O lobisomem de Ibicuí

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

Niton “Orora” tinha acabado de chegar na rua da Palha, era meia noite mais ou menos… Quando virou o primeiro copo da legítima Jurubeba Leão do Norte pra ajudar na digestão, foi interrompido pelos gritos de Neuza que entrou no boteco transtornada, precisou beber uma meiota de pinga pra tomar fôlego e conseguir contar o que aconteceu, mesmo assim tremia mais do que vara verde quando descreveu em detalhes o bicho que tentou agarrá-la. Dona Noca chegou a suspeitar de um deputado, ele andou construindo muita casa de farinha na região, e todo mundo sabe que casa de farinha é o lugar preferido dos Lobisomens. Foram várias opiniões como esta, mas Orora, que era entendido no assunto de assombração, não teve dúvida: era o mesmo lobisomem que comeu uma italiana e um alemão atrás do muro do cemitério no São João passado! O político não tinha nada com o caso… …Leia na íntegra

Coisa feia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 jun 2018

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Por Alberto David

Da preguiça daquele que é incapaz de dar uma forcinha, de ajudar na mudança de um móvel, um sofá ou lá o que for e, ao contrário disso, sai de mansinho e diz: “tô fora”.

Da dependência, dos que ficam o tempo todo esperando pelos outros. De não compartilhar com o orçamento da casa, come, e diz:

Não! Esta conta não é minha.

Não participa das tarefas da casa, não lava um prato, não põe água para os animais, mas fica meu bebe pra cá, meu bebe pra lá. Não pega numa vassoura, não põe o lixo na rua e etc. etc. E diz isso não é comigo, o cachorro não é meu !?

Dos que sentam à beira da cozinha esperando a refeição e não ajuda, nem para lava o seu próprio prato. Dos que ficam à mercê do 0800. …Leia na íntegra

Maneca Grosso

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 16 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

“Nós nascemos do mesmo signo, doutor, com a única diferença de eu ter nascido de nove meses de gestação e sua excelência ter nascido de dez…” Quando o professor e poeta Manoel Fernandes de Oliveira (Maneca Grosso) publicou este artigo no jornal “A Palavra”, chamando o adversário de “filho de uma égua”, o clima ficou ainda mais pesado entre os dois grupos políticos que lutavam pelo poder no início do século XX. (Meletes e Peduros). Os Meletes se defendiam e atacavam os Peduros através do jornal “O Conquistense”. O juiz Araújo, um intelectual erudito, ficou muito irritado com as palavras a ele dirigidas. Naquela Conquista de 1919, os muros ainda criavam limo devido à umidade das matas que circundavam a cidade, o comércio era movimentado pelos caixeiros-viajantes e a Filarmônica Vitória marcava presença em todo grande acontecimento. Uma pequena cidade escondida no sudoeste baiano, mas que aos olhos do poeta: “Não há no mundo, na Terra, igual a esta outra vista! Na falda d’aquela serra… Está engastada Conquista”.

Coronel Gugé tinha falecido recentemente e isto contribuiu para o fortalecimento da oposição. O último artigo de Maneca tirou os Meletes do sério, sua desenvoltura levava-o a ganhar todas as polêmicas levantadas. Com uma disputa verbal tão agressiva, o povo já contava com uma luta armada a qualquer momento. As discussões entre Meletes e Peduros a cada momento se agravavam mais, a cidade estava tensa, só se via homens armados, tinha jagunço de todo lugar! O clima de guerra preocupou até o Governo do Estado, que só veio tomar providências depois que os Meletes começaram a incentivar o povo a não pagar impostos, destacou uma tropa para prender Arruda, um chefe de jagunços, já com o intuito de mostrar que não estava gostando daquilo. O tenente responsável o enviou para a capital escoltado por vários soldados, mas os seus aliados não deixaram a operação ser completada, cercaram a tropa e libertaram Arruda, uma figura necessária para a ocasião, foi ele que usaram para emboscar o poeta Maneca Grosso e seu compadre. Quanto à tropa: ninguém sabe onde foi parar. Um amigo ufólogo e historiador acha que a única explicação é que eles foram abduzidos, com burro e tudo, perto de Boa Nova. Disso eu não tenho certeza. …Leia na íntegra

Um olhar para trás V – Um coração atormentado

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 jun 2018

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Por Alberto David

Vem-me à lembrança “A tragédia de minha vida “, de Oscar Wilde, que revela uma escrita “desnuda”, numa linguagem clara, e é assim que gosto de dizer, de forma clara e verdadeira os fatos da minha vida artística. Um percurso que não foi fácil. Eu tive de percorrer um longo caminho, tortuoso e agreste, tendo uma pedra em cada curva, que se sucedia a cada jornada. É bem verdade que contei em minha travessia com importantes pessoas à volta.

