Toda árvore é mística

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 18 maio 2019

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Por Nando da Costa Lima

A conversa foi entre Osmundo Patureba e seu sobrinho Wanderval Colibri. Ele tava fazendo de tudo pro rapaz entender que aquela árvore era uma figueira e não uma gameleira… É que ambos eram lobisomens, e Patureba tava explicando ao sobrinho que ele tinha que debutar (virar lobisomem pela primeira vez) debaixo de uma gameleira preta, num local em que uma jega tinha parido. Isso era uma lei para lobisomem nordestino. Lobisomem americano é outra coisa, transforma até em banheiro público, a química é totalmente diferente.

O tio de Colibri já estava ficando retado, o rapaz estava irredutível: sua primeira transformação tinha que ser na figueira da Olívia Flores, era mais chic! E ainda esnobou o tio dando uma aula de geografia, disse que aquela figueira centenária fica exatamente na linha em que a caatinga beija a mata. Sendo assim, qualquer árvore que nasce nessa linha pode ser considerada mágica para lobisomens e outros tipos de livusias. A figueira fica em frente ao supermercado G. Barbosa que, apesar de forasteiro, se prontificou a proteger a velha árvore. Conquista agradece.

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Dívidas por dívidas

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 30 mar 2019

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Por Nando da Costa Lima

Quando Teotônio chegou a Salvador com três malas de couro de seu recém-lançado livro “Dívidas por Dívidas”, tinha quase certeza que ali as coisas correriam bem. Os dois primeiros lançamentos haviam fracassado (um em Pernambuco e o outro na Paraíba), segundo ele, o povo dali estava engatinhando culturalmente. Neste terceiro lançamento ele resolveu deixar tudo por conta de um primo, sua obra seria bem melhor representada por um jovem estudante, aquele trabalho futurista teria bem mais saída sendo apresentado por gente nova. Deixou os 480 volumes na mão de Miranda e voltou pra Santo Amaro. Ficou resolvido que assim que os livros fossem vendidos o dinheiro seria enviado.

O estudante se sentiu nas alturas ao receber aquela incumbência, um escritor deixar sob sua responsabilidade toda sua obra, ele tinha que caprichar no lançamento! A primeira tentativa de lançamento foi na escola, não vendeu nenhum, mas estudante nunca teve dinheiro mesmo! Da segunda vez ele bolou um plano que não podia falhar, deu um almoço festivo e relançou “Dívidas por Dívidas”. Deu sorte que uma senhora derramou uma caneca de vinho numa pilha de livro e melou sete, o marido fez questão de pagar! Depois disso o estudante fez mais quatro tentativas, lançou até num jogo de futebol entre casados e solteiros, só vendeu um! Na falta da moeda para tirar cara ou coroa, usaram um livro que foi pisoteado pelos perdedores. Cansado de fracassar nos lançamentos, resolveu colocar a obra de Teotônio em exposição nas livrarias, assim ficaria mais aliviado daquele fardo. Percorreu todas as casas especializadas em livros da cidade, ninguém quis ficar com nada, a sorte foi que uma grande livraria cujo dono era muito amigo do seu pai resolveu dar uma força, o rapaz deixou logo os 472 volumes restantes na mão do gerente. Agora era torcer para que o livro tivesse saída e ir receber o dinheiro, a livraria tinha experiência com esse tipo de coisa, e mesmo que não vendesse ele tinha se livrado de ficar olhando praquela pilha de livros todo santo dia!

O tempo ia passando e nada do livro sair, quando o estudante botava o pé na porta da livraria os funcionários gritavam em coro “Lá vem o Dívidas por Dívidas”. Com o tempo ele desistiu de ir, mandava os colegas, mas as respostas eram sempre as mesmas. “Dívidas por Dívidas” era o maior encalho da história da casa, da última vez que perguntaram o gerente falou que só tava esperando o dono aparecer para devolver aquela merda.

