O Homem é um aprendiz e a dor o seu Mestre

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 23 jun 2019

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Por Alberto David

Foi a primeira casa do gênero, comércio da gasolina , e nas horas vagas pintava. Os trabalhos eram grosseiros , mas tinham força e muita expressão .A exposição improvisada neste estabelecimento comercial , conhecido como Posto Shell, chamava atenção , pelos quadros distribuídos pelas paredes daquela casa que comercializava gasolina , situado ali no centro de conquista , na praça Marcelino Mendes, inclusive, na época, abastecia a Prefeitura Municipal de conquista. 

Era um jovem Sonhador. Não estava preparado para as vicissitudes deste caminho. E logo me desiludi das artes e dei um tempo. Teimoso, retornava às atividades na arte por volta de l980. Até aí, só foi mesmo um breve início… e as opiniões: “pintura não dá dinheiro “ – diziam coisas assim, Além disso, sem emprego, sem suporte e a família só crescendo, as coisas não se tornaram fáceis, passei a viver um inferno, O inferno, de Dante Alighieri; faltavam-me tintas, pincéis …Não dá para relatar todas as vicissitudes para a construção da minha carreira artística e nem dos obstáculos. Toda a minha vida artística e pessoal foi marcada por situações constrangedoras e humilhantes, e pela falta do dinheiro. Verdade.

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Caçola é com “C” cedilha

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 13 abr 2019

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Por Nando da Costa Lima

Só descobriram porque Dão Cheiroso, que era apaixonado pela noiva, botou tudo a perder. Isto é: esculhambou com a vida do professor que já chegou ali com a intenção de montar um grupo de teatro. Tá certo que naquela boca de caatinga, falar era coisa rara! Talvez porque o ano foi de chuva, o pessoal tava até mais sociável, suportaram aquele prosa ruim explicando que era especialista em expressão facial, que estava ali à disposição do povo pra transmitir seus conhecimentos das artes cênicas e aproveitar e ensinar à mulherada a ler e escrever. 95% da população era analfabeta! Só aquele doido metido a professor pra salvar a situação preenchendo o tempo com alguma coisa útil.

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O milagre das pombas

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 06 abr 2019

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Por Nando da Costa Lima

Eu acredito em milagre…   

Quando aconteceu faltava um ano pra virada do século, foi na “fome de 99”, a estiagem havia torrado o sertão baiano. A miséria era geral, o gado morria por falta de pasto e água, as plantações foram todas queimadas pelo sol. O povo estava em desespero.

Aqui em Conquista a coisa estava feia, só não tava pior graças ao velho Poço Escuro que nunca secou. Os alimentos remetidos pela vizinhança menos sofrida com a estiagem nunca davam pra suprir as necessidades da população ca­rente de tudo. A fome estava presente em todas as casas hu­mildes. Só os ricos faziam três refeições diárias (mais ou me­nos como hoje). A população estava assustada, com mais um mês de seca nem o Governo do Estado podia contornar a situação. Quem morava nos interiores mais afastados da Ca­pital ficava encurralado. Em 1899 as cargas eram transporta­das em lombo de burro, as tropas só estavam viajando a noite para evitar o castigo do sol que arrasava o sertão, e esperar ajuda da Capital era sonho. O Conquistense teve que se virar com o pouco que restava. A estiagem acabou com tudo, nem a mandioca resistiu, isto tirou a alimentação básica da região. Sobreviver tava tão difícil que uma semana de trabalho de um homem era pago com três litros de farinha. As crianças eram quem mais sofriam, a desidratação e a inanição matavam diariamente. Foi nesse tempo de miséria e miseráveis que aconteceu o Milagre das Pombas.

