ROMERO, O LEAL

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 jan 2019

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Por Valdir Barbosa

Muitos anos atrás, já se vão quase trinta, desfiava minhas penas, ao lado de Romero Leal, delegado de escol da polícia pernambucana, como outros tantos de idêntico quilate. Além dos seus conterrâneos, amalgamávamos esforços junto a parceiros sergipanos, paraibanos, cearenses e potiguares, dos quais me permito não citar nomes, posto poderia olvidar algum destes, porém, seus rostos, suas vozes e atitudes estão e estarão sempre guardados na memória deste velho homem de polícia que completou, no dia vinte e três do janeiro fluindo, quarenta e três anos contados, a partir da primeira vez que assumiu as funções de autoridade policial, na longínqua Itapetinga, cidade fincada no sudoeste baiano.

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A assessoria é a alma da política

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 jan 2019

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Por Nando da Costa Lima

Naquele discurso ele sabia que ia decidir a campanha, tinha que começar com uma frase de lascar o cano, a cidade toda estava comentando que sua esposa Delsinete tava pulando a cerca com o jardineiro “Zé Pé de Banco”. Se fosse numa cidade evoluída nem ia dar ouvidos para aquele “fuxico”. Corno é um estado de espírito… Mas naquele fim de mundo era diferente, ele tinha que rebater à altura senão adeus eleição.

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Enigma

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Teve até casamento desfeito e várias separações só por causa dos laços familiares…

A briga entre os Silva da Silva e os Pranchão era a vergonha da cidade, tudo por causa de política. Eles já foram do mesmo partido, mas depois da história do banquete… Foi aquele banquete que separou as duas famílias que se suportaram por vários anos. Tem gente que fala que o lugar só não desenvolveu por causa da teimosia dos dois lados. Um conseguia uma verba, o outro ia lá e derrubava, era aquela velha politicagem de pé de moita.

O coroné Marculino Pranchão, em passeio por Conquista, escutou pelo serviço de alto-falantes do Milagroso que Getúlio ia passar pela região… O coroné voltou pro seu vilarejo no mesmo dia, se o “Home” (presidente) passasse por ali, com certeza passaria por sua casa. É aí que entra o banquete, preparado por um cozinheiro de Salvador. Só o bode que o coroné resolveu assar inteiro no rolete, e fez questão de ele mesmo assar. Queria caprichar, não era todo dia que aparecia um presidente. Deputado não, estes sempre quando apareciam era só matar uma dúzia de galinhas pra comitiva, tava tudo resolvido. 

O banquete foi preparado com capricho, só que o presidente não passou nem por Conquista. Marculino ficou retado e mandou enterrar o bode inteiro, uma iguaria preparada para um presidente não podia ser consumida por gente comum. Foi aí que a oposição caiu matando: “Se enterrou o bode inteiro, é porque o bicho tava envenenado”. Desse dia em diante os Pranchão não tiveram sossego, e o bode virou uma lenda. Os contra falaram que nem andu nasceu onde o banquete foi enterrado. Já outros dizem que viram um bodão de dois metros e com olhos vermelhos… Só quem via essa aparição era os Silva da Silva e os bêbados da cidade. Foram essas crendices que fizeram o coroné enfartar mais de uma vez, nunca tinha passado tanta raiva na vida. Não podia botar o pé na rua, onde entrava via gente comentando sobre o bode. O velho ficou tão encabulado com o fato que acabou morrendo como “envenenador de banquete”, pra você ver até onde vai a ignorância. Até hoje, ninguém aceita um convite para comer na casa de algum Pranchão, e em tempo de “política de bate-boca”, a rivalidade supera tudo. É só ter uma eleição que os Silva da Silva aparecem com o couro de um bode em cima do palanque, e antes de todo comício o locutor conta a história do bode recheado com veneno…

A família Pranchão garante que os dois quilos de veneno pra rato que o coroné comprou na véspera de assar o bode foram usados na chácara que rodeava a casa dele, tava empestiada de ratos.

Na realidade, até hoje ninguém conseguiu provar se o bode tava ou não recheado com veneno… A dúvida cresceu ainda mais depois que um historiador descobriu e revelou que na casa do coroné Marculino Pranchão, nunca teve chácara.

