Custódio Pé de Valsa

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 09 nov 2019

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Por Nando da Costa Lima

Custódio era mais arrogante do que ministro do STF, mas quando bebia, perdia a noção de tudo… Ele parou o carro em frente a uma cancela, estava completamente bêbado, tava de bater de lenço… Tentou abrir, mas viu que estava com um cadeado enorme. Foi o jeito pular, mesmo estando vesgo de pinga. Conseguiu cair do outro lado e do chão sentiu que vinha alguém ao seu encontro. Era um senhor de uns 70 anos, com barba e cabelos grisalhos. Ele acenou pro biriteiro e, apontando pro casarão, o convidou para tomar um café. Custódio ficou de pé, sacudiu a poeira, agradeceu o convite e acompanhou o velho até a residência. Lá a casa parecia que estava em festa, tinha muita gente! Todos foram muito simpáticos, parecia que todos eram parentes dele. Pela cordialidade, Custódio se sentiu em casa, só tinha gente boa! Um dos presentes notou que ele estava enrolando com aquela xícara de café com leite e ofereceu uma pinga. Ele aceitou sorrindo, viu que ali era o lugar certo pra terminar aquela farra. Ficou tão alegre que esqueceu do tempo, nem pensava em sair dali, tava muito satisfeito. Dançou, comeu e, principalmente, bebeu. Conversou sobre vários temas com os presentes, só não ficou mais à vontade porque notou que só quem não estava armado eram os meninos. Mas pelo tratamento a ele dispensado, pegava até mal perguntar o motivo de tantas armas. Parecia que iam pra guerra! O pessoal lhe tratou tão bem que ele não tinha planos de ir embora tão cedo. Até uma possível namorada ele já tinha arranjado, era uma questão de tempo. Antes da meia-noite ele já estava tropeçando no povo, mas tinha certeza de que ia se dar bem com aquela morena.

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Um causo freudiano

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 05 out 2019

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Por Nando da Costa Lima

O escritor tava pra perder a paciência, rodou a cidade toda atrás de alguém que traduzisse uma carta de Freud, uma raridade, presente de um tio que foi passear na Europa. Mas só escutou besteira. O primeiro a ser consultado foi um médico que sempre se gabava do alemão aprendido na universidade. O homem traduziu espontaneamente, parecia que tava lendo uma cartilha: “Caro Dr., estou lhe escrevendo para cancelar minha conferência devido a uma blenorragia que há meses incomoda-me. Assim que me livrar dessa inflamação no canal, entrarei em contato. Abraços do adoentado amigo Freud”. Depois que traduziu ainda comentou: “Dr. Freud devia estar precisando de um bom urologista como eu!”. Como o Dr. gostava de tomar uma, ele ficou desconfiado e pediu outro especialista em alemão pra traduzir, dessa vez foi um advogado, esse também não perdeu tempo, leu de um fôlego só: “ Minha situação jurídica encontra-se tão conturbada que esqueci por completo de mandar o registro do imóvel. Espero vê-lo o mais breve possível para resolvermos um processo de estupro em que me encontro envolvido. Abraços, Freud”. Aí a desconfiança do escritor aumentou, tava na cara que um dos dois traduziu errado, mesmo assim ele não desistiu, procurou um intelectual amante da poesia alemã. O homem tava numa merda, a mulher tinha fugido com a manicure, mesmo assim fez questão de contribuir, traduziu sem precisar dos óculos: “Estou atravessando uma fase péssima, desconfio que minha mulher anda dando bola pra Jung, assim que o adultério for confirmado, mando lhe avisar. Pra aliviar este desconforto, arrumei um caso com o jardineiro do vizinho. Abraços do seu conformado amigo Freud”. Aquilo já estava parecendo brincadeira, mesmo assim ele continuou tentando. Por último foi um dentista o tradutor. Ele era neto de alemão e traduziu sem fazer esforço, só não entendeu direito a assinatura: “Caro amigo odontólogo, estou com o molar inferior causando fortes dores no maxilar, mas assim que esta nevralgia desaparecer eu lhe comunico. Do seu Freud”.

