A madrinha

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 15 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tem muito tempo…, o povo ainda chamava sutiã de califon. Dona Rogaciana das Dores estava tricotando uma capa de rifle para guardar a “papo-amarelo” do finado marido quando a sobrinha correu porta adentro aos prantos. Silvelina era a sobrinha preferida de dona Das Dores, por ela a velha fazia qualquer coisa… O motivo do choro a velha já sabia: é que a sobrinha já tava passando dos “trintas” e nada de casamento. Ela era muito exigente, homem pra ela tinha que ser alto, “dotô” e “pão” (“pão” era o “gato” de hoje). Ela tava se derretendo no choro, como acontecia em todo aniversário. Era mais um ano sem casório! Foi o jeito dona Rogaciana jogar o tricô pro lado, ela não negava nada pra “menina”, e agora a sobrinha achava que só um “rezadô” podia abrir os caminhos dela, tinha certeza que era feitiço. Mesmo sendo uma católica praticante, ela não negou o pedido da sobrinha… “Coitada, as amigas já estão tudo casadas. …Leia na íntegra

Melhoral, Melhoral

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 09 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Foi no dia onze de março de 1926, a cidade estava em roupa de gala desde cedo. Mas não era pra menos, às oito horas ia ser inaugurada a “Rádio Clube de Conquista”. A festa prometia ser das boas, quem arrumou tudo foi Pedro de Condeúba, famoso na época por ser um festeiro nato. Encabeçando o programa tinha um jogo entre a seleção de Conquista e o time de Joanópolis. O povo sorria pras paredes, não era todo dia que se ganhava um presente daqueles, um clube de rádio ia evoluir o pessoal uns vinte anos, eles agora iam ficar sabendo de tudo que acontecia lá fora, agora sim entravam no século XX. Isto graças a uma “vaquinha” feita por comerciantes progressistas, foram eles que compraram o aparelho, mas já estavam precisando de um, até Jequié já tinha um! Naquele tempo o rádio era caro e difícil de obter, eram aparelhos enormes cujas antenas com mais de 30 metros tinham que ser presas em postes. Pra você ter uma ideia, a pessoa que ligava e desligava o rádio teve que fazer curso em Salvador, era o operador oficial do aparelho. Grampão foi o escolhido pra operar a máquina, só ele sabia que o botão “on” botava o bicho pra falar e que o do “off” calava o “falante”. Foi destacado um cabo e dois soldados pra zelarem pela segurança do aparelho 24 horas por dia.

Na festa ocorreu tudo bem, a banda tocou 5 hinos militares e 7 religiosos, no final emocionou os presentes tocando o Hino Nacional, o povo gostou tanto que eles repetiram 9 vezes, só pararam porque o vigário pediu a palavra, falou durante mais de uma hora, aproveitou pra lembrar que a igreja estava muito velha, 120 anos, já era tempo de derrubar e construir uma nova. O intendente também discursou prometendo uma igreja nova e uma sede definitiva para o clube de rádio. Zé Maria, técnico da Seleção de Conquista, recebeu o troféu das mãos de uma garotinha. A belíssima vitória de 17×8 sobre o time de Joanópolis ocorreu no campo das 7 Casas, a seleção conquistense usou 4-3-3 avançado, ficava só o goleiro atrás, na frente jogavam 4 centroavantes, 3 pontas-esquerdas e 3 pontas-direitas. Sana, técnico de Joanópolis, botou seu time todo na retranca. Uita foi o artilheiro, marcando 5 gols de cabeça e 9 com os pés (fora os contras).

Às oito horas da noite deu-se a inauguração, as principais famílias da terra estavam sentadas em volta do aparelho, quando um músico da banda deu um repique na caixa-clara e o operador treinado na capital entrou na sala todo no linho horizontal branco e munido de luvas de pelica, pra não causar danos ao microfone. Ligou o rádio depois de 45 minutos, microfonia conseguiu sintonizar, a plateia aplaudiu de pé. Aí então Grampão deu um show de habilidade, conseguiu sintonizar até uma rádio estrangeira, era de uma emissora argentina, um dos ouvintes lamentou ninguém saber falar inglês pra traduzir, o maestro corrigiu em cima da bucha: ele tinha certeza que aquilo era francês. As transmissões foram até altas horas da noite, toda hora que terminava uma música, o pessoal batia palmas. O povo estava maravilhado, o clube fez tanto sucesso que passou a ser ponto de encontro da sociedade local. Toda festa de respeito tinha a participação da “Rádio Clube de Conquista”.