Mansidão

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 dez 2018

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Por Valdir Barbosa

Sempre que posso, nos derradeiros anos deixo o aconchego de minha morada e atravesso a rua, para assistir, no Largo do Campo Grande, uma das efemérides mais brilhantes que ocorrem em Salvador. Instituída há vinte um anos, pelo iluminado Divaldo Franco, ali, homenagens são rendidas em louvor a PAZ.

O magnífico artista, músico, compositor, cantor, Nando Cordel abre as festividades, em seguida, plêiade de figuras oriundas de todos os credos – Espíritas, Católicos, Umbandistas, Evangélicos – manifestam suas ideias, em breves discursos cheios de sabedoria tratando do tema, por fim, uma cascata de argumentos derramados pela voz e vinda nas palavras do anfitrião brilham bem mais do que todas luzes, este ano adornando com rara beleza, a praça onde acontece o encontro encantando todos presentes, lhes pondo mergulhados em profunda emoção, imenso prazer, efusivo contentamento. No entremeio, personalidades e instituições recebem comendas, em função de ações por elas praticadas, beneméritos gestos que lhes dignifica e distingue, por isto, a homenagem pública.

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O Domador

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 08 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Aconteceu num revéillon…

Corinto Pranchão queria receber seus convidados do mesmo jeito que os “quatrocentões” paulistas recebiam antigamente. Ele passou a vida perseguindo a fortuna, só conseguiu aos 45 anos ao se casar com Marineide, vinte anos mais velha. Estavam aproveitando o fim de ano pra comemorar o primeiro ano de casamento, tudo tinha de ser de primeira. Até o peru veio dos States! O caviar russo e o champanhe francês faziam o maior contraste ao mau gosto da decoração da casa. Gerôncio foi o pri­meiro a chegar na recepção, encostou na mesa de comidas e man­dou ver. Aproveitou que não tinha ninguém olhando e comeu co­mo se estivesse em casa, lembrava um porco em cima de um cocho de ração. Só saiu dali quando a casa estava cheia, de longe ele en­xergou Lina, tinha mais de um ano que tentava se aproximar da­quela princesa. Até flores ele mandou, mesmo os amigos falando que aquilo não era coisa de homem, ele só estava ali porque sabia que ela viria. Tinha até decorado a prosa, como Lina era inteligente, ia falar de ecologia, política, música. Naquela noite querendo ou não ela ia ter que escutar seu papo de enciclopédia. …Leia na íntegra

Brasil com “Z”

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Valdirene estava desolada, já estava virando piada na cidade. Era o quarto noivado rompido semanas antes do casamento! E era ela que terminava. Os noivos, coitados! Um tentou o suicídio, dois se perderam na pinga e um endoidou. Ela era o sonho de qualquer homem: bonita, rica e “inteligente”. Uma mulher além do seu tempo. Estava cansada do Brasil, principalmente dos homens brasileiros. Conquistense então, “nem pensar, que horror!”. A família tinha que mimar, era filha única de um casal que fazia qualquer coisa pra felicidade dela. Foram eles que tiveram a ideia de mandar Valdirene fazer uma viagem pelo mundo pra esquecer as contrariedades e aproveitar pra ver se finalmente encontrava sua alma gêmea no exterior. No Brasil, nunca mais! “Cambada de interesseiros!”.

Pra ela seria fácil, seu inglês e francês eram fluentes. Isso, naquele tempo (anos 60) era raridade numa cidade do interior. Valdirene acabou cedendo ao apelo dos pais e saiu em turnê pelo mundo, pra gastar um pouco da fortuna (cobiçadíssima) e tentar achar um homem à sua altura. Nessa época, a mulherada sonhava com um galã italiano, eu acho que foi por conta das músicas italianas que invadiram nossas rádios. Não tenho certeza! Vai ver os italianos eram realmente bons amantes. As primas, mesmo morrendo de inveja, não deixaram de fazer as famosas encomendas que quem viajasse para o exterior no passado tinha que trazer! Era um absurdo! Teve gente que encomendou até um piano! Quem fosse viajar, era melhor despistar. Mas todo mundo fazia questão de espalhar que ia fazer uma viagem internacional, era “chic” falar que estava indo para a Europa. …Leia na íntegra

Simpatia é coisa séria

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 24 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Lucicler entrou porta adentro enfezada e procurando pela mãe. A velha tava retada, tinha tempo que queria falar umas “verdades” para a filha, que sempre chegava em casa se queixando da vida…

— Mamãe, eu estou numa meeerda.