Com aquelas quatro traduções completamente contraditórias e o livro passando da hora de ser publicado, o jeito foi pegar todo o material (traduções) e mandar pra um jornalista que se dizia conhecedor dos idiomas europeus. Este passou quinze dias analisando as traduções e o texto original, o escritor se animou, pela demora parecia que ia sair alguma coisa séria, mas quando ele leu o resultado de quinze dias de trabalho apresentado pelo jornalista, teve uma crise nervosa: “Caro amigo, minha blenorragia piorou depois que minha mulher fugiu com Jung e eu enlouquecido de dor de dente perdi a cabeça e estuprei o jardineiro do vizinho. Espero contar com sua amizade não publicando esta tragédia em seu jornal”. Depois dessa o jeito foi publicar a carta original.

Tempos depois a carta foi realmente traduzida, não passava de um bilhete do Dr. Freud se livrando de uma papelada enviada por um dos inúmeros pesquisadores chatos que o incomodavam na época.

Torre de Babel

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 24 ago 2019

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Por Nando da Costa Lima

Antes só existiam dois partidos para brigar pelo poder, e os eleitores ainda acreditavam nos políticos. A briga era uma só e o motivo também: todos unidos para derrubar o partido da situação. O político tinha que xingar ao máximo para obter a simpatia do eleitorado, e houve muita gente que começou como vereador, foi xingando, xingando, até ser eleito deputado. Mas depois o filme mudou de enredo, e o xingamento caiu de moda, apesar dos personagens permanecerem os mesmos, apenas um pouco mais velhos e com um novo papel a representar. Na briga pra ver quem seria o ator principal houve todo tipo de baixaria. Todos queriam ser estrela quando viram que um filme não se faz apenas com mocinhos. Começaram se a agredir, pois além do papel principal, todos tinham seu próprio enredo. Aí então começou a briga, lembrava a Torre de Babel, todos falavam e ninguém se entendia. O jeito foi cada um construir sua torre, só que as fizeram tão frágeis que vivem mudando de mãos. Mas um dia eles descobrem que para construir algo sólido é necessário que haja união em torno de um objetivo.

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Morrendo de amor

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 17 ago 2019

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Por Nando da Costa Lima

O que atraía a atenção do pessoal era aquela paixão de dar inveja a Romeu e Julieta, entre namoro e noivado já tinham passado quinze anos de “ensebamento”. Estavam tão famosos que até o cego Alomar fez um ABC de Antônio e Nilsimar, todo mundo que escutava caía no choro! Vicente não podia escutar que desmaiava… Era uma verdadeira obra de arte! Mas vamos deixar o ABC de lado e entrar direto na história. O casal, apesar de lindo, era cheio de complicações. Mas não era pra menos! Uma rua inteira azarando um relacionamento não podia dar outra coisa! Nesses quinze anos foram inúmeras as vezes que eles entraram em atrito por causa de fuxico… Um dia só porque Leopoldo da Caçamba deu uma olhada mais demorada pra Nilsimar, Robertão espalhou na rua que foi ela que tava “se abrindo” pra Leopoldo por causa do “chevetão”. Antônio pensou em pegar o 38 pra tirar satisfação, mas tinha vendido a arma pra pagar uma promissória.

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Nada para o Pai

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 11 ago 2019

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Por Alberto David

A começar, o mandamento é plural, honrar os Pais ?!
“Os filhos nasceram para singrar os mares, correr seus próprios riscos e viver suas aventuras. Os pais não devem segurar seus passos, como também carregá-los nos braços; mas fazer com que eles entendam que devem andar com suas próprias pernas, seguir seus próprios caminhos à procura de seus sonhos, colher seus próprios frutos, povoar a terra, plantar a arvore da vida e iniciar sua história para que seus netos possam orgulhar-se dos seus antepassados e de seus belos exemplos, enfim, fazer o seu futuro com planejamento e responsabilidade. Os filhos vieram dos Pais para o mundo. Alguns podem desviar da rota para caminhos escusos, mas certamente levaram consigo os conselhos, as instruções, os valores, o amor, a escola que os pais proporcionaram.

