A boca do povo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 14 out 2017

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Por Nando da Costa Lima

Foi mesmo! Noé de Denga falou que viu tudo, o coração parou de vez na hora que a última urna foi dada por encerrada e ele não teve nem uma dúzia de votos. Nem falou nada antes de entregar a alma a Deus, só deu um peido e caiu de frente no tapetão do cinema. Foi tão de repente que não deu nem pra apostar em que dia ele ia morrer, como era de costume! Um dia triste, mas Lourival da farmácia falou que o “dotô” disse que se tivesse recebido a notícia de que tinha sido eleito, morreria do mesmo jeito, só que uma vez de tristeza e outra de alegria. Isso eu não posso afirmar, é tudo história desse povo conversador que não gosta de ser citado, antes de contar um fuxico faz questão de frisar: “Não está aqui quem contou”. Mas o fato é que Dr. Arnel bateu as botas ainda novo. Mesmo naquela época, pra um homem “rico”, ele viveu pouco. Morreu com 47 anos, seria como se perdêssemos uma pessoa de 60 e poucos hoje… A vida tá ficando mais bonita, de tão linda se alongou, estamos vivendo mais. Mas para um homem dos anos 1940, quarenta e poucos anos era ser jovem, mas não tão jovem. Um senhor!

Morreu casado, sem filhos, e deixou uma viúva nova e mais jovem do que ele pra gastar a fortuna dos Silva sem ninguém pra se intrometer. O que mais marcou foram os comentários preconceituosos daquela época, os amigos contaram várias versões sobre a morte de um homem rico. Ele falava pouco, não sabiam como foi se “encafifar” com política. Os dois se completavam e ela era 20 anos mais nova, o que pra época também era comum (só para os homens). Mas o fato é que o povo, mesmo não participando em nada da vida do casal apaixonado, comentava sobre eles como se fossem íntimos. E com o comentário do médico, o povo todo começou a supor (inventar) casos que levassem um homem a cair duro no meio da rua. Era como se pra morrer do coração tinha que ter alguma contrariedade. O vizinho do lado direito disse que foi “dor de corno”, já outro disse que foi excesso de sexo, dona Lurdinha era muito fogosa! E depois do boca a boca, a viúva sentiu no velório que ninguém daquela cidade ia entender que seu marido deve ter morrido de alegria, ela nem ia tentar explicar praquele bando de conversador que ficou sabendo que ela estava grávida no mesmo dia que o marido morreu.  O homem fez questão que o pré-natal fosse realizado na capital. Aquele povo poderia acreditar em tudo, menos que ela estava grávida do finado. Ela tinha dinheiro pra se mandar daquele lugar e ter seu filho em qualquer parte do mundo, mas não, preferiu se entregar à religião e criar o menino ali mesmo. Não importava o que o povo inventasse, nada iria interferir na criação de seu filho.

Dona Lurdinha passava mais tempo na igreja do que em casa, foi o jeito que encontrou pra repor a falta do marido. Mas as frequentes visitas ao padre eram pra arranjar uma forma de anunciar pra paróquia que quando o finado partiu ela já estava grávida, senão ela, viúva com a barriga crescendo, seria assunto para mil histórias, e todo mundo querendo saber quem é o pai. E ficou decidido que no final da missa de domingo o padre daria a notícia. E foi com muito jeito que o vigário começou falando que tinha perdido um grande amigo, Dr. Arnel, mas que para sua grande alegrai, ficou sabendo que a viúva estava grávida de três meses e blá blá blá…

No outro dia, no bar do sargento, a aposta já era outra: em que mês nasceria o filho do padre???

A Cruz e a Espada

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 07 out 2017

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Por Nando da Costa Lima

Na primeira metade do século passado (pelo que eu leio e escuto) os homens eram mais espirituosos, devia ser a maneira de passar o tempo, sem a tecnologia de hoje…

A catedral tava um brinco, as senhoras da cidade fizeram questão de caprichar. Todo ano um grupo de festeiras ficava responsável pela limpeza e decoração da igreja matriz nos festejos de sua santa padroeira. Tinha uma missa na saída da procissão e outra na chegada. Aconteceu que na véspera do dia da padroeira da cidade, um burro de carroça morreu ao lado da catedral. Aquilo causou um incômodo geral, o animal logo começaria a entrar em decomposição e isso causaria grandes transtornos. Se fosse um animal menor, o próprio padre teria resolvido com a ajuda de alguns fiéis. Mas era um burro enorme, ali só um caminhão da prefeitura pra dar um jeito, era só jogar o animal na carroceria e dispensar em algum lugar. Nesses tempos a gente ainda usava o termo “vou jogar no mato”. Tudo que tinha pra ser descartado, em vez de ir pro lixo, ia pro mato. E esse seria o fim do bicho, jogariam o burro no mato e os urubus se encarregariam do resto.

Quando o padre ficou sabendo que o burro já estava fedendo, mandou logo o sacristão ir ao encontro do prefeito, que apesar de ser seu adversário político, era o único que poderia dar uma solução para o problema (O sargento iria se sentir ofendido se o padre lhe pedisse auxílio, um revolucionário prendedor de integralista não ia enterrar burro para padre). A festa da padroeira era motivo de orgulho para toda a cidade, principalmente para o prefeito. Só que ele, famoso pelo senso de humor, recebeu o sacristão, ouviu o recado do padre e enviou um bilhete como resposta, sem perder a piada. O padre quase morre de raiva ao abrir o bilhete: “Caro reverendo, é dever dos religiosos dar assistência aos mortos”. Mas pra não sair perdendo, o padre, que também era muito espirituoso, escreveu uma tréplica ao prefeito que tentou desmoralizá-lo, e mandou ele dar assistência a um animal pagão: “Prezado Sr. Prefeito, quando eu pedi pro senhor mandar pegar o burro que morreu aqui do lado da Catedral, o senhor respondeu que era eu, como religioso, quem deveria encomendar o corpo do defunto (o burro). Por isso estou respondendo que nós, sacristãos, antes de fazermos qualquer procedimento com o corpo, temos de avisar à família do morto”.

