Sindicatos divulgam Carta Aberta aos deputados de Rui Costa (PT)

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia | Data: 23 dez 2015

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da Redação

Rui

O que a Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa da Bahia denominou de Pacote de Maldades, do governador Rui Costa (PT),  continua tendo fortes reações dos servidores públicos do Estado da Bahia. Os sindicatos que agregam trabalhadores de várias categorias,  divulgaram uma Carta Aberta,  que chama atenção dos deputados da base que insistem em votar contra os servidores públicos. Leia a íntegra:

Carta aberta aos deputados da base governista:

Deputados, nos dirigimos aos senhores neste momento como uma última tentativa de sensibilizá-los para o que está por vir caso nesta quarta-feira (23) sejam aprovados em definitivo os projetos enviados à Assembleia Legislativa pelo governo, que mexem com direitos e conquistas do funcionalismo. Caso isso ocorra, que os senhores tenham conhecimento, que a relação do movimento sindical de servidores públicos estaduais com os parlamentares que votarem a favor das medidas sofrerá uma ruptura.

Sabemos que a base do governo é heterogênea, que vai desde deputados com uma trajetória nos Movimentos Sociais e na construção da esquerda, a parlamentares de direita, sem qualquer vínculo com as organizações populares. Por isso, queremos falar diretamente àqueles que historicamente reconheceram e respeitaram os servidores públicos e o seu papel na luta pela transformação da Bahia e do Brasil.

Aos senhores, queremos falar da decepção que foi perceber que o comportamento dos deputados governistas que vocês tanto criticavam até 2006 está se reproduzindo fielmente neste momento. Houve uma clara mudança na relação dos governos do PT com os servidores públicos à medida que os anos se passaram, chegando agora a um quadro em que não há qualquer debate e as coisas são aprovadas sobre a pressão do governador, para quem, lamentavelmente, os senhores estão se submetendo sem qualquer espaço para a dúvida. Não há diferença entre este modo de agir e o modo de atuar do grupo que antecedeu o governo Wagner.

Os senhores já atravessaram grandes tormentas ao lado de muitas das atuais lideranças dos sindicatos, na luta pela democratização do Brasil, pela libertação da Bahia do julgo carlo-soutista e por avanços que representassem melhorias das condições de vida do povo. Não entendemos como podem agora, no momento em que o governador se apega a medidas malvadas e endereçadas à parte mais frágil do serviço público, se calar e aceitar de cabeça baixa tais imposições, sem debate, sem qualquer possibilidade de mudança.

Não foi para isso que lutamos tanto para mudar a Bahia. Não foi para isso que derrubamos o coronel e seus soldados em 2006. Lutamos para que a democracia, a conversa, o entendimento e as boas relações de trabalho estivessem à frente do arbítrio e da imposição. Hoje, infelizmente, percebemos, a volta ao tempo em que as relações se limitavam à formalidade do protocolo da Governadoria e da Saeb, onde nossas pautas eram recebidas para sequer serem analisadas.

Apelamos para que os senhores não consolidem este cenário, com a votação desta quarta-feira (23). Este apelo que fazemos, de forma pública, será o último, já que o rito de atropelo e rolo compressor imposto pelo governador e pelo presidente da Assembleia impedirá uma nova oportunidade. Com a aprovação das medidas, entendemos, estará ultrapassada em definitivo a possibilidade de conversas. E assim, entraremos em 2016 sob um novo tempo nas relações entre os senhores – deputados com história no movimento social – e o movimento sindical dos servidores públicos.

Vivemos uma luta política que se agrava no Brasil, entre as forças do atraso e os setores progressistas. Na sociedade, neste momento, por conta dos sucessivos fatos negativos que marcam o governo federal, prevalece uma visão conservadora, apontando vantagem àqueles que sempre estiveram do outro lado, contra o serviço público, contra os trabalhadores. A atual conformação das bancadas legislativas, com prevalência de deputados mais ligados ao empresariado e ao capital sobre os parlamentares ligados aos trabalhadores da cidade e do campo, mostrou, claramente, que estes ventos influenciaram o voto em 2014. Com a atual conjuntura, isso tende a piorar.

Deputados, não acreditamos que os senhores não entendam o que está em jogo neste momento. Há atitudes para às quais não existe reparação. O golpe que se avizinha contra os servidores públicos baianos será colocado neste rol, das decisões políticas sem volta, sem possibilidade de serem revistas para evitar suas consequências.

Lembramos. O servidor público é o estado na vida do cidadão. É ele quem arrecada os recursos e executa as políticas públicas, nas várias secretarias e órgãos. São os servidores que estão, todos os dias, representando o governo junto à população. Pisoteados, tenderão a reagir da forma que mais atingirá os seus algozes, não somente com greves e paralisações, mas também com a força da palavra. A cada ação política procede-se uma reação. Sabemos como reagir e iremos reagir, seja no final de 2015, seja em 2016 e em 2018 – anos eleitorais – e a qualquer momento. Reflitam.

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