“Os pais devem prepará-los, educá-los para navegar mar a dentro e encontrar o seu próprio lugar; os filhos devem ser como um rio em curso que vai cavando o seu próprio leito, quis dizer cavando sua própria independência. E não deve ficar esperando que a mesa seja posta ante os seus próprios braços cruzados. Deixarem de ser crianças e se sustentar com o suor dos seus rostos, ser digno do seu salário é bíblico e notório. ” Não vês, preguiçoso, a formiga que trabalha diuturnamente em busca de suas provisões e abastecimentos e guarda para quando vir o inverno “, de Salomão.

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O Peru Sapateador

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 03 ago 2019

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Por Nando da Costa Lima

Dr. Abreu era delegado e se orgulhava da profissão, era tão fanático pela lei que dedicava seu tempo quase que integral à perseguição de bandidos. Mas num vilarejo daquele tamanho era muito difícil aparecer um marginal, sendo assim ele suspeitava de tudo e de todos, era o único jeito de mostrar serviço, muita gente boa foi em cana devido à paranoia do delegado. Mesmo contra a vontade, a comunidade tinha que admiti-lo, pois o vilarejo ficava em suas terras. Seu pai quando chegou na região (segundo as más línguas) tava matando cachorro a grito e comendo muito ensopado de capa de cangalha velha (não se sabe como, mas venceu). Graças ao seu “carisma”, tornou-se presidente da cooperativa em pouco tempo, e isto levou Abreu a torna-se um empresário de sucesso. Criou a FRIBODE, uma das empresas mais promissoras da região (o cargo de delegado era mais uma tara, gostava de ser chamado de “otoridade”). Esta circunstância deixava o delegado à vontade levando-o a cometer arbitrariedades absurdas: um dia prendeu o padre como traficante de maconha, até o vigário conseguir provar que aquele pacote era incenso foi um sufoco.

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Janis Joplin na Bahia

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 01 jun 2019

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Por Nando da Costa Lima

No início dos anos 70, nossos meios de comunicação ainda estavam bem lentos, era muito diferente antes dos celulares… Nesse tempo também ainda não tinha as redes sociais que tornaram as surpresas impossíveis. Não tem mais nem como os famosos se esconderem, todo mundo sabe da vida de todo mundo. Alegrias, tristezas, comidas, problemas: tudo é compartilhado em minutos.

 Foi em 1970 que a cantora Janis Joplin resolveu aparecer em Arembepe-BA. Ali talvez tenha sido o último refúgio dos hippies, só ficaram os que insistiam em acreditar que o sonho ainda não tinha acabado. Talvez por isso Janis deu as caras, veio ver o princípio do fim de uma época em que ela foi uma das protagonistas. Passou alguns dias por ali… gostou muito, teve contato com alguns moradores, e segundo os que a conheceram, ela era uma pessoa muito simpática. Talvez isso tenha levado todo baiano que viveu nessa época a dizer que teve contato com Janis. Se fosse juntar todo mundo que diz ter conhecido a cantora, dava pra encher duas Salvador. Tem também as bijuterias que ela comprou ou presenteou algum hippie baiano. Se for juntar tudo, dá pra encher umas cinco carretas. Todo hippie velho tem uma história muito doida que rolou com ele e Joplin. O ser humano é engraçado… Adora os famosos.

O hippie Deoclécio Gago e sua namorada Ametista Mineira estavam dividindo um PF no restaurante da rodoviária. Tinha outro casal que também estava indo pra Arembepe pra recordar os bons tempos que passaram com a cantora. O gago tava contando sua aventura com Janis.

— Ta-ta-tava eu e Wa-Wa-Waly Salomão. Janis pediu pra gente fazer um som pra ela, foi nessa que eu ganhei Ametista Mineira, foi o maior barato!. Eu fiquei uns três dias hospedado na barraca dela, e blá blá blá…

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Vegano só amanhã

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 26 maio 2019

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Por Nando da Costa Lima

Ivonete gostava do jeito elegante do marido. Ele era bacharel em direito, mas como não conseguiu a carteira de admissão na Ordem dos Advogados do Brasil, foi o jeito virar empresário. A mulher tinha dinheiro e logo se prontificou a montar um restaurante pro imprestável. Por ser 30 anos mais velha que ele, fazia tudo para agradá-lo. E ele se portava como um bom marido, tratava Ivonete com muito carinho! Também pudera, até o café da manhã ela levava na cama, sem contar o remedinho pra esquizofrenia que ela dava na boquinha.