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Dívidas por dívidas

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 30 mar 2019

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Por Nando da Costa Lima

Quando Teotônio chegou a Salvador com três malas de couro de seu recém-lançado livro “Dívidas por Dívidas”, tinha quase certeza que ali as coisas correriam bem. Os dois primeiros lançamentos haviam fracassado (um em Pernambuco e o outro na Paraíba), segundo ele, o povo dali estava engatinhando culturalmente. Neste terceiro lançamento ele resolveu deixar tudo por conta de um primo, sua obra seria bem melhor representada por um jovem estudante, aquele trabalho futurista teria bem mais saída sendo apresentado por gente nova. Deixou os 480 volumes na mão de Miranda e voltou pra Santo Amaro. Ficou resolvido que assim que os livros fossem vendidos o dinheiro seria enviado.

O estudante se sentiu nas alturas ao receber aquela incumbência, um escritor deixar sob sua responsabilidade toda sua obra, ele tinha que caprichar no lançamento! A primeira tentativa de lançamento foi na escola, não vendeu nenhum, mas estudante nunca teve dinheiro mesmo! Da segunda vez ele bolou um plano que não podia falhar, deu um almoço festivo e relançou “Dívidas por Dívidas”. Deu sorte que uma senhora derramou uma caneca de vinho numa pilha de livro e melou sete, o marido fez questão de pagar! Depois disso o estudante fez mais quatro tentativas, lançou até num jogo de futebol entre casados e solteiros, só vendeu um! Na falta da moeda para tirar cara ou coroa, usaram um livro que foi pisoteado pelos perdedores. Cansado de fracassar nos lançamentos, resolveu colocar a obra de Teotônio em exposição nas livrarias, assim ficaria mais aliviado daquele fardo. Percorreu todas as casas especializadas em livros da cidade, ninguém quis ficar com nada, a sorte foi que uma grande livraria cujo dono era muito amigo do seu pai resolveu dar uma força, o rapaz deixou logo os 472 volumes restantes na mão do gerente. Agora era torcer para que o livro tivesse saída e ir receber o dinheiro, a livraria tinha experiência com esse tipo de coisa, e mesmo que não vendesse ele tinha se livrado de ficar olhando praquela pilha de livros todo santo dia!

O tempo ia passando e nada do livro sair, quando o estudante botava o pé na porta da livraria os funcionários gritavam em coro “Lá vem o Dívidas por Dívidas”. Com o tempo ele desistiu de ir, mandava os colegas, mas as respostas eram sempre as mesmas. “Dívidas por Dívidas” era o maior encalho da história da casa, da última vez que perguntaram o gerente falou que só tava esperando o dono aparecer para devolver aquela merda.

Um dia acordou com uma boa notícia, uma grande livraria da rua Chile tinha pegado fogo, era a do amigo do seu pai que tinha ficado com os 472 volumes do livro. Não tomou nem café, correu pro local do incêndio e quando viu que não tinha sobrado nada deixou correr uma lágrima de alegria pelo rosto, só assim pra ele vender aquilo! O dono da loja reconheceu o filho do amigo e ficou sensibilizado com a tristeza do rapaz por ter perdido os livros no incêndio, consolou o rapaz prometendo pagá-lo o mais rápido possível. O estudante saiu dali direto pro correio, ia telegrafar para o primo escritor dando a boa notícia que um único revendedor ficou com os 472 livros. Foi pra casa aliviado, tinha resolvido um problema que tava lhe incomodando, toda semana o primo escrevia perguntando pela vendagem do livro. Agora era só esperar o pagamento e remeter para Santo Amaro.

Ele ainda estava tomando café da manhã na cozinha quando vieram lhe avisar que o dono da livraria estava na sala à sua espera. Ficou todo contente, o homem teve pressa de pagar! Mal tinha engolido o café e saiu para receber o dinheiro tão esperado, mas quando chegou na sala quase morreu de desgosto, o livreiro tinha ido entregar os 472 volumes intactos de “Dívidas por Dívidas”, os únicos livros que milagrosamente escaparam do incêndio…

Só depois de encontrar um exemplar de “Dívidas por Dívidas” com uma dedicatória feita em 1939 e saber de sua história é que vim entender porque aquele médico contador de causos nunca quis ser escritor.