— Minha filha, isso é jeito de chegar em casa… Isso atrai coisa ruim! Já basta seu noivo!

— Mas é a realidade, eu estou me sentindo a última das derradeiras.

— Você sabe o porquê, não é? Foi mexer com coisa errada.

— Claro que não, eu nunca fiz nada que não pudesse confessar…

— Ô minha filha, você tá caducando antes do tempo? Já esqueceu da simpatia pra pegar o merda do seu noivo?

— Que simpatia, mãe? Tá querendo botar mais “grilo” na minha cabeça?

— Aquela que Marileide de Averaldo Bom Cabelo lhe ensinou. Parece até que deu certo, você acabou se envolvendo com esse traste que se não fosse a minha aposentadoria, já teria morrido. E olha que ainda nem casou. …Leia na íntegra

O Rei do Bode

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 17 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Da Choça até o Furado da Roseira, não tinha um criador que tivesse mais bode que Elpídio. Era o rei do bode, o solteirão mais cobiçado da caatinga! Elpidão arrasava, além de só andar bem vestido, tinha uma vistinha de ouro na dentadura, que acabava de matar a mulherada de paixão. Muitos tentavam imitá-lo, mas não chegavam nem aos pés, só ele com aquele palito no canto da boca e o dente de ouro à vista conseguia botar as meninas pra suspirar. Ter um caso com aquele “pão” (na época “pão” era o gato de hoje, e gato era sinônimo de ladrão) era o sonho da mulherada. Até mulher casada perdia as estribeiras quando ele passava no Corcel cor de abóbora com a jante roxa e luz interna de boate além dos pneus faixa branca e a frase escrita no para-choque traseiro: “100% macho”. …Leia na íntegra

O seu sorriso me cegou

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 10 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

No dia em que Cremildo “Boca Mole” declarou sua paixão pra Marionete no meio da praça, no aniversário da cidade, jamais imaginou que ela teria aquela reação: primeiro, teve uma crise de tosse que acabou engasgando; em seguida, desmaiou… Ele ficou apavorado. Guardou o anel de compromisso no bolso do paletó e foi socorrer a futura noiva, aquele desmaio só podia ser um “Sim”! Pensou errado! Assim que recuperou os sentidos, esculhambou com Cremildo. Mandou ele ir procurar o lugar dele, ela já tinha sido Miss Primavera em mais de dez cidades e  não estava a perigo pra aceitar pedido de qualquer um. Quem tava em volta parou pra ver o “barraco”, ela acabou com a “raça” do pobre do rapaz! Só que ninguém entendia porque aquela “perua coroa” tava esnobando um rapaz educado e trabalhador (se Miss recebesse aposentadoria, ainda ia). É claro que Cremildo não era essa “lindeza” toda, mas era bem situado na vida e tinha uns 30 anos a menos que Marionete Miss. O pessoal não entendia porque ela desprezou aquele partido, iria acabar sozinha. Já tava pegando no tombo! Isso segundo o povo que estava assistindo a “lavagem de roupa suja” em público. …Leia na íntegra

Agripino

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 03 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Antes dos antibióticos as doenças contagiosas eram vistas com mais temor devido ao grande índice de mortalidade, principalmente a tuberculose cujo único tratamento era arranjar um clima que não variasse muito, isso não curava, mas evitava que a doença se tornasse ainda mais penosa. Estar tuberculoso era ter certeza que logo visitaria São Pedro, o pior era o isolamento devido ao medo do pessoal. O cidadão que sentisse qualquer problema pulmonar, mesmo não estando tuberculoso, era olhado como um foco de contaminação, ninguém encostava, a doença pegava até no vento. Se o sujeito desse uma tossida um pouco além da conta, a família já separava seu talher e lavava a roupa separada, eram os cuidados mínimos, isto se o cidadão fosse parente, se não, o remédio era distância. Muitos poetas morreram tuberculosos, uns pelo excesso de boemia, eram tão bons que estavam sempre sendo festejados. Já outros morriam de tanto perder noites escrevendo porcaria e bebendo cachaça. Foi nessa época que D. Maurícia passou por um grande aperto, ela, uma senhora conhecida pela bondade, teve que passar por um teste que mulher nenhuma gostaria de passar, seria melhor ter fama de má. …Leia na íntegra

Libertas quae sera tamen

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Publicado por Editor | Colocado em Política | Data: 30 out 2018

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Por Valdir Barbosa

Ontem, ao acordar, longe de casa, de onde sai para sufragar meu voto, na cidade serrana que me acolheu há mais de quarenta anos, quando deixei minha soterópolis e nasci como polícia no entorno desta Vitória da Conquista, assisti uma chuva forte que lavou a cidade por horas e fez descer enxurrada, desde o alto da serra do Periperi lavando tudo, levando morro abaixo, a sujeira acumulada nos últimos dias.