O restaurante era o melhor da cidade, e o carro chefe era o ensopado de bode ao vinho. Vinha gente de fora pra provar a iguaria. Foi num feriadão que apareceu um grupo de paulistanos. Eram três mulheres e um homem. As moças pediram o famoso ensopado, mas o homem complicou tudo quando disse que era vegano. Marculino, dono do restaurante, chegou a arregalar os olhos quando soube que vegano não come nem usa nada de origem animal. Foi depois de muita conversa que ele convenceu o cliente a tomar um caldo verde enquanto as amigas degustavam o bode. O rapaz aceitou, e gostou tanto do caldo que repetiu umas três tigelas. Quando terminou, quis saber como aquela comida maravilhosa era preparada. Depois que o cozinheiro explicou que se refogava a couve na manteiga e depois colocava um tablete de caldo de galinha pra dar gosto, o “veganão” subiu nos tamancos, ficou puto… Começou fingindo que tava passando mal, e aos berros acusava o dono do recinto de ter feito ele comer um “cadáver de galinha”. O cara ficou doido! Vai ser vegano assim “nas Oropa”. Vomitou tudo, nem se deu ao trabalho de ir ao banheiro. Derramou em cima da mesa, foi a maneira que achou de protestar. O povo brasileiro tinha que aprender a conviver com os veganos.

Marculino ficou o dia limpando a sujeira que o porra do “veganão” tinha feito e ainda por cima não pagou a conta, alegou que aquilo foi quase uma tentativa de assassinato. E olha que se o dono do restaurante estivesse armado a coisa acabaria de outra forma, a sorte dele foi que o decreto do governo não permite arma pra bacharel, só tem direito quem tem a carteira da OAB… Ele até tentou comprar uma arma, mas bacharel só pode usar badoque e espingarda de pressão se passar no psicoteste. Nem adiantou ele alegar que tinha curso de doutorado no estrangeiro. Marculino tava desolado, e dona Ivonete chegou pra consolar o maridão que tava uma fera.

— Ô, mozão. Você tem que levar em conta que o sujeito pra ser vegano tem que ser milionário. É difícil se adaptar ao regime deles, não se pode comer nada que um dia foi vivo. Eles só comem verduras, frutas e sucos… Não come nem ovo!

— E como é que eles viajam? A pé? E se for a pé, calçando o quê?

— Tem muito sapato já fabricado pra esse tipo de consumidor, são caríssimos! Não pode ser de couro nem de plástico.

— E como é que eles viajam? Rico gosta de viajar! Carro a álcool também é lubrificado com óleos e graxas derivadas de animais, dos fósseis.

— Essa parte eles ainda não me explicaram, mas só o sacrifício de comer folha com folha pra desintoxicar o corpo e cuidar do planeta já mostra que eles têm boa vontade.

— É, Ivonete. Parece que você parou de me amar. Tá caindo até nas conversas dos veganos., Você acha certo o que aquele merda fez no meu restaurante, só por causa de um caldinho de galinha? O homem quebrou tudo, além de acabar com o movimento do lugar

. Se eu tivesse minha carteira da OAB eu podia tá com um fuzil, aí aquele sacana ia ver. Aquele porra até parece que é…

— Não é velhaco, é vegano!.

— E quem falou isso? Tá querendo colocar palavras na minha boca pra me complicar? É melhor você usar seu aparelho de surdez, desse jeito você me incrimina em vez de me ajudar. Quem mais sabe o que é um vegano sou eu, aquele traste paulista fez questão de explicar tudo pausadamente, tintin por tintin.