Era um menino ainda. À noite eu e meu pai íamos todos os dias à casa de minha avó. E as mudanças foram distanciando um do outro, ainda mais com o nascimento de mais um filho homem.

Por volta de l996, trabalhava no Posto Shell, era um bombeiro (hoje frentista) e abastecia os automóveis e caminhões que transportavam gado para o abate, que viam da região pecuária, das cidades circunvizinhas. Fui promovido a gerente do Posto de Shell. …Leia na íntegra

Exemplos, Bônus e Ônus

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Vit. da Conquista | Data: 03 jun 2018

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por Valdir Barbosa

Creio ter sido o tempo da quarta copa do mundo, destas dezessete que este mês se completarão, do rol de todas havidas desde quando vim ao mundo. Falo, portanto, do certame realizado em 1966.

Digo isto, posto vivia o agitado tempo de adolescente, do qual fui fugindo, após ingressar na Universidade Federal da Bahia, onde cursei Direito, cujo vestibular se deu na abertura da década de setenta, época na qual me pus a alisar bancos acadêmicos, antes de completar dezoito eras.

Rememoro assim, situações que pude testemunhar, dentre outras marcantes vividas na gráfica do velho Gomes, meu saudoso pai, instalada em prédio existente na Ladeira da Praça, antes da construção que até hoje abriga a sede do Corpo de Bombeiros.

Pude vê-lo colocar quase a empurrões, para fora do estabelecimento de onde tirava seu sustento e da família, figura da política municipal do interior do Estado e outra, envolvida com atividades ligadas ao Departamento de Transito, no caso, um despachante. …Leia na íntegra

Evite assombrações

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 02 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

Assombração é óbvio que existe… Mas só aparece pra gente que não bebe. Caso de assombração ocorrido com biriteiro não vale, é delírio!

Honório tava travado, vinha do buteco atalhando frango, tinha brigado com a patroa justamente por causa da cachaça. Tava demais! Pra não passar pelo matagal do açudão, resolveu pegar um atalho por um caminho que passava pelo quintal da viúva do capitão João Antônio. Foi ali que uma assombração atravessou o seu caminho, até hoje jura por qualquer coisa que foi verdade. Ele estava com muita pressa, mas a livusia não deixou ele dar mais um passo. Ficou paralisado, parecia que tava hipnotizado… Mesmo assim, a pinga ativou o garanhão etílico. Quando viu aquela mulherona alta, a força da cachaça ajudou a fantasiar um caso sobrenatural com aquela assombração sensual. Deu pra ele sentir que ela tava querendo… Parecia uma noiva flutuando na escuridão da caatinga à procura de um homem de verdade pra consumar o casamento. Não dava pra resistir! Depois de um litro e meio de pinga ruim misturado com qualquer coisa, até assombração fica sexy… Honório segurou a noivona pela cintura e mandou ver, só que a baixa qualidade da bebida consumida atrapalhou seu desempenhou sexual: só conseguiu dar meia, nem dá pra dizer que aquilo foi “uma”. O esforço curou a cachaça, o medo encostou e ele deu uma carreira que só parou em casa. Tava amarelo e suando frio. Arrasado! Se tivesse seguido o conselho de Sinval e bebido só a legítima Jurubeba Leão do Norte, ele agora estaria bem com o povo da cidade, nada disso teria acontecido. Mas é assim mesmo, quem não ouve conselho, escuta coitado. E ele acabou desacreditado, virou motivo de piada. Todo mundo ficou sabendo da história e todos falavam a mesma coisa: “Tá doido, é mentiroso e tá delirando de pinga”. Mas só falavam! Ninguém nunca tinha chegado a agredir Honório por causa desse acontecimento… Só a viúva do capitão João Antônio que não gostou nem um pouco desse caso, ficou tão retada que deu uma surra de panela de pressão no compadre. Segundo a viúva Esmeraldina, a assombração que aquele safado traçou foi seu vestido de noiva que estava pendurado no varal pra tirar o cheiro de mofo. Ela ficou tão nervosa que nem levou em conta o estado de embriaguez do compadre. Contou pra todo mundo que ele tinha profanado uma relíquia de família que casou várias gerações, além de desrespeitar o finado compadre.

Ficou mal com a população: pinguço, doido e estuprador de vestido de noiva. É no que dá ficar bebendo qualquer fubuia com rótulo, até assombração aparece! Teve que mudar de cidade… Era só atravessar uma rua que alguém falava: “Lá vai o tarado que come até assombração”.

