Testes genéticos ajudam a prever e a prevenir o câncer

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Publicado por Editor | Colocado em Brasil, Geral, Saúde | Data: 10 set 2019

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Revista Mais Saúde

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve ter 600 mil novos casos de câncer em 2019. O número assusta, sobretudo tratando-se do tipo de doença que mais mata adolescentes e adultos jovens (entre 15 e 29 anos) no país, de acordo com pesquisa divulgada pela instituição em parceria com o Ministério da Saúde, ficando atrás apenas de “causas externas”, como são classificados os acidentes e as mortes violentas. O fator da idade, aliás, pode ser um dos maiores obstáculos no diagnóstico precoce do problema, justamente por muitos jovens ignorarem os sintomas iniciais.

A “boa notícia”, porém, é que a tecnologia pode nos ajudar tanto a prever quanto a prevenir o desencadeamento da doença. Estamos falando dos testes genéticos, que vêm contribuindo para diagnósticos e tratamento de câncer no mundo todo. “Estima-se que entre 5% e 10% dos casos de câncer têm um forte componente hereditário. Isso se dá quando uma mutação transmitida de geração para geração é responsável por aumentar as chances de uma pessoa desenvolver a doença”, explica Bernardo Garicochea, médico oncologista e especialista em genética do Centro Paulista de Oncologia – unidade de São Paulo do Grupo Oncoclínicas.

Esses testes têm a função de detectar alterações no DNA que possam levar ao surgimento de tumores malignos antes mesmo da manifestação da doença. Ainda segundo o especialista, porém, os testes genéticos são indicados apenas quando há um alto risco de mutações associadas ao histórico familiar em parentes próximos, como mãe ou irmão, ou quando o indivíduo tenha apresentado tumores com idade inferior aos 50 anos.

Um exemplo é o que ocorreu com a mundialmente conhecida atriz norte-americana Angelina Jolie: após realizar um teste de sequenciamento genético, que apontou uma mutação no gene BRCA1, a atriz realizou uma mastectomia (cirurgia para retirada dos seios), como forma de prevenir o desenvolvimento de um possível câncer de mama – doença que ceifou a vida de sua mãe em 2007.

“É importante que a paciente saiba, no entanto, que não basta ter o desejo de fazer o mapeamento genético. É preciso que um médico geneticista ou mastologista seja consultado previamente para que avalie a história familiar e, com base nisso, se necessário, gere um pedido médico para realização do exame laboratorial”, diz Garicochea.

A finalidade principal do exame genético é identificar mutações em alguns genes que ampliam as chances do paciente em desenvolver a doença. Para realizá-lo basta uma amostra de sangue ou saliva, por meio de onde é extraído o DNA do paciente que é lido por algoritmos específicos desenvolvidos por bioinformatas para decidir se existe ou não mutações que podem estar associadas com o risco de câncer.

“Vale lembrar que se identificada a mutação, isso não significa que a pessoa necessariamente terá câncer, mas é um indício de que ela possui uma maior predisposição ao risco de desenvolver um tumor no futuro. Por isso, o teste genético é uma ferramenta que pode levar a uma indicação de realização de exames preventivos com maior constância”, finaliza o especialista. Se interessou pelo assunto? Procure um médico oncologista.

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