Unindo Forças

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 19 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

– Pois é, seu Venâncio. Eu sou filho do deputado Osvaldo e neto do também deputado federal Osvaldo do Pé da Serra… O senhor deve conhecer.

– Ai, ai, ai…

– É o quê, seu Venâncio. Falei alguma coisa que o senhor não gostou?

– Não, meu filho, eu só tava lembrando que um dia jurei que nunca mais ia passar raiva por causa de porra de política. Tô vendo que até sem querer a gente fica retado.

– Retado por que? Meu pai é um dos homens que mais prezam a democracia, como o meu bisavô, que foi o primeiro prefeito daquela cidade que o senhor nasceu.

– Alto la, seu bisavô foi interventor de Getúlio. Prefeito é outra coisa, é o povo quem elege…

– Tanto faz, nós não podemos julgar ninguém sem ter vivido o que viveram. Interventor, prefeito… Dá no mesmo se for para o bem do povo! …Leia na íntegra

Ibicuí-BA

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 12 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

Foi numa tarde de 1947 que ele ali chegou, um lugar pequeno, carente de muitas coisas, como todo lugarejo mais distante da capital. Chegava como um presente para a região. Um médico naquela época era sinal de progresso e motivo de alegria para toda a população. Um povo simpaticamente diferente, cujo cotidiano era infestado de acontecimentos interessantes. Um lugar onde todos se conheciam e cultivavam a amizade com mais intensidade. Pessoas que por saberem do quase isolamento com o mundo exterior apegavam-se como irmãos de sangue, uma união que nem o tempo conseguia apagar. Lá nasceram quase todos os seus filhos, e talvez tenha sido ali sua verdadeira faculdade, cujas matérias amizade e respeito ficaram em nossa memória como a única forma de viver bem. Como homem e como médico, deixou-se envolver pela simplicidade dos que dele necessitavam, tornou-se um deles. Olhava-os de frente, nem por cima, nem por baixo. Uma vida compensadora, mas difícil, pois praticar medicina no interior há anos atrás exigia mais da boa vontade do homem do que da técnica de médico. A vida passava, um parto aqui, uma cirurgia ali, e na maioria das vezes essas visitas médicas eram feitas em lugares onde só se tinha acesso montado em lombo de burro, consultas que nunca foram deixadas de lado por comodismo, daí tantos amigos firmes. Homens rudes, filhos legítimos da terra cujo maior orgulho era a honestidade. Uma gente de sorriso difícil, mas de amizade sincera, um povo que sabia agradar e entendia que o respeito é algo que só se adquire através do bem. …Leia na íntegra

Era uma rapaz de quarenta e tantos anos

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

Médici ainda era presidente… Estamos na pensão de Dona Gumercinda, que era madrinha de Teodomiro. Este aproveitava o parentesco pra morar de graça em Salvador sendo mais bem tratado do que os hóspedes que pagavam… Isto é, agora nem tanto. É que o dito afilhado, há cinco anos e meio, passou no vestibular de direito. Quando estava cursando o 1º período na Universidade Federal da Bahia, era tratado como um príncipe, mas já tinha dado o tempo de ter virado advogado e ele continuava lá, um eterno universitário revoltado com o sistema e sustentado pela madrinha que agora já andava pegando no pé, achando erro em tudo que o folgado do afilhado fazia. Mas não era pra menos: cinco anos e meio e nada de diploma, todo hóspede já ficava sabendo que aquele cabeludo com jeito de hippie era o preguiçoso do afilhado da dona da pensão que fazia direito há quase dez anos… Frase grande pra quando se quer falar que o cidadão era um zero à esquerda! Mas ele já estava acostumado a ser olhado assim naquele “universozinho pequeno burguês” da pensão.

Já lá fora… ele era o cara, tinha até comido aquela hippie que vendeu uma pulseira pra Janis Joplin em Arembepe, não era todo mundo que ia ali! Tinha que ser “cabeça”. Edmara “Joplin” assumiu o sobrenome da “amiga”, dava mais charme, a rapaziada encostava pra saber “Por que Joplin?”. Aí ela caía matando. Ela era o máximo, só dava em inglês: “Fóque-me, mailove. Ai laique ferro, gudi, gudi. Ok, Ok. Not para. Ai loviiúúúú”. Teodomiro estava no meio de uma dessas paixões, e se achando o dono do pedaço. Chegava mais de duas da madrugada pra entrar na pensão sem chamar a atenção de ninguém, principalmente da dinda, que passara de fada madrinha a madrasta má. Grudava no seu pé dia e noite, aquele estrupício já devia ter voltado pra casa dos pais em Conquista, mas não, só ia visitar a família uma vez ou outra, até as férias ele passava na pensão.  Ia deixar Salvador nas férias? Tá doido?! …Leia na íntegra

Big Bang

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 29 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Segundo o poeta Affonso Manta: “Esse negócio de mulher, amigo: é caro, perigoso e divertido”.

