O seu sorriso me cegou

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 10 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

No dia em que Cremildo “Boca Mole” declarou sua paixão pra Marionete no meio da praça, no aniversário da cidade, jamais imaginou que ela teria aquela reação: primeiro, teve uma crise de tosse que acabou engasgando; em seguida, desmaiou… Ele ficou apavorado. Guardou o anel de compromisso no bolso do paletó e foi socorrer a futura noiva, aquele desmaio só podia ser um “Sim”! Pensou errado! Assim que recuperou os sentidos, esculhambou com Cremildo. Mandou ele ir procurar o lugar dele, ela já tinha sido Miss Primavera em mais de dez cidades e  não estava a perigo pra aceitar pedido de qualquer um. Quem tava em volta parou pra ver o “barraco”, ela acabou com a “raça” do pobre do rapaz! Só que ninguém entendia porque aquela “perua coroa” tava esnobando um rapaz educado e trabalhador (se Miss recebesse aposentadoria, ainda ia). É claro que Cremildo não era essa “lindeza” toda, mas era bem situado na vida e tinha uns 30 anos a menos que Marionete Miss. O pessoal não entendia porque ela desprezou aquele partido, iria acabar sozinha. Já tava pegando no tombo! Isso segundo o povo que estava assistindo a “lavagem de roupa suja” em público. …Leia na íntegra

Agripino

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 03 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Antes dos antibióticos as doenças contagiosas eram vistas com mais temor devido ao grande índice de mortalidade, principalmente a tuberculose cujo único tratamento era arranjar um clima que não variasse muito, isso não curava, mas evitava que a doença se tornasse ainda mais penosa. Estar tuberculoso era ter certeza que logo visitaria São Pedro, o pior era o isolamento devido ao medo do pessoal. O cidadão que sentisse qualquer problema pulmonar, mesmo não estando tuberculoso, era olhado como um foco de contaminação, ninguém encostava, a doença pegava até no vento. Se o sujeito desse uma tossida um pouco além da conta, a família já separava seu talher e lavava a roupa separada, eram os cuidados mínimos, isto se o cidadão fosse parente, se não, o remédio era distância. Muitos poetas morreram tuberculosos, uns pelo excesso de boemia, eram tão bons que estavam sempre sendo festejados. Já outros morriam de tanto perder noites escrevendo porcaria e bebendo cachaça. Foi nessa época que D. Maurícia passou por um grande aperto, ela, uma senhora conhecida pela bondade, teve que passar por um teste que mulher nenhuma gostaria de passar, seria melhor ter fama de má. …Leia na íntegra

Libertas quae sera tamen

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Publicado por Editor | Colocado em Política | Data: 30 out 2018

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Por Valdir Barbosa

Ontem, ao acordar, longe de casa, de onde sai para sufragar meu voto, na cidade serrana que me acolheu há mais de quarenta anos, quando deixei minha soterópolis e nasci como polícia no entorno desta Vitória da Conquista, assisti uma chuva forte que lavou a cidade por horas e fez descer enxurrada, desde o alto da serra do Periperi lavando tudo, levando morro abaixo, a sujeira acumulada nos últimos dias.

Atento aos sinais entendi, como de costume, a mensagem cósmica da consagração do candidato, em quem depositei e deposito minhas esperanças, de promover a necessária assepsia e remover a imundice que vem se acumulando no país, há tanto tempo. E assim ocorreu, Jair Messias Bolsonaro, pela vontade do povo brasileiro, do Japão em diante foi acumulando votos, em enxurrada, capazes de lhe fazer eleito presidente do Brasil.

A campanha, recheada de golpes baixos, sujos, culminando com agressão física ao candidato esfaqueado em praça pública, revelou a face obscura daqueles que tentavam a todo custo se manter no poder, única e exclusiva pretensão do P.artido T.enebroso que levou o país a bancarrota.

Toda uma gama de desmandos foram praticados nesta nação, desde que Lula assumiu o poder, reelegeu-se, enfiou um fantoche no governo e tentou emplacar outro seu protegido, agora na presidência, mesmo preso, condenado por corrupção, com sentença confirmada em instancias superiores.