Conta-se que na época as matinês dançantes ao som do rádio eram muito famosas, as músicas que já faziam sucesso nas capitais agradaram em cheio aos conquistenses que sempre tiveram bom gosto. Só tinha uma música que o pessoal tinha raiva porque era muito curtinha, não dava nem pra sentir o calor da dama, era uma tal de “Melhoral, Melhoral, é Melhor e Não faz Mal”.

 

Dio come ti amo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Naquele ponto de ônibus, que ficava perto da mercearia em frente ao buteco de João Galo Cego, passavam várias mulheres!… Mas só uma o atraía, – aquela “dama de preto” era a única que dava evasão a imaginação do tímido João, imaginava-a nos mínimos detalhes, também não era pra menos, tinha mais de um ano que ele desejava aquela gatona e a timidez não permitia uma aproximação, era uma tortura! O tempo passava e nada dele chegar junto, ficava só imaginando como seria e isto o fazia perder horas trancado no banheiro do buteco, chegou a perder metade da freguesia por causa desse hábito. Era daqueles que tinha vergonha até da sombra e além de ser quase cego não passava sem uma cachaça, depois de meio dia João só enxergava o vulto! Talvez aquela mulher “nem fosse essas coisas toda”, mas o tempo que ele já havia dedicado aquela musa que o deixava pisando nas nuvens, não permitia retorno. …Leia na íntegra

Cosme, Damião e Guió

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 25 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

O caruru de Cosme e Damião na casa de Dona Maria era tradicional, tinha mais de quarenta anos! Guió cresceu ajudando Dona Maria a preparar o caruru de Cosme. Ela veio morar na casa do “Dotô” ainda nova. O caruru era uma de suas festas preferidas: foi num dia de Cosme e Damião que ela conheceu Juarez, com quem casou e teve filhos e netos. Depois que ele partiu, ela se sentiu tão só que o jeito foi procurar apoio numa igreja. Esta, como sempre, a acolheu muito bem. E Guió se tornou uma irmã fervorosa, tão fervorosa que até o caruru de Cosme e Damião se tornou um ato de desrespeito ao senhor. Quando Dona Maria anunciou que dia 27 de setembro, dia dos santos meninos estava chegando, Guió começou a resmungar: “O pastor nem pode saber disso”. Mas, mesmo contrariada, devido ao respeito pela patroa, ela não teve como deixar de ajudar a mexer o caruru e o vatapá. A cada mexida que dava saía um resmungo. Dona Ilda e Vivi chegaram a avisar: “Guió, Guió, cê num brinca com Cosme”. Mas o pessoal da igreja falou que esse negócio de dar comida pra santo era coisa de candomblé. Até adorar imagem é pecado, imagina dar comida. Pastor Josebaldo tinha razão. Onde já se viu santo de barro comer?. …Leia na íntegra

A sofisticada tabaroa do poeta

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

 

Aqui é tão diferente…, é Conquista que escolhe a gente, chega sorrateiramente e toma conta da gente! O amor aqui é latente…

Quando dei por mim eu estava na Conquista “meio civilizada, meio tabaroa” do poeta Laudionor de Andrade Brasil. Um dos grandes nomes da poesia diferente da terra do frio. Ele olhava pra Conquista e enxergava poesia, ninguém a amou tanto, é um daqueles raros poetas que nos transporta pra dentro da sua poesia. Arapucas, badoques, alçapões, gaiolas, juritis, Simão, Rua Grande, Barracão… Tudo girando na cabeça, coisas que às vezes nem são citadas, mas que estão presentes nos versos dos poetas que voam, eles nos levam aonde querem. É aí que se revela a mágica… Odores, sons, mágoas, alegrias, barracões e brincadeiras. Tudo vida, tudo versos. “Eu te amo demais/ Mais que toda gente! / Quem te fere é a mim que fere/ Quem te maltrata, / É a mim que maltrata / É a mim que atiram o cuspo do desprezo / Os que te desprezam! / E porque te amo assim Conquista / Eu sou profundamente bairrista”. …Leia na íntegra