Clemente acordou assustado e suando frio. Sua mãe, Dona Janoca, logo viu que ele tinha tido outro sonho profético… Tava virando rotina!

– Foi o quê, Clemente? Tá com cara de quem viu assombração.

– Outro sonho daqueles, mãe. Só que esse é muito sério, eu sonhei que o mundo vai explodir e que não vai sobrar ninguém pra contar história.

– Tira isso da cabeça. Desde que o mundo é mundo tem gente sonhando e profetizando que ele vai acabar…

– Mas a senhora sabe que sonho meu sempre se torna realidade. Lembra da vez que eu falei que Cholinha, a cadela de Seu Jaime, ia morrer? Lembra da vez que eu falei que Viriato ia virar a Kombi e não ia ter nada?.. E da bicheira do reprodutor de Etevaldo? Foi dito e certo, no outro dia o cavalo tava bom de tudo. Sonho meu não falha, isto sem contar com prefeito e vereador que eu sonho votando e todos se elegem. …Leia na íntegra

No tempo do ronca

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Antigamente os padres eram verdadeiros tropeiros, tinham vários animais para carregar os apetrechos pelos interiores mais íngremes fazendo de tudo que a Igreja exigia: batizados, casamentos, missas e até dando extrema unção. Eram verdadeiros heróis, davam de tudo pelo sacerdócio. É claro que tinham lá suas vantagens, mas tinham que ter, eles encaravam viagens terríveis querendo ou não, o tempo podia estar bom ou ruim, lá estavam os vigários na estrada tomando sol, chuva e engolindo poeira pra ajudar as populações mais carentes. Nesse tempo já tinha os aproveitadores que se passavam por médicos, advogados e até por padres…

O causo que vou contar é sobre um falso padre, mas este era diferente, levava tão a sério seu trabalho que já tinha vinte anos de “sacerdócio” e ninguém nunca duvidou, acho que depois de um tempo até ele mesmo acreditava que era padre. O vigário Tonico Teotônio não ficava devendo nada a padre nenhum, sabia tudo sobre religião, além de falar latim. Era um homem de estatura média, mas pesando muito mais do que sua estrutura permitia. Eram mais de 120 kg acomodados em 1,65 m. Os animais que o carregavam tinham que ser escolhidos a dedo, não era qualquer burrinho ou mulinha que suportavam aquele peso. O vigário comia por quatro pessoas adultas, e os moradores dos povoados sabiam e já ficavam preparados para as visitas do reverendo. Engordavam galinhas, porcos, carneiros, etc., tudo que agradava um bom de garfo. Muita gente garantia que o Vigário comia um quarto de leitoa sozinho e ainda “matava” uma rapadura de sobremesa.

E foram esses excessos que desenharam a tragédia envolvendo o padre Tonico. Ele simplesmente desapareceu, isto é, muita gente viu que ele caiu numa fossa. É que naquele tempo as privadas eram artesanais. Faziam um buraco no chão que era coberto com tábuas, e no meio era feito uma abertura para que as pessoas fizessem suas necessidades. Geralmente ficavam separados da residência, era um cômodo a parte. Tinha vários nomes: casinha, bate-pronto, cagadô, etc. Com o tempo, quando o buraco estava quase cheio, eles mudavam a “casinha” de lugar e terminavam de entupir o buraco com terra. E foi depois de comer duas galinhas e um espinhaço de bode que o vigário Tonico sentiu vontade de usar o “cagadô”, só que as tábuas estavam já frágeis, e na hora que o padre entrou o piso desmontou e ele caiu no buraco (fossa).