Atento aos sinais entendi, como de costume, a mensagem cósmica da consagração do candidato, em quem depositei e deposito minhas esperanças, de promover a necessária assepsia e remover a imundice que vem se acumulando no país, há tanto tempo. E assim ocorreu, Jair Messias Bolsonaro, pela vontade do povo brasileiro, do Japão em diante foi acumulando votos, em enxurrada, capazes de lhe fazer eleito presidente do Brasil.

A campanha, recheada de golpes baixos, sujos, culminando com agressão física ao candidato esfaqueado em praça pública, revelou a face obscura daqueles que tentavam a todo custo se manter no poder, única e exclusiva pretensão do P.artido T.enebroso que levou o país a bancarrota.

Toda uma gama de desmandos foram praticados nesta nação, desde que Lula assumiu o poder, reelegeu-se, enfiou um fantoche no governo e tentou emplacar outro seu protegido, agora na presidência, mesmo preso, condenado por corrupção, com sentença confirmada em instancias superiores.

Frise-se, seu candidato, a quem havia feito prefeito da maior metrópole sul americana, implicado em três dezenas de processos, por improbidade e desvios diversos foi considerado o pior prefeito de São Paulo, mas, a ambição incontida de Luis Inácio sempre insistiu em apostar nos piores nomes, posto, marionetes fazem parte da preferência daqueles que desejam a perpetuação no poder.

José Dirceu, gênio do mal que arquitetou o plano de fazer do Brasil, o centro latino americano da ditadura do proletariado, acertou em quase tudo, todavia, não contava com a personalidade doentia da figura que escolheu, em razão do carisma que guardava Lula, como artífice mor do seu projeto. Criou um monstro que o engoliu, como de resto a toda estrutura trepada sobre um mar de lama, onde afinal se fez afundar.
Além disto, há que referir sobre a mão perfeita do Soberano que, de Roberto Jeferson, ao incongruente Joaquim Barbosa – no mensalão – seguindo na direção do competente Sérgio Moro, suporte máster da operação lava-jato foi revelando as entranhas podres da quadrilha que assaltou o país nos derradeiros anos.

O dinheiro desviado no “petrolão”, os milhares de dólares destinados, via BNDES, a países americanos e a africanos, para viabilizar a corrupção, recursos que poderiam ter sido aplicados no Brasil são prova inconteste, de que o interesse dos petistas nunca foi atender as necessidades do povo brasileiro, na verdade, tão somente guardavam propósito de engordar os bolsos dos falsos patriotas e atender ao projeto de poder fomentado no Foro de são Paulo.

Porém, tudo é finito neste mundo terreno, assim, o tempo do grupo que por quase duas décadas comandou, da pior forma, os desígnios desta terra chegou a seu termo. A partir de janeiro confiamos que outros rumos serão trilhados e poderemos retomar o crescimento, viver dias de prosperidade, segurança e paz vendo as instituições, sobretudo a família, célula mãe da sociedade, fortalecidas. Por isto, mais de cinquenta milhões de brasileiros depositaram seu voto nas urnas e elegeram o capitão como presidente.

A campanha foi dura. Conhecidos e até amigos fraternos entraram em rota de colisão, frente as preferências nos candidatos que ao final polarizaram a disputa, contudo, a hora agora é de entendimento e união de esforços, para apoiar e fiscalizar aquele que foi guindado ao cargo na força da escolha independente. O mau exemplo do derrotado, que no seu discurso, após o resultado, não menciona o vitorioso e nem o cumprimenta, como de praxe, não deve ser seguido, posto revela postura antirepublicana e antidemocrática.

Pouco importa se na Bahia, minha terra, Bolsonaro não foi vitorioso. Em setembro de 1822, quando proclamada a independência brasileira pelo Príncipe Regente, os ventos da liberdade apenas sopraram por aqui, tardiamente, após as pugnas sangrentas dos nossos índios, negros, caboclos e mamelucos, quando muitos perderam suas vidas, para que afinal fosse percorrido o Corredor da Vitória, em dois de julho de 1823.