Frise-se, seu candidato, a quem havia feito prefeito da maior metrópole sul americana, implicado em três dezenas de processos, por improbidade e desvios diversos foi considerado o pior prefeito de São Paulo, mas, a ambição incontida de Luis Inácio sempre insistiu em apostar nos piores nomes, posto, marionetes fazem parte da preferência daqueles que desejam a perpetuação no poder.

José Dirceu, gênio do mal que arquitetou o plano de fazer do Brasil, o centro latino americano da ditadura do proletariado, acertou em quase tudo, todavia, não contava com a personalidade doentia da figura que escolheu, em razão do carisma que guardava Lula, como artífice mor do seu projeto. Criou um monstro que o engoliu, como de resto a toda estrutura trepada sobre um mar de lama, onde afinal se fez afundar.
Além disto, há que referir sobre a mão perfeita do Soberano que, de Roberto Jeferson, ao incongruente Joaquim Barbosa – no mensalão – seguindo na direção do competente Sérgio Moro, suporte máster da operação lava-jato foi revelando as entranhas podres da quadrilha que assaltou o país nos derradeiros anos.

O dinheiro desviado no “petrolão”, os milhares de dólares destinados, via BNDES, a países americanos e a africanos, para viabilizar a corrupção, recursos que poderiam ter sido aplicados no Brasil são prova inconteste, de que o interesse dos petistas nunca foi atender as necessidades do povo brasileiro, na verdade, tão somente guardavam propósito de engordar os bolsos dos falsos patriotas e atender ao projeto de poder fomentado no Foro de são Paulo.

Porém, tudo é finito neste mundo terreno, assim, o tempo do grupo que por quase duas décadas comandou, da pior forma, os desígnios desta terra chegou a seu termo. A partir de janeiro confiamos que outros rumos serão trilhados e poderemos retomar o crescimento, viver dias de prosperidade, segurança e paz vendo as instituições, sobretudo a família, célula mãe da sociedade, fortalecidas. Por isto, mais de cinquenta milhões de brasileiros depositaram seu voto nas urnas e elegeram o capitão como presidente.

A campanha foi dura. Conhecidos e até amigos fraternos entraram em rota de colisão, frente as preferências nos candidatos que ao final polarizaram a disputa, contudo, a hora agora é de entendimento e união de esforços, para apoiar e fiscalizar aquele que foi guindado ao cargo na força da escolha independente. O mau exemplo do derrotado, que no seu discurso, após o resultado, não menciona o vitorioso e nem o cumprimenta, como de praxe, não deve ser seguido, posto revela postura antirepublicana e antidemocrática.

Pouco importa se na Bahia, minha terra, Bolsonaro não foi vitorioso. Em setembro de 1822, quando proclamada a independência brasileira pelo Príncipe Regente, os ventos da liberdade apenas sopraram por aqui, tardiamente, após as pugnas sangrentas dos nossos índios, negros, caboclos e mamelucos, quando muitos perderam suas vidas, para que afinal fosse percorrido o Corredor da Vitória, em dois de julho de 1823.

Nos próximos dias volto, com o corpo e alma lavadas para o regaço dos meus, os abraços de minha amada e juntos, como fazemos sempre haveremos de caminhar, sob as mesmas arvores seculares que sombrearam os heróis da nossa independência, em direção à Igreja de Nossa Senhora, para agradecer a vitória e rezar, na certeza de que haverá de chegar o dia, em que a Bahia estará também liberta do P.artido dos T.enebrosos.