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Enigma

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Teve até casamento desfeito e várias separações só por causa dos laços familiares…

A briga entre os Silva da Silva e os Pranchão era a vergonha da cidade, tudo por causa de política. Eles já foram do mesmo partido, mas depois da história do banquete… Foi aquele banquete que separou as duas famílias que se suportaram por vários anos. Tem gente que fala que o lugar só não desenvolveu por causa da teimosia dos dois lados. Um conseguia uma verba, o outro ia lá e derrubava, era aquela velha politicagem de pé de moita.

O coroné Marculino Pranchão, em passeio por Conquista, escutou pelo serviço de alto-falantes do Milagroso que Getúlio ia passar pela região… O coroné voltou pro seu vilarejo no mesmo dia, se o “Home” (presidente) passasse por ali, com certeza passaria por sua casa. É aí que entra o banquete, preparado por um cozinheiro de Salvador. Só o bode que o coroné resolveu assar inteiro no rolete, e fez questão de ele mesmo assar. Queria caprichar, não era todo dia que aparecia um presidente. Deputado não, estes sempre quando apareciam era só matar uma dúzia de galinhas pra comitiva, tava tudo resolvido. 

O banquete foi preparado com capricho, só que o presidente não passou nem por Conquista. Marculino ficou retado e mandou enterrar o bode inteiro, uma iguaria preparada para um presidente não podia ser consumida por gente comum. Foi aí que a oposição caiu matando: “Se enterrou o bode inteiro, é porque o bicho tava envenenado”. Desse dia em diante os Pranchão não tiveram sossego, e o bode virou uma lenda. Os contra falaram que nem andu nasceu onde o banquete foi enterrado. Já outros dizem que viram um bodão de dois metros e com olhos vermelhos… Só quem via essa aparição era os Silva da Silva e os bêbados da cidade. Foram essas crendices que fizeram o coroné enfartar mais de uma vez, nunca tinha passado tanta raiva na vida. Não podia botar o pé na rua, onde entrava via gente comentando sobre o bode. O velho ficou tão encabulado com o fato que acabou morrendo como “envenenador de banquete”, pra você ver até onde vai a ignorância. Até hoje, ninguém aceita um convite para comer na casa de algum Pranchão, e em tempo de “política de bate-boca”, a rivalidade supera tudo. É só ter uma eleição que os Silva da Silva aparecem com o couro de um bode em cima do palanque, e antes de todo comício o locutor conta a história do bode recheado com veneno…

A família Pranchão garante que os dois quilos de veneno pra rato que o coroné comprou na véspera de assar o bode foram usados na chácara que rodeava a casa dele, tava empestiada de ratos.

Na realidade, até hoje ninguém conseguiu provar se o bode tava ou não recheado com veneno… A dúvida cresceu ainda mais depois que um historiador descobriu e revelou que na casa do coroné Marculino Pranchão, nunca teve chácara.

O Domador

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 08 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Aconteceu num revéillon…

Corinto Pranchão queria receber seus convidados do mesmo jeito que os “quatrocentões” paulistas recebiam antigamente. Ele passou a vida perseguindo a fortuna, só conseguiu aos 45 anos ao se casar com Marineide, vinte anos mais velha. Estavam aproveitando o fim de ano pra comemorar o primeiro ano de casamento, tudo tinha de ser de primeira. Até o peru veio dos States! O caviar russo e o champanhe francês faziam o maior contraste ao mau gosto da decoração da casa. Gerôncio foi o pri­meiro a chegar na recepção, encostou na mesa de comidas e man­dou ver. Aproveitou que não tinha ninguém olhando e comeu co­mo se estivesse em casa, lembrava um porco em cima de um cocho de ração. Só saiu dali quando a casa estava cheia, de longe ele en­xergou Lina, tinha mais de um ano que tentava se aproximar da­quela princesa. Até flores ele mandou, mesmo os amigos falando que aquilo não era coisa de homem, ele só estava ali porque sabia que ela viria. Tinha até decorado a prosa, como Lina era inteligente, ia falar de ecologia, política, música. Naquela noite querendo ou não ela ia ter que escutar seu papo de enciclopédia. …Leia na íntegra

