Mil caretas na praça

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 20 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

Nesse tempo, aqui em Conquista ainda tinha micareta… Era muito boa! Por que parou??

A festa começou quente, muita gente bonita, muita cachaça e o bloco “Exçecutivos” puxando a fila. Tudo às mil maravilhas. E foi no meio dessa folia que desembarcou “Geraldão das Meninas”, o rei das micaretas. Já desceu do ônibus balançando o chão da Praça do Gil (ele tinha um micro-ônibus só pra acompanhar as micaretas da vida). Era desses que fazia qualquer coisa pra pular atrás de um trio elétrico, de preferência bem acompanhado. Dinheiro não era problema, tinha herdado muita grana, dava pra passar o resto da vida na folia. Geraldão era desses machões convictos, tinha até quem o tachasse de homofóbico. Mas não, ele só era meio tarado, anotava até as relações que tinha por mês. Nessa micareta ele tava com o plano de arrumar umas vinte namoradas, isso tirando por baixo. Os puxa-saco que faziam parte de sua turma (onde ia levava mais de vinte, tudo por conta) acharam que aqui ele ia bater o recorde…  E a festa estava linda, tinha tanto trio elétrico que ninguém conseguia decifrar o que estavam tocando. Gente de tudo que é parte do Brasil, inclusive uma comitiva de poetas de Poções. A festa estava fervilhando, Geraldão já tinha selecionado suas futuras “presas”. Ele sempre fazia isso antes de atacar, saía selecionando. Era um chato!

Já tava clareando ele ainda não tinha arranjado nada, nenhuma conquistense foi com a cara do playboy das costeletas. E isso o deixou tão incomodado que, mesmo não tendo o costume, encheu a cara de pinga. Aí as coisas pioraram ainda mais: a cachaça libertou a franga do ex-tarado. Ficou tão desmunhecado que os amigos fizeram uma rodinha pra esconder Geraldão, tava muito fresco! Ninguém podia notar que ele tava dando aquele show na praça mais movimentada da cidade. Chegou a subir num trio, mas caiu ao tentar agarrar o cantor. Pegou mal aquele homem de 1,90 m querendo beijar o cantor…  Os amigos já não sabiam o que fazer. Se fosse em Salvador, menos mal, mas na Praça do Gil, no final dos anos 1980…       A solução veio da própria folia: quando viram passar um bando de marmanjos fantasiados de enfermeira, eles falaram ao mesmo tempo: “Vamos inscrever Geraldão nesse bloco, o pessoal vai pensar que ele tá só brincando”.

E não deu outra: ele entrou de última hora no Bloco das Enfermeiras. Se vestido de vaqueiro ele tinha tentado beijar um trio elétrico todo, fantasiado de enfermeira desbundou. Não podia ver uma cadeira ocupada que sentava. Até o pessoal do bloco já tava com vergonha, mas foi o jeito deixar ele desfilar na Bartolomeu de Gusmão. E a cada hora a festa esquentava mais, o povo continuava chegando, parecia que a micareta não ia acabar. Geraldão se soltou… botou pra ferver. A cachaça o mudou por completo! Se não fosse as costeletas tipo Elvis Preslei e as botas 45, não tinha quem não atrapalhasse, virou uma piriguete. Os velhos amigos estavam correndo as léguas dele, ninguém queria papo. Tinha até quem achava que Geraldão não voltaria ao normal nunca mais. O homem desabrochou tanto que foi preso por excesso de frescura, mas logo foi solto. Nem o pessoal da delegacia suportou.

A festa terminou em paz, foram quatro dias de muito folia. O sucesso previsto se realizou e a cidade amanheceu de ressaca, quase deserta… só tinha o pessoal da limpeza e Geraldão das Meninas completamente sóbrio, armado e puto da vida, doido pra encontrar o corno que o empurrou de cima do trio elétrico. Aquela dor no traseiro só podia ser consequência da queda. E bradou com voz de quem não tava pra brincadeira: “Um filho da puta quase arranca minhas costeletas nas imediações da Praça do Gil, barbaridade! Esse eu mato, tchê!”.

– Ué, Geraldão, você grande desse jeito, como é que esse sujeito conseguiu te segurar pelas costeletas??

– Tá querendo morrer também, filho duma égua curioso?..

‘Cê’ lembra?…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 12 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

Apesar de já terem passados mais de cinquenta anos, eu lembro como se fosse hoje “dotô”, era julho e o frio daquele ano tava de matar, até quem era da terra não estava suportando a friagem. O Sr. e seu colega chegavam a bater o queixo quando o vento entrava pela capota do Jeep, a professora que vinha de carona não sabia se tremia ou se fazia pose pra vocês. Ela estava indo pra ocupar uma vaga no recém-inaugurado ginásio da cidade. O Sr. e o outro Dr. faziam uma dupla diferente, falavam mais que político. Eu pensei que médico conversasse menos! A professora falava tão difícil que eu não entendia quase nada, ela chamava carteiro de estafeta e motorista de cinesiforo, até hoje eu não descobri se era latim ou “ingreis”. Mas foram vocês que atiçaram a moça, foram logo dizendo que eram solteiros, tava estampado na cara dos dois a vontade de passar uma noite com aquela formosura. O entusiasmo aumentou quando vocês pararam no bar de dona Noca pra beber uma jurubeba. Seu amigo fez questão de conferir a garrafa pra ver se era da legítima Leão do Norte, e você como todo baixinho invocado tomou duas garrafas, ficou mais conversador que novo rico dando bronca num subalterno. Mas é isso! Pra conquistar aquela flor tudo era normal. Enquanto “nois bebia” a professorinha comeu um tira-gosto de bucho de bode e almoçou uma feijoada “compreta”, de sobremesa comeu duas bananas e rebateu com um copo de leite pra evitar enjoo. Deolinda gostou tanto do leite de cabra que acabou provando do doce e do queijo. Eu nunca vi um apetite daquele, só não comeu a tigela de doce toda porque o “dotô interferiu lembrando que não fazia bem viajar de estomago cheio. Nós acabamos de beber e pegamos a estrada… …Leia na íntegra

