Sindicato dos Bancários se posiciona após divulgação de carta aberta de bancário e sindicalista

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Publicado por Resenha Geral | Colocado em Política, Sudoeste, Vit. da Conquista | Data: 10 set 2013

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Da Redação

eduardo moraesNo dia 06 de setembro publicamos aqui uma espécie de carta aberta escrita pelo bancário e sindicalista, Yuri Durval, na ocasião ele relatou suposta influência que o PT e PCdoB exerceriam sobre o sindicato da categoria.

No início desta semana Eduardo Moraes, diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários de Conquista e Região enviou uma nota comentando a situação:

Mais de 80% de bancários filiados… Qual a crise de representatividade?

 

Ataque e acusação descabida

Seu artigo teve ampla divulgação em todos os nossos canais na web

Caro Yuri,

Todos que nos acompanham sabem da nossa luta histórica pela democratização e pelo fim do monopólio dos meios de comunicação social.

De forma obstinada, praticamos incontáveis estratégias para incentivar a participação da categoria nessa luta e em nossos canais de comunicação: blog, site, twitter, facebook, rádio web, boletim eletrônico e Jornal O Piquete Bancário.

Inclusive, a fim de divulgar as opiniões da categoria, construímos o espaço de até (700 carácteres) denominado Trocando Ideias no Jornal O Piquete Bancário, exatamente para convidar os bancários e bancárias a opinarem sobre os temas mais diversos.

Após uma pesquisa de opinião realizada para saber qual o canal mais acessado pela categoria bancária de Conquista e Região, ficou explícito que o Facebook tem preferência esmagadora. Além disso, trata-se do principal ícone das redes sociais atualmente.

Nesse caso, resolvemos investir pesadamente nesse canal, daí a opção por divulgar o seu depoimento e dos outros dois colegas no Facebook e também no site.

Se o seu texto fosse editado e publicado no reduzido espaço do Trocando Ideias/Jornal Impresso, poderia ser descaracterizado. Portanto, não há motivo para nos acusar de censura ou algo semelhante.

Essa acusação de censura que estaria sendo praticada por parte da Diretoria de Imprensa e comunicação do nosso Sindicato é algo descabido. A atual dificuldade de mobilização tem sido um desafio para todos: igrejas, partidos, sindicatos, movimentos estudantis, trabalhadores do campo e da cidade, desempregados, etc.

A velha tática dos fascistas de atacar os partidos de esquerda soa como algo proposital para desqualificar a política enquanto um dos caminhos para fazer a sociedade avançar.

Essa história de “Sindicato enquanto correia de transmissão” está superada desde o século passado. A sua acusação descabida de censura aparenta algo orquestrado.

O Sindicato continuará no caminho da luta por mais democracia, valorização do trabalho, democratização dos meios de comunicação e mais direitos para os trabalhadores.

O nosso Sindicato e as Centrais Sindicais do Brasil (CTB, CUT, Força sindical, UGT, NCST, CSB, CGTB, e CSP Conlutas) lutam por Qualidade e Diminuição do Preço dos Transportes Coletivos, 10% do PIB para a Educação Pública, 10% do Orçamento Para a Saúde Pública, Fim dos leilões das Reservas de Petróleo, Fim do Fator Previdenciário e Aumento do Valor das Aposentadorias, Redução da Jornada de Trabalho, Contra o PL 4330 (Terceirização e precarização do trabalho), Democratização dos meios de comunicação, Reforma Agrária e Salário Igual Para Trabalho Igual.

Para entender melhor como funciona todo esse processo, o ideal é que o colega se disponibilize a participar tanto dos fóruns específicos dos trabalhadores do Banco do Brasil, encontros regionais, interestaduais e nacionais, bem como dos fóruns gerais. Tenho certeza que pode contribuir muito para a elevação dos debates.

No mais, nos colocamos à disposição para as lutas, unindo forças pelo fortalecimento e mobilizações da nossa categoria, para arrancarmos um bom acordo nesta campanha salarial.

Todas as questões contidas em nossa pauta são reivindicações históricas que ganharam maior força a partir da década de 90.

Não é verdade que a definição do índice de reajuste salarial dos bancários tenha sido manipulado pelas “lideranças sindicais”. Lembro que: precede à Conferência Nacional dos Bancários, os vários encontros regionais e, posteriormente, os encontros específicos por bancos, além de uma consulta aplicada por Sindicatos de todo o Brasil, com o objetivo de apurar a expectativa da categoria. A Conferência Nacional dos Bancários é, portanto, o momento onde o contraditório é amplamente debatido pelo conjunto da categoria representada nesse fórum. Lembrando que, na Conferência participam dirigentes e ativistas de base de todas as regiões do país eleitos nas conferências estaduais e interestaduais. Nesses fóruns, após os debates, prevalece o desejo da maioria apurada em votações abertas.