Minha mãe disse que não

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Vit. da Conquista | Data: 27 maio 2018

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por Valdir Barbosa

(Dedico estes rabiscos, ao Deputado Paulo Rangel, aos amigos da confraria do Restaurante Barbacoa e também a todos os funcionários dali, aos quais não nomino, para não olvidar qualquer deles. Dia destes, num belo fim de tarde, o parlamentar narrou fato pitoresco ocorrido com ícone da política pernambucana e brasileira, Miguel Arraes, evento inspirador dos seguintes escritos)

Invado hoje a rota 66 de meu existir. O consciente não recorda, mas, guardado no fundo da memória está o registro da casa simples, no Beco do Cirilo. Ali, em 25 de maio de 1952, mãos da parteira Esmeralda ajudaram D. Walneide a expulsar o rebento eu, guardado em seu ventre, por semanas seguidas.

Do amor entre ela e Gomes, o velho Adauto pude, enfim, chegar no ponto do agora. Sou fruto dos prazeres transformados em dores, do seu leite, de seus cuidados que até hoje não cessam, mesmo porque as atenções maternas vão sendo trocadas por grandes feixes de carinho, à medida que o tempo passa, enormes fontes de energia contagiante, inesgotáveis, cujas águas miraculosas cobrem os filhos de bênçãos.

Fez-me conhecer obras de poetas tantos – Castro Alves, Olavo Bilac, Ghiaroni -, desde muito novo. Murmurava aos meus ouvidos versos que decorava quando infante e deles ainda lembro na atualidade. Nas tardes de sábado, lhe ouvia cantar musicas belas, enquanto Gomes dedilhava seu violão, à moda antiga. Conduziu-me, tempos adiante, aos livros de Malba Tahan, Jorge Amado, Machado de Assis, Vinicius de Moraes. …Leia na íntegra

O dia que Tidinho chorou

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 26 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

“Formosa cavalgadura Que me levaste a ventura Torna trazer-me outra vez”. Verso do poeta, historiador e educador Euclides Abelardo de Souza Dantas, professor Tidinho, uma peça fundamental no desenvolvimento cultural de nossa Conquista. Autodidata cuja fabulosa cultura adquirida o deixava transitar com precisão em todos os ramos da literatura. Quando por aqui chegou no início do século XX o intendente era o Coronel Cazuza Fernandes e na Rua Grande ainda existia um barracão pra abrigar os tropeiros que vinham pra feira. Veio exercer o magistério, uma de suas paixões, nessa época os grandes fazendeiros contratavam professores da capital para educarem seus filhos nas suas propriedades. Os jovens só saiam para os colégios da capital quando demonstravam grande interesse pelos estudos, a distância a ser cumprida em lombo de burro tornava tudo mais difícil e talvez por isso eram raros os que iam pra Salvador. Os professores do tempo dos Coronéis exerciam um papel de tutor e a profissão exigia uma conduta impecável. Eram eles que ensinavam desde boas maneiras a álgebra, e esse contato direto com os familiares dos alunos os faziam quase que parentes, o carisma do jovem professor Euclides Dantas o transformou numa pessoa muito popular na terra do frio. Quando era dia de feira, professor Tidinho era cumprimentado por todos na Rua Grande. Um homem diferente, docemente diferente… Incapaz de distratar seu semelhante. Ele nasceu para educar, alfabetizou várias gerações e participou ativamente da vida cultural da cidade. Foi ele o redator de um dos jornais mais polêmicos de nossa terra “A PALAVRA”, que teve participação ativa na briga entre Meletes e Peduros através do poeta e também educador Maneca Grosso.

Quando Tidinho veio pra Conquista talvez não imaginasse que iria passar toda a sua vida por aqui, mas logo se casou com uma filha da terra (Virgínia Lopes Ferraz de Oliveira) e isto fincou ainda mais as raízes do grande educador na terra dos Mongoiós. A poesia era a outra paixão do professor… Tidinho era único, talvez porque a época exigia certa austeridade dos educadores, ele era muito sério, apesar da bondade nunca o viram chorar, nem quando a morte visitava aos que o cercavam. O professor Euclides Dantas ajudou Conquista a dar seus primeiros passos na educação, foi sua persistência como educador que fundou colégios de grande importância pra nossa terra, fez de Conquista sua terra natal e se dedicou a educação até a doença o tornar cego, impedindo-o de lecionar.  “O cego sofre tanto! A sua desventura é mais longa que o céu e mais funda que o mar! Quem poderá medir a imensidade escura! E do cego quem pode as mágoas calcular!” Mesmo assim o mestre não se afastou das letras que sempre o acompanharam, ele ditava seus poemas para que alguém copiasse, e foram alguns desses poemas que o levaram a chorar… Foi numa tarde fria quando Tidinho se encontrava meditando em sua cadeira de balanço, que chegou um mensageiro com correspondência da capital. Eram livros com um pequeno comunicado, um dos parentes na sala leu para o professor a notícia que muito o comoveu… Ele havia ganhado aqueles livros pelos versos enviados pra um concurso de poesia. Tidinho pegou os volumes como se pega uma criança recém-nascida, uma ironia do destino, o poeta cego premiado com livros que jamais poderia ler… Ele continuou acariciando os livros, chegou para um canto da sala como se quisesse que ninguém o visse e chorou… mas chorou baixinho, o professor Euclides Dantas não poderia deixar rolar lágrimas em público só por não poder mais ler.