Vingança Póstuma

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 maio 2018

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Por Nando da Costa Lima

Tudo foi por causa daquela maldita mania por jogo, tanto eu como o compadre éramos doentes por jogo, qualquer tipo de jogo, do bicho ao carteado era com a gente mesmo. Eu já beirando os cinquenta, solteiro e com a vida mais ou menos arrumada. O compadre já tinha quase sessenta, nove filhos dos quais batizei sete. Me arrependi de ter dado uma caderneta de poupança ao primeiro, depois disso parece que a comadre só paria pra ganhar caderneta! Um dia nós mandamos fazer duas fotos nossas bem grandes e apostamos que quem ficasse mais bonito não pagava nada. Eu perdi, quem fez o julgamento foi a comadre e os meninos. Esse retrato até hoje me persegue, não o meu, o dele! É uma foto do compadre feio que só ele mesmo, e com aquela cara fechada que lhe era natural. As pequenas apostas eram normais no nosso cotidiano, o que mudou tudo foi um bilhete da loteria federal. …Leia na íntegra

Ilusão de Ótica

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 abr 2018

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Por Nando da Costa Lima

Na rua tinha uns dez botecos, mas boteco mesmo, daqueles que tem freguês 24 horas. Só frequentava biriteiro profissional, daqueles que comem uma lata de sardinha e bebem o óleo que sobra pra proteger o fígado. Não era qualquer bebedor de cerveja que encostava ali não, só quem gostasse da pinguinha e do conhaque é que podia fazer ponto. Quando dava cinco horas da tarde já estavam todos travados. A maioria jurando que nunca mais beberia, aquele papo de quem bebe todo dia e não admite que é alcoólatra. E naquele fim de feriadão, o pessoal tinha dobrado a dosagem, era bêbado de todo jeito: chorão, rico, mentiroso, valente, tinha até bêbado mágico! Mas todos com aquele velho arrependimento por ter bebido. Foi esta situação que levou a cidade a presenciar aquela procissão tão diferente. Pior que o pessoal fica todo igual, parecem parentes.

Quando dona Gertrudes, a beata mais fervorosa da paróquia, passou por aquela rua repleta de cachaceiros muita gente estranhou. Mas foi Neco Birita quem primeiro notou uma imagem nas mãos da beata. Ele que já era invocado com religião, achou que aquilo era um aviso das alturas para que ele abandonasse o copo e deu um berro que chamou a atenção de todos: “Louvado seja São Benedito, de hoje em diante não bebo mais”. Neco Birita seguiu a beata gritando e louvando o santo e por cada boteco que passava arrastava um punhado de bêbados depressivos. Dona Gertrudes não deu ousadia, seguiu sem olhar pra trás. Caminhava firme e nem tomou conhecimento daquela procissão de pinguço. Se desse ousadia era pior! Atravessaram a metade da cidade e chegaram ao centro sendo bem recebidos por todos. Todos batiam a mão para eles e isto só podia ser um sinal de apoio, mesmo sem saber qual o motivo e para onde ia aquela romaria. Um vereador ficou tão empolgado que fez um discurso sugerindo a mudança do padroeiro da cidade para São Benedito. Dona Cotinha além de apoiar, prometeu um terreno para a construção da igreja do novo padroeiro. Só Terêncio Boca Lisa que achou de discordar falando que a imagem podia ser de Nossa Senhora Aparecida. Aí formou-se o bate-boca, uns do lado de Nossa Senhora, outros querendo São Benedito. Até que Tonho Caroço deu um tiro pra cima e explicou que santo era igual cachorro novo, quem dá nome é o dono! Se quem viu primeiro achou que era São Benedito, então era. Zé Gumito começou a gritar parecendo que tava em transe: “Viva São Benedito, o padroeiro dos desesperados.” A voz grave de Zé levou o resto do pessoal a repetir o refrão e a caminhada prosseguiu atrás de dona Gertrudes com a imagem do milagreiro. Ela ia com as mãos em concha e o xale por cima, parecendo que queria esconder o santo.

Depois de muito caminhar, a beata parou na escadaria da igreja, e quando o sacristão saiu na porta, ela sacudiu a garrafa de Jurubeba Leão do Norte que vinha trazendo desde lá de baixo e disse: “Eu vim trazer a garrafa de Jurubeba pro senhor fazer o remédio do padre. Pega logo porque estes cachaceiros tão me seguindo desde a hora que comprei, eu dei muita volta pra despistar, mas não teve jeito. Só não tomaram porque apertei o passo”. Aí a procissão desapareceu em segundos… Não ficou um devoto.