Um dia acordou com uma boa notícia, uma grande livraria da rua Chile tinha pegado fogo, era a do amigo do seu pai que tinha ficado com os 472 volumes do livro. Não tomou nem café, correu pro local do incêndio e quando viu que não tinha sobrado nada deixou correr uma lágrima de alegria pelo rosto, só assim pra ele vender aquilo! O dono da loja reconheceu o filho do amigo e ficou sensibilizado com a tristeza do rapaz por ter perdido os livros no incêndio, consolou o rapaz prometendo pagá-lo o mais rápido possível. O estudante saiu dali direto pro correio, ia telegrafar para o primo escritor dando a boa notícia que um único revendedor ficou com os 472 livros. Foi pra casa aliviado, tinha resolvido um problema que tava lhe incomodando, toda semana o primo escrevia perguntando pela vendagem do livro. Agora era só esperar o pagamento e remeter para Santo Amaro.

Ele ainda estava tomando café da manhã na cozinha quando vieram lhe avisar que o dono da livraria estava na sala à sua espera. Ficou todo contente, o homem teve pressa de pagar! Mal tinha engolido o café e saiu para receber o dinheiro tão esperado, mas quando chegou na sala quase morreu de desgosto, o livreiro tinha ido entregar os 472 volumes intactos de “Dívidas por Dívidas”, os únicos livros que milagrosamente escaparam do incêndio…

Só depois de encontrar um exemplar de “Dívidas por Dívidas” com uma dedicatória feita em 1939 e saber de sua história é que vim entender porque aquele médico contador de causos nunca quis ser escritor.

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No tempo de Piolho e Naldo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 ago 2018

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Banner marcelo santana

Por Nando da Costa Lima

Tem gente que é persistente! Pro sujeito viver de futebol no interior da Bahia, no final dos anos 60 pro início da nova década, era um sufoco. Bota sufoco nisso! Eu falo porque sou testemunha, eu vi o Conquista Futebol Clube na sua melhor fase! Nós tínhamos craques que podiam jogar em qualquer grande time do país. É sério! Era um timaço: Wesley, Neves, Ticarlos, Wellington, Naninho, Naldo, Agra, Isac, Piolho, Vitor, Jurandir, Juracy… Piolho e Naldo faziam a festa pra torcida, eles eram habilidosos e jogavam um futebol elegantíssimo, eles faziam a diferença! É claro que toda a equipe era formada por jogadores de alto nível, mas do meio de campo pra frente, se deixasse Piolho chutar, ficava difícil pro goleiro. Foi esse time que contratou o prof. José Maria Areias como treinador. Se naquele tempo a carreira de jogador já era difícil, imaginem a de técnico, era bem pior! Ele tinha que ser treinador, amigo, pai, mãe, psicólogo… …Leia na íntegra

Ibicuí-BA

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 12 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

Foi numa tarde de 1947 que ele ali chegou, um lugar pequeno, carente de muitas coisas, como todo lugarejo mais distante da capital. Chegava como um presente para a região. Um médico naquela época era sinal de progresso e motivo de alegria para toda a população. Um povo simpaticamente diferente, cujo cotidiano era infestado de acontecimentos interessantes. Um lugar onde todos se conheciam e cultivavam a amizade com mais intensidade. Pessoas que por saberem do quase isolamento com o mundo exterior apegavam-se como irmãos de sangue, uma união que nem o tempo conseguia apagar. Lá nasceram quase todos os seus filhos, e talvez tenha sido ali sua verdadeira faculdade, cujas matérias amizade e respeito ficaram em nossa memória como a única forma de viver bem. Como homem e como médico, deixou-se envolver pela simplicidade dos que dele necessitavam, tornou-se um deles. Olhava-os de frente, nem por cima, nem por baixo. Uma vida compensadora, mas difícil, pois praticar medicina no interior há anos atrás exigia mais da boa vontade do homem do que da técnica de médico. A vida passava, um parto aqui, uma cirurgia ali, e na maioria das vezes essas visitas médicas eram feitas em lugares onde só se tinha acesso montado em lombo de burro, consultas que nunca foram deixadas de lado por comodismo, daí tantos amigos firmes. Homens rudes, filhos legítimos da terra cujo maior orgulho era a honestidade. Uma gente de sorriso difícil, mas de amizade sincera, um povo que sabia agradar e entendia que o respeito é algo que só se adquire através do bem. …Leia na íntegra