“Pois que no carnaval somente se mascara aquele que, mostrando ao mundo a própria cara, esconde no sorriso as lágrimas da dor”

Mil caretas na praça

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

Nesse tempo, aqui em Conquista ainda tinha micareta… Era muito boa! Por que parou??

A festa começou quente, muita gente bonita, muita cachaça e o bloco “Exçecutivos” puxando a fila. Tudo às mil maravilhas. E foi no meio dessa folia que desembarcou “Geraldão das Meninas”, o rei das micaretas. Já desceu do ônibus balançando o chão da Praça do Gil (ele tinha um micro-ônibus só pra acompanhar as micaretas da vida). Era desses que fazia qualquer coisa pra pular atrás de um trio elétrico, de preferência bem acompanhado. Dinheiro não era problema, tinha herdado muita grana, dava pra passar o resto da vida na folia. Geraldão era desses machões convictos, tinha até quem o tachasse de homofóbico. Mas não, ele só era meio tarado, anotava até as relações que tinha por mês. Nessa micareta ele tava com o plano de arrumar umas vinte namoradas, isso tirando por baixo. Os puxa-saco que faziam parte de sua turma (onde ia levava mais de vinte, tudo por conta) acharam que aqui ele ia bater o recorde…  E a festa estava linda, tinha tanto trio elétrico que ninguém conseguia decifrar o que estavam tocando. Gente de tudo que é parte do Brasil, inclusive uma comitiva de poetas de Poções. A festa estava fervilhando, Geraldão já tinha selecionado suas futuras “presas”. Ele sempre fazia isso antes de atacar, saía selecionando. Era um chato!

Já tava clareando ele ainda não tinha arranjado nada, nenhuma conquistense foi com a cara do playboy das costeletas. E isso o deixou tão incomodado que, mesmo não tendo o costume, encheu a cara de pinga. Aí as coisas pioraram ainda mais: a cachaça libertou a franga do ex-tarado. Ficou tão desmunhecado que os amigos fizeram uma rodinha pra esconder Geraldão, tava muito fresco! Ninguém podia notar que ele tava dando aquele show na praça mais movimentada da cidade. Chegou a subir num trio, mas caiu ao tentar agarrar o cantor. Pegou mal aquele homem de 1,90 m querendo beijar o cantor…  Os amigos já não sabiam o que fazer. Se fosse em Salvador, menos mal, mas na Praça do Gil, no final dos anos 1980…       A solução veio da própria folia: quando viram passar um bando de marmanjos fantasiados de enfermeira, eles falaram ao mesmo tempo: “Vamos inscrever Geraldão nesse bloco, o pessoal vai pensar que ele tá só brincando”.

E não deu outra: ele entrou de última hora no Bloco das Enfermeiras. Se vestido de vaqueiro ele tinha tentado beijar um trio elétrico todo, fantasiado de enfermeira desbundou. Não podia ver uma cadeira ocupada que sentava. Até o pessoal do bloco já tava com vergonha, mas foi o jeito deixar ele desfilar na Bartolomeu de Gusmão. E a cada hora a festa esquentava mais, o povo continuava chegando, parecia que a micareta não ia acabar. Geraldão se soltou… botou pra ferver. A cachaça o mudou por completo! Se não fosse as costeletas tipo Elvis Preslei e as botas 45, não tinha quem não atrapalhasse, virou uma piriguete. Os velhos amigos estavam correndo as léguas dele, ninguém queria papo. Tinha até quem achava que Geraldão não voltaria ao normal nunca mais. O homem desabrochou tanto que foi preso por excesso de frescura, mas logo foi solto. Nem o pessoal da delegacia suportou.

A festa terminou em paz, foram quatro dias de muito folia. O sucesso previsto se realizou e a cidade amanheceu de ressaca, quase deserta… só tinha o pessoal da limpeza e Geraldão das Meninas completamente sóbrio, armado e puto da vida, doido pra encontrar o corno que o empurrou de cima do trio elétrico. Aquela dor no traseiro só podia ser consequência da queda. E bradou com voz de quem não tava pra brincadeira: “Um filho da puta quase arranca minhas costeletas nas imediações da Praça do Gil, barbaridade! Esse eu mato, tchê!”.

– Ué, Geraldão, você grande desse jeito, como é que esse sujeito conseguiu te segurar pelas costeletas??

– Tá querendo morrer também, filho duma égua curioso?..