E na festa da padroeira, só se falava na rusga do padre com o prefeito.

Fecham-se as cortinas

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Publicado por Editor | Colocado em Cultura, Vit. da Conquista | Data: 01 out 2017

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Por Alberto David

Passeava pelas manhãs ensolaradas desta cidade pelos idos de l985. Fazia o trajeto que dava de frente com o Centro de Cultura. Lá estava ele, um gigante em concreto e cimento armado, dando a impressão de uma grandiosa escultura pós-moderna,pensava: “Um Centro de Cultura para Vitória da Conquista!”

Em 5 de junho de l986 era dado como inaugurado o nosso Centro de Cultura. A Casa era novidade em Conquista e levava o nome do poeta maior de nossa terra, Camillo de Jesus Lima, numa homenagem justa. Ocuparia o meu espaço, seria uma boa oportunidade para colaborar com a cultura da terra .

O Centro de Cultura veio para ser um divisor águas na cultura conquistense. Muitos são os movimentos em nossa terra que sempre têm lutado para manter vivo em setor, uma vez que um povo não se preocupa  com esse aspecto, o que contribui para a perda de sua própria  identidade.

Trabalhei ali e,  por ser um  artista, já conhecido e querido do público,  sofri muito com a inveja de algumas pessoas,o que representou  um momento cruciante em minha vida,   sem dizer das decepções com os próprios colegas, com raríssima exceção .  Mas estou consciente do dever cumprido. É o que vale. Sem receber nenhum soldos significativo que valesse pelo meu esforço, sem dúvida nenhuma,  o Centro de Cultura não tem culpa, pois é  apenas uma construção de ferro,  cimento e aço;  a culpa é de certos administradores que falham na conduta , na falta de projetos  e também pecam na ética, no que diz respeito ao  tratamento  hierárquico. Acredito que o respeito tem que ser mútuo, mas, na maioria dos casos , sempre a presunção e a arrogância estavam à frente . E isso dificulta a harmonia para uma administração digna. Eles têm que dizer por que estão ali.

Dentre os vários projetos que o Centro de Cultura proporcionou vale destacar  “Artes para a Comunidade” , uma promoção  interessantíssima,  com  cursos gratuitos,  como desenho,  pintura,  capoeira e  teatro; o projeto “ Salões Regionais de Artes Plásticas”,  sob os auspícios da Fundação Cultural da Bahia. A partir desses movimentos, houve um despertar,uma efervescência de talentos surgindo.

A construção destes Centros Culturais tem como objetivo abrir os espaços para novos talentos da cidade e região, mas  como não havia Centro de Convenção,  todo evento de interesse público poderia ser realizado lá. Mas o foco principal eram os espetáculos teatrais, como o daCia Baiana de Patifaria( com sua peça “A bofetada”)  e shows de cantores famosos que vinham abrilhantar mais a cidade e trazer o  entretenimento  para a comunidade tão penosa de lazer.

Apagaram as luzes !

As portas fechadas durante  este  tempo,quase cinco anos , trouxe um prejuízo enorme  em particular para os artistas da terra  e região . E,obviamente,para a comunidade de .Vitória da Conquista,conhecida como  “Cidade do Frio“; “Cidade das Rosas“, “O Planalto da Cor“ ;  agora ficou com a pecha:  ” Cidade sem Centro de Cultura ” .

Não é possível continuar fechado tanto tempo. É uma enrola sem tamanho, um tempo que daria para construir  um outro espaço. Não há desculpas, enquanto são inaugurados  outros empreendimentos vultosos,  a Cultura espera humilhada e constrangida.Tudo ao nosso redor é arte. Já pensaram o mundo sem arte?  Recorro, agora, ao célebre compositor Beethoven,  quando declarou : “o artista nasceu para sofrer e dar alegria aos outros”.

Fica parecendo que O Centro de Cultura não dá votos

A Cultura  é um marco para  qualquer cidade  a exemplo da Grécia referência mundial   da  Cultura .

Fidelão ganhou a luta

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 30 set 2017

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Por Nando da Costa Lima

Eram dois dos maiores lutadores do Nordeste, já tinham lutado pelo Brasil todo. Era ter qualquer inauguração de loja, aniversário de cidade, circo… qualquer desses eventos estavam lá Fidelão e Leão do Norte. Ambos fortíssimos e já vinham se enfrentando há tanto tempo que eu acho até que ficaram amigos. Mas é como eu tava falando, se “rolasse um troco” os dois lutadores se encaravam até em batizado. Conquista era bem menor, o ponto mais movimentado da cidade era o Jardim das Borboletas no domingo à tarde. A meninada se lavava, brincava, namorava e brigava… O pior é que quando chegava com um olho roxo em casa ainda tomava um “côro” por ter apanhado na rua. Era a regra, todo mundo admitia!

