Sem Fiol, moradores desempregados de Brumado migram para corte de cana em São Paulo

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Sudoeste | Data: 04 maio 2016

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por Mateus Novais

IMG_2313Distrito de Ubiraçaba, em Brumado, parece uma cidade fantasma.
Foto: Lay Amorim – Brumado Notícias

O distrito de Ubiraçaba, no município de Brumado (a 130 km de Vitória da Conquista), parece um lugar fantasma. Após a paralisação das obras da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), os moradores, desempregados, estão deixando a localidade. As informações são do site Brumado Notícias.

O lavrador aposentado, José Altino de Almeida, revela que a paralisação da obra jogou a comunidade em um poço de esquecimento. Até a Unidade Básica de Saúde está sem médico. “Era outra Ubiraçaba na época da Fiol. Tínhamos médico no posto de saúde, tinha circulação de dinheiro no mercado local, as donas de casa ganhavam dinheiro como lavadeiras e domésticas nas casas. Mas agora tudo parou”, descreve seu José.

IMG_2312Seu José Altino e dona Marizete Santos se despedem dos filhos à beira do caminhão
que vai levá-los para São Paulo. Foto: Lay Amorim – Brumado Notícias

No distrito, é comum a imagens dos moradores carregando suas bagagens e saindo da região para buscar o sustento nos cortes de cana e lavouras no sul do país. Os filhos de seu José Altino, por exemplo, estão de mudança para a cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. “De homem aqui ficaram apenas os aposentados e quem tem emprego na prefeitura. Os demais estão sendo obrigados a passar de seis meses a um ano fora de casa, nos cortes de cana, para garantir o sustento da família”, conta.

A esposa de seu José, dona Marizete Santos, diz que perder a convivência diária com os filhos é o que mais lhe corta o coração. “Temos esperança de ver tudo voltar e dessa forma não termos mais o medo e a preocupação com os nossos filhos que hoje precisam sair para o mundo em busca do pão de cada dia”.

Mesmo com o momento desfavorável, o casal não perde a esperança da retomada da obra, que promete ser o divisor de águas no progresso do estado. “Deus vai ouvir as nossas preces, vai tocar o coração dos nossos governantes e essa obra voltará para reanimar a nossa comunidade”, afirmaram os aposentados.