Foi Fato!

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 abr 2018

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Por Nando da Costa Lima

Luzia saiu detrás da horta aos berros. O pessoal da venda nem ligou, pensaram que ela tinha ganhado o que tanto procurou. Continuaram bebendo e jogando “piu” apostado. Mas ela gritou tão alto que chamou a atenção de todo mundo que se encontrava na praça: “Virge Santa, é um milagre! Se a luz não fosse de motô, dava pra abrir um frigurifi de peixe”.

Era muito peixe, pingava pra tudo que é lado, o povo não sabia se rezava agradecendo ao milagre ou se catava os bichos. Nas rajadas de chuva com vento, só caia piaba. Mas quando relampejava, junto ao trovão vinha traíra, bagre, beré, lambari,,, Foi uma coisa linda, muita gente da época ficou maravilhada com o ocorrido… A Praça do Jenipapo ficou coberta de peixes, uma lindeza! Quanto mais o povo catava, mais caia peixe. Mandaram chamar o vigário uma cacetada de vezes pra confirmar o milagre, tinha que ter a presença de um homem da Igreja. Mas o padre tava ocupadíssimo com um ex-pistoleiro que, depois que enricou, resolveu ficar em paz com Deus. …Leia na íntegra

Dos melindres caatinqueiros

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 07 abr 2018

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Por Nando da Costa Lima

A pessoa que tem dó de si fica ridícula, insuportável! É impossível atravessar uma existência sem magoar alguém. Foi daí que surgiu o bendito perdão… Talvez seja a palavra padrão para o nosso desenvolvimento espiritual. O perdão é a bandeira branca falada!

No início do século XX, a caatinga era regida pelos coronéis e a jagunçada. Quando ficava marrom, era difícil permanecer e sobreviver. E se a fome apertasse, se comia até jegue, que é um bicho abençoado para o nordestino. Os outros problemas eram esquecidos quando a fome imperava! Até os “cantadô” arribavam, eles são como os passarinhos. Não aguentam tempo ruim. Se ficar, morre de papo -seco ou fica igual frango com mal triste. Tocar moda de viola com o bucho roncando deve ser muito ruim! Teve uma vez que um cego cantador resolveu ficar pra “ver”. Quando a coisa apertou, ele bebeu tanta pinga que tocou doze boleros apaixonados e quatro valsas pra caixa de peixe seco na venda de Seu Benício Beijador. Ninguém entendeu nada! As horas ficavam mais longas e o desespero coletivo levava povoados inteiros a vagar pela caatinga rumo à capital. Era nesse cenário de fome que apareciam os homens santos! Eles arrastavam multidões de miseráveis e sugavam o resto do pouco que tinham… E pra enganar o estômago durante o grande calvário, os retirantes, milagreiros, coronéis e jagunços criavam um mundo mágico. …Leia na íntegra

Milagres acontecem…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 31 mar 2018

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Por Nando da Costa Lima

Deodato Grampão subiu a escadaria da catedral de joelhos com uma vela de 7 dias acesa na mão esquerda. Grampão não era um homem comum, era um remanescente dos jagunços… Um sujeito de poucas palavras, e meio bruto… Uma cancela de ladeira abaixo! Acompanhando ele ia a mulher, os filhos e uns camaradas. Na entrada da igreja se benzeu e mandou um dos meninos da turma chamar o padre. Era só falar que era Deodato Grampão pagando uma promessa que o vigário vinha logo, ele já sabia de quem se tratava. A mulher quis dar uma de entendida e falou que naquela hora ele não achava padre. Hora de almoço! Tava nervosa, tinha perdido a semana quase toda com os preparativos dessa jornada religiosa. Deodato acalmou a patroa sutilmente: “Cala a boca, porra!”. Depois, tornou a pedir pra um camarada ir buscar o padre. O rapaz que foi chamar já voltou enfezado: “Ou o senhor manda esse sacana calar a boca ou eu jogo ele pra trás, patrão”. Deodato interferiu: “Respeite a igreja, Roduzino. Sacristão também é filho de Deus”. O sacristão, que já estava de mau humor porque foi acordado logo depois do almoço, bradou:

– Que palhaçada é essa na porta da igreja, vocês erraram o caminho. A Lapa fica pra outro lado! Meio dia é uma hora que até vagabundo tá em casa. …Leia na íntegra

Essa estória de história com “H”

