A outra banda da história

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 15 jun 2019

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Por Nando da Costa Lima

Foi real demais pra ser verdade… Sei lá, parece até que foi sonho misturado com verdade. Do jeito que ele contava, o ouvinte perdia horas escutando suas histórias sobre a abdução dos índios que povoavam o Planalto da Conquista até o século XVIII. Benevides Cantador falava com autoridade, eu acho que é verdade. Segundo ele, os fundadores da Vila da Vitória não mataram nenhum índio. Tem gente que diz que ele ficou meio amalucado depois que achou uns manuscritos, tipo um diário dos seus antepassados. Se foi isso mesmo, não devia ter mexido. Ficou sabendo de tanta barbaridade que passou 8 dias sem dormir nem falar nada com ninguém. Quando voltou a conversar e a se alimentar, já foi com essas histórias de disco voador levando índio pra morar em outros planetas… E Benevides preparava o ambiente antes de entrar no assunto: falava da altitude da terra do frio, um tabuleiro num descampado! Daí a ser um lugar místico, atrai muita energia cósmica e espiritual. Ele narra a travessia dos Imborés pra Marte em versos…

Uma nave resplandecente, que do céu incandescente desceu na terra ainda bruta, para evitar uma luta que seria desigual. Os brancos vinham armados, e também bem motivados: sabiam que a terra era boa. Lutariam até a morte com os donos do lugar. João estava decidido, fez até uma promessa, prometeu a Nossa Senhora que assim que lá chegasse ergueria uma igreja em sua homenagem. Todos da caravana fizeram questão de jurar junto com o chefe que daquela terra eles não iam abrir mão. Muitos olheiros tinham ido na região e só voltaram com boas notícias, falavam que era divisa da caatinga com a mata, no inverno era só descer a serra pra aquecer os rebanhos e os homens… No alto da serra tinham várias nascentes de águas cristalinas e a vista se perdia no horizonte. João sabia que era o lugar certo pra criar raízes, e assim fez o nosso fundador. Fez daqui a Vila da Vitória. Só que a história escrita diz que houve vários conflitos com os índios, que mantinham uma dura resistência. Para eles era um paraíso, no inverno desciam pra caatinga. Quem mais sabia o quanto a terra valia eram eles. E as coisas foram resolvidas violentamente, era o único jeito… Dizem que os canos dos clavinotes derretiam de tanto atirar em índios. Não podemos julgar as atitudes dos homens sem termos vivido sua época! Uns falam que foi genocídio, outros acham que não. Pra se ter uma ideia formada é necessário que se aprofunde na história real, não em achismos.

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Paletó de aluguel

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 maio 2019

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Por Nando da Costa Lima

Pastor Ariovaldo saiu corrido, nem a mala pegou! Estava devendo uma nota alta pro dono da boate, restaurante, casa de jogo e hotel “Boa Sorte”. Era o ponto ideal para quem gostava da noite, e Ariovaldo usava todos os serviços da boate-hotel. Mas foi o jogo que complicou sua vida, tava devendo muito dinheiro pro dono do lugar. Salustiano emprestava o dinheiro pra qualquer um, mas se atrasasse o pagamento, tava fudido. Depois que ele ficava enraivado, não aceitava nem o pagamento. Só sossegava depois que descarregava o canela seca no filho da puta que o enrolou. Não perdoava ninguém: nem dotô, nem padre, nem pastor, e muito menos parente ou pai de santo… Parece até que ele gostava de levar calote só pra dar uns tiros num sacana.

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Espinhaço de gato

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 04 maio 2019

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Por Nando da Costa Lima

Não era de hoje que Climério procurava Vitalino, já tinha rodado meio mundo atrás de um curador retado como aquele. Climério era um homem rico e místico, tinha herdado aquilo do pai. O dinheiro ele jogou todo fora fazendo feitiço pra enricar mais ainda, só ficou um alqueire de terra, a sede e uma meia dúzia de guias espirituais que ele ainda conseguia sustentar. Não dava um passo sem consultar estes guias foram eles que indicaram o curandeiro Vitalino como a única solução para aquele problema… era ele que ia ajudar Climério abrir o cofre da prefeitura e recuperar as escrituras dos terrenos que lhe foram tomados. Aquilo nem podia ser considerado roubo, mas para isso era preciso a orientação de um curandeiro de respeito. Vitalino era uma peça rara, além de saber todo tipo de “livusia” ainda “invurtava”, morava socado no meio duma mata onde só ia quem queria algum compromisso com o “tinhoso” e olha que muita gente voltou no meio do caminho. Mas os que lá chegaram acabaram firmando compromisso, teve até conquistense que se deu bem com as garrafadas de Vitalino.

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Pra sempre vice

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 27 abr 2019

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Por nando da Costa Lima

Genebaldo tava cuspindo brasa, tinha surgido um boato de que o vice presidente da fábrica de vassouras 5 Estrelas LTDA. ia assumir o cargo de presidente, que era dele. Tava tão retado que disse o diabo pros funcionários que não tinham nada a ver com o caso. Começou dando um murro em um dos balcões e falou aos gritos que ele só saía da presidência morto.     