No tempo de Piolho e Naldo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tem gente que é persistente! Pro sujeito viver de futebol no interior da Bahia, no final dos anos 60 pro início da nova década, era um sufoco. Bota sufoco nisso! Eu falo porque sou testemunha, eu vi o Conquista Futebol Clube na sua melhor fase! Nós tínhamos craques que podiam jogar em qualquer grande time do país. É sério! Era um timaço: Wesley, Neves, Ticarlos, Wellington, Naninho, Naldo, Agra, Isac, Piolho, Vitor, Jurandir, Juracy… Piolho e Naldo faziam a festa pra torcida, eles eram habilidosos e jogavam um futebol elegantíssimo, eles faziam a diferença! É claro que toda a equipe era formada por jogadores de alto nível, mas do meio de campo pra frente, se deixasse Piolho chutar, ficava difícil pro goleiro. Foi esse time que contratou o prof. José Maria Areias como treinador. Se naquele tempo a carreira de jogador já era difícil, imaginem a de técnico, era bem pior! Ele tinha que ser treinador, amigo, pai, mãe, psicólogo… …Leia na íntegra

Fale pro poeta que eu morri

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 04 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

Cremildo Silva do Espírito Santo. Como o grande poeta, fazia questão de frisar que seu nome era um verso alexandrino. Mas do poeta ele só tinha esses pequenos hábitos, gostar de poesia e falar que o nome era um dodecassílabo… Porque a poesia de Cremildo lembrava discurso de político em velório. Dava vontade de sair correndo! A vida do poeta sempre foi cheia de surpresas… Nem ele sabia que tinha o “dom”! Só descobriu depois que conseguiu parar de beber por uma semana e, na depressão da abstinência, pegou o caderno da irmã mais nova, daqueles de doze matérias, e encheu de versos em apenas dois dias de insônia… Mostrou primeiro pra esposa, que não entendeu nada, mas só por ele estar tentando parar com aquela cachaça horrorosa, deu a maior força. Tem mulher que merece virar santa, mas as dos poetas já nascem santas! …Leia na íntegra

História de Amor

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 jul 2018

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Por Nando da Costa Lima

Marineide Escapulária do Esplendor era filha única do finado coronel Dodô “Todo Ruim”. Ela estava na varanda do casarão quando um conhecido desapeou do burro e lhe dirigiu a palavra. Ela reagiu irritada:

– Não é possível! Isso é invenção de alguma “piranha” que deu em cima dele e ele nem deu bola. É gente que não tem coragem de se vingar e fica “estrumando” os outros pra cima dos seus inimigos. Você acha que Dagoberto, o Rouxinol do Sertão, ia perder tempo costurando a boca do jegue do velho Zé “Morroida”? Isso é invenção dos linguarudos da marca do senhor.

– Não, dona Marineide, tem muita gente que acredita que o problema é que ele deu em cima da filha do “véi” e ela mandou ele procurar o lugar dele. Tirado do jeito que ele é, não se conformou com a desfeita, encheu a cara de pinga e costurou a boca do animal com agulha de sapateiro e uma corda de sua própria viola. Uma maldade, o jegue do “véi” ir pra feira. …Leia na íntegra

Beco da Tesoura

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 jul 2018

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Por Nando da Costa Lima

Não é mentira, não! Foram as fadas caatingueiras que se encontraram com as da mata e transformaram Conquista em poesia… É aqui onde acontece o encontro mágico da caatinga com a mata que fica o reino do “Beco da Tesoura”, onde quer que se vá nesta terra tem que atravessar o dito beco. Claro que temos outras opções, mas o reino da tesoura tem um magnetismo que o transforma na passarela oficial da Terra do Frio. Até hoje, quando se passa pelo velho beco, se escuta o barulho das tesouras do passado cortando tecidos e marcando o tempo. Só quem escuta são os apaixonados por Conquista. Nem sei qual foi o reinado mais duradouro, só sei que foram vários. Faz tanto tempo, a luz ainda era “de motô” e o Magassapo estava no auge, era o reduto dos boêmios da terra! Foi bem antes de Camillo falar “Sou apenas um homem sozinho dentro da noite…”. O poeta estava com saudades do tempo a que me refiro.