Era um “bate-pronto” de pensão e esses eram bem mais fundos para atender a grande demanda, o padre sumiu no meio das merdas. Os moradores revezaram pra ver se encontravam o falso vigário, cutucaram com varas durante uma tarde inteira e nada de tocar no corpo do afogado. Aí resolveram que tinham que esvaziar a fossa pra recuperar o corpo, o jeito era tirar de lata… Foi uma trabalheira doida, os voluntários quase desmaiaram quando viram que o corpo não foi encontrado mesmo depois do “cagadô” esvaziado, só acharam a batina e o sapato. Três beatas gritaram de vez: “Foi um milagre, dois anjos levaram o vigário pra ele não ser lembrado como o padre que morreu afogado em merda”. Aí todo mundo foi na onda, só podia ter sido um milagre mesmo. O povo se reuniu e fez uma capela onde era o “cagadô”, o bispo ficou sabendo e mandou derrubar imediatamente. Foi aí que veio à tona que o padre era falso.

As paróquias se movimentaram e comprovaram que nenhum seminário teve um aluno com aquele nome: Tonico Teotônio Terêncio. Mesmo assim, as beatas mais fanáticas não desistiram do milagre nem dos anjos, afinal, mesmo o homem não sendo comprovado como vigário, era gente de Deus e se dedicou muito às regiões carentes de padres… Apesar de a Igreja contestar o falso padre e mandar derrubar a capela, o povão não deixou de acreditar no milagre. Só Seu Miltão, que era ateu e inimigo de chapéu batido de Tonico, analisou o fato de outra maneira: “Não aconteceu nada demais, o homem simplesmente voltou às origens…”. Mas na realidade, Tonico simulou o acidente ao saber que a Igreja ia desmascará-lo e fugiu pra São Paulo, onde viveu muitos anos como “médico”.

A baleia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 15 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Eu nem cheguei a ver esta baleia, acho que nem era nascido, mas escutei meu pai e Zé Pedral comentando e dando risada deste fato, e a tal exposição realmente existiu…. Foi numa época em que a Pituba ainda era estação de veraneio para os moradores de Salvador. Aconteceu que uma baleia encalhou nas praias da Pituba e acabou morrendo. Pra quem morava na beira do mar, a baleia só chamou a atenção por alguns dias, foi muita gente ver o animal encalhado, mas na visão de um empresário e empreendedor aquilo era uma mina de dinheiro. Belmiro teve a brilhante ideia de colocar a baleia na carroceria do seu caminhão e entrar pelo interior mostrando o bicho para o pessoal que nunca tinha visto um “peixão” daqueles, ia encher os bolsos de grana. Investiu pesado: comprou a lona de um circo que quebrou em Sergipe, tinha que cobrir o caminhão e a baleia, senão quem iria pagar ingresso? Causaria impacto em muita gente que nunca tinha ido ao litoral e nem imaginava que chegaria a ver o maior dos animais do planeta sem sair do interior. Ele começou sua jornada para mostrar o “Monstro dos Mares” pelo interior da Bahia, seu plano era chegar até o norte de Minas e quem sabe até Belo Horizonte, só que ele esqueceu de um pequeno detalhe: baleia também apodrece!

Em Feira a bicha já tava cheirando mal, mas dava pro pessoal encostar. Quando chegou em Jequié o fedor já espantava gente, ainda assim dava pra expor. Parou em Poções só pra remendar a “bichona”, usou pedaços de lona para tampar os buracos que já apareciam com a decomposição. Teve até um poeta de lá que escreveu um verso que ficou famoso na época: “A BALEIA NADA, NADA, NADA, NADA E NADA…”. (E olha que nessa época nem se falava em minimalismo). Quando chegou aqui em Conquista já tava com um cheiro insuportável, mas mesmo assim foi exposta na Praça da Bandeira.  Fedeu a cidade toda, o prefeito mandou Belmiro ir embora com aquilo no mesmo dia, o cheiro tava de matar. Quando chegou em Minas a polícia o obrigou a voltar ou a dar fim naquela coisa tão fedorenta, foi o jeito enterrar a baleia. O dinheiro que ganhou foi todo embora com a empreitada pra cavar um buraco e enterrar o animal. Só ficou o apelido: Belmiro Peixe Podre.