Mães e Vidas

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 19 maio 2018

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Por Valdir Barbosa

Desde o último final de semana, cujo domingo esteve dedicado por homenagear as mães, toda a imprensa, falada, escrita, televisada, redes sociais à mancheia alimentando manifestações divergentes de políticos, críticos e analistas do comportamento humano, têm voltadas atenções para o episódio da mãe policial, que na porta do colégio onde estuda a filha reagiu diante de agressão perpetrada contra diversas senhoras, postas no local junto a suas crias.

Indivíduo, acerca do qual se soube em seguida ter vasta folha de antecedentes criminais, empunhando perigosamente arma de fogo voltada na direção das vítimas, anuncia um assalto, por provável na intenção de tomar o maior numero de pertences, das pessoas que ali se achavam presentes.

Toda cena é registrada com nitidez, por câmera de segurança e suas imagens revelam a postura decidida da mulher. Ela saca pistola guardada na bolsa que trazia consigo e dispara algumas vezes contra o agressor que se prostra ao solo deixando cair atrás de si, o objeto beligerante, com uso do qual, segundos antes pretendia concluir a ação criminosa. …Leia na íntegra

Dia Das Mães

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 13 maio 2018

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Por Valdir Barbosa
Hoje, segundo domingo de maio caindo no dia 13, época em que se convencionou dedicar às mães, duas datas magnas também são comemoradas.

Na Cova da Iria, em 13 de maio de 1917, a Mãe das Mães aparecia pela vez primeira aos pastores meninos, fenômeno que se repetiu por seis meses seguidos, lhes revelando três segredos. Ali foi construído Templo, em louvor ao milagre, agora, palco de romarias incessantes, destarte, até lá, milhares pessoas vindas de todas as partes do mundo rezam sem parar, diante do cenário abençoado.

Da varanda do meu canto, prolongar do ambiente onde escrevo estas linhas, me permito ver a capela de N. S. de Fátima, contígua ao colégio no qual obtive as bases do conhecimento e aparas de meu caráter, palco no qual transitei dos cinco aos dezessete anos, o secular Antonio Vieira, Santuário igualmente construído em Sua Glória.

Nesta mesma data, no Rio de Janeiro, naquele idos de 1888, a mãe dos cativos, com sua pena áurea, decreta o fim da escravidão. Nos horrores dos navios negreiros, nas lidas sob o chicote dos feitores – malfeitores -, milhares de seres humanos arrancados de suas pátrias sofreram por séculos, as agruras impiedosas da sujeição.

Nos versos de Castro Alves, nas vozes de José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, André Rebouças, Luis Gama e outros abolicionistas, a energia contagiante de seus ideais atravessou os muros da intransigência, até que a Princesa Isabel rasgou corajosamente os tempos de iniquidade, rompendo grilhões.

Assim são todas as mães a quem nesse dia rendemos homenagens. Seus segredos revelados, ou não, em cada berço de qualquer nascituro, por mais humilde seja a realidade do recém-chegado têm a dimensão de um milagre, apenas factível de ser concretizado, na sublimação da condição materna.

E suas mensagens, a par do manto protetor que jamais deixa de abrigar o filho, não se repetem mês a mês. Elas são perenes cânticos de estímulo, estradas de atenção, fortes de abrigo, mares de ternura, noites de vigílias, madrugadas de espera, ondas de esperanças, exemplos de superação.

Escravas por opção, no ato de se dar sem reservas, declinam da alforria quando entregues aos senhores vindos de suas entranhas, portanto, ligados a si mesmas por laços impossíveis de partir. A servidão pela maternidade não lhes faz sentir reprimidas, por maiores sejam os sacrifícios decorrentes dela – abrigar no ventre, por no mundo, amamentar, curtir noites insones. Os jugos desde a tenra idade indo adiante sem linha de chegada, não lhes causa revolta, jamais pretenderão estar libertas deste encargo, mesmo porque darão tudo, se preciso for, na ânsia de continuar outorgando-lhes amor, como disse Gibran.

Louvando N. S. de Fátima, laureando Princesa Isabel, lembrando minha doce mãe, minhas irmãs, mães como ela, as mães de meus filhos, enteados e minha esposa, cativa de João, seu grande amor – sou mero e orgulhoso apêndice no cenário – brado em alto e bom som, com a alma repleta de emoção e jubilo, por tê-las reencontrado neste plano passageiro:

FELIZ DIAS DAS MÃES A TODAS AS MÃES DO UNIVERSO.