Brasil com “Z”

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 dez 2018

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Por Nando da Costa Lima

Valdirene estava desolada, já estava virando piada na cidade. Era o quarto noivado rompido semanas antes do casamento! E era ela que terminava. Os noivos, coitados! Um tentou o suicídio, dois se perderam na pinga e um endoidou. Ela era o sonho de qualquer homem: bonita, rica e “inteligente”. Uma mulher além do seu tempo. Estava cansada do Brasil, principalmente dos homens brasileiros. Conquistense então, “nem pensar, que horror!”. A família tinha que mimar, era filha única de um casal que fazia qualquer coisa pra felicidade dela. Foram eles que tiveram a ideia de mandar Valdirene fazer uma viagem pelo mundo pra esquecer as contrariedades e aproveitar pra ver se finalmente encontrava sua alma gêmea no exterior. No Brasil, nunca mais! “Cambada de interesseiros!”.

Pra ela seria fácil, seu inglês e francês eram fluentes. Isso, naquele tempo (anos 60) era raridade numa cidade do interior. Valdirene acabou cedendo ao apelo dos pais e saiu em turnê pelo mundo, pra gastar um pouco da fortuna (cobiçadíssima) e tentar achar um homem à sua altura. Nessa época, a mulherada sonhava com um galã italiano, eu acho que foi por conta das músicas italianas que invadiram nossas rádios. Não tenho certeza! Vai ver os italianos eram realmente bons amantes. As primas, mesmo morrendo de inveja, não deixaram de fazer as famosas encomendas que quem viajasse para o exterior no passado tinha que trazer! Era um absurdo! Teve gente que encomendou até um piano! Quem fosse viajar, era melhor despistar. Mas todo mundo fazia questão de espalhar que ia fazer uma viagem internacional, era “chic” falar que estava indo para a Europa. …Leia na íntegra

Simpatia é coisa séria

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 24 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Lucicler entrou porta adentro enfezada e procurando pela mãe. A velha tava retada, tinha tempo que queria falar umas “verdades” para a filha, que sempre chegava em casa se queixando da vida…

— Mamãe, eu estou numa meeerda.

— Minha filha, isso é jeito de chegar em casa… Isso atrai coisa ruim! Já basta seu noivo!

— Mas é a realidade, eu estou me sentindo a última das derradeiras.

— Você sabe o porquê, não é? Foi mexer com coisa errada.

— Claro que não, eu nunca fiz nada que não pudesse confessar…

— Ô minha filha, você tá caducando antes do tempo? Já esqueceu da simpatia pra pegar o merda do seu noivo?

— Que simpatia, mãe? Tá querendo botar mais “grilo” na minha cabeça?

— Aquela que Marileide de Averaldo Bom Cabelo lhe ensinou. Parece até que deu certo, você acabou se envolvendo com esse traste que se não fosse a minha aposentadoria, já teria morrido. E olha que ainda nem casou. …Leia na íntegra

O Rei do Bode

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 17 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Da Choça até o Furado da Roseira, não tinha um criador que tivesse mais bode que Elpídio. Era o rei do bode, o solteirão mais cobiçado da caatinga! Elpidão arrasava, além de só andar bem vestido, tinha uma vistinha de ouro na dentadura, que acabava de matar a mulherada de paixão. Muitos tentavam imitá-lo, mas não chegavam nem aos pés, só ele com aquele palito no canto da boca e o dente de ouro à vista conseguia botar as meninas pra suspirar. Ter um caso com aquele “pão” (na época “pão” era o gato de hoje, e gato era sinônimo de ladrão) era o sonho da mulherada. Até mulher casada perdia as estribeiras quando ele passava no Corcel cor de abóbora com a jante roxa e luz interna de boate além dos pneus faixa branca e a frase escrita no para-choque traseiro: “100% macho”. …Leia na íntegra