Mas foi numa Conquista dessa época que um partido resolveu lançar um jovem candidato pra disputar uma vaga de vereador. E nesse tempo ninguém melhor que Pedro Alexandre pra representar a juventude conquistense. Nesse tempo, Dom & Ravel ainda faziam sucesso cantando: “Eu te amo meu Brasil…”. Era uma bestagem só. Mas Pedro resolveu levar a campanha a sério, começou a ler sobre política, participava mais das conversas com a comunidade, mesmo sendo jovem. E como todo jovem, ele chegou pra inovar, ia botar uma porção de ideias futuristas na cabeça daquela velharia. Já tinha gente pagando 3 pra 1 com ele se elegendo. Pedro se empenhava cada vez mais em consertar o Jeep que lhe deram pra fazer campanha e convencer o eleitorado que ele era o homem certo para ocupar um das cadeiras tão cobiçadas. …Leia na íntegra

Dezoito anos depois

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Vit. da Conquista | Data: 29 set 2017

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Por Valdir Gomes Barbosa

Os meninos mais gulosos ainda lambiam os dedos sentados ao chão, frente aos pratos, onde foi servido caruru oferecido aos Ibejis. Refrigerantes findavam nos copos de plástico e os caramelos, responsáveis por arrematar o repasto aqueciam a algazarra própria da efeméride onde os Santos Meninos – São Cosme e São Damião – são reverenciados todos os anos, quando ela seguiu para cumprir seu grande desiderato e o maior dos privilégios, dádiva apenas concedida às mulheres. Ser mãe.

Atendida pela obstetra e enfermeiras responsáveis pelo parto, na mesma casa de saúde palco de sua vida laboral, por alguns anos, tudo fazia crer que o trabalho seria rápido, assim, o filho ansiado viria no 27 de setembro, mas, não haveria que ser. Apenas muitas horas depois do dia seguinte, finalmente, João, o Gabriel de Roberta inspirou pela primeira vez uma lufada de oxigênio serrano marcando sua presença nestes tempos da contemporaneidade.

Acostumada constantemente a luta, ao sacrifício, ao enfrentamento das dificuldades com a audácia retirada das entranhas d’alma, não desistiu um só instante e superou todas as dores. A guerreira que veio de longe preparada para ir além, no momento que foi preciso fazer força para sentir rasgar suas penetras físicas e dar vida ao sentido da sua própria vida não capitulou. Desta forma continua e continuará agindo, até quando vida tiver. …Leia na íntegra

Verdades secretas

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 24 set 2017

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Por Alberto David

Já faz algum tempo que fatos incríveis e misteriosos ocorrem lá pelas bandas da fazenda Jaqueira,  linda propriedade rural, que um dia foi de Seu Emilio, meu pai, que transformamos num lugar, paradisíaco. Vivemos ali, eu e minha esposa, um amor cigano de tirar o fôlego.  Mesmo tendo de voltar a Vitória da Conquista, nunca abandonei meus amigos dali, ou melhor, agregados,  lavradores e vaqueiros,  também os animais como  cavalos, éguas  cachorros e gatos. Aproveitava os janeiros  e levava minhas ferramentas (tintas, pincéis e telas) para pintar. Certa vez, retratei as coisas principais dali e fiz uma mostra em Salvador; exposição bastante concorrida, com cinco emissoras de TV cobrindo o trabalho.

Mas o assunto aqui é outro. São casos  secretos, verdades secretas,  que se sucederam comigo, enquanto estive por lá e só agora vem à tona.

Perto  desta paisagem paradisíaca,  costumávamos ir até a Caatiba, cidadezinha mais próxima, dava uma légua montado,   para cair nos braços de uma lourinha gelada,  como era o meu caso, ou melhor dizendo,  o nosso caso,  eu e minha musa  .No sábado, então, dia de feira, era uma festa . Tomávamos  todas  e quase, ao anoitecer, voltávamos para a casa. Lá vivíamos as intimidades,  mas…poupem-me dos detalhes!

Na Fazenda,  a inspiração era latente,  muito fácil, dada a beleza natural da fazenda,  em especial as águas do rio Catolé que, quando chovia, passava por cima da ponte. Hoje  é quase um riacho,  tamanho o retiro das águas, sem fiscalização do IBAMA. …Leia na íntegra

Mentira

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 set 2017

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Por Nando da Costa Lima

A mentira, natural a todos nós, nem sempre é prejudicial. Às vezes é até necessária, pois além de nos tirar do sufoco, serve para muitos como uma forma de desabafo. Todos sabem que os pescadores e os caçadores são experts em mentiras e, como todo mundo tem um pouco dos dois, não nos resta dúvidas de que o mundo é um paraíso de mentirosos (no bom sentido).

E para não fugir à regra, vou começar com uma mentira de caçador: Seu Tiroalbo, caçador dos antigos, estava comemorando seu 80º aniversário, e não podia faltar um “causo” de onça dos seus tempos de juventude para entreter os convidados. O pessoal fez uma roda em torno do velho, e ele começou a narrar uma estória quilométrica, daquelas que o caçador começa a perseguir a onça no Amazonas e termina no Rio Grande do Sul. Anda tanto que quem está escutando dorme. Mas vamos ao que interessa: Seu Tirobaldo, depois de muita labuta, dois dias e duas noites, conseguiu acuar a “bichona” de quase dois metros. Pegou a espingarda e mirou bem na testa da onça, e na hora em que ele ia puxando o gatilho o caso foi interrompido, pois havia chegado mais um convidado para lhe dar os parabéns. Depois do tradicional abraço, ele acomodou a visita na roda e perguntou aos espectadores: “Onde eu parei o caso? ”. Alguém respondeu: “O senhor já ia puxar o gatilho”. Ele agradeceu e continuou: “Aí então eu apertei o dedo, e foi pena pra todo lado”. Um dos convidados, desses chatos que não deixam passar nada, perguntou: “Mas seu Tiroalbo, o senhor estava caçando era onça, de onde surgiram essas penas? ”. O velho, mantendo a pose de caçador, respondeu sem gaguejar para não ficar como mentiroso: “As penas, meu filho, foi na hora que eu atirei, um índio atravessou na frente”. …Leia na íntegra

