das Copas. Posto pontificaram promessas não cumpridas, como dos aeroportos padrão Fifa inacabados, transporte de massa qualificado etc.

Entretanto, o que se viu e se vê é o continuísmo da saúde, educação e segurança destroçadas, em contraponto às maravilhosas Arenas feitas a custos exorbitantes, sobre os quais recaem suspeitas fundadas de superfaturamento. Algumas delas construídas em Estados onde não há sequer representante local, na elite do futebol brasileiro, a exemplo das Arenas, Nacional, Pantanal, Dunas, Castelão e Amazônia.

Acordo com a visão do time brasileiro vaiado, saindo de campo sem direito a uma medalha sequer e caminho na praça chorando outra vez ao pé do caboclo. Sol entre nuvens volta a brilhar com intensidade, após chuva forte que ozoniza limpando tudo. Prometo não torcer para Alemanha, quanto mais pela Argentina; queria ver os dois derrotados, mesmo sabendo que isto não é possível, nem justo, mesmo lembrando que os alemães realizaram em Cabrália, por conta própria, coisas que governantes brasileiros não fizeram, nas esferas municipal, estadual, ou federal, em seis meses.

Que vença o melhor! Pensando nisto me dirijo de novo ao largo da Vitória. Vou pedir à padroeira que ilumine nosso povo, para que vote certo em outubro, desconfie das promessas vãs e não se contente com migalhas. Do contrário, na próxima Copa da Rússia teremos um país que levou mais quatro anos a andar de costa. Disse dia destes e repito: quem anda de costa não progride.

Encontrei de novo no trajeto, o ambulante. Veio-me com outra. Gritou do outro lado da rua:

Dr. : “Sabe qual a diferença de “Filipão” para Lula?” Aguardei a resposta.

“Filipão assume tudo quanto é erro. O outro, não sabe de nada”.

Tive que rir outra vez.

 

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