O seu sorriso me cegou

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 10 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

No dia em que Cremildo “Boca Mole” declarou sua paixão pra Marionete no meio da praça, no aniversário da cidade, jamais imaginou que ela teria aquela reação: primeiro, teve uma crise de tosse que acabou engasgando; em seguida, desmaiou… Ele ficou apavorado. Guardou o anel de compromisso no bolso do paletó e foi socorrer a futura noiva, aquele desmaio só podia ser um “Sim”! Pensou errado! Assim que recuperou os sentidos, esculhambou com Cremildo. Mandou ele ir procurar o lugar dele, ela já tinha sido Miss Primavera em mais de dez cidades e  não estava a perigo pra aceitar pedido de qualquer um. Quem tava em volta parou pra ver o “barraco”, ela acabou com a “raça” do pobre do rapaz! Só que ninguém entendia porque aquela “perua coroa” tava esnobando um rapaz educado e trabalhador (se Miss recebesse aposentadoria, ainda ia). É claro que Cremildo não era essa “lindeza” toda, mas era bem situado na vida e tinha uns 30 anos a menos que Marionete Miss. O pessoal não entendia porque ela desprezou aquele partido, iria acabar sozinha. Já tava pegando no tombo! Isso segundo o povo que estava assistindo a “lavagem de roupa suja” em público. …Leia na íntegra

Agripino

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 03 nov 2018

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Por Nando da Costa Lima

Antes dos antibióticos as doenças contagiosas eram vistas com mais temor devido ao grande índice de mortalidade, principalmente a tuberculose cujo único tratamento era arranjar um clima que não variasse muito, isso não curava, mas evitava que a doença se tornasse ainda mais penosa. Estar tuberculoso era ter certeza que logo visitaria São Pedro, o pior era o isolamento devido ao medo do pessoal. O cidadão que sentisse qualquer problema pulmonar, mesmo não estando tuberculoso, era olhado como um foco de contaminação, ninguém encostava, a doença pegava até no vento. Se o sujeito desse uma tossida um pouco além da conta, a família já separava seu talher e lavava a roupa separada, eram os cuidados mínimos, isto se o cidadão fosse parente, se não, o remédio era distância. Muitos poetas morreram tuberculosos, uns pelo excesso de boemia, eram tão bons que estavam sempre sendo festejados. Já outros morriam de tanto perder noites escrevendo porcaria e bebendo cachaça. Foi nessa época que D. Maurícia passou por um grande aperto, ela, uma senhora conhecida pela bondade, teve que passar por um teste que mulher nenhuma gostaria de passar, seria melhor ter fama de má. …Leia na íntegra

Acauã

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Na nossa Vitória da Conquista do presente o acauã só é parte do passado… Mas antes, quando as matas do Sudoeste baiano ainda eram densas, ela era a vidente do sertanejo, uma ave mística! Era quem previa o bem ou o mal quando estavam por vir, o acauã dava seu aviso quando fazia pouso nas gameleiras, e era aí que estava toda a “ciência”! Qualquer sertanejo que se prezasse sabia quando o acauã cantava num galho seco da gameleira é porque o anjo da morte estava por perto. Da mesma forma também sabiam que quando este canto partia de um galho verde era sinal de farturas e alegrias. Hoje em Conquista não existem mais Acauãs nem gameleiras, mas ficaram as histórias onde estes sempre tiveram presentes… …Leia na íntegra