No tempo do ronca

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Antigamente os padres eram verdadeiros tropeiros, tinham vários animais para carregar os apetrechos pelos interiores mais íngremes fazendo de tudo que a Igreja exigia: batizados, casamentos, missas e até dando extrema unção. Eram verdadeiros heróis, davam de tudo pelo sacerdócio. É claro que tinham lá suas vantagens, mas tinham que ter, eles encaravam viagens terríveis querendo ou não, o tempo podia estar bom ou ruim, lá estavam os vigários na estrada tomando sol, chuva e engolindo poeira pra ajudar as populações mais carentes. Nesse tempo já tinha os aproveitadores que se passavam por médicos, advogados e até por padres…

O causo que vou contar é sobre um falso padre, mas este era diferente, levava tão a sério seu trabalho que já tinha vinte anos de “sacerdócio” e ninguém nunca duvidou, acho que depois de um tempo até ele mesmo acreditava que era padre. O vigário Tonico Teotônio não ficava devendo nada a padre nenhum, sabia tudo sobre religião, além de falar latim. Era um homem de estatura média, mas pesando muito mais do que sua estrutura permitia. Eram mais de 120 kg acomodados em 1,65 m. Os animais que o carregavam tinham que ser escolhidos a dedo, não era qualquer burrinho ou mulinha que suportavam aquele peso. O vigário comia por quatro pessoas adultas, e os moradores dos povoados sabiam e já ficavam preparados para as visitas do reverendo. Engordavam galinhas, porcos, carneiros, etc., tudo que agradava um bom de garfo. Muita gente garantia que o Vigário comia um quarto de leitoa sozinho e ainda “matava” uma rapadura de sobremesa.

E foram esses excessos que desenharam a tragédia envolvendo o padre Tonico. Ele simplesmente desapareceu, isto é, muita gente viu que ele caiu numa fossa. É que naquele tempo as privadas eram artesanais. Faziam um buraco no chão que era coberto com tábuas, e no meio era feito uma abertura para que as pessoas fizessem suas necessidades. Geralmente ficavam separados da residência, era um cômodo a parte. Tinha vários nomes: casinha, bate-pronto, cagadô, etc. Com o tempo, quando o buraco estava quase cheio, eles mudavam a “casinha” de lugar e terminavam de entupir o buraco com terra. E foi depois de comer duas galinhas e um espinhaço de bode que o vigário Tonico sentiu vontade de usar o “cagadô”, só que as tábuas estavam já frágeis, e na hora que o padre entrou o piso desmontou e ele caiu no buraco (fossa).

Era um “bate-pronto” de pensão e esses eram bem mais fundos para atender a grande demanda, o padre sumiu no meio das merdas. Os moradores revezaram pra ver se encontravam o falso vigário, cutucaram com varas durante uma tarde inteira e nada de tocar no corpo do afogado. Aí resolveram que tinham que esvaziar a fossa pra recuperar o corpo, o jeito era tirar de lata… Foi uma trabalheira doida, os voluntários quase desmaiaram quando viram que o corpo não foi encontrado mesmo depois do “cagadô” esvaziado, só acharam a batina e o sapato. Três beatas gritaram de vez: “Foi um milagre, dois anjos levaram o vigário pra ele não ser lembrado como o padre que morreu afogado em merda”. Aí todo mundo foi na onda, só podia ter sido um milagre mesmo. O povo se reuniu e fez uma capela onde era o “cagadô”, o bispo ficou sabendo e mandou derrubar imediatamente. Foi aí que veio à tona que o padre era falso.