Só não sei exatamente onde foi o enterro, mas foi até bom escrever isso pra servir de alerta: se por acaso algum arqueólogo encontrar a ossada da baleia que foi enterrada no norte mineiro, não vá deduzir que aquilo é uma prova concreta de que Minas já teve mar. Foi só um empreendimento que não deu certo. Se você conquistense tiver algum parente beirando os noventa, pergunte pela baleia. Dr. Ruy Medeiros, que é historiador, deve saber desse causo mais detalhadamente, deve até ter tirado uma fotografia da “baleiona”…

Clarivaldo Trincheira

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 08 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Quem viu tudo foi seu Pedro, apesar dos seus 97 anos e as vistas curtas o seu depoimento era a única pista da polícia. O velho foi testemunha ocular de um crime: ele só sabia que o matador era pequeno. A polícia prendeu uma cacetada de baixinhos, mas foram todos liberados por falta de provas. As investigações continuaram com a prisão de um anão fisioterapeuta, mas este tinha o álibi que nesse dia estava massageando a coluna de Abinal na Rua da Granja. Passou o dia todo friccionando a região lombar do butequeiro, muita gente viu. A polícia arquivou o caso e a família do morto apelou para Clarivaldo Trincheira, investigador profissional e competente formado por correspondência cujo único defeito era não gostar de tomar banho. Tava ruim pra Clarivaldo, um caso simples pra sua capacidade e ele dependendo de uma testemunha quase inválida. Pegou o endereço da vítima e partiu na sua Rural afim de achar uma pista mais nítida. …Leia na íntegra

O aniversariante

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 03 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

A família tava toda curiosa, é que um tio que morava no Paraná há mais de 50 anos resolveu que tinha que comemorar seus 85 anos aqui em Conquista, sua terra natal. Dos parentes daqui a maioria nem tinha conhecido Tio Norberto, só Dona Beatriz, três anos mais nova que o visitante, conheceu pessoalmente o parente que estava retornando. Ela chegou a comentar com os filhos, netos e bisnetos: “O que aquele traste vem fazer aqui, aquilo já era chato quando novo, imagina agora! ”. O pessoal não levou a sério, Dona Beatriz implicava muito com os parentes. Seu Norberto, apesar da idade, ainda estava lúcido e forte, segundo os primos do Paraná. Isso já era um conforto para os daqui, pelo menos não iriam ter que tomar conta dum velho caindo pelas tabelas durante um mês, tempo que ele mesmo determinou que passaria na terra do frio… A família foi recebê-lo no aeroporto no dia marcado, e ele foi o último a descer do avião, acompanhado por dois funcionários da empresa aérea. …Leia na íntegra

Fogueiras e bandeirolas

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 17 jun 2017

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Por Nando da Costa Lima

A rua já estava toda decorada 24 horas antes da véspera da noite de São João, o pessoal da Granja sempre gostou de forró, todo mundo colaborava para o sucesso da festança, era bom demais! A gente bebia e comia tudo que tinha direito e não gastava quase nada. Tinha fogueira de todo jeito, só dependia do bolso do festeiro. Mas nem que fosse uma fogueirinha de nada, tinha que ter. Só que teve um São João que a alegria foi quebrada com um problema seríssimo: é que escolheram a maior e mais ornamentada fogueira da rua e deram uma cagada tão descomunal que parecia que tinham jogado de pá. O pessoal ficou na dúvida se era de gente ou de algum extraterrestre cagão. Do jeito que ficou, nem pegar fogo ela ia pegar. Não dava pra secar até o dia 23 (isto aconteceu um dia antes). E o safado além de fazer o serviço pesado ainda usou uns 10 metros de bandeirolas pra se limpar. O dono da fogueira era muito conhecido pois adorava festa e era um cabo eleitoral fortíssimo, vereador que ele apoiava podia se considerar eleito! …Leia na íntegra

Politicamente incorreto

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 03 jun 2017

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Por Nando da Costa Lima

Tudo era festa na vida do prefeito Onorino Pranchão e de seus seguidores. Ninguém incomodava nem se metia na administração da velha raposa política. Já tinha tentado morar em Brasília diversas vezes, mas nunca conseguiu os votos suficientes para se eleger, sua região mal fazia um deputado estadual! Devido a esse pequeno problema, Onorino apesar de se julgar um gênio político, nunca conseguiu destaque além de seus domínios. Como vereador se destacou com um projeto para racionamento de água, lançou a campanha “Só dê descarga em serviços pesados”. Ele achava um desperdício dar descarga em mijo. Por isso o velho político estava se despedindo da vida política como prefeito de sua terra natal, ali ele podia descansar sem a interferência dos abelhudos da esquerda. Estava coberto: os veículos de comunicação pertenciam aos seus parentes, dali não saía uma vírgula contra a sua administração. Como a equipe de funcionários era composta só por parentes ele, para evitar burocracia, recebia o total e distribuía as mesadas. Nunca ninguém reclamou… aliás, teve Nôzim que achou ruim, mas logo foi transferido da Secretaria de Saúde para a portaria do cemitério. Depois disso ninguém nunca mais fez queixa da mesada. Onorino era um homem de poucas palavras, gostava mais de refletir… Teve uma vez que invocou que foi um grande líder numa encarnação passada, se impressionou tanto com isso que resolveu ir fazer uma consulta esotérica na capital, recorreu à hipnose para voltar a vidas passadas. Ninguém teve acesso ao resultado final, mas segundo as más línguas, depois de hipnotizado Onorino começou a relinchar e quebrou o consultório todo no coice. Isso eu não sei se é verdade… só sei que o jornal da cidade deu o furo dizendo que o prefeito tinha amansado o cavalo de São Jorge em vidas passadas. …Leia na íntegra