‘Cê’ lembra?…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 12 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

Apesar de já terem passados mais de cinquenta anos, eu lembro como se fosse hoje “dotô”, era julho e o frio daquele ano tava de matar, até quem era da terra não estava suportando a friagem. O Sr. e seu colega chegavam a bater o queixo quando o vento entrava pela capota do Jeep, a professora que vinha de carona não sabia se tremia ou se fazia pose pra vocês. Ela estava indo pra ocupar uma vaga no recém-inaugurado ginásio da cidade. O Sr. e o outro Dr. faziam uma dupla diferente, falavam mais que político. Eu pensei que médico conversasse menos! A professora falava tão difícil que eu não entendia quase nada, ela chamava carteiro de estafeta e motorista de cinesiforo, até hoje eu não descobri se era latim ou “ingreis”. Mas foram vocês que atiçaram a moça, foram logo dizendo que eram solteiros, tava estampado na cara dos dois a vontade de passar uma noite com aquela formosura. O entusiasmo aumentou quando vocês pararam no bar de dona Noca pra beber uma jurubeba. Seu amigo fez questão de conferir a garrafa pra ver se era da legítima Leão do Norte, e você como todo baixinho invocado tomou duas garrafas, ficou mais conversador que novo rico dando bronca num subalterno. Mas é isso! Pra conquistar aquela flor tudo era normal. Enquanto “nois bebia” a professorinha comeu um tira-gosto de bucho de bode e almoçou uma feijoada “compreta”, de sobremesa comeu duas bananas e rebateu com um copo de leite pra evitar enjoo. Deolinda gostou tanto do leite de cabra que acabou provando do doce e do queijo. Eu nunca vi um apetite daquele, só não comeu a tigela de doce toda porque o “dotô interferiu lembrando que não fazia bem viajar de estomago cheio. Nós acabamos de beber e pegamos a estrada… …Leia na íntegra

Um olhar para trás III

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 maio 2018

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Por Alberto David

Um Céu estrelado

Talvez minha mãe não percebesse os berros e gritos daquela criança devido aos estardalhaços dos fogos de artifícios que se misturavam aos brilhos das estrelas do céu. Era noite de São João. – Um menino! Bradou a parteira. Na época, não existia ultrassonografia. O entusiasmo foi grande ainda mais para meu pai, pois até então só nasciam meninas. Minha mãe veio das lindas terras da pequena cidade de Jacaracy, onde deixou suas raízes, descendência, enfim sua árvore genealógica, de geração em geração e alcançou a fama da moça mais bela de lá. Meu pai chegou a Jacaracy ainda rapazinho, fugindo de Barra da Estiva, sua terra natal, onde estava tendo um surto de febre amarela que atingiu a população, matando o seu pai , ainda moço. Em Jacaracy conheceram-se, e minha mãe fez sua escolha entre os admiradores ou seus pretendentes na cidade, ficando com o forasteiro com quem se casou.

Logo após vieram para Vitória da Conquista e se estabeleceram definitivamente aqui. Muito atirada, para a época, minha mãe era conhecida pela sua maior qualidade, caridosa. Tenho boas lembranças dela… E como ela sofreu muito de cama, alimentando-se por um cateter e respirando por uma mangueira que chegava aos pulmões. Fui o primeiro filho homem. Não desgrudava de meu pai e nem ele de mim. Chamava a atenção de todos o apego, o exemplo de pai e filho. Mas, adiante, na verdade, tudo ia se desmoronar… …Leia na íntegra

Cruzada Cidadã

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 maio 2018

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Por Valdir Barbosa

A nação inteira sofre com o aumento assustador da violência.  Praticamente regra sem exceção, certo é, nos quatro cantos desta terra continental, crimes dos mais variados potenciais ofensivos assolam o país, deixando um rastro de destruição gerando angustia e medo.

Rincões longínquos, pequenas cidades interioranas, antes pacatas, cantos paradisíacos, litorais tranquilos, ilhas bucólicas, antigos refúgios de muitos que buscavam paz e tranquilidade, de repente se transformam em palcos de crimes hediondos, cenas de assaltos com cunho cinematográfico.

São prepostos policiais impedidos de deixar quartéis e delegacias, enquanto dezenas de indivíduos sitiam cidades, por horas, portando armas potentes, artefatos explosivos, com enorme poder destrutivo, para arrasar agencias bancárias, tesourarias de empresas responsáveis por segurança de valores, dos quais conseguem subtrair quantias vultosas, cujos recursos são utilizados em favor dos delinquentes.