Nos próximos dias volto, com o corpo e alma lavadas para o regaço dos meus, os abraços de minha amada e juntos, como fazemos sempre haveremos de caminhar, sob as mesmas arvores seculares que sombrearam os heróis da nossa independência, em direção à Igreja de Nossa Senhora, para agradecer a vitória e rezar, na certeza de que haverá de chegar o dia, em que a Bahia estará também liberta do P.artido dos T.enebrosos.

VDC, 29 de outubro de 2018
Valdir Barbosa

Acauã

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Na nossa Vitória da Conquista do presente o acauã só é parte do passado… Mas antes, quando as matas do Sudoeste baiano ainda eram densas, ela era a vidente do sertanejo, uma ave mística! Era quem previa o bem ou o mal quando estavam por vir, o acauã dava seu aviso quando fazia pouso nas gameleiras, e era aí que estava toda a “ciência”! Qualquer sertanejo que se prezasse sabia quando o acauã cantava num galho seco da gameleira é porque o anjo da morte estava por perto. Da mesma forma também sabiam que quando este canto partia de um galho verde era sinal de farturas e alegrias. Hoje em Conquista não existem mais Acauãs nem gameleiras, mas ficaram as histórias onde estes sempre tiveram presentes… …Leia na íntegra

Sonhos

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Marilda e Marlúcia eram irmãs e faziam de tudo para os maridos se darem bem. Viviam se visitando, mas não tinha acordo. Os dois brigavam desde o tempo do colégio. Marculino era gozador, e Crispiniano, “ferrado”. Naquela noite, as irmãs estavam decididas a por fim naquela briga idiota. Até eles estavam bem-intencionados… E foi Crispiniano que puxou prosa:

— Já imaginou, Marculino! Você sentando numa cadeira de balanço, num casarão colonial, se deliciando com o doce de queijo em calda de Araxá, escutando Milton Nascimento em vinil, e tendo como fundo as montanhas de Minas ecoando o aboio de um vaqueiro trazendo a boiada e avisando à amada que está chegando… Isso pra mim é um pedaço do Céu!

— O compadre Crispiniano tá inspirado hoje, só faltou uma locomotiva! Quando você falou eu cheguei a sentir o gosto do doce de Araxá. Deu pra ver que você gosta mesmo de Minas. Eu também gosto, sou um grande apreciador da “Catira Mineira”. O bom da catira é que é fácil de dançar, basta ter um par de botas, sapatear e bater palmas.

Aí começou o bate-boca… …Leia na íntegra

Atrás Do Chiclete

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Esses dias encontrei com Massinha e ele me perguntou qual o meu estilo literário, se era conto, crônica ou “causo”. Pois bem, não é nenhum desses. Eu escrevo romance “comprimido”, estilo genuinamente conquistense. É mole?

Até parece que foi ontem…

Deusinete e Averaldo, um casal simples que tinha muito em comum, adoravam o carnaval e tinham verdadeira paixão pelo Chiclete com Banana. Essa paixão pelo Chiclete era tão exagerada que eles faziam qualquer negócio pra estarem pre­sentes em qualquer apresentação da banda. Quando souberam que “Béu” estaria em Conquista animando a micareta só fal­taram endoidar, daquela vez eles iriam poder realizar um velho sonho em comum, é que tanto ela como ele pagavam caro para serem filmados pela TV, trocando um beijo apaixonado atrás do Chiclete com Banana, essa ideia era quase uma obsessão. Dessa vez eles estavam perto de casa, tinha tudo pra dar certo. Antes de começar a festa eles já sabiam todos os locais onde estavam localizadas as câmaras de televisão, só não entraram pro Massicas por­que a grana tava curta. O jeito era seguir o Chiclete de fora das cordas, mas não tinha erro! Dentro ou fora das cordas a televisão não ia deixar passar nada. …Leia na íntegra

Dino Correia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 29 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Quando Olímpio Carvalho mandou dizer pra Dino Correia ir pro Verruga (ITAMBÉ) preparar o café que ele ia levando os biscoitos. O coronel Dino sentiu que os parabelluns iriam ser usados novamente, ele tinha saído da política de Conquista, voltou pro Arraial de Macarani já na intenção de  descansar! Há pouco tinha chefiado e saído vitorioso na luta entre Meletes e Peduros, grupos políticos que disputavam o poder em Conquista no inicio do século.