As paróquias se movimentaram e comprovaram que nenhum seminário teve um aluno com aquele nome: Tonico Teotônio Terêncio. Mesmo assim, as beatas mais fanáticas não desistiram do milagre nem dos anjos, afinal, mesmo o homem não sendo comprovado como vigário, era gente de Deus e se dedicou muito às regiões carentes de padres… Apesar de a Igreja contestar o falso padre e mandar derrubar a capela, o povão não deixou de acreditar no milagre. Só Seu Miltão, que era ateu e inimigo de chapéu batido de Tonico, analisou o fato de outra maneira: “Não aconteceu nada demais, o homem simplesmente voltou às origens…”. Mas na realidade, Tonico simulou o acidente ao saber que a Igreja ia desmascará-lo e fugiu pra São Paulo, onde viveu muitos anos como “médico”.

Esporte Clube Desbotado

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

O frio tava de lascar, mas Sílvio tinha que tomar aquele banho de cuia na única pensão que ele achou disponível, não podia se apresentar ao presidente do time sujo daquele jeito. E afinal de contas, mesmo sendo um time de 3ª divisão, ele era um profissional e foi contratado pra ajudar a melhorar aquele clube, era um goleador. Sílvio já estava com 40 anos (mas falava que tinha 34) e nunca tinha feito nada na vida a não ser jogar bola. E apesar da idade um pouco avançada, ele nem sonhava em pendurar as chuteiras, se fizesse isso ia ter que virar morador de rua pois além de nunca ter estudado, não sabia trabalhar com nada. Seu melhor momento como jogador foi quando tinha 18 anos e conseguiu jogar 10 minutos num time grande do Sul onde ele chegou a treinar. Desse dia pra cá ele jogou em vários times, mas nunca conseguiu se firmar em nenhum, a bola era pequena e a arrogância enorme. Se achava um craque perseguido pelos cartolas. …Leia na íntegra

Profissão de risco

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 fev 2017

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Por Nando da Costa Lima

Isto só acontece em cidade pequena, onde o prefeito eleito se esbarra nos seus eleitores toda hora… Cidades com menos de 10 mil habitantes. É fácil fazer a campanha, mas fica difícil governar.

Joselino Dentista já tinha sido vereador uma cacetada de vezes, era um cara carismático e muito prestativo. Era tão bom que o partido do qual fazia parte resolveu lança-lo como prefeito, ninguém melhor pra ocupar aquele cargo. Seria eleito com folga, era um homem honesto. Como vereador, arrancou muito dente de graça, o consultório era um comitê o ano inteiro. Era tão procurado que nenhum outro dentista conseguiu seguir carreira na cidade, o máximo que ficavam era um mês. Essa sua profissão, apesar de não lhe dar lucro, era uma mina de votos. O presidente do seu partido tinha certeza que aquele era o homem pra governar a cidade. Só que Joselino era um sujeito acomodado, achava que como vereador era bem melhor, lhe sobrava mais tempo e mexia com menos gente. …Leia na íntegra

O dono da razão

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 ago 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoToda cidade tem seus problemas, mas tem umas que são um eterno problema. É o caso de Remosópolis, uma terra que não vai pra frente enquanto existir a família Remoso. Eles se metem em tudo e acabam estragando todo acontecimento que há na cidade, agora mesmo eles estavam aprontando. É que a academia de letras e capoeira promoveu um concurso de poesia a nível regional, a cidade estava repleta de poetas, tinha representante até de Conquista. A apresentação das poesias foi no colégio Remoso, e tudo correu às mil maravilhas, boas poesias foram apresentadas num clima de muita paz. O problema era o resultado, acontece que o coroné Mangangão Remoso inscreveu uma poesia no concurso, tida pela família como a melhor obra do velho. Os moradores da cidade não aceitaram participar do júri, eles não tinham coragem de votar contra o coroné. A direção resolveu formar um júri com pessoas de fora, eles não sabendo da fama do coroné votariam imparcialmente, ou seja, nem classificariam a poesia do velho. …Leia na íntegra