Além disto, ditos numerários financiam facções, enquanto seus líderes, mesmo encarcerados desafiam o poder publico comandando, sobretudo, o trafico pesado de drogas, quiçá o maior dos flagelos da sociedade moderna, sem duvida, fator da ensandecida violência que grassa impiedosamente. …Leia na íntegra

Vingança Póstuma

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tudo foi por causa daquela maldita mania por jogo, tanto eu como o compadre éramos doentes por jogo, qualquer tipo de jogo, do bicho ao carteado era com a gente mesmo. Eu já beirando os cinquenta, solteiro e com a vida mais ou menos arrumada. O compadre já tinha quase sessenta, nove filhos dos quais batizei sete. Me arrependi de ter dado uma caderneta de poupança ao primeiro, depois disso parece que a comadre só paria pra ganhar caderneta! Um dia nós mandamos fazer duas fotos nossas bem grandes e apostamos que quem ficasse mais bonito não pagava nada. Eu perdi, quem fez o julgamento foi a comadre e os meninos. Esse retrato até hoje me persegue, não o meu, o dele! É uma foto do compadre feio que só ele mesmo, e com aquela cara fechada que lhe era natural. As pequenas apostas eram normais no nosso cotidiano, o que mudou tudo foi um bilhete da loteria federal. …Leia na íntegra

Ilusão de Ótica

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 abr 2018

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Por Nando da Costa Lima

Na rua tinha uns dez botecos, mas boteco mesmo, daqueles que tem freguês 24 horas. Só frequentava biriteiro profissional, daqueles que comem uma lata de sardinha e bebem o óleo que sobra pra proteger o fígado. Não era qualquer bebedor de cerveja que encostava ali não, só quem gostasse da pinguinha e do conhaque é que podia fazer ponto. Quando dava cinco horas da tarde já estavam todos travados. A maioria jurando que nunca mais beberia, aquele papo de quem bebe todo dia e não admite que é alcoólatra. E naquele fim de feriadão, o pessoal tinha dobrado a dosagem, era bêbado de todo jeito: chorão, rico, mentiroso, valente, tinha até bêbado mágico! Mas todos com aquele velho arrependimento por ter bebido. Foi esta situação que levou a cidade a presenciar aquela procissão tão diferente. Pior que o pessoal fica todo igual, parecem parentes.

Quando dona Gertrudes, a beata mais fervorosa da paróquia, passou por aquela rua repleta de cachaceiros muita gente estranhou. Mas foi Neco Birita quem primeiro notou uma imagem nas mãos da beata. Ele que já era invocado com religião, achou que aquilo era um aviso das alturas para que ele abandonasse o copo e deu um berro que chamou a atenção de todos: “Louvado seja São Benedito, de hoje em diante não bebo mais”. Neco Birita seguiu a beata gritando e louvando o santo e por cada boteco que passava arrastava um punhado de bêbados depressivos. Dona Gertrudes não deu ousadia, seguiu sem olhar pra trás. Caminhava firme e nem tomou conhecimento daquela procissão de pinguço. Se desse ousadia era pior! Atravessaram a metade da cidade e chegaram ao centro sendo bem recebidos por todos. Todos batiam a mão para eles e isto só podia ser um sinal de apoio, mesmo sem saber qual o motivo e para onde ia aquela romaria. Um vereador ficou tão empolgado que fez um discurso sugerindo a mudança do padroeiro da cidade para São Benedito. Dona Cotinha além de apoiar, prometeu um terreno para a construção da igreja do novo padroeiro. Só Terêncio Boca Lisa que achou de discordar falando que a imagem podia ser de Nossa Senhora Aparecida. Aí formou-se o bate-boca, uns do lado de Nossa Senhora, outros querendo São Benedito. Até que Tonho Caroço deu um tiro pra cima e explicou que santo era igual cachorro novo, quem dá nome é o dono! Se quem viu primeiro achou que era São Benedito, então era. Zé Gumito começou a gritar parecendo que tava em transe: “Viva São Benedito, o padroeiro dos desesperados.” A voz grave de Zé levou o resto do pessoal a repetir o refrão e a caminhada prosseguiu atrás de dona Gertrudes com a imagem do milagreiro. Ela ia com as mãos em concha e o xale por cima, parecendo que queria esconder o santo.

Depois de muito caminhar, a beata parou na escadaria da igreja, e quando o sacristão saiu na porta, ela sacudiu a garrafa de Jurubeba Leão do Norte que vinha trazendo desde lá de baixo e disse: “Eu vim trazer a garrafa de Jurubeba pro senhor fazer o remédio do padre. Pega logo porque estes cachaceiros tão me seguindo desde a hora que comprei, eu dei muita volta pra despistar, mas não teve jeito. Só não tomaram porque apertei o passo”. Aí a procissão desapareceu em segundos… Não ficou um devoto.

Foi Fato!

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 abr 2018

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Por Nando da Costa Lima

Luzia saiu detrás da horta aos berros. O pessoal da venda nem ligou, pensaram que ela tinha ganhado o que tanto procurou. Continuaram bebendo e jogando “piu” apostado. Mas ela gritou tão alto que chamou a atenção de todo mundo que se encontrava na praça: “Virge Santa, é um milagre! Se a luz não fosse de motô, dava pra abrir um frigurifi de peixe”.