Foi aqui que se encontraram Íris Silveira, Erathostenes Menezes, Camillo de Jesus Lima e outros grandes poetas mateiros e caatingueiros. Todos matreiros! Nossa terra tem o hábito de abrigar grandes almas! Uma época brilhante da poesia conquistense: “Me solta gente, eu quero atravessar a fronteira…”, este brado de Camillo explica tudo.

E o poeta, como sempre muito elegante, atravessou o Beco da Tesoura com muita pressa. Eros tava pensativo, tinha que arrumar um meio de ficar em Conquista, tinha bebido da água do Poço Escuro e se enraizado na terra dos Mongoiós. O Olimpo fez de tudo para resgatá-lo do meio dos mortais, mas sabia que era quase impossível, ele estava apaixonado pela poesia que emergia da Terra do Frio. Estava tão apaixonado por Conquista que só voltou ao velho mulungú da terra onde foi concebido para fazer sua última homenagem a um amigo cuja beleza ficou no passado! “Buscando a tua sombra / a evocar o passado / a ti eu me compara amigo abandonado / Tu já não tem mais vida, e eu já não canto mais”.

Eros tinha pressa, estava indo encontrar os poetas Íris e Camillo na casa da amiga Maria Alice. E foi lá que eles bolaram um plano para que Eros permanecesse vivendo aqui como um mortal… O plano foi simples e eficaz: Eros se declarou poeta, e se aqui já tinha muito poeta, imagine no Olimpo? Até Afrodite concordou que ele ficasse. E ele, junto a outros poetas, deixou fluir um tipo único de poesia! Nossa poesia é diferente, não que seja melhor ou pior que a dos outros… longe disto! É que talvez as musas da Terra do Frio, ou até mesmo o próprio frio, inspiraram ainda mais os nossos poetas, donos de versos antológicos. É bom saber que pessoas tão geniais se encontraram na nossa linda e surreal Vitória da Conquista.

Foi numa madrugada fria, no reino do Beco da Tesoura, que as fadas decidiram que Vitória da Conquista se transformaria em poesia…

 

O Trapezista Voador

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 14 jul 2018

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Por Nando da Costa Lima

A cidade estava alegre, tinha tempo que não aparecia um circo. E pra completar, trouxe junto Raio, o Trapezista Voador, a sensação do momento. Era aplaudido de pé em toda cidade que passava. Era alto e forte, usava uma malha preta desbotada, uma capa verde enfeitada com raios dourados (a maioria despencando) e um tênis conga branco. A mulherada delirava quando o Trapezista Voador aparecia no picadeiro, teve até caso de desmaio! A meninada enlouquecia, era uma gritaria só. Todo mundo sonhando em “ficar grande” pra virar trapezista “avuadô”. Ninguém queria ser palhaço, dava até briga… O trapezista Raio reinou absoluto, era convidado pra todo acontecimento da cidade: casamento, batizado, velório. E ele era maniento, só comparecia nos eventos com o traje que o fez famoso. Isso até acontecer a tragédia que o levou ao abismo da birita e, consequentemente, a abandonar uma brilhante carreira. Aconteceu que Deolinda, filha do dono do circo, fugiu com o sacana do palhaço Mangangá. O Raio Voador se entregou de corpo e alma à cachaça. Foi isso que causou aquele incidente terrível… …Leia na íntegra

Laudicéia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 30 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

Não chegava a ser um matriarcado, mas elas foram fundamentais na nossa evolução social, política e espiritual. Eram elas que assumiam nas horas mais graves, sempre pendendo pro lado da razão, da paz. Evitaram várias desavenças que manchariam ainda mais a nossa história. É claro que temos nossas manchas! Na política de “curral” dos coroneis, tudo era motivo pra lançar mão das armas, a repetição papo amarelo fazia parte do cenário. E foi nesse clima que elas evitaram um desfecho trágico para uma briga que se arrastaria por décadas, ou quem sabe séculos.