Para não passar em branco

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Publicado por Editor | Colocado em Cultura, Vit. da Conquista | Data: 17 set 2017

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Por Alberto David

O  assunto que me importa e que me traz  indignação, chegando à insônia,  tem como começo  as programações  de nossos canais de TV, que  estão mais para a nossa música popular brasileira , não há mais nada para  ouvir,  com raríssimas exceções,  são melodias   ou verdadeiros melodramas  cujo  mote  é  encher a cara,  enfim as letras são chavões. Se prestarmos atenção,  todas têm as mesmas intenções,  mas  de duplo sentido , acompanhados com o remelexos dos glúteos. Com toda sinceridade, a programação em geral  está abaixo da mediocridade, os humorísticos nem se fala, que saudades do Mazzaropi , de um Cantiflas ou Charles  Chaplin, que nos fazia rir, com  tamanha naturalidade, utilizando-se  do seu improviso e talento. Aqueles programas que falam de natureza, de entretenimento, de caridade , caridade conveniente, novelas incríveis em que se bate na tecla o tempo todo , algumas de alto valor de compreensão e cultura  sobre os gostos.  Só que  há abusos e, parece o contrário , ou seja,  que estamos errados,  deveríamos ter outras opções,  são argumentos que, convenhamos, com todo o respeito , os abusos .Se não querem que outros entrem em  suas vidas não tem também direitos de querer camisa de força , que mudemos   o gosto, o que manda é o Evangelho e a natureza.

Mas tem melhorado, temos visto um canal que tem mudado e nos traz conhecimento. Fiquei  pasmo com minissérie  “Sob pressão”. Que  atuação brilhante destes artistas ,  e o protagonista  merecia um Oscar , um tema sui-generis que   abrange a grande ferida aberta do nosso País,  mostrando que  a missão  deles é  salvar vidas. Eles sim tem um pouco de Deus  e  a ciência médica,  na hora do socorro vale tudo, os instrumentos é a improvisação do momento , o que vale ali é salvar a vida . …Leia na íntegra

Gordini

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 16 set 2017

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Por Nando da Costa Lima

E a roda foi formada no jardim da praça central, era ali que Teodoro, o solteirão, contava suas aventuras e matava o povo de inveja. Ele tava falando da vez que foi num cruzeiro na costa brasileira e pelo que ele contou, comeu o navio quase todo, até a mulher do capitão! Começou pegando as arrumadeiras, depois as noivas que estavam em lua de mel (17, segundo suas contas), duas viúvas e nove divorciadas. Pra um cruzeiro de dez dias, ele caprichou.

Um dia, Teodoro “das Cavada”, no meio de uma farra, anunciou que tava pensando seriamente em se casar. A mulherada da região ficou toda assanhada, teve até gente que terminou noivado e namoro. Todas sonhavam entrar na igreja e se tornar esposa do maior bom partido daquelas bandas da caatinga, o homem tinha até uma ruralzona Willys e já tinha um Gordini novinho na garagem pra presentear a noiva, é mole?! Teo não era o que se podia chamar de homem bonito, mas dava pro gasto. Era baixinho, branquelo, mas sabia fazer dinheiro. Era comerciante, criava bode e tirava leite de umas vaquinhas. Era o homem rico das redondezas. E é claro que pra casar teve que fazer umas compras na capital, inclusive uma dentadura com novinha e tudo.

Tinha o povo do contra, os invejosos que falavam que Teodoro não era homem para casamento, pois, além de beber muito, só andava acompanhado de macho. Parece que nunca tinha namorado sério. Quanto a ir pra cama com alguém, nisso ninguém se metia, era um problema particular que nem as putas comentavam. Mas ele era gente boa, até o puteiro funcionava em uma de suas residências e não pagava aluguel nem nada. Sendo assim, mulher nenhuma ia cair na besteira de comentar o desempenho dele na cama. Quando falavam, era pra elogiar. Tonhão, que administrava o puteiro, tava sempre elogiando o caráter e a humildade do amigo de vários anos. Só que Tonhão era noivo da moça mais cobiçada do trecho, e até ela se entusiasmou com a notícia de que Teodoro estava querendo casar. Já pensou, o homem além de ter tudo, ainda ia dar um Gordini “novim”. Marycler tava pensativa, aquele negócio de ser noiva de dono de puteiro nem pegava bem pra ela… Tonhão foi quem primeiro notou que a noiva tava querendo dar de banda. E agora? Quando Marycler falou que tava pensando em “dar um tempo”, ele quase saiu do sério. O que o dinheiro não faz? Mesmo assim, tentou se conter e argumentou.

– Por que isso, minha linda? Nós sempre nos demos tão bem, até as alianças eu já encomendei.

Marycler estava irredutível, sempre quis ter um carro.

– Mas isso não quer dizer nada, nós ainda nem marcamos a data do casamento, da muito bem pra dar um tempo.

Tonhão, quando viu que a noiva não ia mudar de opinião, resolveu contar a verdade sobre Teodoro das Cavadas, só assim pra resolver aquele impasse. Não queria perder nem a noiva e nem a amizade, mas pelo visto ia ter que sair perdendo alguma coisa…

Marycler quase morre de raiva quando soube da verdade, se descabelou de ódio. Aquele sacana tava iludindo as moças da cidade só porque tinha dinheiro. Adeus Gordini, sem falar o tempo que ela perdeu com o mala do noivo…

Pra resumir a história, porque se eu for falar muito sobre o caso dos dois vão me chamar de homofóbico. Tonhão foi quem ganhou o Gordini!