Marculino conseguiu manter o restaurante aberto a custo de muito sacrifício, tava pegando cliente a laço. Ficou traumatizado com o “veganão” paulista. Só foi se estabilizar depois que a esposa teve a brilhante ideia de colocar uma placa na entrada: “VEGANO SÓ AMANHÔ.

Um olhar para trás III

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 abr 2019

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Por Alberto David

Um Céu estrelado

Talvez minha mãe não percebesse os berros e gritos daquela criança devido aos estardalhaços dos fogos de artifícios que se misturavam aos brilhos das estrelas do céu. Era noite de São João. – Um menino! Bradou a parteira. Na época, não existia ultrassonografia. O entusiasmo foi grande ainda mais para meu pai, pois até então só nasciam meninas. Minha mãe veio das lindas terras da pequena cidade de Jacaracy, onde deixou suas raízes, descendência, enfim sua árvore genealógica, de geração em geração e alcançou a fama da moça mais bela de lá. Meu pai chegou a Jacaracy ainda rapazinho, fugindo de Barra da Estiva, sua terra natal, onde estava tendo um surto de febre amarela que atingiu a população, matando o seu pai , ainda moço. Em Jacaracy conheceram-se, e minha mãe fez sua escolha entre os admiradores ou seus pretendentes na cidade, ficando com o forasteiro com quem se casou.

Logo após vieram para Vitória da Conquista e se estabeleceram definitivamente aqui. Muito atirada, para a época, minha mãe era conhecida pela sua maior qualidade, caridosa. Tenho boas lembranças dela… E como ela sofreu muito de cama, alimentando-se por um cateter e respirando por uma mangueira que chegava aos pulmões. Fui o primeiro filho homem. Não desgrudava de meu pai e nem ele de mim. Chamava a atenção de todos o apego, o exemplo de pai e filho. Mas, adiante, na verdade, tudo ia se desmoronar…

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O milagre das pombas

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 06 abr 2019

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Por Nando da Costa Lima

Eu acredito em milagre…   

Quando aconteceu faltava um ano pra virada do século, foi na “fome de 99”, a estiagem havia torrado o sertão baiano. A miséria era geral, o gado morria por falta de pasto e água, as plantações foram todas queimadas pelo sol. O povo estava em desespero.

Aqui em Conquista a coisa estava feia, só não tava pior graças ao velho Poço Escuro que nunca secou. Os alimentos remetidos pela vizinhança menos sofrida com a estiagem nunca davam pra suprir as necessidades da população ca­rente de tudo. A fome estava presente em todas as casas hu­mildes. Só os ricos faziam três refeições diárias (mais ou me­nos como hoje). A população estava assustada, com mais um mês de seca nem o Governo do Estado podia contornar a situação. Quem morava nos interiores mais afastados da Ca­pital ficava encurralado. Em 1899 as cargas eram transporta­das em lombo de burro, as tropas só estavam viajando a noite para evitar o castigo do sol que arrasava o sertão, e esperar ajuda da Capital era sonho. O Conquistense teve que se virar com o pouco que restava. A estiagem acabou com tudo, nem a mandioca resistiu, isto tirou a alimentação básica da região. Sobreviver tava tão difícil que uma semana de trabalho de um homem era pago com três litros de farinha. As crianças eram quem mais sofriam, a desidratação e a inanição matavam diariamente. Foi nesse tempo de miséria e miseráveis que aconteceu o Milagre das Pombas.

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ROMERO, O LEAL

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 jan 2019

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Por Valdir Barbosa

Muitos anos atrás, já se vão quase trinta, desfiava minhas penas, ao lado de Romero Leal, delegado de escol da polícia pernambucana, como outros tantos de idêntico quilate. Além dos seus conterrâneos, amalgamávamos esforços junto a parceiros sergipanos, paraibanos, cearenses e potiguares, dos quais me permito não citar nomes, posto poderia olvidar algum destes, porém, seus rostos, suas vozes e atitudes estão e estarão sempre guardados na memória deste velho homem de polícia que completou, no dia vinte e três do janeiro fluindo, quarenta e três anos contados, a partir da primeira vez que assumiu as funções de autoridade policial, na longínqua Itapetinga, cidade fincada no sudoeste baiano.