Sonhos

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Marilda e Marlúcia eram irmãs e faziam de tudo para os maridos se darem bem. Viviam se visitando, mas não tinha acordo. Os dois brigavam desde o tempo do colégio. Marculino era gozador, e Crispiniano, “ferrado”. Naquela noite, as irmãs estavam decididas a por fim naquela briga idiota. Até eles estavam bem-intencionados… E foi Crispiniano que puxou prosa:

— Já imaginou, Marculino! Você sentando numa cadeira de balanço, num casarão colonial, se deliciando com o doce de queijo em calda de Araxá, escutando Milton Nascimento em vinil, e tendo como fundo as montanhas de Minas ecoando o aboio de um vaqueiro trazendo a boiada e avisando à amada que está chegando… Isso pra mim é um pedaço do Céu!

— O compadre Crispiniano tá inspirado hoje, só faltou uma locomotiva! Quando você falou eu cheguei a sentir o gosto do doce de Araxá. Deu pra ver que você gosta mesmo de Minas. Eu também gosto, sou um grande apreciador da “Catira Mineira”. O bom da catira é que é fácil de dançar, basta ter um par de botas, sapatear e bater palmas.

Aí começou o bate-boca… …Leia na íntegra

Atrás Do Chiclete

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Esses dias encontrei com Massinha e ele me perguntou qual o meu estilo literário, se era conto, crônica ou “causo”. Pois bem, não é nenhum desses. Eu escrevo romance “comprimido”, estilo genuinamente conquistense. É mole?

Até parece que foi ontem…

Deusinete e Averaldo, um casal simples que tinha muito em comum, adoravam o carnaval e tinham verdadeira paixão pelo Chiclete com Banana. Essa paixão pelo Chiclete era tão exagerada que eles faziam qualquer negócio pra estarem pre­sentes em qualquer apresentação da banda. Quando souberam que “Béu” estaria em Conquista animando a micareta só fal­taram endoidar, daquela vez eles iriam poder realizar um velho sonho em comum, é que tanto ela como ele pagavam caro para serem filmados pela TV, trocando um beijo apaixonado atrás do Chiclete com Banana, essa ideia era quase uma obsessão. Dessa vez eles estavam perto de casa, tinha tudo pra dar certo. Antes de começar a festa eles já sabiam todos os locais onde estavam localizadas as câmaras de televisão, só não entraram pro Massicas por­que a grana tava curta. O jeito era seguir o Chiclete de fora das cordas, mas não tinha erro! Dentro ou fora das cordas a televisão não ia deixar passar nada. …Leia na íntegra

Dino Correia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 29 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Quando Olímpio Carvalho mandou dizer pra Dino Correia ir pro Verruga (ITAMBÉ) preparar o café que ele ia levando os biscoitos. O coronel Dino sentiu que os parabelluns iriam ser usados novamente, ele tinha saído da política de Conquista, voltou pro Arraial de Macarani já na intenção de  descansar! Há pouco tinha chefiado e saído vitorioso na luta entre Meletes e Peduros, grupos políticos que disputavam o poder em Conquista no inicio do século.

Olímpio morava em Mata de S. João, tinha uma fazenda no “Catolezinho”, mas sempre estava no Verruga onde tinha muitos amigos, andava sempre acompanhado de homens armados e durante muito tempo foi usado pelos coronéis pa­ra realizar os serviços onde era necessário o uso da força, era uma espécie de cobrador! Além das amizades ele tinha uma mulher no Verruga que não podia flcar muito tempo sem ver, Rosinha de Olímpio era respeitada, quando ele chegava pra suas visitas as festas varavam a noite e eram rega­das com as bebidas mais finas da época, o vinho Constantlno era o preferido do anfitrião, e a sanfona bem tocada por ele é que animava o ambiente. …Leia na íntegra

Anjos de Arribação (Cordel)

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

QUANDO O AZAR FAZ MORADA

NÃO ADIANTA ORAÇÃO

PARECE PRAGA ROGADA

COM QUEM TEM PARTE COM O CÃO.