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 24 mar 2018

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Por Nando da Costa Lima

Isto faz parte da história. É claro que a gente, além de aumentar um poquinho, só revela o milagre! É que os fatos e a imaginação se misturam na memória, tem muito tempo que escutei! Foi em 1950, quando Getúlio Vargas, em campanha presidencial, veio parar aqui em Conquista. Os “cumpade” Cabo Thiago, Dória e Alfredinho foram os responsáveis pela segurança da ilustre visita. Tinha gente de tudo que é canto: Guigó, Piripiri, Ibicuí, Iguaí, uma comitiva de poetas de Poções, Lagoa da Pedra, Jequié… Tinha gente até do norte de Minas. O Bicho de Pedra Azul não veio não, é mentira. Ele estava numa passeata em São Paulo. O evento se tratava de um ex-presidente concorrendo novamente à presidência. Uma das imprensas mais tradicionais da Bahia já naquela época, a de Condeúba, veio cobrir o evento, não era qualquer coisa não! A cidade se preparou, tava um brinco. O candidato chegou num dia e se picou no outro, foi o presidente que mais demorou em Conquista. Tinha que sair catando votos e apagando a fama de ditador Brasil afora. Aqui em Conquista o foguetório em sua homenagem foi comentado até em Salvador. O comício foi na Praça Barão do Rio Branco, que faz parte da história política de Conquista. A praça tava lustrando! Parecia uma capital no feriado de 7 de Setembro, só tinha gente arrumada! Mas, como em todo comício, tinha vendedor de tudo o que se pode imaginar: mariola, quebra queixo, taboca, rolete de cana, doce de umbu, pirulito…”Olha o pirulito enfiado no palito”. E é claro, não podia faltar doido, como a Terra do Frio sempre foi carente de doidos, mandaram buscar dois numa cidade vizinha. Comício sem doido não é comício. Um discursando a favor e o outro contra o presidente. Correu tudo como planejado pelas senhoras da terra, o comício foi impecável e o ex-presidente ficou muito grato com a simpatia e os prováveis votos obtidos no Planalto da Conquista. A Terra do Frio parece que votou fechado com Getúlio Vargas, tem até um busto dele na Serra do Maçal (quanto à votação unânime, eu não tenho certeza. Dr. Rui Medeiros pode informar melhor sobre isso e sobre o caso seguinte). …Leia na íntegra

Comercial Futebol & Cachaça

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 17 mar 2018

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Por Nando da Costa Lima

Corre, pessoal. Senão o tempo atropela a gente!

O jogo ia acontecer nos Doze, o titular tava quase completo, só quem não tava escalado era Zezito Lagartixa que estava suspenso por problemas etílicos. Pra Odai suspender um atleta por causa de cachaça é porque o jogador estava abusando da aguardente. Um time que na concentração consumia um garrafão de pinga… Suspender um zagueiro de confiança por causa de pinga! Nem Lagartixa tava acreditando, ele quase chorou quando o time subiu no caminhão completo, só tava faltando ele pra formar o esquadrão imbatível. Na linha de frente estavam os melhores: Zé de Ninha, Odeval e Geraldim. Todos os integrantes da equipe eram pinguços, inclusive o presidente e dono do time. Ele tinha certeza de que ia lascar com o time dos Doze. Os goleiros Nozão e Paredão  estavam preocupados, só beberam rabo de galo, era mais suave! Goleiro tem que se cuidar! Era pra ser uma das melhores partidas do velho Comercial. O time e a torcida já estavam todos na carroceria do caminhão de Geso Flor. O motorista tinha acabado de virar uma meiota de pinga no gargalo só pra relaxar e pegar a estrada… Era um time difícil de escalar, ainda bem que os filhos de Seu Oliveira não gostavam muito de bola. Mesmo assim ele tinha um genro que era goleiro, e aí foi o jeito o presidente lançar o quarto goleiro pra não deixar o velho retado. Com os filhos de Seu Ioza ele não teve muito trabalho: escalou dois no aspirante e um no titular. O mais velho só sabia jogar basquete! Nesse tempo, se você tivesse de 1,75 m pra cima, era automaticamente convocado pra seleção de basquete da cidade, que treinava no Colégio Batista. …Leia na íntegra

Encosto

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 10 mar 2018

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Por Nando da Costa Lima

Mulher de poeta deve sofrer… Tem até quem ache que o SUS devia ter um serviço de atendimento psicológico só para elas.  Dona Marizilda que o diga! Casada com o poeta Custódio Carente da Silva, ela não perdia uma oportunidade para esculhambar com a “raça” dos poetas, e o marido principalmente. Ela achava que o poeta ia tomar jeito depois da idade avançada, 78 anos não é qualquer coisa. Mas ele continuava agindo como se fosse jovem, não podia ver uma moça bonita que fazia um verso. E ainda aparecia quem admirava aquele lenga, quase sempre, voltado para o amor. Dona Marizilda perdeu a cabeça quando encontrou no bolso do poeta uma poesia quilométrica dedicada a uma afilhada deles, dessa vez ele extrapolou. A moça, além de ser cria da casa, tinha idade pra ser neta daquele safado. Ela estava irredutível, não ia passar o pouco que lhe restava da vida com um velho tarado que não respeitava nem a família. A sorte dele é que a menina era maior de idade, senão a esposa já tinha dado queixa na delegacia. Foi aí que chegou dona Elenilda e tentou acalmar a amiga, as duas estavam na fila do posto de saúde:

– Calma, Marizilda. Seu marido é um poeta premiado, tem até livro publicado!

– Poeta porra nenhuma, aquilo é um encosto! Você tá falando assim porque não sabe nada do que eu passei nesses 54 anos junto deste traste que você chama de poeta. Tive que sustentar esse merda a vida toda e você ainda tem coragem de me lembrar que ele é poeta.