Conquista é poesia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 27 maio 2017

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Por Nando da Costa Lima

Conquista é uma poesia, mas para entender seus versos, é preciso conhece-la. Não é uma poesia comum que a gente lê de bate-pronto, entende e torna a esquecer. Ela é leitura difícil que exige mil artifícios para poder compreender, mas depois de assimilada é impossível esquecer. O seu passado é poesia, mesmo quando veio a fome (seca de 1899) a salvação foi em versos, ela veio com as pombas… O povo já estava desesperado, não havia mais recursos, a fome era vigente. De um dia para o outro milhares de pombas invadiram a Serra do Periperi, fizeram dali um ninho e os ovos por elas produzidos foram a salvação da população carente. As pombas só se foram da serra depois que a chuva voltou a molhar o sertão.

Conquista é poesia, para lê-la é preciso paciência, seus versos surgem aos poucos… Na política houve poesia… Nos idos de 1919 nossa gente estava em pé de guerra pela luta ao poder. Os coronéis é que mandavam, mas quem falou mais alto foi a poesia que se incorporou na parteira Laudicéia Gusmão. Ela pegou um rifle papo-amarelo, um instrumento dos coronéis, pendurou um lenço branco na ponta, atravessou a rua principal, reuniu os coronéis responsáveis pela luta e exigiu PAZ, evitando uma tragédia de grandes proporções.

Tenho para mim que um dia a poesia Mongoió vai se destacar. É que ela é meio lenta, não sei se por culpa dos órgãos culturais ou se é o tempo que aqui demora a passar. Mas um dia, tenho certeza, todo mundo vai saber que aqui viveu Maneca Grosso, um poeta genial que viu Conquista “Do Cimo do Morro da Tromba”. Viu e sentiu como ninguém, e quando o cito como pacifista é porque julgo que só um homem de paz responderia em versos a surra que lhe causou a morte. Conquista é terra de poetas: Camilo, Íris Silveira, Jesus Gomes, grandes poetas! Conquista é tão mágica que quem por aqui passa, sempre volta. Nosso principal ponto turístico é a personalidade de nossa gente, nós sabemos agradar de acordo o agrado. Aqui não se dá o outro lado da face para ser esbofeteada, e tenho certeza que Cristo entende essa nossa atitude. É que aqui é muito frio, e se um tapa de um lado já dói, imagine receber dois tapas! Gosto tanto de Conquista que às vezes sinto falta até das coisas que não vivi, como o “Magassapo” poeticamente descrito por Camilo, ou o “Velho Mulungu” que levou o poeta Erathóstenes Menezes a dedicar os versos que se tornaram antológicos em nossa literatura (Nem o poeta nem o pé de Mulungu são de Conquista, mas a inspiração de Toti é genuinamente Conquistense): “Buscando a tua sombra, a evocar o passado, a ti eu me comparo, amigo abandonado. Tu já não tens mais vida –  eu já não canto mais”. 

Conquista é poesia… ela é tão sensível que todo fim de tarde seu céu fica corado de saudade pelo dia que se foi.