Aquela briga estava sendo esperada há muito tempo…,foi em 1919, quando os grupos políticos denominados Peduros e Meletes decidiriam quem ficaria com o poder atra­vés das armas, um tempo distante onde a palavra era mantida à risca! Os Meletes tinham assumido o poder sobre pressão e que­riam mantê-lo a qualqer custo. Dino Correia já estava em Conquista quando o melete Almirante sacou a pistola e deu alguns tiros pra cima, dizendo que a situação seria resolvida a bala, ele tinha cons­ciência que estava dando início a uma luta que decidiria o destino da política e principalmente do seu pai, o juiz Araújo, um dos líde­res Meletes. Almirante tinha se casado com Iazinha há poucos dias: Iazinha era pedura…

Coronel Gugé tinha se afastado do cargo de intendente em 1916, seu genro foi nomeado em seu lugar, depois disso a oposi­ção começou criticar a política do sucessor através do jornal ” O CONQUSTENSE”. Os Peduros levaram a melhor nos debates pela imprensa graças ao poeta Maneca Grosso que atacava os meletes pelo jornal “A PALAVRA”. Dino Correia só entrou na briga depois que espancaram seu ex-professor por causa de um artigo dirigido ao Juiz Araújo. Dino ficou muito sentido com a surra que deram em Maneca Grosso e resolveu dar o troco. Maneca era dia­bético e faleceu devido à violência sofrida. …Leia na íntegra

Trinta e Oito Canela Seca

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia | Data: 25 jun 2018

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Por Valdir Barbosa

Na segunda feira desta semana findando, me pus a caminhar, tão logo o sol derramou seus primeiros raios dourando a bela lagoa postada numa das entradas de Itapetinga, cartão postal da cidade que me viu nascer como homem de policia, no abrir dos idos de 1976.

O domingo voara, pois estive na companhia de filha, genro, netos e amigas e amigos, tais quais, Jeremias do INSS, Benjamim Matos, provando as delícias dos acepipes de Joanita Xavier, maga da cozinha naquelas paragens, não tendo sido completa a festa, por conta da pífia apresentação do time brasileiro, frente à Suíça.

Pude ver viatura da Policia Militar, em serviço de ronda passando pelas imediações do Tiro de Guerra, nela – camionete nova, do tipo Ranger – dois prepostos devidamente paramentados e armados convenientemente.

Adiante, vez seguia em marcha acelerada ultrapassei dois senhores, para mim desconhecidos, porém, pude ouvir o teor de seu colóquio e agora cuido de reprisar fala de um destes: “Naquele tempo era fusquinha, um trinta e oito canela seca, nada de colete a prova de balas, nem fuzil, mas o povo respeitava a polícia”. Obviamente, aqueles homens simples tratavam de uma questão realmente preocupante nos dias correntes, a inversão de valores. …Leia na íntegra

O lobisomem de Ibicuí

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

Niton “Orora” tinha acabado de chegar na rua da Palha, era meia noite mais ou menos… Quando virou o primeiro copo da legítima Jurubeba Leão do Norte pra ajudar na digestão, foi interrompido pelos gritos de Neuza que entrou no boteco transtornada, precisou beber uma meiota de pinga pra tomar fôlego e conseguir contar o que aconteceu, mesmo assim tremia mais do que vara verde quando descreveu em detalhes o bicho que tentou agarrá-la. Dona Noca chegou a suspeitar de um deputado, ele andou construindo muita casa de farinha na região, e todo mundo sabe que casa de farinha é o lugar preferido dos Lobisomens. Foram várias opiniões como esta, mas Orora, que era entendido no assunto de assombração, não teve dúvida: era o mesmo lobisomem que comeu uma italiana e um alemão atrás do muro do cemitério no São João passado! O político não tinha nada com o caso… …Leia na íntegra

Coisa feia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 jun 2018

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Por Alberto David

Da preguiça daquele que é incapaz de dar uma forcinha, de ajudar na mudança de um móvel, um sofá ou lá o que for e, ao contrário disso, sai de mansinho e diz: “tô fora”.

Da dependência, dos que ficam o tempo todo esperando pelos outros. De não compartilhar com o orçamento da casa, come, e diz:

Não! Esta conta não é minha.

Não participa das tarefas da casa, não lava um prato, não põe água para os animais, mas fica meu bebe pra cá, meu bebe pra lá. Não pega numa vassoura, não põe o lixo na rua e etc. etc. E diz isso não é comigo, o cachorro não é meu !?