– Mas amiga, ele deve ter ganhado algum dinheiro com os livros que publicou. Se eu não me engano, foram mais de dez, todos dedicados a você. …Leia na íntegra

Tá tudo titirrane

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Publicado por Editor | Colocado em Geral, Vit. da Conquista | Data: 03 mar 2018

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Por Nando da Costa Lima

Renatão nem quis pegar a catanica (coletivo) pra não sujar a roupa nova, tava parecendo que ia pra uma festa. Estava trajando o que havia de mais moderno na época (anos 70), até o cabelo ele mandou alisar. Dona Letra caprichou no “ferro quente”, não ficou um fio enrolado. Renato demorou tanto tempo pra criar coragem e ir procurar Julinda… Ele queria chegar por cima, um verdadeiro “pão”. Pra quem não viveu nesse tempo: “pão” era o “gato” de hoje, ou seja, o “pão velho” de hoje um dia já foi um “gato”.

Renato conheceu Julinda na roça. Ele era vaqueiro e estava com roupa de trabalho, até espora tava usando, isso sem falar na subaqueira de quem acabou de tirar leite duma cacetada de vacas. Talvez tenha sido isso que atiçou a libido dela… Mas na cabeça dele, ela ia acabar de apaixonar quando visse ele bonito e cheiroso. Estaria pronto pra passear de mãos dadas pelo Jardim das Borboletas, assistir o programa Alegria dos Bairros, visitar os presos na cadeia que ficava no prédio da prefeitura, ir numa matinal do Cine Glória… Coisas simples, comuns aos enamorados daquela época. Tinha que estar bem vestido pra deixar todo mundo invocado! Por isso ele encomendou tudo de fora. Sua prima mandou de “Sompaulo”, e ela caprichou: sapato cavalo de aço, várias calças toureiro boca de sino, muitas mini blusas, uma pochete e um cinto que a fivela parecia uma bandeja inox. Renato ficou extasiado quando viu as roupas mandadas pela prima! Ia ficar mais bonito que Dotô Aloísio Bonito. …Leia na íntegra

Tenório e o E.T.

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 24 fev 2018

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Por Nando da Costa Lima

Ele há mais de dez anos vinha cercando um extraterrestre, depois que aquele pessoal do sul garantiu que naquele local (sua roça) era bem mais fácil o contato com seres de outros planetas, o homem ficou impressionado. Não tirava da cabeça a possibilidade de capturar um E.T., vender pros americanos e provar praquele bando de ignorantes que vivia lhe criticando que nada era impossível. No início sua mulher quase endoida, o marido passava o dia procurando pistas que o levasse aos extraterrestres. Mas depois até gostou, a invocação do marido servia pra despistar os vacilos dos namorados, Neusinha quase todo dia tinha um contato de primeiro grau e Tenório já tinha visto muito E.T. sair pela janela só de cueca. Infelizmente nunca tinha alcançado nenhum, é que a pinga não deixava! O homem gostava de álcool na mesma intensidade que gostava de disco voador, tava tão obcecado com essa história de E.T. que não adiantou nem seu pai lhe explicar que os extraterrestre que perseguia eram todos amantes de sua mulher. E assim ia passando os dias do casal: ele correndo atrás de disco e ela transando com quem aparecesse. …Leia na íntegra

Atrás do trio elétrico

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 17 fev 2018

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Por Nando da Costa Lima

Dr. Uoston, por insistência da mãe, foi passar o Carnaval em Salvador. O filho só pensava em trabalho, um rapaz de 28 anos não podia viver daquele jeito. Era de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Não tinha tempo nem pra namorar, e pelo visto ia morrer solteirão, mesmo que pretendentes não faltassem. Mas ele sempre se saía com o famoso: “Sou casado com a Justiça”. O pai do Dr. era um líder político conhecidíssimo, já tinha sido prefeito várias vezes e indicou Uoston pra ser seu herdeiro na política também. Já ia receber o prato feito! Na certa viraria deputado, pelo menos era o que a família imaginava. Só dependia dele.

A viagem pra Salvador foi pra relaxar, num ano de eleição ele tinha que subir no palanque desestressado. O pai nem desconfiava que o filho único era gay, às vezes sua mulher tentava explicar mas ele mudava de assunto rapidamente. Era homofóbico até os cabelos do bigode, quase se separou da mulher só porque ela disse que ninguém escolhe o jeito pra nascer, ninguém vira homossexual, já nasce assim. Mas o marido sempre cortava falando que não passava de descaração. E se ela pensasse de outra forma que arrumasse as malas e fosse embora. O político nem imaginava que sua mulher incentivava o filho a sair do armário. Se soubesse, a coisa ficaria feia… …Leia na íntegra