E o bloco dos “caçadô” nunca mais saiu…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 02 set 2017

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Por Nando da Costa Lima

Bejalviro estava comemorando os seus 75 anos junto aos parentes no seu sítio no interior de “Sompaulo”. Tinha sobrinhos, irmãos e afilhados, só não filhos e netos. É que o anfitrião, apesar de já ter sido casado, havia separado. Marinalva aprontou tudo que podia com ele, tanto que até Bejavalviro, que era meio passado, acabou descobrindo. E nesse dia ele resolveu contar porque nunca mais tinha pensado em casamento, e olha que tava se sentindo vingado, de alma lavada. É que tinha recebido uma carta da ex-mulher dando os parabéns pelos 75 anos e implorando para acabarem esta caminhada juntos: “O tempo apaga tudo…”. Mas, para Bejalviro, o tempo não apagou nada, e ele fez questão de responder a carta à altura. Antes de enviar, como vingança, leu a missiva para todos os presentes na comemoração do seu aniversário. Teve até fundo musical… Ele fez questão de caprichar, pois tinha muito parente da ex-mulher na festança, e a maioria dos convidados conhecia a história. Quem entregou a carta de Marinalva para Bejalviro foi seu ex-cunhado, a quem ele não via a muito tempo. Mas Beja nunca esqueceu de ele contar um caso e em vez de falar seu nome, falou “o corno do meu cunhado”. Bejalviro ia chegando na hora… Isso fazia parte do rancor do velho pelo “amô” do passado.

E começou a ler a carta resposta: “Pois é, Marinalva, lá se vão anos e anos, esse tempo deu pra eu botar a cabeça no lugar, saí daí traumatizado com a experiência que tive com você. Foi duro suportar tanta humilhação, mas graças a São Jorge eu sacudi a poeira e consegui me reerguer em Sompaulo. Mas até tirar você da cabeça eu engoli muita cachaça, nem sei como não morri de pinga. A primeira coisa que fiz pra começar a me ajustar foi parar de beber e nem pensar em casamento, você me maltratou demais. Eu acho que até hoje tem gente que lembra da sua safadeza, em plena lua de mel você conseguiu me trair com todos os integrantes do bloco dos ‘caçadô’, aquilo foi um absurdo, e gerou o primeiro dos muitos apelidos que ganhei por sua causa: ‘Corno Caçadô’. Foi o caso mais grave de cornitude que ocorreu por aí, se fosse pra matar os ‘Ricardão’ eu teria que comprar uma metralhadora e um caminhão de bala. Mas é isso, em tudo o tempo dá um jeito. Hoje eu tô aqui, tranquilo, em paz comigo mesmo, e na hora que abri uma cervejinha pra prosear com um vizinho, chega uma carta sua… É que apesar das suas safadezas, eu nunca deixei de pensar em você. Noêmia de Noca me deu logo uma bronca, perguntou se eu tava pensando em virar corno depois de velho, porque segundo ela, você me deu o título de ‘rei dos cornos’. Eu até dei risada, mas no fundo ela tem razão… Você só não foi com meu avô porque na época não tinha viagra. Quando a mulher é muito fogosa, o povo fala que é porque tem ‘fogo no rabo’. Você então devia ter um crematório. Teve gente que me contou que você passou a lixa até em Cafezinho, e tia Dulce me garantiu que você chegou a engravidar de Mania, além de ter passado três dias no mato com Vitório Cocão. Resumindo, nem os doidos você deixou escapar. Tem anos que saí daí pra não morrer de vergonha. Agora eu queria saber onde é que você tá com a cabeça pra imaginar que eu poderia cair na sua conversa de que eu fui seu único amor, e de repente voltar logo agora com 75 anos nas costas. Cê tá achando que corno com o passar do tempo acredita em tudo? Se toque, sua piranha velha, graças a você até hoje eu nunca mais consegui ter relação com mulher nenhuma, nas vezes em que tentei, falhei. Era só pensar em você me traindo e pronto, já era… Só estou respondendo sua carta porque me falaram que você está muito doente, e como espiritualista não podia fazer a desfeita de não responder, e principalmente lhe alertar: quando você partir pra outra, não se esqueça de que o Capeta, mesmo tendo chifre, parece que não gosta de ser traído”.

E pra vingança ficar completa, encerrou a narrativa cantando o tema do bloco dos “caçadô”: “Ô, leva eu minha saudade, eu também quero ir”.

Unindo Forças

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 19 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

– Pois é, seu Venâncio. Eu sou filho do deputado Osvaldo e neto do também deputado federal Osvaldo do Pé da Serra… O senhor deve conhecer.

– Ai, ai, ai…

– É o quê, seu Venâncio. Falei alguma coisa que o senhor não gostou?

– Não, meu filho, eu só tava lembrando que um dia jurei que nunca mais ia passar raiva por causa de porra de política. Tô vendo que até sem querer a gente fica retado.

– Retado por que? Meu pai é um dos homens que mais prezam a democracia, como o meu bisavô, que foi o primeiro prefeito daquela cidade que o senhor nasceu.