 

TÔ PENANDO JÁ FAZ TEMPO

SEM ACHAR UMA SOLUÇÃO

É CERTO QUE MEU DESTINO

TRAÇARAM DE GOZAÇÃO

 

A VACA PERDI NO BARALHO

A MULA EU DEI PRO VIGÁRIO

EM TROCA DE SALVAÇÃO

AÍ A MORTE ENCOSTOU! …Leia na íntegra

A madrinha

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 15 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tem muito tempo…, o povo ainda chamava sutiã de califon. Dona Rogaciana das Dores estava tricotando uma capa de rifle para guardar a “papo-amarelo” do finado marido quando a sobrinha correu porta adentro aos prantos. Silvelina era a sobrinha preferida de dona Das Dores, por ela a velha fazia qualquer coisa… O motivo do choro a velha já sabia: é que a sobrinha já tava passando dos “trintas” e nada de casamento. Ela era muito exigente, homem pra ela tinha que ser alto, “dotô” e “pão” (“pão” era o “gato” de hoje). Ela tava se derretendo no choro, como acontecia em todo aniversário. Era mais um ano sem casório! Foi o jeito dona Rogaciana jogar o tricô pro lado, ela não negava nada pra “menina”, e agora a sobrinha achava que só um “rezadô” podia abrir os caminhos dela, tinha certeza que era feitiço. Mesmo sendo uma católica praticante, ela não negou o pedido da sobrinha… “Coitada, as amigas já estão tudo casadas. …Leia na íntegra

Melhoral, Melhoral

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 09 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Foi no dia onze de março de 1926, a cidade estava em roupa de gala desde cedo. Mas não era pra menos, às oito horas ia ser inaugurada a “Rádio Clube de Conquista”. A festa prometia ser das boas, quem arrumou tudo foi Pedro de Condeúba, famoso na época por ser um festeiro nato. Encabeçando o programa tinha um jogo entre a seleção de Conquista e o time de Joanópolis. O povo sorria pras paredes, não era todo dia que se ganhava um presente daqueles, um clube de rádio ia evoluir o pessoal uns vinte anos, eles agora iam ficar sabendo de tudo que acontecia lá fora, agora sim entravam no século XX. Isto graças a uma “vaquinha” feita por comerciantes progressistas, foram eles que compraram o aparelho, mas já estavam precisando de um, até Jequié já tinha um! Naquele tempo o rádio era caro e difícil de obter, eram aparelhos enormes cujas antenas com mais de 30 metros tinham que ser presas em postes. Pra você ter uma ideia, a pessoa que ligava e desligava o rádio teve que fazer curso em Salvador, era o operador oficial do aparelho. Grampão foi o escolhido pra operar a máquina, só ele sabia que o botão “on” botava o bicho pra falar e que o do “off” calava o “falante”. Foi destacado um cabo e dois soldados pra zelarem pela segurança do aparelho 24 horas por dia.

Na festa ocorreu tudo bem, a banda tocou 5 hinos militares e 7 religiosos, no final emocionou os presentes tocando o Hino Nacional, o povo gostou tanto que eles repetiram 9 vezes, só pararam porque o vigário pediu a palavra, falou durante mais de uma hora, aproveitou pra lembrar que a igreja estava muito velha, 120 anos, já era tempo de derrubar e construir uma nova. O intendente também discursou prometendo uma igreja nova e uma sede definitiva para o clube de rádio. Zé Maria, técnico da Seleção de Conquista, recebeu o troféu das mãos de uma garotinha. A belíssima vitória de 17×8 sobre o time de Joanópolis ocorreu no campo das 7 Casas, a seleção conquistense usou 4-3-3 avançado, ficava só o goleiro atrás, na frente jogavam 4 centroavantes, 3 pontas-esquerdas e 3 pontas-direitas. Sana, técnico de Joanópolis, botou seu time todo na retranca. Uita foi o artilheiro, marcando 5 gols de cabeça e 9 com os pés (fora os contras).