Ristorante Pedaço de Mar

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 10 fev 2018

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Por Nando da Costa Lima

Quando chegaram, pareciam uma tropa… Mas só era o coroné Climério com a família de sua noiva, que a convite dele vieram provar a melhor buchada do Brasil. Tava fazendo aquele agrado ao sogro porque este foi o último a concordar com o casório, achava que Climério não era o homem certo pra sua filha. Os convidados eram tão simples que mal comeram, mas Climério comeu por todos e ainda pediu sobremesa. E foi essa a causa de tudo. Eles estavam no restaurante e dormitório que margeava a Rio Bahia e que era vizinho da fazenda de Climério.
Na saída, ele já sentiu a barriga roncando, e quando foi montar no seu burro de confiança, sentiu uma pontada aguda e deu um peido de responsabilidade, daqueles que melam cueca, calça e sela. O burro chegou a refugar, mas o coitado tava amarrado e teve que se acomodar. Climério voltou de vez, nem chegou a se sentar na sela, voltou no mesmo ritmo e já desceu do burrão esculhambando com o cozinheiro e todo mundo que trabalhava naquela merda de restaurante. A comida tava tão velha que em menos de vinte minutos ele já tava naquele estado, nem o burro tava suportando o cheiro, quase tirou o cabresto! Mas ele como cliente do recém inaugurado cliente do recém inaugurado restaurante “Pedaço do Mar” nem sei porque aquele nome, naquele fim de mundo que só chovia de dois em dois anos, caatingão brabo. Quando ficava marrom o jeito era se picar pra Sompa. Mas foi nesse cenário que o coroné Climério se borrou todo na frente do restaurante, quem tava no local, viu. Foi por isso que o coroné já entrou porta adentro do restaurante com um 38 em cada mão, ia mandar o “miseravi” que fez ele passar aquele vexame pro inferno. Não tava nem aí, ia disparar os dois revólveres na cara do filho da puta que lhe serviu aquela comida estragada. E quem conhecia Climerão sabia que ele não falava pras paredes. …Leia na íntegra

               Cansadérrima…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 03 fev 2018

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Por Nando da Costa Lima

Neusinha sempre se destacou,desde menina sonhava com o estrelato, queria ser atriz. Como não deu certo, por causa de sua voz estridente, foi o jeito se casar com o prefeito e se tornar primeira-dama. Tá certo que o casamento foi arranjado. Casou com aquele caco-velho por uma questão de interesse, mas valeu a pena. Com o tempo ela descobriu que nasceu para ser mulher de político, adorava um conchavo, e não pode se negar que as quatro últimas campa­nhas só foram ganhas graças a sua participação. Fazia de tudo pra conseguir votos pro maridão, no Natal distribuía remédio com a data vencida. No S. João fazia o mesmo, só que em vez de remédio dava comida estragada, era o exemplo de caridade da cidade. Neusinha já tava beirando os cinquenta anos, e se quando nova já não era lá essas coisas, agora ti­nha virado um bucho. O que tinha de feia tinha de convencimento. Era um castigo para os políticos que tinham que entrar em contato com o prefeito, sem sua permissão nada se resolvia naquela pro­gressista cidade da caatinga baiana. …Leia na íntegra

Um causo de amor partido

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 jan 2018

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Por Nando da Costa Lima

Deoclécio estava irritadíssimo, mas não era pra menos. Logo Marilourdes, que pregava nos quatro cantos da cidade que era apaixonada por ele, foi fazer aquilo. O amor entre os dois parecia indissolúvel, até nas “caçola” Marilourdes mandou bordar “D” de Deoclécio e o “M” do nome dela. Todo mundo achava a coisa mais linda. Deo já tava com mais de uma semana de cachaça, só fazia isso! Tava de dar pena… Mas a safada da noiva foi dar pro cantor da boate dentro do banheiro das mulheres. O caso se tornou público e Deoclécio acordou com aquela sina que com certeza o acompanharia por toda vida.  Sua amada noiva deu pra Jerry Bocão, o cantor da banda de forró Amansa Corno. O local que a safada escolheu tornou o caso ainda mais escandaloso. No banheiro da boate, aquilo não era coisa de gente que se preze! Foi uma desfeita tão grande que ele quase virava padre, nesse tempo ainda se entrava pro seminário quando se tinha um grande desgosto! Mas ele era muito macho pra se esconder atrás de uma batina só por causa de uma piranha safada que o traiu com um cantor de terceira. Ele não ia dar o braço a torcer, ia dar a volta por cima e mostrar pro resto da cidade que quem saiu perdendo foi ela…

Tomou logo um banho de loja e se picou pra capital pra esfriar a cabeça. Tava ficando paranoico, não podia ficar só que lhe vinha em mente sua ex-noiva toda pura dando uma rapidinha num canto duma boate, que por acaso era sua. Tá certo que qualquer um pode levar chifre, mas nos anos 70, numa cidade pequena… era foda! E ele era o rei do pedaço, pegava toda menina que se sobressaía. Era um galã na época. Porte atlético, vozeirão, bonito, mas caiu na infelicidade de se apaixonar pela mulher errada. Era o jeito passar uns seis meses em Salvador pra tirar a urucubaca e voltar botando pra lascar. Não seria Deoclécio “comedô” que ficaria chorando pelos cantos só porque tomou um corno, o negócio dele era dar a volta por cima. Marilourdes já tinha caído na real, sabia da besteira que tinha feito. Aquela porra de cantor nem trepar sabia, ô tempo perdido! Mas naquelas alturas do campeonato não tinha santo que podia ajudar a noiva arrependida. Quem tentava acalmar a moça a encontrava abatida e chorosa, mostrando o enxoval completo vindo da Zona Franca de Manaus… Segundo os mais chegados, ela ia acabar morrendo, pois não comia nem dormia, a única coisa que consumia era água. A tragédia tava traçada: De um lado, uma noiva arrependida falando pros quatro cantos que ia se matar se perdesse Deoclécio; do outro, o noivo que estava irredutível. Com aquela piranha de banheiro ele jamais se casaria. E não ia dar certo mesmo, os pais de Deoclécio ameaçaram deserda-lo caso ele voltasse a conviver com aquela puta de boate. O povo só falava daquilo, e Deoclécio deu uma entrevista na rádio falando que ia abandonar aquela cidade que lhe causou vergonha. Ninguém mais respeitava o “pleiboi”, onde quer que passasse alguém logo gritava: “Lá vai o corno do banheiro!”. Ele já nem mais rebatia a grosseria! Um filho de família tradicional na política local não podia nem pensar em retornar pros braços daquela vagabunda.