Dos que sentam à beira da cozinha esperando a refeição e não ajuda, nem para lava o seu próprio prato. Dos que ficam à mercê do 0800. …Leia na íntegra

Maneca Grosso

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 16 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

“Nós nascemos do mesmo signo, doutor, com a única diferença de eu ter nascido de nove meses de gestação e sua excelência ter nascido de dez…” Quando o professor e poeta Manoel Fernandes de Oliveira (Maneca Grosso) publicou este artigo no jornal “A Palavra”, chamando o adversário de “filho de uma égua”, o clima ficou ainda mais pesado entre os dois grupos políticos que lutavam pelo poder no início do século XX. (Meletes e Peduros). Os Meletes se defendiam e atacavam os Peduros através do jornal “O Conquistense”. O juiz Araújo, um intelectual erudito, ficou muito irritado com as palavras a ele dirigidas. Naquela Conquista de 1919, os muros ainda criavam limo devido à umidade das matas que circundavam a cidade, o comércio era movimentado pelos caixeiros-viajantes e a Filarmônica Vitória marcava presença em todo grande acontecimento. Uma pequena cidade escondida no sudoeste baiano, mas que aos olhos do poeta: “Não há no mundo, na Terra, igual a esta outra vista! Na falda d’aquela serra… Está engastada Conquista”.

Coronel Gugé tinha falecido recentemente e isto contribuiu para o fortalecimento da oposição. O último artigo de Maneca tirou os Meletes do sério, sua desenvoltura levava-o a ganhar todas as polêmicas levantadas. Com uma disputa verbal tão agressiva, o povo já contava com uma luta armada a qualquer momento. As discussões entre Meletes e Peduros a cada momento se agravavam mais, a cidade estava tensa, só se via homens armados, tinha jagunço de todo lugar! O clima de guerra preocupou até o Governo do Estado, que só veio tomar providências depois que os Meletes começaram a incentivar o povo a não pagar impostos, destacou uma tropa para prender Arruda, um chefe de jagunços, já com o intuito de mostrar que não estava gostando daquilo. O tenente responsável o enviou para a capital escoltado por vários soldados, mas os seus aliados não deixaram a operação ser completada, cercaram a tropa e libertaram Arruda, uma figura necessária para a ocasião, foi ele que usaram para emboscar o poeta Maneca Grosso e seu compadre. Quanto à tropa: ninguém sabe onde foi parar. Um amigo ufólogo e historiador acha que a única explicação é que eles foram abduzidos, com burro e tudo, perto de Boa Nova. Disso eu não tenho certeza. …Leia na íntegra

Um olhar para trás V – Um coração atormentado

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 jun 2018

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Por Alberto David

Vem-me à lembrança “A tragédia de minha vida “, de Oscar Wilde, que revela uma escrita “desnuda”, numa linguagem clara, e é assim que gosto de dizer, de forma clara e verdadeira os fatos da minha vida artística. Um percurso que não foi fácil. Eu tive de percorrer um longo caminho, tortuoso e agreste, tendo uma pedra em cada curva, que se sucedia a cada jornada. É bem verdade que contei em minha travessia com importantes pessoas à volta.

Era um menino ainda. À noite eu e meu pai íamos todos os dias à casa de minha avó. E as mudanças foram distanciando um do outro, ainda mais com o nascimento de mais um filho homem.

Por volta de l996, trabalhava no Posto Shell, era um bombeiro (hoje frentista) e abastecia os automóveis e caminhões que transportavam gado para o abate, que viam da região pecuária, das cidades circunvizinhas. Fui promovido a gerente do Posto de Shell. …Leia na íntegra

Exemplos, Bônus e Ônus

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Vit. da Conquista | Data: 03 jun 2018

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por Valdir Barbosa

Creio ter sido o tempo da quarta copa do mundo, destas dezessete que este mês se completarão, do rol de todas havidas desde quando vim ao mundo. Falo, portanto, do certame realizado em 1966.

Digo isto, posto vivia o agitado tempo de adolescente, do qual fui fugindo, após ingressar na Universidade Federal da Bahia, onde cursei Direito, cujo vestibular se deu na abertura da década de setenta, época na qual me pus a alisar bancos acadêmicos, antes de completar dezoito eras.

Rememoro assim, situações que pude testemunhar, dentre outras marcantes vividas na gráfica do velho Gomes, meu saudoso pai, instalada em prédio existente na Ladeira da Praça, antes da construção que até hoje abriga a sede do Corpo de Bombeiros.