VDC, 29 de outubro de 2018
Valdir Barbosa

Acauã

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Na nossa Vitória da Conquista do presente o acauã só é parte do passado… Mas antes, quando as matas do Sudoeste baiano ainda eram densas, ela era a vidente do sertanejo, uma ave mística! Era quem previa o bem ou o mal quando estavam por vir, o acauã dava seu aviso quando fazia pouso nas gameleiras, e era aí que estava toda a “ciência”! Qualquer sertanejo que se prezasse sabia quando o acauã cantava num galho seco da gameleira é porque o anjo da morte estava por perto. Da mesma forma também sabiam que quando este canto partia de um galho verde era sinal de farturas e alegrias. Hoje em Conquista não existem mais Acauãs nem gameleiras, mas ficaram as histórias onde estes sempre tiveram presentes… …Leia na íntegra

Sonhos

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Marilda e Marlúcia eram irmãs e faziam de tudo para os maridos se darem bem. Viviam se visitando, mas não tinha acordo. Os dois brigavam desde o tempo do colégio. Marculino era gozador, e Crispiniano, “ferrado”. Naquela noite, as irmãs estavam decididas a por fim naquela briga idiota. Até eles estavam bem-intencionados… E foi Crispiniano que puxou prosa:

— Já imaginou, Marculino! Você sentando numa cadeira de balanço, num casarão colonial, se deliciando com o doce de queijo em calda de Araxá, escutando Milton Nascimento em vinil, e tendo como fundo as montanhas de Minas ecoando o aboio de um vaqueiro trazendo a boiada e avisando à amada que está chegando… Isso pra mim é um pedaço do Céu!

— O compadre Crispiniano tá inspirado hoje, só faltou uma locomotiva! Quando você falou eu cheguei a sentir o gosto do doce de Araxá. Deu pra ver que você gosta mesmo de Minas. Eu também gosto, sou um grande apreciador da “Catira Mineira”. O bom da catira é que é fácil de dançar, basta ter um par de botas, sapatear e bater palmas.

Aí começou o bate-boca… …Leia na íntegra

Atrás Do Chiclete

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Esses dias encontrei com Massinha e ele me perguntou qual o meu estilo literário, se era conto, crônica ou “causo”. Pois bem, não é nenhum desses. Eu escrevo romance “comprimido”, estilo genuinamente conquistense. É mole?

Até parece que foi ontem…

Deusinete e Averaldo, um casal simples que tinha muito em comum, adoravam o carnaval e tinham verdadeira paixão pelo Chiclete com Banana. Essa paixão pelo Chiclete era tão exagerada que eles faziam qualquer negócio pra estarem pre­sentes em qualquer apresentação da banda. Quando souberam que “Béu” estaria em Conquista animando a micareta só fal­taram endoidar, daquela vez eles iriam poder realizar um velho sonho em comum, é que tanto ela como ele pagavam caro para serem filmados pela TV, trocando um beijo apaixonado atrás do Chiclete com Banana, essa ideia era quase uma obsessão. Dessa vez eles estavam perto de casa, tinha tudo pra dar certo. Antes de começar a festa eles já sabiam todos os locais onde estavam localizadas as câmaras de televisão, só não entraram pro Massicas por­que a grana tava curta. O jeito era seguir o Chiclete de fora das cordas, mas não tinha erro! Dentro ou fora das cordas a televisão não ia deixar passar nada. …Leia na íntegra

Dino Correia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 29 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Quando Olímpio Carvalho mandou dizer pra Dino Correia ir pro Verruga (ITAMBÉ) preparar o café que ele ia levando os biscoitos. O coronel Dino sentiu que os parabelluns iriam ser usados novamente, ele tinha saído da política de Conquista, voltou pro Arraial de Macarani já na intenção de  descansar! Há pouco tinha chefiado e saído vitorioso na luta entre Meletes e Peduros, grupos políticos que disputavam o poder em Conquista no inicio do século.

Olímpio morava em Mata de S. João, tinha uma fazenda no “Catolezinho”, mas sempre estava no Verruga onde tinha muitos amigos, andava sempre acompanhado de homens armados e durante muito tempo foi usado pelos coronéis pa­ra realizar os serviços onde era necessário o uso da força, era uma espécie de cobrador! Além das amizades ele tinha uma mulher no Verruga que não podia flcar muito tempo sem ver, Rosinha de Olímpio era respeitada, quando ele chegava pra suas visitas as festas varavam a noite e eram rega­das com as bebidas mais finas da época, o vinho Constantlno era o preferido do anfitrião, e a sanfona bem tocada por ele é que animava o ambiente. …Leia na íntegra

Anjos de Arribação (Cordel)

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

QUANDO O AZAR FAZ MORADA

NÃO ADIANTA ORAÇÃO

PARECE PRAGA ROGADA

COM QUEM TEM PARTE COM O CÃO.