– Alto la, seu bisavô foi interventor de Getúlio. Prefeito é outra coisa, é o povo quem elege…

– Tanto faz, nós não podemos julgar ninguém sem ter vivido o que viveram. Interventor, prefeito… Dá no mesmo se for para o bem do povo! …Leia na íntegra

Ser polícia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 14 ago 2017

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Por Valdir Barbosa

Dia destes, meu querido neto, Gabriel, em cujas veias corre o sangue das duas instituições policiais que honram a Bahia – o avô é este calejado homem de polícia civil e o pai, oficial da briosa corporação coirmã – me perguntou, do alto da sua santa inocência e sapiente curiosidade infantil. Vovô, o que é ser policial.
Admirou-me a cobrança, muito embora, por obvio, tenha aguçado seu interesse, a pugna permanente do pai, integrante de equipe especializada da Polícia Militar, com atuação nas terras do cacau e entorno, ausente de casa por longos dias, a enfrentar os desafios todos, conhecidos das mulheres e homens de polícia, idênticos em todo país e porque não  dizer mundo afora.
Também, quiçá, seu questionamento guarde motivos, mesmo sendo ainda pequeno, em face das histórias hoje contadas pelo pai de sua genitora, pois a vida nos reserva momentos de fazer história e ao final contá-las. Vivo hoje o privilégio do doce momento de rememorar.
Pensei em começar dizendo, o quanto ser polícia exige grande dose de vigilância, ao lembrar frase que alguns atribuem a Shakespeare: “A eterna vigilância é o preço da segurança. Pois, alguns devem velar enquanto outros dormem”. Todavia, acreditei devesse ser o mais simples possível, para tentar explicar aquela criança, por mais complexa seja a atividade policial, por mais que sejam enormes os desafios e riscos dela inerentes e pretendi, na fração de segundos responsáveis por separar a indagação do resultado esperado, falar da beleza escondida no ato de fazer polícia.

…Leia na íntegra

Os pais passam

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 13 ago 2017

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Por Alberto David

 

“Honrai o vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo” .E Deus fez as leis. E quem a desrespeitou teve a sua Ira. Isso vem desde os tempos de Moisés. Coincidência ou não, o fato é que muitos jovens morrem estirados nas calçadas,  nas sarjetas ou nos braços de sua mãe , que grita a perda do jovem filho. Muitos deles são os principais responsáveis, pois não ouvem os pais e jogam os afetos fora . O melhor alerta é dar-lhes disciplina para que não venhamos chorar depois.

Jesus não veio obstruir a lei, ou seja, apagar os mandamentos, veio  trazer o verdadeiro sentido e adaptá-lo ao grau de adiantamento, e a frase “Honrai os seus pais é falar de amor, pois   tudo que um pai faz por um filho é para o bem dele. Veja a interpretação de Jesus, na máxima “Qual  o pai que um filho pede um cesto de pão e o pai lhe dá um cesto com uma serpente?”.

A máxima acima me fez lembrar de uma história  de dois irmãozinhos .Um deles nutria grande afeto por uma formiguinha,o seu irmão gêmeo  pisou nela e a  matou,  sem saber que era do seu  irmão. Mas, quando viu a cena do irmãozinho, olhando para a formiguinha morta, gritou: – Meu Deus!  A formiguinha era dele! …Leia na íntegra

Ibicuí-BA

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 12 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

Foi numa tarde de 1947 que ele ali chegou, um lugar pequeno, carente de muitas coisas, como todo lugarejo mais distante da capital. Chegava como um presente para a região. Um médico naquela época era sinal de progresso e motivo de alegria para toda a população. Um povo simpaticamente diferente, cujo cotidiano era infestado de acontecimentos interessantes. Um lugar onde todos se conheciam e cultivavam a amizade com mais intensidade. Pessoas que por saberem do quase isolamento com o mundo exterior apegavam-se como irmãos de sangue, uma união que nem o tempo conseguia apagar. Lá nasceram quase todos os seus filhos, e talvez tenha sido ali sua verdadeira faculdade, cujas matérias amizade e respeito ficaram em nossa memória como a única forma de viver bem. Como homem e como médico, deixou-se envolver pela simplicidade dos que dele necessitavam, tornou-se um deles. Olhava-os de frente, nem por cima, nem por baixo. Uma vida compensadora, mas difícil, pois praticar medicina no interior há anos atrás exigia mais da boa vontade do homem do que da técnica de médico. A vida passava, um parto aqui, uma cirurgia ali, e na maioria das vezes essas visitas médicas eram feitas em lugares onde só se tinha acesso montado em lombo de burro, consultas que nunca foram deixadas de lado por comodismo, daí tantos amigos firmes. Homens rudes, filhos legítimos da terra cujo maior orgulho era a honestidade. Uma gente de sorriso difícil, mas de amizade sincera, um povo que sabia agradar e entendia que o respeito é algo que só se adquire através do bem. …Leia na íntegra

Era uma rapaz de quarenta e tantos anos

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

Médici ainda era presidente… Estamos na pensão de Dona Gumercinda, que era madrinha de Teodomiro. Este aproveitava o parentesco pra morar de graça em Salvador sendo mais bem tratado do que os hóspedes que pagavam… Isto é, agora nem tanto. É que o dito afilhado, há cinco anos e meio, passou no vestibular de direito. Quando estava cursando o 1º período na Universidade Federal da Bahia, era tratado como um príncipe, mas já tinha dado o tempo de ter virado advogado e ele continuava lá, um eterno universitário revoltado com o sistema e sustentado pela madrinha que agora já andava pegando no pé, achando erro em tudo que o folgado do afilhado fazia. Mas não era pra menos: cinco anos e meio e nada de diploma, todo hóspede já ficava sabendo que aquele cabeludo com jeito de hippie era o preguiçoso do afilhado da dona da pensão que fazia direito há quase dez anos… Frase grande pra quando se quer falar que o cidadão era um zero à esquerda! Mas ele já estava acostumado a ser olhado assim naquele “universozinho pequeno burguês” da pensão.