Em assembleia, a base de Conquista e Região definiu por um índice de 17%, que foi levado à Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe. Também defendeu, na Conferência Nacional, a reposição das perdas salariais do período FHC. Porém, na votação fomos derrotados. Uma vez aprovado pela maioria, o índice de 11,93%, passa a ser o número nacional da categoria.

É exatamente essa pluralidade que faz da nossa categoria referência para os demais trabalhadores em nível nacional. Somos a única categoria com uma Convenção Nacional conquistada na luta. No mais, esse discurso de que as centrais amaciam a luta aparenta preconceito aprendido com os setores antitrabalhadores.

Esse discurso de demonizar a política só interessa à classe que nos oprime exatamente pela omissão dos que permitem que o espaço da política seja ocupado por reacionários, pilantras, salafrários, oportunistas…

A categoria indicou, na consulta nacional, que é a favor de uma reforma política com financiamento público. Todas as instituições financeiras fazem doações para os candidatos de todos os partidos, com generosidade para os neoliberais privatistas do PSDB/DEM.

Não há qualquer equívoco, muito menos incômodo. Este Sindicato é o que é graças a sua postura de respeito às instâncias estabelecidas em Estatuto e ao fortalecimento da democracia, sempre estimulando a categoria a se informar e opinar, o que há pouco tempo era impossível, tal o terror disseminado pela política neoliberal de reajuste zero, demissões e não realização de concurso com o intuito de preparar os bancos públicos para a privatização. Privatização essa impedida, graças à resistência do movimento sindical.

Vamos para mais uma Greve pra valer, com toda força dos bancários e bancárias da base.

Não há qualquer equívoco ou dúvidas. As divergências fazem parte do processo democrático. O movimento sindical brasileiro sempre esteve na luta pressionando governos e patrões pela valorização do trabalho. Muitos dos dirigentes, inclusive, pagaram e pagam um preço elevado por se colocarem a serviço da defesa dos interesses coletivos. Muitos colegas foram perseguidos, presos e torturados pela ditadura militar. Hoje, são menosprezados e humilhados pelos bancos. Sem direito a plano de cargos e salários , quando não liberados, confinados ou apartados para que não tenham acesso permanente aos demais colegas, como se leprosos fossem.

Pelo comportamento de um ou outro dirigente, não podemos aplicar essa pecha ao movimento sindical. Basta ver quantas lutas foram travadas ao longo dos últimos dez anos, pelo fim do fator previdenciário e valorização do trabalho.

Aqui trabalhamos com apuração verdadeira da notícia ouvindo sempre os dois lados, apresentando a verdade dos trabalhadores. Ilações, adivinhações ou palpites, é coisa de apostador do jogo do bicho.

A diretora referida é mãe de família dedicada, estudante de Direito, militante do Movimento Familiar Cristão (MFC) e dedicada dirigente do nosso Sindicato. Teve participação ativa na última Conferência Nacional dos Bancários. Indignada com o resultado da luta travada na Conferência pela aprovação do índice apresentado pelos bancários da Bahia e Sergipe, e sendo derrotados na votação, concedeu essa entrevista a fim de explicitar o seu sentimento e com objetivo de esclarecer à categoria sobre os bastidores do que ocorre nesse fórum. E entendo que sem prejuízo do debate no fórum propício. Definida a nossa pauta de reivindicações, cabe a unidade da categoria para alcançarmos uma vitória. Entendendo que não é agora o momento de ficar dissecando se devemos todos nos agregar ou não em torno da pauta que está sendo negociada. O momento é de unidade e luta.

Sem qualquer sofisma, o Sindicato dos Bancários de Conquista e Região, independente de quem o dirige, historicamente, jamais se furtou da luta, que inclusive se pauta na correlação de forças, independente do nosso sonho ou desejo. A realidade impõe o ritmo da luta e o tamanho da vitória.

O companheiro é novo na categoria e já encontrou tudo pronto, resultado das lutas travadas por centenas de atuais e ex-colegas, de um Banco do Brasil que ainda não cumpre a sua função social, mas que continua público. Talvez, por estar chegando agora à categoria o companheiro, equivocadamente, faz uma série de afirmações desconexas. Esperamos que você contribua para a construção de uma greve forte e unitária de todos os bancários em nossa campanha salarial 2013, pois a participação de todos é necessária para fazer avançar em respeito à nossa categoria e valorização do nosso trabalho.

Eduardo Moraes

Diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região

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