Então, como já foi dito, Deoclécio foi pra Salvador mudar de ares… e ela lá, jogada em cima do enxoval e chorando dia após dia. Tava de dar pena! Mas não tinha jeito: deu dentro do banheiro! Se fosse um europeu podia até ser perdoada, mas um catingueiro, criado com carne de bode não tinha perdão, ia ficar marcado pro resto da vida. Só se casasse e mudasse pro Japão. Mas nem isso faria a cidade esquecer aquela safadeza que chamou tanta atenção por envolver dois jovens de famílias importantes. Era tido como certo que nos próximos anos ele seria prefeito e ela a primeira dama da cidade, um casal lindo. Pra aliviar as coisas, a família a levou numa psicóloga que relatou que era um caso seríssimo e quase incurável, até hoje na história da Medicina não se encontrou a cura para tal mal. Até o termo para se referir à doença foi a doutora que criou: “Psicopiranhisse Banherofóbica”. O paciente portador desse mal só sente prazer se transar em banheiros.

E assim a família se livrou de ter uma piranha na casa, aquilo não passou de uma crise psicótica. Quanto a ele, passou um tempo na capital e voltou casado pra se candidatar a prefeito na próxima eleição. E Marilourdes vivia pelas ruas jurando pra todo mundo que encontrava que nunca mais trairia seu homem… Endoidou de tudo. Ficou louca de paixão… E isso até ajudou o ex-noivo a crescer na carreira política.

Pescando Piranhas

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 13 jan 2018

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Por Nando da Costa Lima

Eram amigos há mais de trinta anos, todos na faixa dos sessenta, apesar de divergirem em vários pontos e serem profissionais em áreas diferentes, tinham algo em comum: eram fanáticos por pescaria e adoravam piranhas (dos dois tipos). Todo final de ano tinham um programa que era sagrado, deixavam as esposas em casa e ficavam um mês na beira do rio São Francisco, era o mesmo que estar no céu. A pescaria do grupo era famosa na cidade, eles levavam de tudo: fogão, geladeira, cozinheiro, enfermeiro. Eram dois caminhões carregados de mordomias, mas o melhor que eles levavam eram as putas, estas eram escolhidas a dedo no decorrer dos dois mil quilômetros percorridos do lugar onde moravam até o local da pescaria. Passavam por uma meia dúzia de cidades, só entravam nos bregas pra fazer a seleção, e continuavam a viagem. Quando chegavam ao local da pescaria a festa era geral, o pessoal já sabia que era um mês de festa, tudo do melhor, comida, bebida e principalmente mulher bonita e safada. Os nativos passavam bem, os pescadores de fim de ano dividiam tudo com eles, e olha que era um mês de orgia. Uma vida que todo mundo deseja! A volta era sempre triste, mas levavam na bagagem recordações para o resto do ano. …Leia na íntegra

Conquista Assim Tudo Começou

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 jan 2018

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Por Nando da Costa Lima

A mata estava nublada, não dava pra enxergar um palmo adiante do nariz, o frio gelava os ossos, mesmo cansados e congelados os homens continuavam a caminhada mata adentro, o capitão mor tinha dobrado o pagamento para que aquela empreitada se realizasse antes do sol nascer. Tinham que acabar com aqueles índios que estavam impedindo a entrada da civilização na melhor faixa de terra do planalto. Eram as terras dos mongoiós, uma gente pacífica que apenas reagia às invasões de sua terra, só queriam permanecer no lugar que era seu por direito , eles estavam a mais de uma légua da grande aldeia justamente para impedir a entrada dos desbravadores, estavam em maior número , mas as armas usadas pelos brancos desequilibraram a batalha. Era tanto índio , que os clavinotes explodiam de tanto serem recarregados. A briga foi feia, o mestre de campo quando viu que seus homens estavam fraquejando, prometeu ajoelhado que construiria uma capela naquele local, pra Nossa Senhora das Vitórias, se eles derrotassem os índios. O resto  do pessoal se contagiou com a fé do chefe, lançaram mão dos facões e decidiram a batalha no combate corpo a corpo, a luta foi penosa, mas eles saíram vitoriosos. Os índios que não morreram foram capturados.

Para Taipi, teria sido melhor que fosse morto.  Depois de capturado, ele teve que ajudar a construírem uma capela no lugar que seus irmãos foram aniquilados. Aquelas matanças  não entravam em sua cabeça, por quê aquelas perseguições do branco. Eles deviam se bater com eles que vivem pra combater, nós Mongoiós somos descendentes dos Tupinambás. Somos como onças, só reagimos quando acuados.