Era muito peixe, pingava pra tudo que é lado, o povo não sabia se rezava agradecendo ao milagre ou se catava os bichos. Nas rajadas de chuva com vento, só caia piaba. Mas quando relampejava, junto ao trovão vinha traíra, bagre, beré, lambari,,, Foi uma coisa linda, muita gente da época ficou maravilhada com o ocorrido… A Praça do Jenipapo ficou coberta de peixes, uma lindeza! Quanto mais o povo catava, mais caia peixe. Mandaram chamar o vigário uma cacetada de vezes pra confirmar o milagre, tinha que ter a presença de um homem da Igreja. Mas o padre tava ocupadíssimo com um ex-pistoleiro que, depois que enricou, resolveu ficar em paz com Deus. …Leia na íntegra

Um olhar para trás

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 08 abr 2018

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Por Alberto David

Iniciei meus escritos literários como pensador. E não executaria tal ofício, se não houvesse influência de outros que viveram em épocas remotas, a exemplo de pensadores dos tempos de 350 a.C.
E assim percebo que as minhas reflexões não foram em vão, visto que, certa vez, li comentários que me diziam respeito: “A fama e a glória vão chegar para o sofrido e desprezado autor conquistense, afirmando com veemência prof. Mozart Tanajura

Às vezes, fico pensando como é brilhante a mocidade, mas enquanto meus colegas dos idos tão longínquos pensavam em se divertir, eu pensava em outras coisas. Minhas preocupações eram outras, ou seja, eram com os que ficavam às margens da sociedade, na miséria, enfim, dos esquecidos da sorte. Como me senti bem com isso. Era rapaz descontente. Imagine se fosse nos tempos de hoje –digo, tinha que ser cego para não ver tantas barbaridades. …Leia na íntegra

Dos melindres caatinqueiros

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 07 abr 2018

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Por Nando da Costa Lima

A pessoa que tem dó de si fica ridícula, insuportável! É impossível atravessar uma existência sem magoar alguém. Foi daí que surgiu o bendito perdão… Talvez seja a palavra padrão para o nosso desenvolvimento espiritual. O perdão é a bandeira branca falada!

No início do século XX, a caatinga era regida pelos coronéis e a jagunçada. Quando ficava marrom, era difícil permanecer e sobreviver. E se a fome apertasse, se comia até jegue, que é um bicho abençoado para o nordestino. Os outros problemas eram esquecidos quando a fome imperava! Até os “cantadô” arribavam, eles são como os passarinhos. Não aguentam tempo ruim. Se ficar, morre de papo -seco ou fica igual frango com mal triste. Tocar moda de viola com o bucho roncando deve ser muito ruim! Teve uma vez que um cego cantador resolveu ficar pra “ver”. Quando a coisa apertou, ele bebeu tanta pinga que tocou doze boleros apaixonados e quatro valsas pra caixa de peixe seco na venda de Seu Benício Beijador. Ninguém entendeu nada! As horas ficavam mais longas e o desespero coletivo levava povoados inteiros a vagar pela caatinga rumo à capital. Era nesse cenário de fome que apareciam os homens santos! Eles arrastavam multidões de miseráveis e sugavam o resto do pouco que tinham… E pra enganar o estômago durante o grande calvário, os retirantes, milagreiros, coronéis e jagunços criavam um mundo mágico. …Leia na íntegra

Milagres acontecem…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 31 mar 2018

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Por Nando da Costa Lima

Deodato Grampão subiu a escadaria da catedral de joelhos com uma vela de 7 dias acesa na mão esquerda. Grampão não era um homem comum, era um remanescente dos jagunços… Um sujeito de poucas palavras, e meio bruto… Uma cancela de ladeira abaixo! Acompanhando ele ia a mulher, os filhos e uns camaradas. Na entrada da igreja se benzeu e mandou um dos meninos da turma chamar o padre. Era só falar que era Deodato Grampão pagando uma promessa que o vigário vinha logo, ele já sabia de quem se tratava. A mulher quis dar uma de entendida e falou que naquela hora ele não achava padre. Hora de almoço! Tava nervosa, tinha perdido a semana quase toda com os preparativos dessa jornada religiosa. Deodato acalmou a patroa sutilmente: “Cala a boca, porra!”. Depois, tornou a pedir pra um camarada ir buscar o padre. O rapaz que foi chamar já voltou enfezado: “Ou o senhor manda esse sacana calar a boca ou eu jogo ele pra trás, patrão”. Deodato interferiu: “Respeite a igreja, Roduzino. Sacristão também é filho de Deus”. O sacristão, que já estava de mau humor porque foi acordado logo depois do almoço, bradou:

– Que palhaçada é essa na porta da igreja, vocês erraram o caminho. A Lapa fica pra outro lado! Meio dia é uma hora que até vagabundo tá em casa. …Leia na íntegra