O gigante adormecido

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 maio 2017

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Por Nando da Costa Lima

 


Este causo aconteceu num tempo em que ainda não se vendia tesão nas farmácias…

Abdias saiu arrasado do Magassapo, nem a saideira que costumava beber no puteiro ele tomou. Tava nervoso e cabisbaixo. A “moça” até tentou dar uma força mandando ele se acalmar, aquilo era normal, outro dia ele voltava e quem sabe o seu gigante adormecido reagia. Isso o deixou mais retado ainda, fez ela jurar que não ia contar pra ninguém, pagou até mais do que o combinado praquele segredo jamais ser revelado. Caso ela contasse seria o fim de sua fama de bom de cama. Ele chegou empolgado ao Magassapo, ficou sabendo lá no Departamento que tinha uma nova beldade de fora que levantava até defunto. Teve que inventar uma desculpa bem convincente pra que Dona Filomena nem desconfiasse que ele ia passar a noite no brega pra conhecer a novidade e manter sua fama de garanhão. Falou pra esposa que ia dormir na casa do patrão pois este tinha viajado a negócio e não podia deixar a casa sem ninguém. A esposa acreditou na hora, sabia que ele era o homem de confiança do patrão, o único que o Dr. Confiava em deixar a chave da casa. A mentira colou bem. …Leia na íntegra

Conquista transcendental

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 29 abr 2017

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Por Nando da Costa Lima

Passam vários santos em nossas vidas… pessoas que enxergam em nós o que nunca conseguimos ver. Anjos, santos e querubins que quando não tinham em quem se apoiar eram taxados de loucos, putas ou bandidos. Para ser conquistense não é preciso nascer aqui, basta se apaixonar pela cidade. Tem muito cidadão parido aqui, mas felizmente não é daqui. Contudo, ninguém tem culpa de não poder transcender. Convivi com muita gente acima da média, tão acima que chegava a disfarçar… Um disfarce tão perfeito que eu só vim ver mais nitidamente agora, já começando a descer a ladeira. Conheci grandes poetas que nunca escreveram um verso, convivi com escritores que nem sabiam ler, mas eram tão geniais que bastava assimilar suas ideias para entrar no enredo de seus versos e histórias.

Conquista é linda graças à energia desses anjos que por aqui sempre andaram sem nem serem notados, tão apaixonados por nossa cidade que até quando partem deixam toda a energia positiva pairando na terra do frio. De vez em quando eu vejo um passar voando. Nossa Conquista tem a magia de atrair estas legiões que preferem sobreviver no “anonimato”, criando, ajudando, fazendo de tudo para agradar a quem, como eles, amam esta terra. Indiferentes aos que se sentem melhores, que olham de cima pra baixo, sendo que eles que sabem até voar só olham as pessoas de frente. Mas não quero falar do outro lado, estou falando dos anjos, santos e querubins que habitam Vitória da Conquista desde sua fundação… Espíritos livres… Gente! Descendentes diretos de uma santa caatingueira que se apaixonou por um índio mongoió que morava no Poço Escuro e sabia voar.

Política…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 22 abr 2017

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Por Nando da Costa Lima

Ano que vem nós vamos ter que voltar às urnas, isso se sobrar alguém solto. Mas eles sempre dão um jeito… Geralmente só sobra para os “bois da piranha”, com os caciques a coisa é diferente. É até capaz de a Lava Jato ir por água abaixo.

Existe aquele político que nessa época torna-se o mais humilde dos homens. Tem aquele que promete até o que não tem. Uns ficam puritanos, outros rasgadamente liberais. Alguns tornam-se espiritualistas, tem até aquele que toma scoth o ano inteiro mas ao aproximar-se das eleições torna-se bebedor e conhecedor de pinga pura, e como vocês sabem, a cachaça é um dos três dos maiores cabos eleitorais do País. Os outros dois, apesar de competentíssimos na arte de conseguir votos, perdem de longe pra “pinguinha”, são eles: cerveja e jurubeba. Na caça ao voto tudo é permitido. e eu acho natural desde quando os caçadores eleitos (perdão, candidatos) desenvolvam um trabalho sério a favor do meio que o elegeu. Sabemos que existem pessoas bem-intencionadas, que submetem-se até perder o prestígio adquirido ao longo dos anos apenas com a finalidade de servir, digo isso porque é natural na política um “Sacana” subir num palanque e arrasar com a vida particular de um homem íntegro, apenas por ser um adversário político. …Leia na íntegra