Olímpio morava em Mata de S. João, tinha uma fazenda no “Catolezinho”, mas sempre estava no Verruga onde tinha muitos amigos, andava sempre acompanhado de homens armados e durante muito tempo foi usado pelos coronéis pa­ra realizar os serviços onde era necessário o uso da força, era uma espécie de cobrador! Além das amizades ele tinha uma mulher no Verruga que não podia flcar muito tempo sem ver, Rosinha de Olímpio era respeitada, quando ele chegava pra suas visitas as festas varavam a noite e eram rega­das com as bebidas mais finas da época, o vinho Constantlno era o preferido do anfitrião, e a sanfona bem tocada por ele é que animava o ambiente. …Leia na íntegra

Anjos de Arribação (Cordel)

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

QUANDO O AZAR FAZ MORADA

NÃO ADIANTA ORAÇÃO

PARECE PRAGA ROGADA

COM QUEM TEM PARTE COM O CÃO.

 

TÔ PENANDO JÁ FAZ TEMPO

SEM ACHAR UMA SOLUÇÃO

É CERTO QUE MEU DESTINO

TRAÇARAM DE GOZAÇÃO

 

A VACA PERDI NO BARALHO

A MULA EU DEI PRO VIGÁRIO

EM TROCA DE SALVAÇÃO

AÍ A MORTE ENCOSTOU! …Leia na íntegra

A madrinha

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 15 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tem muito tempo…, o povo ainda chamava sutiã de califon. Dona Rogaciana das Dores estava tricotando uma capa de rifle para guardar a “papo-amarelo” do finado marido quando a sobrinha correu porta adentro aos prantos. Silvelina era a sobrinha preferida de dona Das Dores, por ela a velha fazia qualquer coisa… O motivo do choro a velha já sabia: é que a sobrinha já tava passando dos “trintas” e nada de casamento. Ela era muito exigente, homem pra ela tinha que ser alto, “dotô” e “pão” (“pão” era o “gato” de hoje). Ela tava se derretendo no choro, como acontecia em todo aniversário. Era mais um ano sem casório! Foi o jeito dona Rogaciana jogar o tricô pro lado, ela não negava nada pra “menina”, e agora a sobrinha achava que só um “rezadô” podia abrir os caminhos dela, tinha certeza que era feitiço. Mesmo sendo uma católica praticante, ela não negou o pedido da sobrinha… “Coitada, as amigas já estão tudo casadas. …Leia na íntegra

Melhoral, Melhoral

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 09 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Foi no dia onze de março de 1926, a cidade estava em roupa de gala desde cedo. Mas não era pra menos, às oito horas ia ser inaugurada a “Rádio Clube de Conquista”. A festa prometia ser das boas, quem arrumou tudo foi Pedro de Condeúba, famoso na época por ser um festeiro nato. Encabeçando o programa tinha um jogo entre a seleção de Conquista e o time de Joanópolis. O povo sorria pras paredes, não era todo dia que se ganhava um presente daqueles, um clube de rádio ia evoluir o pessoal uns vinte anos, eles agora iam ficar sabendo de tudo que acontecia lá fora, agora sim entravam no século XX. Isto graças a uma “vaquinha” feita por comerciantes progressistas, foram eles que compraram o aparelho, mas já estavam precisando de um, até Jequié já tinha um! Naquele tempo o rádio era caro e difícil de obter, eram aparelhos enormes cujas antenas com mais de 30 metros tinham que ser presas em postes. Pra você ter uma ideia, a pessoa que ligava e desligava o rádio teve que fazer curso em Salvador, era o operador oficial do aparelho. Grampão foi o escolhido pra operar a máquina, só ele sabia que o botão “on” botava o bicho pra falar e que o do “off” calava o “falante”. Foi destacado um cabo e dois soldados pra zelarem pela segurança do aparelho 24 horas por dia.