Já lá fora… ele era o cara, tinha até comido aquela hippie que vendeu uma pulseira pra Janis Joplin em Arembepe, não era todo mundo que ia ali! Tinha que ser “cabeça”. Edmara “Joplin” assumiu o sobrenome da “amiga”, dava mais charme, a rapaziada encostava pra saber “Por que Joplin?”. Aí ela caía matando. Ela era o máximo, só dava em inglês: “Fóque-me, mailove. Ai laique ferro, gudi, gudi. Ok, Ok. Not para. Ai loviiúúúú”. Teodomiro estava no meio de uma dessas paixões, e se achando o dono do pedaço. Chegava mais de duas da madrugada pra entrar na pensão sem chamar a atenção de ninguém, principalmente da dinda, que passara de fada madrinha a madrasta má. Grudava no seu pé dia e noite, aquele estrupício já devia ter voltado pra casa dos pais em Conquista, mas não, só ia visitar a família uma vez ou outra, até as férias ele passava na pensão.  Ia deixar Salvador nas férias? Tá doido?! …Leia na íntegra

O mundo está sem endereço

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Publicado por Editor | Colocado em Cultura, Vit. da Conquista | Data: 02 ago 2017

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Por Alberto David

O mundo está  sem endereço .  “Maldito o homem que confia  no homem” , disse Jesus,  e  “Confiai apenas  no Senhor”,   disse um profeta ,  obviamente esse profeta  não disse isso  para ofender o homem,  apenas que abríssemos   os olhos,  pois o Senhor não falha nunca,  mas  o homem  derrapa.  Confiar com cautela  e saber que em primeiro lugar vem  a amizade de Deus e depois a do homem.  Lembrei-me, também,  do filósofo Diógenes  que  caminhava  pelas ruas  da sua cidade, acompanhado  de um  cachorro,  numa noite nevoenta  e escura.  Andava para lá e para cá  com uma lanterna na mão e as pessoas  o  paravam, curiosamente, para  questioná-lo:  “ Mestre,  o que há? O senhor a  estas horas,  caminhando   sozinho,   sem rumo?”. E ele, de imediato, deu a  resposta:

“Procuro um homem honesto “ .

Mais  adiante,  encontramos outra  reflexão  do nosso Rui Barbosa,  que  afirmou:   “Chegará o dia em  que  o homem sentirá vergonha de ser honesto…” , que vem  coadunar perfeitamente  com as palavra de  Jesus , “Maldito é homem que confia no homem”.

Analisando bem,  como  é bonito encontrarmos um homem  honesto ou uma  amizade que enche os nossos olhos.  E, às vezes, conversando com os meus botões,   fico extasiado com essas pessoas.

Existem amigos, sim! …Leia na íntegra

Big Bang

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 29 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Segundo o poeta Affonso Manta: “Esse negócio de mulher, amigo: é caro, perigoso e divertido”.

Clemente acordou assustado e suando frio. Sua mãe, Dona Janoca, logo viu que ele tinha tido outro sonho profético… Tava virando rotina!

– Foi o quê, Clemente? Tá com cara de quem viu assombração.

– Outro sonho daqueles, mãe. Só que esse é muito sério, eu sonhei que o mundo vai explodir e que não vai sobrar ninguém pra contar história.

– Tira isso da cabeça. Desde que o mundo é mundo tem gente sonhando e profetizando que ele vai acabar…

– Mas a senhora sabe que sonho meu sempre se torna realidade. Lembra da vez que eu falei que Cholinha, a cadela de Seu Jaime, ia morrer? Lembra da vez que eu falei que Viriato ia virar a Kombi e não ia ter nada?.. E da bicheira do reprodutor de Etevaldo? Foi dito e certo, no outro dia o cavalo tava bom de tudo. Sonho meu não falha, isto sem contar com prefeito e vereador que eu sonho votando e todos se elegem. …Leia na íntegra

Há medicos e médicos

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 27 jul 2017

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Por Alberto David

Pensei o bastante como iniciar estas linhas, como iniciar o preâmbulo, mas de repente ficou tudo fácil para mim. Veio-me logo à cabeça um colega, contemporâneo da primeira escola particular desta cidade, à frente seu próprio dono: o saudoso  Professor Moura. Muitos que frequentaram ali se formaram e foram bem-sucedidos.  Moura  era fantástico, o  mais importante conhecedor da língua portuguesa daquela época, sabia muito o latim e isso o fez o grande conhecedor do vernáculo. A coisa lá era na base da palmatória.  Aprendia ou saía da escola. Lembro-me das sabatinas. Nunca me esqueci de tabuadas, em especial da multiplicação. Na Escola de Santo Alberto, todos prosperaram, eu não,  não gostava de estudar, achava muito chato.  Preferi ser  artista , de qualquer forma,  fiz o meu sucesso  único da classe que não era normal , mas, vejam bem , normal…sem diplomas específicos.  As linhas acima  vêm ser uma ponte para  titular o artigo, mas o assunto aqui  é outro.