A amiga de Janis Joplin

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 15 abr 2017

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Por Nando da Costa Lima

Nessa época a pátria ainda usava coturno… O poeta colocou o traje padrão: bota indiana da Barroquinha, calça boca de sino, chinelo e bolsa tiracolo de couro. Forrou o estômago com uma porção dobrada de arroz integral, fumou um baseado, tomou três cachaças no espanhol e engoliu três comprimidos de anfetamina, que na época era moda aos universitários revoltados com o sistema. Só queria viajar e encontrar Esmeralda, uma hippie velha que ficou famosa por ter vendido e amarrado uma pulseira no braço de Janis Joplin quando esta passou por Arembepe. Depois desse contato de minutos transformou-se na amiga de Janis. Todo mudo queria comer a hippie que era amiga de Janis. Era como entrar pra história… Pegou o ônibus Graça-Praça da Sé e na primeira curva sentiu a vista turvar. No corredor da Vitória o pesadelo começou, só agüentou chegar ao Campo Grande, o comprimido fez efeito rápido. Pulou pela janela do ônibus em movimento. Achou que estava cercado pelo Dops e o exército ao mesmo tempo. Foi salvo pela estátua do Caboclo que o aconselhou fugir logo pra casa da amiga de Janis e esperar o efeito passar. Era o sistema… Sorriu dos que dele sorriam e do amontoado de cacos d’uma sociedade avessa ao que imaginava. Continuou sonhando, continuou poeta, continuou fugindo…

“Ama, bebe e CALA. O mais é nada”

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 08 abr 2017

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Por Nando da Costa Lima

Quando a gente entrava em casa bêbado e tomando cuidado pra não chamar a atenção do “velho” e o encontrava roncando em frente à televisão ou talvez fingindo que estava dormindo pra não ter que suportar prosa ruim de biriteiro, tinha a impressão de que ali estava um homem com a verdadeira sensação de missão cumprida… Mas hoje vemos que estávamos redondamente enganados, acho que ninguém parte com a sensação de ter feito tudo que queria na vida, só os mentirosos. Somos todos ventilados por aquele poema de Borges que quando lemos ainda jovens achamos que podemos mudar o rumo da História, mas 20 ou 30 anos depois vamos notar que nem andamos pelo mundo, quando muito demos foi uma voltinha. Passamos a nos sentir solitários mesmo quando acompanhados, nos sentindo como profissões que hoje já nem mais existem, como telefonista, professor de datilografia, datilógrafo, etc. É uma porra se sentir obsoleto mesmo ainda tendo pique pra jogar várias partidas. É assim que me sinto, estou com quase sessenta anos e acho que não fiz quase nada e que já não tenho tempo pra fazer o que gostaria. …Leia na íntegra

Por favor

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 abr 2017

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Por Nando da Costa Lima

É natural: todos nós já fizemos um favor ou fomos favorecidos por alguém. A nossa sociedade é uma cadeia de favores, e isso torna difícil a vida dos que não têm nada para oferecer. Isto é natural em qualquer país, só que aqui as coisas são mais acentuadas. Tanto é que se você não tiver muito pra dar (materialmente), corra de favores, pois estes só irão lhe atrapalhar.

O brasileiro (99,9%) é muito prestativo, desde quando haja retribuição e essa retribuição seja de uma forma direta, ou seja, se você faz um favor a alguém, este alguém só te retribui à altura. Não adianta mandar ninguém receber pagamento de favor, se o fizer você perde dois amigos, o pagador e o agraciado. O primeiro recebe mal, afinal ele deve um favor é a você. O segundo se dá mal, pois é atendido da forma mais descortês possível. E isso é natural para o brasileiro, tem gente que até aceita. Imagina você precisar ser operado e o médico responsável estiver pagando um favor ao patrão de um amigo do tio de sua ex-mulher? Se for seu caso, escute um conselho de amigo e deixe essa operação pra lá.

Mas o favor faz parte da cultura brasileira, tem até seu ponto positivo: nós somos conhecidos como um dos povos mais hospitaleiros do mundo, e a hospitalidade não deixa de ser uma forma de favor. Aqui no Brasil a classe mais pobre é mais sincera quando se trata de “pagar favor”, são os únicos que dividem o pouco que têm. Talvez já o fazem pensando numa possível retribuição. A classe média usa o favor como “status”, ela é prestativa desde quando seus préstimos sejam anunciados pelos quatro quantos, pois ter fama de bonzinho pra nós daqui é “status”. De rico eu não entendo muito, mas é uma classe interessante: só faz favor a quem não precisa. …Leia na íntegra

A carne é fraca

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

Parece que estão querendo que a Polícia Federal passe anos se dedicando a descobrir abusos e no final fique calada. É claro que o povo brasileiro deve ser informado de tudo que depois de investigado já se tenha certeza.