Pude vê-lo colocar quase a empurrões, para fora do estabelecimento de onde tirava seu sustento e da família, figura da política municipal do interior do Estado e outra, envolvida com atividades ligadas ao Departamento de Transito, no caso, um despachante. …Leia na íntegra

Evite assombrações

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 02 jun 2018

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Por Nando da Costa Lima

Assombração é óbvio que existe… Mas só aparece pra gente que não bebe. Caso de assombração ocorrido com biriteiro não vale, é delírio!

Honório tava travado, vinha do buteco atalhando frango, tinha brigado com a patroa justamente por causa da cachaça. Tava demais! Pra não passar pelo matagal do açudão, resolveu pegar um atalho por um caminho que passava pelo quintal da viúva do capitão João Antônio. Foi ali que uma assombração atravessou o seu caminho, até hoje jura por qualquer coisa que foi verdade. Ele estava com muita pressa, mas a livusia não deixou ele dar mais um passo. Ficou paralisado, parecia que tava hipnotizado… Mesmo assim, a pinga ativou o garanhão etílico. Quando viu aquela mulherona alta, a força da cachaça ajudou a fantasiar um caso sobrenatural com aquela assombração sensual. Deu pra ele sentir que ela tava querendo… Parecia uma noiva flutuando na escuridão da caatinga à procura de um homem de verdade pra consumar o casamento. Não dava pra resistir! Depois de um litro e meio de pinga ruim misturado com qualquer coisa, até assombração fica sexy… Honório segurou a noivona pela cintura e mandou ver, só que a baixa qualidade da bebida consumida atrapalhou seu desempenhou sexual: só conseguiu dar meia, nem dá pra dizer que aquilo foi “uma”. O esforço curou a cachaça, o medo encostou e ele deu uma carreira que só parou em casa. Tava amarelo e suando frio. Arrasado! Se tivesse seguido o conselho de Sinval e bebido só a legítima Jurubeba Leão do Norte, ele agora estaria bem com o povo da cidade, nada disso teria acontecido. Mas é assim mesmo, quem não ouve conselho, escuta coitado. E ele acabou desacreditado, virou motivo de piada. Todo mundo ficou sabendo da história e todos falavam a mesma coisa: “Tá doido, é mentiroso e tá delirando de pinga”. Mas só falavam! Ninguém nunca tinha chegado a agredir Honório por causa desse acontecimento… Só a viúva do capitão João Antônio que não gostou nem um pouco desse caso, ficou tão retada que deu uma surra de panela de pressão no compadre. Segundo a viúva Esmeraldina, a assombração que aquele safado traçou foi seu vestido de noiva que estava pendurado no varal pra tirar o cheiro de mofo. Ela ficou tão nervosa que nem levou em conta o estado de embriaguez do compadre. Contou pra todo mundo que ele tinha profanado uma relíquia de família que casou várias gerações, além de desrespeitar o finado compadre.

Ficou mal com a população: pinguço, doido e estuprador de vestido de noiva. É no que dá ficar bebendo qualquer fubuia com rótulo, até assombração aparece! Teve que mudar de cidade… Era só atravessar uma rua que alguém falava: “Lá vai o tarado que come até assombração”.

Minha mãe disse que não

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Vit. da Conquista | Data: 27 maio 2018

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por Valdir Barbosa

(Dedico estes rabiscos, ao Deputado Paulo Rangel, aos amigos da confraria do Restaurante Barbacoa e também a todos os funcionários dali, aos quais não nomino, para não olvidar qualquer deles. Dia destes, num belo fim de tarde, o parlamentar narrou fato pitoresco ocorrido com ícone da política pernambucana e brasileira, Miguel Arraes, evento inspirador dos seguintes escritos)

Invado hoje a rota 66 de meu existir. O consciente não recorda, mas, guardado no fundo da memória está o registro da casa simples, no Beco do Cirilo. Ali, em 25 de maio de 1952, mãos da parteira Esmeralda ajudaram D. Walneide a expulsar o rebento eu, guardado em seu ventre, por semanas seguidas.

Do amor entre ela e Gomes, o velho Adauto pude, enfim, chegar no ponto do agora. Sou fruto dos prazeres transformados em dores, do seu leite, de seus cuidados que até hoje não cessam, mesmo porque as atenções maternas vão sendo trocadas por grandes feixes de carinho, à medida que o tempo passa, enormes fontes de energia contagiante, inesgotáveis, cujas águas miraculosas cobrem os filhos de bênçãos.