Há Médicos e médicos. Em primeiro lugar, eu não sou médico, mas   ando agoniado e já faz  tempo. …Leia na íntegra

No tempo do ronca

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Antigamente os padres eram verdadeiros tropeiros, tinham vários animais para carregar os apetrechos pelos interiores mais íngremes fazendo de tudo que a Igreja exigia: batizados, casamentos, missas e até dando extrema unção. Eram verdadeiros heróis, davam de tudo pelo sacerdócio. É claro que tinham lá suas vantagens, mas tinham que ter, eles encaravam viagens terríveis querendo ou não, o tempo podia estar bom ou ruim, lá estavam os vigários na estrada tomando sol, chuva e engolindo poeira pra ajudar as populações mais carentes. Nesse tempo já tinha os aproveitadores que se passavam por médicos, advogados e até por padres…

O causo que vou contar é sobre um falso padre, mas este era diferente, levava tão a sério seu trabalho que já tinha vinte anos de “sacerdócio” e ninguém nunca duvidou, acho que depois de um tempo até ele mesmo acreditava que era padre. O vigário Tonico Teotônio não ficava devendo nada a padre nenhum, sabia tudo sobre religião, além de falar latim. Era um homem de estatura média, mas pesando muito mais do que sua estrutura permitia. Eram mais de 120 kg acomodados em 1,65 m. Os animais que o carregavam tinham que ser escolhidos a dedo, não era qualquer burrinho ou mulinha que suportavam aquele peso. O vigário comia por quatro pessoas adultas, e os moradores dos povoados sabiam e já ficavam preparados para as visitas do reverendo. Engordavam galinhas, porcos, carneiros, etc., tudo que agradava um bom de garfo. Muita gente garantia que o Vigário comia um quarto de leitoa sozinho e ainda “matava” uma rapadura de sobremesa.

E foram esses excessos que desenharam a tragédia envolvendo o padre Tonico. Ele simplesmente desapareceu, isto é, muita gente viu que ele caiu numa fossa. É que naquele tempo as privadas eram artesanais. Faziam um buraco no chão que era coberto com tábuas, e no meio era feito uma abertura para que as pessoas fizessem suas necessidades. Geralmente ficavam separados da residência, era um cômodo a parte. Tinha vários nomes: casinha, bate-pronto, cagadô, etc. Com o tempo, quando o buraco estava quase cheio, eles mudavam a “casinha” de lugar e terminavam de entupir o buraco com terra. E foi depois de comer duas galinhas e um espinhaço de bode que o vigário Tonico sentiu vontade de usar o “cagadô”, só que as tábuas estavam já frágeis, e na hora que o padre entrou o piso desmontou e ele caiu no buraco (fossa).

Era um “bate-pronto” de pensão e esses eram bem mais fundos para atender a grande demanda, o padre sumiu no meio das merdas. Os moradores revezaram pra ver se encontravam o falso vigário, cutucaram com varas durante uma tarde inteira e nada de tocar no corpo do afogado. Aí resolveram que tinham que esvaziar a fossa pra recuperar o corpo, o jeito era tirar de lata… Foi uma trabalheira doida, os voluntários quase desmaiaram quando viram que o corpo não foi encontrado mesmo depois do “cagadô” esvaziado, só acharam a batina e o sapato. Três beatas gritaram de vez: “Foi um milagre, dois anjos levaram o vigário pra ele não ser lembrado como o padre que morreu afogado em merda”. Aí todo mundo foi na onda, só podia ter sido um milagre mesmo. O povo se reuniu e fez uma capela onde era o “cagadô”, o bispo ficou sabendo e mandou derrubar imediatamente. Foi aí que veio à tona que o padre era falso.

As paróquias se movimentaram e comprovaram que nenhum seminário teve um aluno com aquele nome: Tonico Teotônio Terêncio. Mesmo assim, as beatas mais fanáticas não desistiram do milagre nem dos anjos, afinal, mesmo o homem não sendo comprovado como vigário, era gente de Deus e se dedicou muito às regiões carentes de padres… Apesar de a Igreja contestar o falso padre e mandar derrubar a capela, o povão não deixou de acreditar no milagre. Só Seu Miltão, que era ateu e inimigo de chapéu batido de Tonico, analisou o fato de outra maneira: “Não aconteceu nada demais, o homem simplesmente voltou às origens…”. Mas na realidade, Tonico simulou o acidente ao saber que a Igreja ia desmascará-lo e fugiu pra São Paulo, onde viveu muitos anos como “médico”.

Os dois Medrados (Hora de medrar)

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 22 jul 2017

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Por Valdir Barbosa

O ano. 1977. Ainda engatinhando como delegado de polícia e agindo como funcionário comissionado, na cidade de Itapetinga, onde plantei as raízes que frutificaram minha carreira desenvolvi a primeira investigação representativa cuidando de apurar crime de homicídio, do qual foi vitima o jornalista conquistense, Noé de Oliveira Neto.

Na época do fato, feriados do início de novembro, me levaram com familiares da companheira com quem convivia, mãe de Gabriela, filha querida, nesta semana completando quarenta anos, até casa de veraneio na Barra de Itaípe, bucólico lugar localizado em frente a Ilhéus, nesga de terra postada entre o mar e um dos rios que deságuam naquele ponto do oceano. Não havia ainda a ponte que hoje conduz os viajantes às praias do norte ilheense, Itacaré e sítios seguintes.

Por determinação do Superintendente da Polícia Civil, cargo equivalente ao Delegado Geral na atualidade, comunicada por militar do Batalhão da Policia Militar sediado bem em frente ao ponto onde aportavam canoas, responsáveis por transportar passageiros de um lado para o outro do rio deixei os prazeres aos quais me havia entregue partindo em busca do objetivo funcional. Este quadro se repetiu dezenas de vezes tempos adiante, afinal, a função do homem de polícia é um sacerdócio. …Leia na íntegra