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A assessoria é a alma da política

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 jan 2019

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Por Nando da Costa Lima

Naquele discurso ele sabia que ia decidir a campanha, tinha que começar com uma frase de lascar o cano, a cidade toda estava comentando que sua esposa Delsinete tava pulando a cerca com o jardineiro “Zé Pé de Banco”. Se fosse numa cidade evoluída nem ia dar ouvidos para aquele “fuxico”. Corno é um estado de espírito… Mas naquele fim de mundo era diferente, ele tinha que rebater à altura senão adeus eleição.

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Enigma

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Teve até casamento desfeito e várias separações só por causa dos laços familiares…

A briga entre os Silva da Silva e os Pranchão era a vergonha da cidade, tudo por causa de política. Eles já foram do mesmo partido, mas depois da história do banquete… Foi aquele banquete que separou as duas famílias que se suportaram por vários anos. Tem gente que fala que o lugar só não desenvolveu por causa da teimosia dos dois lados. Um conseguia uma verba, o outro ia lá e derrubava, era aquela velha politicagem de pé de moita.

O coroné Marculino Pranchão, em passeio por Conquista, escutou pelo serviço de alto-falantes do Milagroso que Getúlio ia passar pela região… O coroné voltou pro seu vilarejo no mesmo dia, se o “Home” (presidente) passasse por ali, com certeza passaria por sua casa. É aí que entra o banquete, preparado por um cozinheiro de Salvador. Só o bode que o coroné resolveu assar inteiro no rolete, e fez questão de ele mesmo assar. Queria caprichar, não era todo dia que aparecia um presidente. Deputado não, estes sempre quando apareciam era só matar uma dúzia de galinhas pra comitiva, tava tudo resolvido. 

O banquete foi preparado com capricho, só que o presidente não passou nem por Conquista. Marculino ficou retado e mandou enterrar o bode inteiro, uma iguaria preparada para um presidente não podia ser consumida por gente comum. Foi aí que a oposição caiu matando: “Se enterrou o bode inteiro, é porque o bicho tava envenenado”. Desse dia em diante os Pranchão não tiveram sossego, e o bode virou uma lenda. Os contra falaram que nem andu nasceu onde o banquete foi enterrado. Já outros dizem que viram um bodão de dois metros e com olhos vermelhos… Só quem via essa aparição era os Silva da Silva e os bêbados da cidade. Foram essas crendices que fizeram o coroné enfartar mais de uma vez, nunca tinha passado tanta raiva na vida. Não podia botar o pé na rua, onde entrava via gente comentando sobre o bode. O velho ficou tão encabulado com o fato que acabou morrendo como “envenenador de banquete”, pra você ver até onde vai a ignorância. Até hoje, ninguém aceita um convite para comer na casa de algum Pranchão, e em tempo de “política de bate-boca”, a rivalidade supera tudo. É só ter uma eleição que os Silva da Silva aparecem com o couro de um bode em cima do palanque, e antes de todo comício o locutor conta a história do bode recheado com veneno…

A família Pranchão garante que os dois quilos de veneno pra rato que o coroné comprou na véspera de assar o bode foram usados na chácara que rodeava a casa dele, tava empestiada de ratos.

Na realidade, até hoje ninguém conseguiu provar se o bode tava ou não recheado com veneno… A dúvida cresceu ainda mais depois que um historiador descobriu e revelou que na casa do coroné Marculino Pranchão, nunca teve chácara.

Mansidão

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 dez 2018

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Por Valdir Barbosa

Sempre que posso, nos derradeiros anos deixo o aconchego de minha morada e atravesso a rua, para assistir, no Largo do Campo Grande, uma das efemérides mais brilhantes que ocorrem em Salvador. Instituída há vinte um anos, pelo iluminado Divaldo Franco, ali, homenagens são rendidas em louvor a PAZ.