Pirão de Buchada

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 23 jul 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoDona Tolentina tinha acabado de deixar meia panela de buchada pra seu Ortêncio no bar, sempre que preparava um bucho lembrava da velha paixão, era seu prato favorito! A roda de cachaceiros que não saía dali nem ousava pedir um tira-gosto, sabiam que aquilo era coisa antiga, qualquer brincadeira com o nome de Dona Tolentina o engraçadinho além de perder o crédito no buteco corria o risco de levar uns tapas… Quando Ortêncio colocou o prato sobre o balcão, espremeu uma banda de limão em cima do pirão e pegou uma garrafa de Jurubeba pra acompanhar aquela gostosura, todos que estavam no bar ficaram com água na boca… Aí então chegou Nozim, um moleque beirando os treze anos, conhecidíssimo na cidade pelo eterno vazamento que tinha no nariz, o menino que vivia gripado! Era uma coisa incrível, quando a narina direita parecia que ia despejar ele dava uma aspirada tão retada que o vazamento já passava pra esquerda. Ortêncio ainda tentou baixar as vistas mas não deu tempo, ficava difícil olhar pra cara de Nozim e comer ao mesmo tempo. Se fosse outra comida até que ia… …Leia na íntegra

O Afilhado

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 02 jul 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoEle era o retrato do imprestável, bigode fino, chapéu de palinha, dois dentes de ouro, e conservava um palito sempre no canto da boca. Falava pelos cotovelos e tinha tudo que é curso por correspondência. Mas só conseguiu subir na vida pendurado no fato de ser sobrinho de Getúlio Vargas. Se elegeu vereador e hoje é vice-prefeito graças ao padrinho que ele nunca conheceu, mas que nos seus discursos tornava-se íntimo, falava do ex-presidente como se tivesse convivido no particular, Getúlio conversava com ele todos os problemas políticos e econômicos do País. Isto com três anos de idade, pois segundo seus adversários ele tinha essa idade quando o presidente morreu. Mas como ficou claro, quase ninguém sabia seu verdadeiro nome, todo mundo só conhecia o afilhado de Getúlio, ele era tão famoso que tornou-se padrinho oficial de formaturas do 2º grau, em todas ele tava lá colado. O discurso era o mesmo: “A vida de Getúlio, meu padrinho…”.

Naquele dia ele era só alegria, aquela notícia veio a calhar, conseguiu ser vice-prefeito graças ao apadrinhamento. Como prefeito seria bem mais fácil, chegando lá ia seguir os passos do padrinho, riscando apenas o episódio final. Sua casa estava em clima de festa, é que o prefeito sofreu um acidente, virou a rural vindo da inauguração d’uma boate numa cidade vizinha. Tava cheio do pau, tomou mais de dois litros de “5 Estrelas” sozinho, os amigos ainda quiseram segurá-lo mas não teve jeito, ele quando bebia e escutava Amado Batista só sossegava depois que a esposa dava uma surra de cabo de machado, e foi nessa que virou o carro. …Leia na íntegra

Engano

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 jun 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoA história que vou contar é do tempo que ladrão nem sonhava em usar gravata. É um caso interessante dum pistoleiro famoso, conhecido no seu tempo como um dos príncipes do mal. Seu nome era Pedro Funeral, e cá pra nós, o homem já parecia um defunto embalsamado, um sujeito diferente, que apesar da maldade tinha lá suas virtudes: não matava nem mulher, nem menino nem padre, uma questão de ética. Era um profissional muito competente, nunca deixou serviço pela metade. Matou gente de todo tipo: militar, doutor e até político influente; era só dar o retrato e fazer o pagamento. Botava o dinheiro no bolso, olhava pro retrato e o endereço, fechava a cara e dizia: “Dessa vez você vai, seu sacana”. Não passava uma semana, tinha velório na cidade. E ele era o primeiro a chegar ao funeral, e apesar de não chorar, nunca esquecia das flores.