 

TÔ PENANDO JÁ FAZ TEMPO

SEM ACHAR UMA SOLUÇÃO

É CERTO QUE MEU DESTINO

TRAÇARAM DE GOZAÇÃO

 

A VACA PERDI NO BARALHO

A MULA EU DEI PRO VIGÁRIO

EM TROCA DE SALVAÇÃO

AÍ A MORTE ENCOSTOU! …Leia na íntegra

A madrinha

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 15 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tem muito tempo…, o povo ainda chamava sutiã de califon. Dona Rogaciana das Dores estava tricotando uma capa de rifle para guardar a “papo-amarelo” do finado marido quando a sobrinha correu porta adentro aos prantos. Silvelina era a sobrinha preferida de dona Das Dores, por ela a velha fazia qualquer coisa… O motivo do choro a velha já sabia: é que a sobrinha já tava passando dos “trintas” e nada de casamento. Ela era muito exigente, homem pra ela tinha que ser alto, “dotô” e “pão” (“pão” era o “gato” de hoje). Ela tava se derretendo no choro, como acontecia em todo aniversário. Era mais um ano sem casório! Foi o jeito dona Rogaciana jogar o tricô pro lado, ela não negava nada pra “menina”, e agora a sobrinha achava que só um “rezadô” podia abrir os caminhos dela, tinha certeza que era feitiço. Mesmo sendo uma católica praticante, ela não negou o pedido da sobrinha… “Coitada, as amigas já estão tudo casadas. …Leia na íntegra

Melhoral, Melhoral

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 09 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Foi no dia onze de março de 1926, a cidade estava em roupa de gala desde cedo. Mas não era pra menos, às oito horas ia ser inaugurada a “Rádio Clube de Conquista”. A festa prometia ser das boas, quem arrumou tudo foi Pedro de Condeúba, famoso na época por ser um festeiro nato. Encabeçando o programa tinha um jogo entre a seleção de Conquista e o time de Joanópolis. O povo sorria pras paredes, não era todo dia que se ganhava um presente daqueles, um clube de rádio ia evoluir o pessoal uns vinte anos, eles agora iam ficar sabendo de tudo que acontecia lá fora, agora sim entravam no século XX. Isto graças a uma “vaquinha” feita por comerciantes progressistas, foram eles que compraram o aparelho, mas já estavam precisando de um, até Jequié já tinha um! Naquele tempo o rádio era caro e difícil de obter, eram aparelhos enormes cujas antenas com mais de 30 metros tinham que ser presas em postes. Pra você ter uma ideia, a pessoa que ligava e desligava o rádio teve que fazer curso em Salvador, era o operador oficial do aparelho. Grampão foi o escolhido pra operar a máquina, só ele sabia que o botão “on” botava o bicho pra falar e que o do “off” calava o “falante”. Foi destacado um cabo e dois soldados pra zelarem pela segurança do aparelho 24 horas por dia.

Na festa ocorreu tudo bem, a banda tocou 5 hinos militares e 7 religiosos, no final emocionou os presentes tocando o Hino Nacional, o povo gostou tanto que eles repetiram 9 vezes, só pararam porque o vigário pediu a palavra, falou durante mais de uma hora, aproveitou pra lembrar que a igreja estava muito velha, 120 anos, já era tempo de derrubar e construir uma nova. O intendente também discursou prometendo uma igreja nova e uma sede definitiva para o clube de rádio. Zé Maria, técnico da Seleção de Conquista, recebeu o troféu das mãos de uma garotinha. A belíssima vitória de 17×8 sobre o time de Joanópolis ocorreu no campo das 7 Casas, a seleção conquistense usou 4-3-3 avançado, ficava só o goleiro atrás, na frente jogavam 4 centroavantes, 3 pontas-esquerdas e 3 pontas-direitas. Sana, técnico de Joanópolis, botou seu time todo na retranca. Uita foi o artilheiro, marcando 5 gols de cabeça e 9 com os pés (fora os contras).