O magnífico artista, músico, compositor, cantor, Nando Cordel abre as festividades, em seguida, plêiade de figuras oriundas de todos os credos – Espíritas, Católicos, Umbandistas, Evangélicos – manifestam suas ideias, em breves discursos cheios de sabedoria tratando do tema, por fim, uma cascata de argumentos derramados pela voz e vinda nas palavras do anfitrião brilham bem mais do que todas luzes, este ano adornando com rara beleza, a praça onde acontece o encontro encantando todos presentes, lhes pondo mergulhados em profunda emoção, imenso prazer, efusivo contentamento. No entremeio, personalidades e instituições recebem comendas, em função de ações por elas praticadas, beneméritos gestos que lhes dignifica e distingue, por isto, a homenagem pública.

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O Domador

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 08 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Aconteceu num revéillon…

Corinto Pranchão queria receber seus convidados do mesmo jeito que os “quatrocentões” paulistas recebiam antigamente. Ele passou a vida perseguindo a fortuna, só conseguiu aos 45 anos ao se casar com Marineide, vinte anos mais velha. Estavam aproveitando o fim de ano pra comemorar o primeiro ano de casamento, tudo tinha de ser de primeira. Até o peru veio dos States! O caviar russo e o champanhe francês faziam o maior contraste ao mau gosto da decoração da casa. Gerôncio foi o pri­meiro a chegar na recepção, encostou na mesa de comidas e man­dou ver. Aproveitou que não tinha ninguém olhando e comeu co­mo se estivesse em casa, lembrava um porco em cima de um cocho de ração. Só saiu dali quando a casa estava cheia, de longe ele en­xergou Lina, tinha mais de um ano que tentava se aproximar da­quela princesa. Até flores ele mandou, mesmo os amigos falando que aquilo não era coisa de homem, ele só estava ali porque sabia que ela viria. Tinha até decorado a prosa, como Lina era inteligente, ia falar de ecologia, política, música. Naquela noite querendo ou não ela ia ter que escutar seu papo de enciclopédia. …Leia na íntegra

Brasil com “Z”

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Valdirene estava desolada, já estava virando piada na cidade. Era o quarto noivado rompido semanas antes do casamento! E era ela que terminava. Os noivos, coitados! Um tentou o suicídio, dois se perderam na pinga e um endoidou. Ela era o sonho de qualquer homem: bonita, rica e “inteligente”. Uma mulher além do seu tempo. Estava cansada do Brasil, principalmente dos homens brasileiros. Conquistense então, “nem pensar, que horror!”. A família tinha que mimar, era filha única de um casal que fazia qualquer coisa pra felicidade dela. Foram eles que tiveram a ideia de mandar Valdirene fazer uma viagem pelo mundo pra esquecer as contrariedades e aproveitar pra ver se finalmente encontrava sua alma gêmea no exterior. No Brasil, nunca mais! “Cambada de interesseiros!”.

Pra ela seria fácil, seu inglês e francês eram fluentes. Isso, naquele tempo (anos 60) era raridade numa cidade do interior. Valdirene acabou cedendo ao apelo dos pais e saiu em turnê pelo mundo, pra gastar um pouco da fortuna (cobiçadíssima) e tentar achar um homem à sua altura. Nessa época, a mulherada sonhava com um galã italiano, eu acho que foi por conta das músicas italianas que invadiram nossas rádios. Não tenho certeza! Vai ver os italianos eram realmente bons amantes. As primas, mesmo morrendo de inveja, não deixaram de fazer as famosas encomendas que quem viajasse para o exterior no passado tinha que trazer! Era um absurdo! Teve gente que encomendou até um piano! Quem fosse viajar, era melhor despistar. Mas todo mundo fazia questão de espalhar que ia fazer uma viagem internacional, era “chic” falar que estava indo para a Europa. …Leia na íntegra

Simpatia é coisa séria

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 24 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Lucicler entrou porta adentro enfezada e procurando pela mãe. A velha tava retada, tinha tempo que queria falar umas “verdades” para a filha, que sempre chegava em casa se queixando da vida…

— Mamãe, eu estou numa meeerda.

— Minha filha, isso é jeito de chegar em casa… Isso atrai coisa ruim! Já basta seu noivo!

— Mas é a realidade, eu estou me sentindo a última das derradeiras.