Aconteceu que um dia Pedro pegou uma empreitada pra matar na capital. No início ele pensou até em recusar, já estava velho pra aquele tipo de coisa, mas dobraram o pagamento e aí ele não resistiu. Comprou um terno de linho horizontal, um chapéu preto e um 38 zerado. …Leia na íntegra

Dente por dente

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 14 maio 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoTalvez tenha sido a inveja a causa da briga entre Lucrécio e Sebastião, logo eles, amigos de velhas datas. Acontece que Lucrécio se deu bem na política, não que ele fosse candidato, muito pelo contrário, era um simples barbeiro. Mas graças à família numerosa conseguiu de um vereador, seu xará de nome e apelido, uma cadeira de barbearia e um espelho de cristal pra montar seu próprio negócio. Espelho que deu muito o que falar porque além de ter a moldura rosa (combinando) com a cadeira, tinha escrito em letras garrafais em alto relevo uma dedicatória do vereador: ”De Dr. Lulu Vereador ao querido Lulu Cabelereiro”. O “Dr” de Doutor Lulu era devido ao dinheiro que tinha, sua única formação era de detetive por correspondência. Por serem ambos solteirões, a população preconceituosa não deixou de cair em cima. Num ambiente de miséria daquele, um salão equipado era um sinal de progresso, e foi isto que gerou um clima de hostilidade entre os velhos amigos. Ambos eram bem chegados a uma “birita”, isto também não deixou de contribuir um pouco. Já haviam saído no pau em todos os botecos da cidade e só continuavam sendo aceitos por serem os maiores consumidores da “água que pinto não bebe”, o boteco que os evitasse quebrava! Um dia a coisa foi mais séria, Lucrécio tava no boteco de Noca há mais de doze horas, tava só a bôrra! …Leia na íntegra

Reis, príncipes e princesas

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 07 maio 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoNuma democracia todo mundo tem direito de opinar, só que por uma questão ética, os artistas não deveriam usar um palanque como palco. Mentalize o contrário: os políticos usando o palco… Já imaginaram o ex-presidente Lula cantando “Detalhes” para o público do Rei??? Mas eu não quero falar de política, só dei esta introdução para lembrar o dia em que Roberta Carlos veio a Conquista.

Foi num show que aconteceu no Lomantão, talvez tenha sido o único que ele fez aqui, não tenho certeza. Sei que quando cheguei na porta do estádio dava pra ver que a cidade toda estava ali, a fila dava voltas. Tava eu e Pirigoso, um amigo de farras e festas, até hoje somos amigos e sempre que nos encontramos lembramos de nossas aventuras, que não foram poucas. …Leia na íntegra

Zero por cento

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 19 mar 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoOcorreu há muito tempo… Nessa época “moça” engravidava ainda botava a culpa no “tarado”, e todo mundo acreditava. Foi numa cidadezinha dessas que a gente fica sabendo até da surra que o vizinho deu na mulher (ou vice-versa – pra não ser machista). Anacleto chegou ali pra mudar o clima daquele fim de mundo, o seu jornal veio pra puxar a corda do progresso. Quando começava a falar de jornalismo enchia o saco, era uma enciclopédia de frases feitas. E foi cheio de ideias que Anacleto fundou o Compacto, um jornal mensal que segundo ele iria marcar a História da imprensa nacional.

