Tá lascado!

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 abr 2019

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Por Nando da Costa Lima

O ambiente era o retrato da pindaíba: quando você vê estrelas pelo telhado é porque o barraco já tá pra desabar. A não ser que você seja compositor de samba e ache que é gostoso dormir olhando para o céu. No morro de compositor não chove e barracão vira bangalô. Mas na casa de Jorge Alicate o trem tava feio mesmo, não só dava pra ver as estrelas como os carros que passavam na rua pelas rachaduras na parede. Mesmo assim, ele e Nelza estavam alegres. Chegou um compadre que eles não viam há tempos. Era primo de Nelza e amiguíssimo de Jorge, e ainda trouxe um litro de pinga pra adoçar a conversa. Continuaram compadres mesmo com o afilhado tendo morrido num assalto: a vítima reagiu e o revólver dele era de brinquedo, o dono da loja descarregou um 38 nele. Mas não foi por isso que os amigos deixaram de se tratar como “cumpades”. O cumpade Nô Bicudo morava longe, era só de vez em quando que ele aparecia. O casal ficou tão feliz que esqueceu até do miserê que vivia. Nô Bicudo, além do litro de pinga, trouxe um frango assado, farofa e meia dúzia de maçãs para a comadre. A conversa ficou animada, lembraram da infância, da juventude….

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Caçola é com “C” cedilha

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 13 abr 2019

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Por Nando da Costa Lima

Só descobriram porque Dão Cheiroso, que era apaixonado pela noiva, botou tudo a perder. Isto é: esculhambou com a vida do professor que já chegou ali com a intenção de montar um grupo de teatro. Tá certo que naquela boca de caatinga, falar era coisa rara! Talvez porque o ano foi de chuva, o pessoal tava até mais sociável, suportaram aquele prosa ruim explicando que era especialista em expressão facial, que estava ali à disposição do povo pra transmitir seus conhecimentos das artes cênicas e aproveitar e ensinar à mulherada a ler e escrever. 95% da população era analfabeta! Só aquele doido metido a professor pra salvar a situação preenchendo o tempo com alguma coisa útil.

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Mãe é Mãe

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 23 mar 2019

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Por Nando da Costa Lima

  Meu “fio” João Pelêgo era tão dedicado ao patrão que deixava o burro dormir arreado pra no caso do “coroné“ Eustáquio precisar de alguma coisa. O pobre do bicho ficou uma peladura só! Fazia pena! O “coroné” em passeio pela fazenda passou pela casa de João e quando viu o burro naquele estado, ele que não gostava de malvadeza, ficou tão retado que mandou dois cabras arrear João e deixar um dia amarrado ao sol. Depois disso João Pelêgo nunca mais foi o mesmo, ele que era valentão, amofinou. É claro que o arreio machucou o corpo, lascou o homem pra falar a verdade! Ainda mais com o peste do neto do “coroné” montando de espora e cortando ele na taca toda hora que passava por perto. Mas o que mais doeu é que ele tinha o patrão como um herói, além de ser padrinho do seu filho. Não tinha necessidade daquilo só por causa de um bicho pagão. Se o bicho dormia arreado era pro bem do “coroné”, que era um homem doente e a qualquer momento podia precisar de socorro. É o que dá querer ser prestativo demais! Ainda botaram o apelido de rei dos puxa-saco só porque não levou a mulher pro hospital pra parir, Julinda foi parir andando, também, “era só 3 léguas”. Pior era deixar o “coroné“Eustáquio sozinho depois de ter comido feijoada à noite. E se ele empanturrasse e passasse mal! Quem é que ia comprar a Jurubeba Leão do Norte pra aliviar a queimação no bucho? Quem mais sabe que João Pelêgo não é de adulação com ninguém sou eu que sou a mãe dele. Puxa-saco! Só esse povo invejoso que acha isso. Injustiça com meu menino!.. Tão servidor que mal recuperou da insolação e já doou um rim pra filha do “coroné”, até se comprometeu de no caso do netinho de seu Eustáquio sofrer do mesmo mal da mãe que pudesse tirar o outro. O próprio “dotô” que fez o transplante distratou o pobre do João sem nem conhecer a gente, falou pras enfermeiras que nunca tinha visto um filho da puta tão puxa saco, sobrou até pra mim que sou uma viúva séria. Enquanto meu finado marido era vivo eu só dei pro “coroné” uma vez, assim mesmo foi por engano, ele falou que tava com vontade de comer uma coisa diferente, quando notei que ele queria era um ensopado de leitoa ou uma buchada de bode eu já tinha tirado a “caçola”. Uiuiui, não gosto nem de lembrar, o “coroné” errou o alvo! Ai minha Santa Getrudes… até hoje, quando vejo uma garrafa de Jurubeba, eu fico toda arrepiada. Fiquei um mês sem poder montar a cavalo. Mas não vai ser eu quem vai explicar isso pra esse povo fuxiquento, já basta a perseguição que eles têm com o meu filho. Se isso cai na boca deles, meu Deus do céu…