Sindicato censura bancário no Jornal O Piquete

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Publicado por Editor | Colocado em Geral, Sudoeste, Vit. da Conquista | Data: 06 set 2013

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da Redação

BancárioA nossa redação recebeu comunicado do bancário Yuri Durval reclamando da influência que o PT e PCdoB exercem no sindicato da categoria. Os sindicatos da classe trabalhadora, com raríssimas exceções, funcionam como braços partidários em defesa de suas ‘ideologias’. Em Vitória da Conquista, o Sindicato dos Bancários,  é um desses braços do PCdoB  há muitos anos. Abaixo o recado do bancário de Itarantim com apelo ao Blog da Resenha Geral solicitando divulgação. O artigo será tema dos comentários de Herzem Gusmão, no Jornal da Cidade e Resenha Geral, da próxima 2ª feira, 9 de setembro.

Leia:

Meu nome é Yuri Durval, sou funcionário do Banco do Brasil há mais de um ano na cidade de Itarantim e sindicalizado pelo Sindicato dos Bancários de Conquista e Região.

Resolvi entrar em contato com o blog porque concedi uma entrevista no final do mês de julho à Ascom do Sindicato com mais dois colegas de Vitória da Conquista, externando a minha insatisfação com a influência que os partidos políticos de situação (PT e PC do B) exercem sobre as centrais sindicais que, por sua vez, manipulam as votações na Conferência Nacional dos Bancários.

O fato é que essas entrevistas desagradaram a direção do sindicato e acabaram sendo censuradas no informativo do sindicato: O Piquete Bancário.

Abaixo, segue um artigo que redigi para narrar o episódio, justificar a minha opinião através de dados reais e para mostrar como ainda repercute dentro de um sindicato que tenta promover o alinhamento de discurso.

Eu espero que seja de interesse do Blog da Resenha Geral.

 Segue artigo …

A crise de representatividade  no Movimento Sindical e seus desdobramentos na região de Vitória da Conquista
Extenso, porém interessante!

Há pouco mais de um mês, eu e mais dois colegas da classe bancária de Vitória da Conquista e região  fomos entrevistados pela ASCOM do Sindicato dos Bancários a respeito da pauta de reivindicações aprovada na última Conferência Nacional dos Bancários, que agora serve como base para as negociações com a Fenaban (o chamado braço sindical da Federação Brasileira de Bancos) e que também norteia as negociações paralelas com os bancos públicos.
A pauta de reivindicações é composta, entre outros pontos, pela redefinição do piso salarial, pela ampliação da PLR (participação nos lucros e resultados), além, é claro, da destacada questão do reajuste salarial.
Excetuando o reajuste, os outros pontos da pauta são praticamente indiscutíveis dentro da classe bancária, pois são resultados de estudos, críticas e observações construídas nos últimos anos de luta.
O fato é que o índice de reajuste aprovado como meta pela maioria dos representantes sindicais para a Campanha de 2013 repercutiu negativamente na base por se encontrar abaixo das expectativas, o que não se deu de forma diferente na região de Vitória da Conquista.
Logo, assim como os demais entrevistados, procurei externar esse descontentamento me desprendendo dos outros pontos da pauta, que são justos, porém previsíveis. Além disso, relacionei o fato de uma meta tímida ser resultado da influência exercida pelas centrais sindicais (CUT, CTB e demais) nas decisões da Conferência.
Por que eu fiz essa relação? Respondo: porque é do conhecimento de todos as relações entre as referidas centrais sindicais e os partidos de situação que se encontram à frente do Governo Federal, em especial o PT e o PC do B.
O que isso implica? Para quem não sabe, a União é parte interessada no lucro dos bancos, pois participa do setor com a Caixa Econômica Federal e é acionista majoritária do Banco do Brasil. Se isso não basta para compreender a relação, observem ainda que, no ano de 2012, de acordo com a prestação de contas feitas pelos partidos ao TSE, o setor financeiro respondeu pela terceira maior fonte de doações aos partidos, perdendo apenas para as construtoras e para a agroindústria. Foram “doados”, aproximadamente, R$ 51.280.000,00, isso apenas para 2012 e dentro do que está oficialmente contabilizado.
Voltando ao caso das entrevistas, o que eu percebi foi que, após as mesmas terem sido publicadas no site oficial, elas acabaram causando determinado mal estar na direção do Sindicato dos Bancários de Conquista e Região, pois foram mal interpretadas e associadas de forma equivocada às afinidades ideológicas professadas pelos envolvidos.
Como resposta às entrevistas, ouvimos que a nossa opinião não poderia afastar os bancários da luta. Primeiro equívoco, já que não foi esse o meu objetivo e acredito que também não foi o objetivo dos outros dois colegas, até porque nós continuamos a trabalhar em nossas agências e convivemos, todos os dias, com os motivos que nos conduzem à greve mais uma vez.
Em seguida, as interpretações feitas desbancaram para o campo político-ideológico. Segundo equívoco, pois o que se discutia era como as Centrais Sindicais se comportam de forma duvidosa dentro do contexto “PT e aliados no poder” e o quanto isso tem comprometido a causa real do trabalhador.
Em nenhum momento, durante as entrevistas, as críticas foram direcionadas especificamente ao Sindicato de Conquista e Região, mas as mesmas entrevistas publicadas no site não foram publicadas no O Piquete Bancário, o informativo impresso e periódico oficial do sindicato, ao contrário do que se esperava tendo em vista a relevância do tema e o quanto se fazia recente, naquele momento, a realização da Conferência.
Se me perguntarem o que motivou a não publicação das entrevistas no informativo, nada posso afirmar, mas, sendo formado em Jornalismo e conhecendo o profissionalismo dos membros da assessoria de comunicação do sindicato, tenho bons palpites.
Passado algum tempo do episódio, me deparei com a entrevista da colega Luciene Argolo, Diretora para Assuntos de Gênero, publicada no informativo do sindicato com o título “Mudança de pensamento e comportamento”, citação da própria colega. Interessante como essa entrevista resgata e parece dialogar com a repercussão das outras que, infelizmente, não tiveram a mesma publicidade.
Mais uma vez, avalio como contraditório pensar ou suspeitar que estar descontente com o que foi aprovado significa que não queremos lutar. Definitivamente, não é isso. Se o movimento sindical sofre com o esvaziamento, que procure refletir sobre as suas verdadeiras razões e não em se apoiar nas divergências pontuais entre a base e os representantes. Inclusive, boa parte dos representantes precisam aprender a aceitar e reconhecer que essas divergências existem e, acima de tudo, que devem ser respeitadas.
Pode parecer exagero dizer isso, mas quando escutamos que devemos “buscar a unidade”, precisamos refletir se por trás dessa ideia não existe uma oposição à pluralidade de opiniões. Talvez essa, sim, seja uma das razões do esvaziamento do movimento sindical, não só o dos bancários em particular, mas do movimento de uma forma ampla. Por isso, tenho a ousadia de propor novamente que o sindicato, como parte desse movimento, reflita sobre a questão.
A mudança de pensamento e comportamento é um exercício que precisa ser feito também por nossos representantes. Não é só a política que passa por uma crise de representatividade e negar essa crise não vai fazer com que as instituições resolvam o problema.

[…]

Link das entrevistas que avaliaram a pauta de reivindicação (25/07/2013):
http://www.bancarios.com.br/site/noticias.php?cod=27266

Link da versão digital do informativo O Piquete Bancário (28/08/2013)
http://bancarios.com.br/site/img/artigos/0339405001377698066.pdf

 

 

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