Às oito horas da noite deu-se a inauguração, as principais famílias da terra estavam sentadas em volta do aparelho, quando um músico da banda deu um repique na caixa-clara e o operador treinado na capital entrou na sala todo no linho horizontal branco e munido de luvas de pelica, pra não causar danos ao microfone. Ligou o rádio depois de 45 minutos, microfonia conseguiu sintonizar, a plateia aplaudiu de pé. Aí então Grampão deu um show de habilidade, conseguiu sintonizar até uma rádio estrangeira, era de uma emissora argentina, um dos ouvintes lamentou ninguém saber falar inglês pra traduzir, o maestro corrigiu em cima da bucha: ele tinha certeza que aquilo era francês. As transmissões foram até altas horas da noite, toda hora que terminava uma música, o pessoal batia palmas. O povo estava maravilhado, o clube fez tanto sucesso que passou a ser ponto de encontro da sociedade local. Toda festa de respeito tinha a participação da “Rádio Clube de Conquista”.

Conta-se que na época as matinês dançantes ao som do rádio eram muito famosas, as músicas que já faziam sucesso nas capitais agradaram em cheio aos conquistenses que sempre tiveram bom gosto. Só tinha uma música que o pessoal tinha raiva porque era muito curtinha, não dava nem pra sentir o calor da dama, era uma tal de “Melhoral, Melhoral, é Melhor e Não faz Mal”.

 

Dio come ti amo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Naquele ponto de ônibus, que ficava perto da mercearia em frente ao buteco de João Galo Cego, passavam várias mulheres!… Mas só uma o atraía, – aquela “dama de preto” era a única que dava evasão a imaginação do tímido João, imaginava-a nos mínimos detalhes, também não era pra menos, tinha mais de um ano que ele desejava aquela gatona e a timidez não permitia uma aproximação, era uma tortura! O tempo passava e nada dele chegar junto, ficava só imaginando como seria e isto o fazia perder horas trancado no banheiro do buteco, chegou a perder metade da freguesia por causa desse hábito. Era daqueles que tinha vergonha até da sombra e além de ser quase cego não passava sem uma cachaça, depois de meio dia João só enxergava o vulto! Talvez aquela mulher “nem fosse essas coisas toda”, mas o tempo que ele já havia dedicado aquela musa que o deixava pisando nas nuvens, não permitia retorno. …Leia na íntegra

Cosme, Damião e Guió

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 25 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

O caruru de Cosme e Damião na casa de Dona Maria era tradicional, tinha mais de quarenta anos! Guió cresceu ajudando Dona Maria a preparar o caruru de Cosme. Ela veio morar na casa do “Dotô” ainda nova. O caruru era uma de suas festas preferidas: foi num dia de Cosme e Damião que ela conheceu Juarez, com quem casou e teve filhos e netos. Depois que ele partiu, ela se sentiu tão só que o jeito foi procurar apoio numa igreja. Esta, como sempre, a acolheu muito bem. E Guió se tornou uma irmã fervorosa, tão fervorosa que até o caruru de Cosme e Damião se tornou um ato de desrespeito ao senhor. Quando Dona Maria anunciou que dia 27 de setembro, dia dos santos meninos estava chegando, Guió começou a resmungar: “O pastor nem pode saber disso”. Mas, mesmo contrariada, devido ao respeito pela patroa, ela não teve como deixar de ajudar a mexer o caruru e o vatapá. A cada mexida que dava saía um resmungo. Dona Ilda e Vivi chegaram a avisar: “Guió, Guió, cê num brinca com Cosme”. Mas o pessoal da igreja falou que esse negócio de dar comida pra santo era coisa de candomblé. Até adorar imagem é pecado, imagina dar comida. Pastor Josebaldo tinha razão. Onde já se viu santo de barro comer?. …Leia na íntegra

A sofisticada tabaroa do poeta

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

 