O problema da carne brasileira, quem mais sabe que pra nós sobra o que há de pior somos nós mesmos. Nenhum país iria importar um produto perecível sem investigar a condição em que este é cultivado até a sua entrega pronta para o consumo. Se houve algum problema com a notificação da Polícia Federal, este foi causado por outros países que buscam ganhar o seu quinhão na exportação da carne bovina.

O nosso maior problema é aqui, aí sim a fiscalização é falha e corruptível (claro que existem exceções). Mas quanto ao resto do mundo que consomem nossos produtos, é quase impossível que haja algo de errado, pois eles investigam tudo e só consomem quando há absoluta certeza que o produto é comestível.

A maioria tem técnicos analisando a mercadoria aqui dentro das nossas indústrias. Quem mais sabe que a nossa carne é de primeira qualidade são os importadores, e talvez até saibam que os exportadores brasileiros sempre deixam o pior para o consumo interno. Mas não cabe eles dar tais informações, isso diz respeito aos nossos órgãos fiscalizadores, que quando nos alertam sofrem logo uma crítica. Se um delegado federal anuncia que tem alguma coisa comprovadamente errada, ele é logo taxado de midiático.

E não é nada disso, ele está apenas cumprindo o seu dever. Na carne consumida no Brasil nós vamos encontrar muito nitrito, nitrato, papelão, bactérias, etc. Mas na carne que vai para o exterior, nada disso será encontrado. E isso não ocorre só com a carne, estou falando dela porque é o que está em questão atualmente, mas tudo que produzimos de melhor para o consumo, não somos nós que consumimos (infelizmente).

Agora que o país está tentando se equilibrar punindo os corruptos e corruptores com gente do primeiro escalão sendo preso pela Lava-Jato, tem muito produtor levando a coisa mais a sério. Sendo assim, não podemos deixar que a classe política caia de pau em cima da Polícia Federal por causa desse problema da carne. Se formos engolir essas críticas dos políticos estaremos de certa forma enfraquecendo a Lava-Jato, pois aí os batalhões de advogados especialistas em defender corruptos irão simplesmente argumentar que, se há corrupção, é por que a carne é fraca… Se colar, adeus Lava-Jato.

A cachaça e o conquistense

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

Que o conquistense, na maioria, gosta de um buteco, isto ninguém pode negar. E é buteco daqueles que vende pão, pinga, vela e sardinha. Pra nós cerveja desce melhor quando é tomada no pé do balcão, de preferência numa esquina. Todos sabem que o que aqui se faz, aqui se paga, só que em Conquista esta profecia se realiza com mais rapidez. Acho que por isso ninguém fala da cachaça do próximo, pois é só falar e no outro dia ou o filho, ou o marido, ou a mulher aparece bêbado e aprontando. Os mais místicos defendem a tese de que a cachaça do conquistense é proveniente da chacina que fizeram com os índios há séculos atrás – embebedaram os índios e depois mataram todos -, só que na minha opinião os espíritos do índios que foram mortos aqui não dá pra encarnar nem na metade dos pinguços da terra.

Em outros lugares o pessoal curte os bares à noite, como aqui são raríssimos os que ficam até a madrugada, o jeito é ficar bebendo durante o dia, tanto é que os acontecimentos que marcaram a vida boêmia da cidade ocorreram de manhã até a tarde, é a famosa cachaça diurna. Tem biriteiro que acorda 5 da manhã, fica tremendo até as sete na porta do buteco, na hora que abre você nota o ar de felicidade no rosto do cidadão. …Leia na íntegra

Esporte Clube Desbotado

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

O frio tava de lascar, mas Sílvio tinha que tomar aquele banho de cuia na única pensão que ele achou disponível, não podia se apresentar ao presidente do time sujo daquele jeito. E afinal de contas, mesmo sendo um time de 3ª divisão, ele era um profissional e foi contratado pra ajudar a melhorar aquele clube, era um goleador. Sílvio já estava com 40 anos (mas falava que tinha 34) e nunca tinha feito nada na vida a não ser jogar bola. E apesar da idade um pouco avançada, ele nem sonhava em pendurar as chuteiras, se fizesse isso ia ter que virar morador de rua pois além de nunca ter estudado, não sabia trabalhar com nada. Seu melhor momento como jogador foi quando tinha 18 anos e conseguiu jogar 10 minutos num time grande do Sul onde ele chegou a treinar. Desse dia pra cá ele jogou em vários times, mas nunca conseguiu se firmar em nenhum, a bola era pequena e a arrogância enorme. Se achava um craque perseguido pelos cartolas. …Leia na íntegra