Tradição dos mega eventos de São João será quebrada no Sudoeste

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Cultura | Data: 31 maio 2016

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por Mateus Novais

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O feriado de São João caindo bem em uma sexta-feira é uma ótima pedida para quem deseja botar o pé na estrada e curtir os festejos juninos. Certo?… Errado! Ao contrário do calendário, o período não está propício para os roteiros de festas. A época dos mega eventos de São João, em que as cidades do Sudoeste disputavam o público através do anúncio de atrações nacionais, ficou para trás. “É a crise!”, comenta-se pelas esquinas. E a explicação ecoa por entre os corredores das prefeituras da região, como as de Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista.

Em Jequié, desde o último ano, a tão falada crise já havia afetado a festa. Os gastos que ultrapassavam os R$ 2 milhões, agora gira em torno de R$ 350 mil. Além da crise, a culpa disso, segundo a gestão do prefeito Luiz Sérgio Suzarte, está na gestão passada, que tinha a frente a prefeita afastada Tânia Brito. “Nesse cenário de crise econômica não há possibilidade do Município realizar um grande evento com atrações de nome nacional, especialmente diante do grande desequilíbrio financeiro herdado da gestão anterior”, afirmou a Prefeitura da Cidade Sol através de nota. Ainda assim, a Administração promete 12 dias de festa, com 40 atrações, entre quadrilhas juninas, grupos teatrais, bandas e grupos musicais.

Os baixos investimentos na festa de rua afetaram também as festas fechadas. Os tradicionais forrós da Margarida e Namoral, com mais de 10 anos de existência, cancelaram as atividades já em 2015.

Movimento semelhante ocorreu em Itapetinga, que viu o também longevo Forró da Vaca Loka ser extinto junto com o Forró do Catolé – festa aberta que ocorria no Parque da Lagoa. Em 2015, ainda ocorreu o evento da prefeitura, de forma muito reduzida, mas, neste ano, ela pode nem acontecer. “Se fosse hoje, não seria possível realizar a festa, já que um decreto municipal de emergência impede a realização de festas”, revelou a Assessoria de Comunicação da prefeitura local. Mas um grupo de empresários ligados à Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) tenta negociar com a Administração Municipal alternativas para a festa.

Em Vitória da Conquista, que se orgulhava de manter o legado do São João tradicional, a baixo custo, a crise também chegou. Ano passado, a festa até que foi grande. Com investimento de mais de R$ 600 mil, a prefeitura conseguiu manter a tradição de trazer um nome de expressão nacional por noite, além da Vila Junina na Praça 9 de Novembro. Mas em 2016, a conversa é outra.

Mesmo tendo anunciado a realização do evento através de sua página no Facebook, a Prefeitura de Conquista pode voltar atrás em sua decisão. Em entrevista ao radialista Pedro Alexandre Massinha, o secretário Municipal de Cultura, Nagib Barroso, adiantou que a festa pode seguir o exemplo de Itapetinga e não acontecer. “Estamos na mesma linha da maioria das cidades baianas que atravessam dificuldades. Dependemos de uma resposta da Bahiatursa para definir o que faremos”, afirmou Nagib. “O prefeito Guilherme estuda a possibilidade de contratar artistas locais, até porque temos nomes que atendem as exigências do público conquistense”, completou.

Seguindo o contraponto está Ibicuí. Sem concorrência na região, o pequeno município de 15 mil habitantes deve, como nos demais anos, arrebatar todo o público jovem que busca a curtição do período junino. Alimentado pelas festas privadas (Brega Light e Ticomia), a cidade deve receber o dobro de sua população no feriadão de São João.

Nesse ano de 2016, a festa que se auto-intitula “o melhor São João da Bahia” completa 61 anos e os gastos devem ser grandiosos. “Vamos gastar mais de um milhão de reais”, afirma Vilson Lindomar Silva, da comissão de São João de Ibicuí. Boa parte desse dinheiro é direcionado à melhoria na estrutura para os visitantes e apoio às festas de camisa, já que as atrações que tocam no palco da prefeitura geralmente não têm grande apelo comercial. “Mesmo em tempo de crise, este gasto vale a pena, porque movimenta a economia local e também mantém a tradição do melhor São João da Bahia”, explica Vilson Silva.

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