Aqui é tão diferente…, é Conquista que escolhe a gente, chega sorrateiramente e toma conta da gente! O amor aqui é latente…

Quando dei por mim eu estava na Conquista “meio civilizada, meio tabaroa” do poeta Laudionor de Andrade Brasil. Um dos grandes nomes da poesia diferente da terra do frio. Ele olhava pra Conquista e enxergava poesia, ninguém a amou tanto, é um daqueles raros poetas que nos transporta pra dentro da sua poesia. Arapucas, badoques, alçapões, gaiolas, juritis, Simão, Rua Grande, Barracão… Tudo girando na cabeça, coisas que às vezes nem são citadas, mas que estão presentes nos versos dos poetas que voam, eles nos levam aonde querem. É aí que se revela a mágica… Odores, sons, mágoas, alegrias, barracões e brincadeiras. Tudo vida, tudo versos. “Eu te amo demais/ Mais que toda gente! / Quem te fere é a mim que fere/ Quem te maltrata, / É a mim que maltrata / É a mim que atiram o cuspo do desprezo / Os que te desprezam! / E porque te amo assim Conquista / Eu sou profundamente bairrista”. …Leia na íntegra

No tempo de Piolho e Naldo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tem gente que é persistente! Pro sujeito viver de futebol no interior da Bahia, no final dos anos 60 pro início da nova década, era um sufoco. Bota sufoco nisso! Eu falo porque sou testemunha, eu vi o Conquista Futebol Clube na sua melhor fase! Nós tínhamos craques que podiam jogar em qualquer grande time do país. É sério! Era um timaço: Wesley, Neves, Ticarlos, Wellington, Naninho, Naldo, Agra, Isac, Piolho, Vitor, Jurandir, Juracy… Piolho e Naldo faziam a festa pra torcida, eles eram habilidosos e jogavam um futebol elegantíssimo, eles faziam a diferença! É claro que toda a equipe era formada por jogadores de alto nível, mas do meio de campo pra frente, se deixasse Piolho chutar, ficava difícil pro goleiro. Foi esse time que contratou o prof. José Maria Areias como treinador. Se naquele tempo a carreira de jogador já era difícil, imaginem a de técnico, era bem pior! Ele tinha que ser treinador, amigo, pai, mãe, psicólogo… …Leia na íntegra

Fale pro poeta que eu morri

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 04 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

Cremildo Silva do Espírito Santo. Como o grande poeta, fazia questão de frisar que seu nome era um verso alexandrino. Mas do poeta ele só tinha esses pequenos hábitos, gostar de poesia e falar que o nome era um dodecassílabo… Porque a poesia de Cremildo lembrava discurso de político em velório. Dava vontade de sair correndo! A vida do poeta sempre foi cheia de surpresas… Nem ele sabia que tinha o “dom”! Só descobriu depois que conseguiu parar de beber por uma semana e, na depressão da abstinência, pegou o caderno da irmã mais nova, daqueles de doze matérias, e encheu de versos em apenas dois dias de insônia… Mostrou primeiro pra esposa, que não entendeu nada, mas só por ele estar tentando parar com aquela cachaça horrorosa, deu a maior força. Tem mulher que merece virar santa, mas as dos poetas já nascem santas! …Leia na íntegra

História de Amor

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 jul 2018

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Por Nando da Costa Lima

Marineide Escapulária do Esplendor era filha única do finado coronel Dodô “Todo Ruim”. Ela estava na varanda do casarão quando um conhecido desapeou do burro e lhe dirigiu a palavra. Ela reagiu irritada:

– Não é possível! Isso é invenção de alguma “piranha” que deu em cima dele e ele nem deu bola. É gente que não tem coragem de se vingar e fica “estrumando” os outros pra cima dos seus inimigos. Você acha que Dagoberto, o Rouxinol do Sertão, ia perder tempo costurando a boca do jegue do velho Zé “Morroida”? Isso é invenção dos linguarudos da marca do senhor.