Às oito horas da noite deu-se a inauguração, as principais famílias da terra estavam sentadas em volta do aparelho, quando um músico da banda deu um repique na caixa-clara e o operador treinado na capital entrou na sala todo no linho horizontal branco e munido de luvas de pelica, pra não causar danos ao microfone. Ligou o rádio depois de 45 minutos, microfonia conseguiu sintonizar, a plateia aplaudiu de pé. Aí então Grampão deu um show de habilidade, conseguiu sintonizar até uma rádio estrangeira, era de uma emissora argentina, um dos ouvintes lamentou ninguém saber falar inglês pra traduzir, o maestro corrigiu em cima da bucha: ele tinha certeza que aquilo era francês. As transmissões foram até altas horas da noite, toda hora que terminava uma música, o pessoal batia palmas. O povo estava maravilhado, o clube fez tanto sucesso que passou a ser ponto de encontro da sociedade local. Toda festa de respeito tinha a participação da “Rádio Clube de Conquista”.

Conta-se que na época as matinês dançantes ao som do rádio eram muito famosas, as músicas que já faziam sucesso nas capitais agradaram em cheio aos conquistenses que sempre tiveram bom gosto. Só tinha uma música que o pessoal tinha raiva porque era muito curtinha, não dava nem pra sentir o calor da dama, era uma tal de “Melhoral, Melhoral, é Melhor e Não faz Mal”.

 

Dio come ti amo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 set 2018

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Por Nando da Costa Lima

Naquele ponto de ônibus, que ficava perto da mercearia em frente ao buteco de João Galo Cego, passavam várias mulheres!… Mas só uma o atraía, – aquela “dama de preto” era a única que dava evasão a imaginação do tímido João, imaginava-a nos mínimos detalhes, também não era pra menos, tinha mais de um ano que ele desejava aquela gatona e a timidez não permitia uma aproximação, era uma tortura! O tempo passava e nada dele chegar junto, ficava só imaginando como seria e isto o fazia perder horas trancado no banheiro do buteco, chegou a perder metade da freguesia por causa desse hábito. Era daqueles que tinha vergonha até da sombra e além de ser quase cego não passava sem uma cachaça, depois de meio dia João só enxergava o vulto! Talvez aquela mulher “nem fosse essas coisas toda”, mas o tempo que ele já havia dedicado aquela musa que o deixava pisando nas nuvens, não permitia retorno. …Leia na íntegra

Cosme, Damião e Guió

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 25 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

O caruru de Cosme e Damião na casa de Dona Maria era tradicional, tinha mais de quarenta anos! Guió cresceu ajudando Dona Maria a preparar o caruru de Cosme. Ela veio morar na casa do “Dotô” ainda nova. O caruru era uma de suas festas preferidas: foi num dia de Cosme e Damião que ela conheceu Juarez, com quem casou e teve filhos e netos. Depois que ele partiu, ela se sentiu tão só que o jeito foi procurar apoio numa igreja. Esta, como sempre, a acolheu muito bem. E Guió se tornou uma irmã fervorosa, tão fervorosa que até o caruru de Cosme e Damião se tornou um ato de desrespeito ao senhor. Quando Dona Maria anunciou que dia 27 de setembro, dia dos santos meninos estava chegando, Guió começou a resmungar: “O pastor nem pode saber disso”. Mas, mesmo contrariada, devido ao respeito pela patroa, ela não teve como deixar de ajudar a mexer o caruru e o vatapá. A cada mexida que dava saía um resmungo. Dona Ilda e Vivi chegaram a avisar: “Guió, Guió, cê num brinca com Cosme”. Mas o pessoal da igreja falou que esse negócio de dar comida pra santo era coisa de candomblé. Até adorar imagem é pecado, imagina dar comida. Pastor Josebaldo tinha razão. Onde já se viu santo de barro comer?. …Leia na íntegra