— Você sabe o porquê, não é? Foi mexer com coisa errada.

— Claro que não, eu nunca fiz nada que não pudesse confessar…

— Ô minha filha, você tá caducando antes do tempo? Já esqueceu da simpatia pra pegar o merda do seu noivo?

— Que simpatia, mãe? Tá querendo botar mais “grilo” na minha cabeça?

— Aquela que Marileide de Averaldo Bom Cabelo lhe ensinou. Parece até que deu certo, você acabou se envolvendo com esse traste que se não fosse a minha aposentadoria, já teria morrido. E olha que ainda nem casou. …Leia na íntegra

O Rei do Bode

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 17 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Da Choça até o Furado da Roseira, não tinha um criador que tivesse mais bode que Elpídio. Era o rei do bode, o solteirão mais cobiçado da caatinga! Elpidão arrasava, além de só andar bem vestido, tinha uma vistinha de ouro na dentadura, que acabava de matar a mulherada de paixão. Muitos tentavam imitá-lo, mas não chegavam nem aos pés, só ele com aquele palito no canto da boca e o dente de ouro à vista conseguia botar as meninas pra suspirar. Ter um caso com aquele “pão” (na época “pão” era o gato de hoje, e gato era sinônimo de ladrão) era o sonho da mulherada. Até mulher casada perdia as estribeiras quando ele passava no Corcel cor de abóbora com a jante roxa e luz interna de boate além dos pneus faixa branca e a frase escrita no para-choque traseiro: “100% macho”. …Leia na íntegra

O seu sorriso me cegou

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 10 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

No dia em que Cremildo “Boca Mole” declarou sua paixão pra Marionete no meio da praça, no aniversário da cidade, jamais imaginou que ela teria aquela reação: primeiro, teve uma crise de tosse que acabou engasgando; em seguida, desmaiou… Ele ficou apavorado. Guardou o anel de compromisso no bolso do paletó e foi socorrer a futura noiva, aquele desmaio só podia ser um “Sim”! Pensou errado! Assim que recuperou os sentidos, esculhambou com Cremildo. Mandou ele ir procurar o lugar dele, ela já tinha sido Miss Primavera em mais de dez cidades e  não estava a perigo pra aceitar pedido de qualquer um. Quem tava em volta parou pra ver o “barraco”, ela acabou com a “raça” do pobre do rapaz! Só que ninguém entendia porque aquela “perua coroa” tava esnobando um rapaz educado e trabalhador (se Miss recebesse aposentadoria, ainda ia). É claro que Cremildo não era essa “lindeza” toda, mas era bem situado na vida e tinha uns 30 anos a menos que Marionete Miss. O pessoal não entendia porque ela desprezou aquele partido, iria acabar sozinha. Já tava pegando no tombo! Isso segundo o povo que estava assistindo a “lavagem de roupa suja” em público. …Leia na íntegra

Agripino

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 03 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Antes dos antibióticos as doenças contagiosas eram vistas com mais temor devido ao grande índice de mortalidade, principalmente a tuberculose cujo único tratamento era arranjar um clima que não variasse muito, isso não curava, mas evitava que a doença se tornasse ainda mais penosa. Estar tuberculoso era ter certeza que logo visitaria São Pedro, o pior era o isolamento devido ao medo do pessoal. O cidadão que sentisse qualquer problema pulmonar, mesmo não estando tuberculoso, era olhado como um foco de contaminação, ninguém encostava, a doença pegava até no vento. Se o sujeito desse uma tossida um pouco além da conta, a família já separava seu talher e lavava a roupa separada, eram os cuidados mínimos, isto se o cidadão fosse parente, se não, o remédio era distância. Muitos poetas morreram tuberculosos, uns pelo excesso de boemia, eram tão bons que estavam sempre sendo festejados. Já outros morriam de tanto perder noites escrevendo porcaria e bebendo cachaça. Foi nessa época que D. Maurícia passou por um grande aperto, ela, uma senhora conhecida pela bondade, teve que passar por um teste que mulher nenhuma gostaria de passar, seria melhor ter fama de má. …Leia na íntegra