– Não, dona Marineide, tem muita gente que acredita que o problema é que ele deu em cima da filha do “véi” e ela mandou ele procurar o lugar dele. Tirado do jeito que ele é, não se conformou com a desfeita, encheu a cara de pinga e costurou a boca do animal com agulha de sapateiro e uma corda de sua própria viola. Uma maldade, o jegue do “véi” ir pra feira. …Leia na íntegra

Beco da Tesoura

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 jul 2018

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Por Nando da Costa Lima

Não é mentira, não! Foram as fadas caatingueiras que se encontraram com as da mata e transformaram Conquista em poesia… É aqui onde acontece o encontro mágico da caatinga com a mata que fica o reino do “Beco da Tesoura”, onde quer que se vá nesta terra tem que atravessar o dito beco. Claro que temos outras opções, mas o reino da tesoura tem um magnetismo que o transforma na passarela oficial da Terra do Frio. Até hoje, quando se passa pelo velho beco, se escuta o barulho das tesouras do passado cortando tecidos e marcando o tempo. Só quem escuta são os apaixonados por Conquista. Nem sei qual foi o reinado mais duradouro, só sei que foram vários. Faz tanto tempo, a luz ainda era “de motô” e o Magassapo estava no auge, era o reduto dos boêmios da terra! Foi bem antes de Camillo falar “Sou apenas um homem sozinho dentro da noite…”. O poeta estava com saudades do tempo a que me refiro.

Foi aqui que se encontraram Íris Silveira, Erathostenes Menezes, Camillo de Jesus Lima e outros grandes poetas mateiros e caatingueiros. Todos matreiros! Nossa terra tem o hábito de abrigar grandes almas! Uma época brilhante da poesia conquistense: “Me solta gente, eu quero atravessar a fronteira…”, este brado de Camillo explica tudo.

E o poeta, como sempre muito elegante, atravessou o Beco da Tesoura com muita pressa. Eros tava pensativo, tinha que arrumar um meio de ficar em Conquista, tinha bebido da água do Poço Escuro e se enraizado na terra dos Mongoiós. O Olimpo fez de tudo para resgatá-lo do meio dos mortais, mas sabia que era quase impossível, ele estava apaixonado pela poesia que emergia da Terra do Frio. Estava tão apaixonado por Conquista que só voltou ao velho mulungú da terra onde foi concebido para fazer sua última homenagem a um amigo cuja beleza ficou no passado! “Buscando a tua sombra / a evocar o passado / a ti eu me compara amigo abandonado / Tu já não tem mais vida, e eu já não canto mais”.

Eros tinha pressa, estava indo encontrar os poetas Íris e Camillo na casa da amiga Maria Alice. E foi lá que eles bolaram um plano para que Eros permanecesse vivendo aqui como um mortal… O plano foi simples e eficaz: Eros se declarou poeta, e se aqui já tinha muito poeta, imagine no Olimpo? Até Afrodite concordou que ele ficasse. E ele, junto a outros poetas, deixou fluir um tipo único de poesia! Nossa poesia é diferente, não que seja melhor ou pior que a dos outros… longe disto! É que talvez as musas da Terra do Frio, ou até mesmo o próprio frio, inspiraram ainda mais os nossos poetas, donos de versos antológicos. É bom saber que pessoas tão geniais se encontraram na nossa linda e surreal Vitória da Conquista.

Foi numa madrugada fria, no reino do Beco da Tesoura, que as fadas decidiram que Vitória da Conquista se transformaria em poesia…

 