No início tudo correu bem, a população até gostou! Mas aí chegou a política pra atrapalhar a vida de Anacleto: é que ele tinha mania de inovador, resolveu fazer uma pesquisa de opinião pública sobre a tendência do eleitorado (coisa rara na época). Esta foi feita de maneira simples, quase artesanal, mas válida pela boa vontade de querer dar uma informação à comunidade. A pesquisa agradou a quase todos, digo quase porque o “coroné” Zangão, prefeito da cidade há mais de trinta anos (um ano era ele, no outro a mulher, no outro um dos filhos, etc.) não gostou nada ao ver publicado que a oposição tinha 1% de apoio popular. …Leia na íntegra

Acalanto

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 27 fev 2016

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Banner Expoconquista

Por Nando da Costa Lima

NandoLourdes estava só quando pariu aqueles dois meninos, não estava podendo nem com ela, o pai sumiu no mundo assim que soube da gravidez: o jeito foi dar um dos gêmeos pra amiga da patroa que morava na Europa, o menino foi registrado como filho legítimo do casal. Foi exigido sigilo total, pra todos os efeitos ela só tinha parido uma criança. Ela continuou morando no mesmo morro, só que agora tinha seu barraco próprio, o dinheiro que recebeu pelo menino quebrou o maior galho, deu até pra trocar a televisão… Lourdes perdeu o contato com a antiga patroa, do filho então nem se fala! A luta pra sobreviver não deixava tempo pra tentar localizá-lo, e na sua condição era quase impossível, mas imaginava que devia tá um “homão”, seu irmão que às vezes passava até fome era forte. …Leia na íntegra

Cê tá doido companheiro

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 fev 2016

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Por Nando da Costa Lima

Nando-Será que não pega mal???

– Vai por mim, seu prefeito.  Quando o senhor chegar em Brasília com essa ideia, o pessoal com certeza vai querer que o senhor entre pra cúpula do partido.

– Mas eu queria testar este discurso antes… Vai que não dá certo

– Como não dar certo, eu já fui assessor de vários políticos, esta é a minha ideia mais genial, se o Sr. não usar eu vou ter que procurar outro político. Eu sou pago pra pensar, e na hora que eu tenho uma ideia genial dessas o Sr. desiste. Assim nós iremos perder o bonde da História. Os grandes políticos revelam-se através da praticidade, blá, blá, blá, blá…

– Onorino, você só é meu assessor porque é meu afilhado, e se conseguiu um diploma de 2º grau foi porque sua mãe é diretora do colégio. Por sinal quem a empregou fui eu, portanto não venha me pressionar com essa pose toda, parece até que é Duda Mendonça! Tá certo que a ideia é boa, mas se por acaso não der certo sou eu que vou me lascar. Você ninguém nem sabe quem é, me respeite! E outra, se der certo você fica de boca trancada, pra todos os efeitos a ideia foi minha.

– Me desculpe meu “padim”, é que depois da quinta cachaça a gente fica empolgado. Quem sou eu pra pressionar o senhor, se não fosse o senhor eu tava perdido por aí, desempregado e devendo a cidade toda. Igual pai: morreu pobre e devendo.

– Ainda bem que você reconheceu a tempo, eu já tava pensando em mandar você pastar, seu sacana.

– Pelo amor de Deus, “padim”. Nem pense em fazer um negócio desses comigo. Pra todos os efeitos a ideia foi do senhor, pode ficar tranquilo. Agora o senhor tem que reconhecer que é coisa de gênio. É ou não é? …Leia na íntegra

Pra quê chorar

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 13 fev 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoA alegria foi passar o Carnaval em Salvador, e aqui ficou tudo sem graça… fiquei triste. É que eu descobri o final da mágica antes que o mágico completasse o número. Sei que viver é amar o próximo mesmo quando o próximo não nos quer por perto, é gostar até dos que te odeiam, ajudar quem despreza a tua mísera ajuda. Nos piores ou melhores momentos de nossas passagens por esse planeta escola cheio de armadilhas, devemos fazer de tudo para engrandecer nosso espírito. Não devemos olhar ninguém de cima pra baixo nem de baixo pra cima. Existir coerentemente é querer a igualdade da raça, é olhar todos de frente. E quando na iminência da partida não adianta ficar fazendo promessas que nunca serão cumpridas, apostar nos milagres… Imaginar-se um curador de dores e sofrimentos, todas essas porras que só nos fazem mal. …Leia na íntegra