Na festa ocorreu tudo bem, a banda tocou 5 hinos militares e 7 religiosos, no final emocionou os presentes tocando o Hino Nacional, o povo gostou tanto que eles repetiram 9 vezes, só pararam porque o vigário pediu a palavra, falou durante mais de uma hora, aproveitou pra lembrar que a igreja estava muito velha, 120 anos, já era tempo de derrubar e construir uma nova. O intendente também discursou prometendo uma igreja nova e uma sede definitiva para o clube de rádio. Zé Maria, técnico da Seleção de Conquista, recebeu o troféu das mãos de uma garotinha. A belíssima vitória de 17×8 sobre o time de Joanópolis ocorreu no campo das 7 Casas, a seleção conquistense usou 4-3-3 avançado, ficava só o goleiro atrás, na frente jogavam 4 centroavantes, 3 pontas-esquerdas e 3 pontas-direitas. Sana, técnico de Joanópolis, botou seu time todo na retranca. Uita foi o artilheiro, marcando 5 gols de cabeça e 9 com os pés (fora os contras).

Às oito horas da noite deu-se a inauguração, as principais famílias da terra estavam sentadas em volta do aparelho, quando um músico da banda deu um repique na caixa-clara e o operador treinado na capital entrou na sala todo no linho horizontal branco e munido de luvas de pelica, pra não causar danos ao microfone. Ligou o rádio depois de 45 minutos, microfonia conseguiu sintonizar, a plateia aplaudiu de pé. Aí então Grampão deu um show de habilidade, conseguiu sintonizar até uma rádio estrangeira, era de uma emissora argentina, um dos ouvintes lamentou ninguém saber falar inglês pra traduzir, o maestro corrigiu em cima da bucha: ele tinha certeza que aquilo era francês. As transmissões foram até altas horas da noite, toda hora que terminava uma música, o pessoal batia palmas. O povo estava maravilhado, o clube fez tanto sucesso que passou a ser ponto de encontro da sociedade local. Toda festa de respeito tinha a participação da “Rádio Clube de Conquista”.

Conta-se que na época as matinês dançantes ao som do rádio eram muito famosas, as músicas que já faziam sucesso nas capitais agradaram em cheio aos conquistenses que sempre tiveram bom gosto. Só tinha uma música que o pessoal tinha raiva porque era muito curtinha, não dava nem pra sentir o calor da dama, era uma tal de “Melhoral, Melhoral, é Melhor e Não faz Mal”.

 

Dio come ti amo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Naquele ponto de ônibus, que ficava perto da mercearia em frente ao buteco de João Galo Cego, passavam várias mulheres!… Mas só uma o atraía, – aquela “dama de preto” era a única que dava evasão a imaginação do tímido João, imaginava-a nos mínimos detalhes, também não era pra menos, tinha mais de um ano que ele desejava aquela gatona e a timidez não permitia uma aproximação, era uma tortura! O tempo passava e nada dele chegar junto, ficava só imaginando como seria e isto o fazia perder horas trancado no banheiro do buteco, chegou a perder metade da freguesia por causa desse hábito. Era daqueles que tinha vergonha até da sombra e além de ser quase cego não passava sem uma cachaça, depois de meio dia João só enxergava o vulto! Talvez aquela mulher “nem fosse essas coisas toda”, mas o tempo que ele já havia dedicado aquela musa que o deixava pisando nas nuvens, não permitia retorno. …Leia na íntegra

Cosme, Damião e Guió

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 25 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

O caruru de Cosme e Damião na casa de Dona Maria era tradicional, tinha mais de quarenta anos! Guió cresceu ajudando Dona Maria a preparar o caruru de Cosme. Ela veio morar na casa do “Dotô” ainda nova. O caruru era uma de suas festas preferidas: foi num dia de Cosme e Damião que ela conheceu Juarez, com quem casou e teve filhos e netos. Depois que ele partiu, ela se sentiu tão só que o jeito foi procurar apoio numa igreja. Esta, como sempre, a acolheu muito bem. E Guió se tornou uma irmã fervorosa, tão fervorosa que até o caruru de Cosme e Damião se tornou um ato de desrespeito ao senhor. Quando Dona Maria anunciou que dia 27 de setembro, dia dos santos meninos estava chegando, Guió começou a resmungar: “O pastor nem pode saber disso”. Mas, mesmo contrariada, devido ao respeito pela patroa, ela não teve como deixar de ajudar a mexer o caruru e o vatapá. A cada mexida que dava saía um resmungo. Dona Ilda e Vivi chegaram a avisar: “Guió, Guió, cê num brinca com Cosme”. Mas o pessoal da igreja falou que esse negócio de dar comida pra santo era coisa de candomblé. Até adorar imagem é pecado, imagina dar comida. Pastor Josebaldo tinha razão. Onde já se viu santo de barro comer?. …Leia na íntegra