O Trapezista Voador

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 14 jul 2018

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Por Nando da Costa Lima

A cidade estava alegre, tinha tempo que não aparecia um circo. E pra completar, trouxe junto Raio, o Trapezista Voador, a sensação do momento. Era aplaudido de pé em toda cidade que passava. Era alto e forte, usava uma malha preta desbotada, uma capa verde enfeitada com raios dourados (a maioria despencando) e um tênis conga branco. A mulherada delirava quando o Trapezista Voador aparecia no picadeiro, teve até caso de desmaio! A meninada enlouquecia, era uma gritaria só. Todo mundo sonhando em “ficar grande” pra virar trapezista “avuadô”. Ninguém queria ser palhaço, dava até briga… O trapezista Raio reinou absoluto, era convidado pra todo acontecimento da cidade: casamento, batizado, velório. E ele era maniento, só comparecia nos eventos com o traje que o fez famoso. Isso até acontecer a tragédia que o levou ao abismo da birita e, consequentemente, a abandonar uma brilhante carreira. Aconteceu que Deolinda, filha do dono do circo, fugiu com o sacana do palhaço Mangangá. O Raio Voador se entregou de corpo e alma à cachaça. Foi isso que causou aquele incidente terrível… …Leia na íntegra

Laudicéia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 30 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

Não chegava a ser um matriarcado, mas elas foram fundamentais na nossa evolução social, política e espiritual. Eram elas que assumiam nas horas mais graves, sempre pendendo pro lado da razão, da paz. Evitaram várias desavenças que manchariam ainda mais a nossa história. É claro que temos nossas manchas! Na política de “curral” dos coroneis, tudo era motivo pra lançar mão das armas, a repetição papo amarelo fazia parte do cenário. E foi nesse clima que elas evitaram um desfecho trágico para uma briga que se arrastaria por décadas, ou quem sabe séculos.

Aquela briga estava sendo esperada há muito tempo…,foi em 1919, quando os grupos políticos denominados Peduros e Meletes decidiriam quem ficaria com o poder atra­vés das armas, um tempo distante onde a palavra era mantida à risca! Os Meletes tinham assumido o poder sobre pressão e que­riam mantê-lo a qualqer custo. Dino Correia já estava em Conquista quando o melete Almirante sacou a pistola e deu alguns tiros pra cima, dizendo que a situação seria resolvida a bala, ele tinha cons­ciência que estava dando início a uma luta que decidiria o destino da política e principalmente do seu pai, o juiz Araújo, um dos líde­res Meletes. Almirante tinha se casado com Iazinha há poucos dias: Iazinha era pedura…

Coronel Gugé tinha se afastado do cargo de intendente em 1916, seu genro foi nomeado em seu lugar, depois disso a oposi­ção começou criticar a política do sucessor através do jornal ” O CONQUSTENSE”. Os Peduros levaram a melhor nos debates pela imprensa graças ao poeta Maneca Grosso que atacava os meletes pelo jornal “A PALAVRA”. Dino Correia só entrou na briga depois que espancaram seu ex-professor por causa de um artigo dirigido ao Juiz Araújo. Dino ficou muito sentido com a surra que deram em Maneca Grosso e resolveu dar o troco. Maneca era dia­bético e faleceu devido à violência sofrida. …Leia na íntegra

Trinta e Oito Canela Seca

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia | Data: 25 jun 2018

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Por Valdir Barbosa

Na segunda feira desta semana findando, me pus a caminhar, tão logo o sol derramou seus primeiros raios dourando a bela lagoa postada numa das entradas de Itapetinga, cartão postal da cidade que me viu nascer como homem de policia, no abrir dos idos de 1976.

O domingo voara, pois estive na companhia de filha, genro, netos e amigas e amigos, tais quais, Jeremias do INSS, Benjamim Matos, provando as delícias dos acepipes de Joanita Xavier, maga da cozinha naquelas paragens, não tendo sido completa a festa, por conta da pífia apresentação do time brasileiro, frente à Suíça.

Pude ver viatura da Policia Militar, em serviço de ronda passando pelas imediações do Tiro de Guerra, nela – camionete nova, do tipo Ranger – dois prepostos devidamente paramentados e armados convenientemente.

Adiante, vez seguia em marcha acelerada ultrapassei dois senhores, para mim desconhecidos, porém, pude ouvir o teor de seu colóquio e agora cuido de reprisar fala de um destes: “Naquele tempo era fusquinha, um trinta e oito canela seca, nada de colete a prova de balas, nem fuzil, mas o povo respeitava a polícia”. Obviamente, aqueles homens simples tratavam de uma questão realmente preocupante nos dias correntes, a inversão de valores. …Leia na íntegra