Ói nois na praia

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 31 jan 2016

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Por Altamirando da Costa Lima

NandoEu sei que tem muito lugar bonito neste mundão afora, mas igual à Bahia não existe, Deus caprichou em nossas praias. Mulher então nem se fala. É tudo tão lindo que nem dá vontade de viajar pra outro canto, a costa da Bahia é quase tão bonita quanto o céu, e apesar de nunca ter ido lá, meu medo de morrer é chegar lá e não ser tão belo quanto a Bahia.

Eu cheguei naquela cidadezinha praiana que quando chega o verão triplica a população, cansado e já passava da meia-noite, tava doido pra tomar um banho e dormir. Eu e meu filho rodamos a cidade toda atrás de um lugar pra ficar e nade de encontrar… Já estávamos fazendo planos de como dormir naquele carro apertado, ia acordar mais cansado e todo picado de muriçoca. Dormir em beira de mar dentro dum carro só se for com vidro aberto, mas era o único jeito… Foi aí que apareceu um amigo e se prontificou a arrumar uma vaga numa pensão. Na casa dele não dava, já tava hospedada metade de Conquista (segundo ele). Mas devia ser verdade, casa de praia pra nós da classe média é a maior dor de cabeça, quem menos usufrui são os donos. …Leia na íntegra

O bom de voto (30 anos, como o tempo passa…)

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 jan 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoDr. Apolinário Aparecido estava começando sua terceira campanha para deputado estadual, e para convencer o eleitorado que era gente do povo, escolheu a casa mais humilde do bairro pra dar o pontapé inicial no jogo dos votos. Entrou porta adentro e foi logo abrindo o verbo, falou da reforma agrária até as injustiças do governo com os aposentados, só parou quando um dos meninos que estava na sala disse pra ele que não adiantava explicar nada, seu avó era mudo e surdo. Se fosse um candidato inexperiente ficaria sem graça, mas ele não perdeu nem a pose, folgou a gravata, desabotoou o paletó e ficou esperando que o resto da família aparecesse. Quando viu sobre a mesa, uma garrafa cheia de limonada e uns biscoitos enrolados num pano, pensou com ele  “Nada melhor pra convencer um eleitor humilde que participar de sua refeição, essa minha atitude vai valer mais que um discurso”, Pegou a garrafa de limonada e deu um gole que foi mais da metade, tava sem açúcar mas nem cara feia ele fez. Pra aliviar comeu dois biscoitos, estavam tão ruins que só engoliu porque os votos estavam em jogo. …Leia na íntegra

Acorda sanfoneiro

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 19 jun 2015

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Por Nando da Costa Lima

NandoQuando o vento soprava nos flamboyants que rodeavam o casarão ecoava em nossos quartos um som quase que cadenciado, uma música que marcava uma época… A alegria em nossas almas de menino, sabíamos que aquela harmonia trazida pelo vento anunciava que era junho e que as fogueiras seriam armadas, que o licor de jenipapo estaria exalando seu cheiro tão peculiar por toda a casa, junto as pamonhas, canjicas e todo tipo de quitute que enfeitava a mesa do São João. Hoje quando lembro daquele vento aromatizando pelas árvores que invadia a casa de dona Maria, me arrepio mesmo não estando com frio, acho que o menino foi demolido junto com o casarão… Ainda sinto o cheiro adocicado do licor e a presença de todos que rodeavam aquela mesa e se aqueciam naquela imensa fogueira. Sinto saudade de tudo, fico triste e meu pensamento corre pra Rua da Granja, era pra lá que eu ia depois do primeiro tempo da festa na casa de meus pais… …Leia na íntegra