Fez-me conhecer obras de poetas tantos – Castro Alves, Olavo Bilac, Ghiaroni -, desde muito novo. Murmurava aos meus ouvidos versos que decorava quando infante e deles ainda lembro na atualidade. Nas tardes de sábado, lhe ouvia cantar musicas belas, enquanto Gomes dedilhava seu violão, à moda antiga. Conduziu-me, tempos adiante, aos livros de Malba Tahan, Jorge Amado, Machado de Assis, Vinicius de Moraes. …Leia na íntegra

O dia que Tidinho chorou

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 26 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

“Formosa cavalgadura Que me levaste a ventura Torna trazer-me outra vez”. Verso do poeta, historiador e educador Euclides Abelardo de Souza Dantas, professor Tidinho, uma peça fundamental no desenvolvimento cultural de nossa Conquista. Autodidata cuja fabulosa cultura adquirida o deixava transitar com precisão em todos os ramos da literatura. Quando por aqui chegou no início do século XX o intendente era o Coronel Cazuza Fernandes e na Rua Grande ainda existia um barracão pra abrigar os tropeiros que vinham pra feira. Veio exercer o magistério, uma de suas paixões, nessa época os grandes fazendeiros contratavam professores da capital para educarem seus filhos nas suas propriedades. Os jovens só saiam para os colégios da capital quando demonstravam grande interesse pelos estudos, a distância a ser cumprida em lombo de burro tornava tudo mais difícil e talvez por isso eram raros os que iam pra Salvador. Os professores do tempo dos Coronéis exerciam um papel de tutor e a profissão exigia uma conduta impecável. Eram eles que ensinavam desde boas maneiras a álgebra, e esse contato direto com os familiares dos alunos os faziam quase que parentes, o carisma do jovem professor Euclides Dantas o transformou numa pessoa muito popular na terra do frio. Quando era dia de feira, professor Tidinho era cumprimentado por todos na Rua Grande. Um homem diferente, docemente diferente… Incapaz de distratar seu semelhante. Ele nasceu para educar, alfabetizou várias gerações e participou ativamente da vida cultural da cidade. Foi ele o redator de um dos jornais mais polêmicos de nossa terra “A PALAVRA”, que teve participação ativa na briga entre Meletes e Peduros através do poeta e também educador Maneca Grosso.

Quando Tidinho veio pra Conquista talvez não imaginasse que iria passar toda a sua vida por aqui, mas logo se casou com uma filha da terra (Virgínia Lopes Ferraz de Oliveira) e isto fincou ainda mais as raízes do grande educador na terra dos Mongoiós. A poesia era a outra paixão do professor… Tidinho era único, talvez porque a época exigia certa austeridade dos educadores, ele era muito sério, apesar da bondade nunca o viram chorar, nem quando a morte visitava aos que o cercavam. O professor Euclides Dantas ajudou Conquista a dar seus primeiros passos na educação, foi sua persistência como educador que fundou colégios de grande importância pra nossa terra, fez de Conquista sua terra natal e se dedicou a educação até a doença o tornar cego, impedindo-o de lecionar.  “O cego sofre tanto! A sua desventura é mais longa que o céu e mais funda que o mar! Quem poderá medir a imensidade escura! E do cego quem pode as mágoas calcular!” Mesmo assim o mestre não se afastou das letras que sempre o acompanharam, ele ditava seus poemas para que alguém copiasse, e foram alguns desses poemas que o levaram a chorar… Foi numa tarde fria quando Tidinho se encontrava meditando em sua cadeira de balanço, que chegou um mensageiro com correspondência da capital. Eram livros com um pequeno comunicado, um dos parentes na sala leu para o professor a notícia que muito o comoveu… Ele havia ganhado aqueles livros pelos versos enviados pra um concurso de poesia. Tidinho pegou os volumes como se pega uma criança recém-nascida, uma ironia do destino, o poeta cego premiado com livros que jamais poderia ler… Ele continuou acariciando os livros, chegou para um canto da sala como se quisesse que ninguém o visse e chorou… mas chorou baixinho, o professor Euclides Dantas não poderia deixar rolar lágrimas em público só por não poder mais ler.

“Pois que no carnaval somente se mascara aquele que, mostrando ao mundo a própria cara, esconde no sorriso as lágrimas da dor”