Com o tempo, o mestre de campo cumpriu o prometido, conseguiu tomar a grande aldeia mongoió em menos de um ano. Os índios reagiram, mas logo cederam, era um povo tão pacífico que achou melhor  tentar viver servindo o invasor, os que não concordavam com a submissão fugiram pra margem do rio Pardo.

Onde era a aldeia mongoió, nasceu o Arraial da Conquista. Iniciaram logo a construção da igreja para Nossa Srª das Vitórias, protetora dos fundadores da vila. Taipi já tinha mais de dois anos a serviço dos brancos, agora ele carregava pedra para construção da igreja. Um dia ele se revoltou, tinha que vingar-se daquela situação, seu povo não podia continuar vivendo como escravo, aquilo parecia até vingança dos deuses por eles serem pacíficos demais. A vingança de Taipi demorou de ser notada, ele atraía os homens brancos que trabalhavam na construção da igreja para dentro da mata e lá matava os invasores. O capitão mor descobriu o plano a tempo, como era um homem experiente,  em vez de procurar o responsável, promoveu uma festa para todos os índios que viviam em volta da vila.  Comida e bebida tinham de fartura, a mesa grande foi armada junto ao alicerce da igreja em construção. Quando os índios ficaram completamente embriagados, o mestre de campo cercou-os com homens armados e deu ordem de fogo. Foram poucos que escaparam, os que não morreram de tiro, morreram envenenados pelo aguardente.

Taipi escapou com vida, já estava “domesticado”, foi poupado por ser útil na lavoura. O pior foi enterrar os mortos do massacre, foi muito triste ter que enterrar seus irmãos de sangue no alicerce da igreja feita em louvação à protetora dos seus exterminadores. Ele nunca tinha visto Nossa Senhora, mas achava que ela não se dava muito bem com índio, mongoió então, nem se fala…

Estava triste, seu povo desaparecia junto a mata, morriam na mesma proporção que derrubavam as árvores. Desesperado e só, Taipi se sentia o último dos mongoiós, seu único desejo era sumir dali. Ninguém do arraial o viu sair no meio da noite , parece que criou asas e fugiu pras matas ainda virgens do Catolé Grande.

 

P.S. Não podemos julgar as atitudes dos homens sem ter vivido sua época.

Réveillon

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 30 dez 2017

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Por Nando da Costa Lima

A festa estava como sempre foi em reunião de fim de ano. As mulheres de um lado exibiam as joias e distribuíam simpatia, as mais extrovertidas exibiam os conhecimentos gerais! Do outro lado os homens, todos com ares de donos do mundo discutindo a crise econômica, todos com um plano infalível! O cheiro de perfume “francês” combinava com o “whisky” servido. Todo aquele material falsificado entrava em harmonia com a falsidade das pessoas. Formava um clima tão artificial que parecia encenação! A coisa tava tão feia que até os enfeites de fim de ano desejando felicidades eram em inglês, e todos os convidados estavam usando chapeuzinhos de papel daqueles que a gente pensa que só tem em réveillon de americano.

Wellington Jr., filho pródigo do casal anfitrião tinha acabado de chegar de uma temporada de 6 meses nos Estados Unidos da América, estava a antipatia em pessoa, só falava em inglês e sentia dificuldades em entender o português. Dayse, a filha mais velha, contava seu dia na faculdade de psicologia, e como toda futura psicóloga, estava apaixonada por Freud, tinha uma explicação freudiana para tudo, inclusive para sua tara por adolescentes e seu hábito de nunca usar calcinha. Uma madame ficou entusiasmada com as ideias da futura psicóloga e resolveu imitá-la ali mesmo. Tirou sem a menor cerimônia e lançou no meio da sala aquela “caçola” imensa, era verde oliva, parecia uma barraca de escoteiro. Mas todas as outras, inclusive o decorador Kiko Saint’ Paula Star vindo de Jequié especialmente para decorar a festa, acharam chi-quer-rí-ma a atitude da madame Laurinha. Até aplaudiram! Mas isto não vem ao caso, o importante é a festa: a anfitriã fazia questão de reclamar dos empregados da casa em frente aos convidados. Não sei porque a maioria delas agem assim, dão ordens como verdadeiras rainhas medievais: parece que acham “chic” serem grossas. …Leia na íntegra

Boi, boi, boi…

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 dez 2017

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Por Nando da Costa Lima

Qualquer um pode se dedicar ao “puxassaquismo”, mas pra ser puxa-saco de político o cidadão tem que ter dom… Tem até PhD nessa arte!

– Pois é Ermígio, o menino nasceu no mês passado e até agora a gente não escolheu o nome nem o padrinho, tá na hora de resolver. Eu não quero que meu filho fique “passado” igual Averaldinho de dona Julinda, você sabe que menino pagão atrai coisa ruim. Estou pensando em chamar Dú de Zinha pra ser padrinho, é nosso amigo há anos! Tirando a cachaça não tem pessoa melhor.

– Espera aí mulher, vamos com calma. Tá certo que está na hora de batizar o menino, mas só que o padrinho deve ser outra pessoa, não é que eu tenha nada contra Dú de Zinha, o problema é que o homem é comunista de chapéu batido e eu sou um político de direita…, vai pegar mal. Além do mais tem aquela velha história que comunista come criancinha…, eu até pensei que fosse lenda, mas não… …Leia na íntegra