— Tão pensando o quê? Vocês já viram alguma empresa ir pra frente quando o presidente é menos capacitado que o vice??? Isso não existe em empresa nenhuma, quando isso ocorre a firma quebra. Eu estou nesse cargo por mérito, tenho curso de administração por correspondência. Não é só porque eu sou sócio que estou presidindo, é por minha competência. Essa conversa de que meu irmão Arquimedes vai assumir o meu lugar é velha, ele mesmo sabe que não tem capacidade… Um homem que quando vê um empresário forte fica parecendo menino querendo doce, isto é um absurdo! Eu sei que pega mal esculhambar com parente em público, mas quando bota o nome da “Fábrica Cinco Estrelas” em jogo, eu perco a cabeça.

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Tá lascado!

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 abr 2019

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Por Nando da Costa Lima

O ambiente era o retrato da pindaíba: quando você vê estrelas pelo telhado é porque o barraco já tá pra desabar. A não ser que você seja compositor de samba e ache que é gostoso dormir olhando para o céu. No morro de compositor não chove e barracão vira bangalô. Mas na casa de Jorge Alicate o trem tava feio mesmo, não só dava pra ver as estrelas como os carros que passavam na rua pelas rachaduras na parede. Mesmo assim, ele e Nelza estavam alegres. Chegou um compadre que eles não viam há tempos. Era primo de Nelza e amiguíssimo de Jorge, e ainda trouxe um litro de pinga pra adoçar a conversa. Continuaram compadres mesmo com o afilhado tendo morrido num assalto: a vítima reagiu e o revólver dele era de brinquedo, o dono da loja descarregou um 38 nele. Mas não foi por isso que os amigos deixaram de se tratar como “cumpades”. O cumpade Nô Bicudo morava longe, era só de vez em quando que ele aparecia. O casal ficou tão feliz que esqueceu até do miserê que vivia. Nô Bicudo, além do litro de pinga, trouxe um frango assado, farofa e meia dúzia de maçãs para a comadre. A conversa ficou animada, lembraram da infância, da juventude….

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Caçola é com “C” cedilha

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 13 abr 2019

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Por Nando da Costa Lima

Só descobriram porque Dão Cheiroso, que era apaixonado pela noiva, botou tudo a perder. Isto é: esculhambou com a vida do professor que já chegou ali com a intenção de montar um grupo de teatro. Tá certo que naquela boca de caatinga, falar era coisa rara! Talvez porque o ano foi de chuva, o pessoal tava até mais sociável, suportaram aquele prosa ruim explicando que era especialista em expressão facial, que estava ali à disposição do povo pra transmitir seus conhecimentos das artes cênicas e aproveitar e ensinar à mulherada a ler e escrever. 95% da população era analfabeta! Só aquele doido metido a professor pra salvar a situação preenchendo o tempo com alguma coisa útil.

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Mãe é Mãe

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 23 mar 2019

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Por Nando da Costa Lima

  Meu “fio” João Pelêgo era tão dedicado ao patrão que deixava o burro dormir arreado pra no caso do “coroné“ Eustáquio precisar de alguma coisa. O pobre do bicho ficou uma peladura só! Fazia pena! O “coroné” em passeio pela fazenda passou pela casa de João e quando viu o burro naquele estado, ele que não gostava de malvadeza, ficou tão retado que mandou dois cabras arrear João e deixar um dia amarrado ao sol. Depois disso João Pelêgo nunca mais foi o mesmo, ele que era valentão, amofinou. É claro que o arreio machucou o corpo, lascou o homem pra falar a verdade! Ainda mais com o peste do neto do “coroné” montando de espora e cortando ele na taca toda hora que passava por perto. Mas o que mais doeu é que ele tinha o patrão como um herói, além de ser padrinho do seu filho. Não tinha necessidade daquilo só por causa de um bicho pagão. Se o bicho dormia arreado era pro bem do “coroné”, que era um homem doente e a qualquer momento podia precisar de socorro. É o que dá querer ser prestativo demais! Ainda botaram o apelido de rei dos puxa-saco só porque não levou a mulher pro hospital pra parir, Julinda foi parir andando, também, “era só 3 léguas”. Pior era deixar o “coroné“Eustáquio sozinho depois de ter comido feijoada à noite. E se ele empanturrasse e passasse mal! Quem é que ia comprar a Jurubeba Leão do Norte pra aliviar a queimação no bucho? Quem mais sabe que João Pelêgo não é de adulação com ninguém sou eu que sou a mãe dele. Puxa-saco! Só esse povo invejoso que acha isso. Injustiça com meu menino!.. Tão servidor que mal recuperou da insolação e já doou um rim pra filha do “coroné”, até se comprometeu de no caso do netinho de seu Eustáquio sofrer do mesmo mal da mãe que pudesse tirar o outro. O próprio “dotô” que fez o transplante distratou o pobre do João sem nem conhecer a gente, falou pras enfermeiras que nunca tinha visto um filho da puta tão puxa saco, sobrou até pra mim que sou uma viúva séria. Enquanto meu finado marido era vivo eu só dei pro “coroné” uma vez, assim mesmo foi por engano, ele falou que tava com vontade de comer uma coisa diferente, quando notei que ele queria era um ensopado de leitoa ou uma buchada de bode eu já tinha tirado a “caçola”. Uiuiui, não gosto nem de lembrar, o “coroné” errou o alvo! Ai minha Santa Getrudes… até hoje, quando vejo uma garrafa de Jurubeba, eu fico toda arrepiada. Fiquei um mês sem poder montar a cavalo. Mas não vai ser eu quem vai explicar isso pra esse povo fuxiquento, já basta a perseguição que eles têm com o meu filho. Se isso cai na boca deles, meu Deus do céu…