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Qual é a imagem que você tem do seu médico?

Dr. Luiz Machado*
Colaboração do médico Getúlio Aurich – Vitória – ES

Algumas vezes, em artigos, gosto de citar as opiniões de pessoas sobre determinado assunto, que ficam muitas vezes, restrito ao local onde foi discutido tal assunto.

Sob um sol causticante, estávamos fazendo as visitas domiciliares, juntamente com outros profissionais de saúde, no bairro, que trabalhamos. Após o dever cumprido da jornada resolvemos descansar sob a sombra de uma árvore, onde se encontravam algumas pessoas deliberadamente descontraídas e conversando sobre vários assuntos. Quando lá chegamos, sentamos também e solicitamos alguns refrigerantes, numa conveniência ao lado.

E, senti que mesmo sendo conhecido o tratamento era muito respeitoso para nós. Principalmente comigo.

Quando então, fiquei pensando: Qual é a imagem que você tem do seu médico?
Temos que estar atentos para o fato de sermos passageiros do tempo, sem exceção. Somos seres limitados pela duração de nossas próprias vidas. O profissional de medicina, é um homem comum, operário como qualquer outro. Afirma (J. B., 06/01/81).

Mas, existe uma diferença fundamental: o médico trabalha com o ser humano. Em tem que saber respeitar o seu material de trabalho, isto não dá ao médico, uma auréola de superioridade.

São vários exemplos que a história nos fornece sobre figuras de médico que realmente fizeram histórias.

Talvez o mais famoso fosse o médico de Antioquia, São Lucas, um dos companheiros de viagem de São Paulo – Segundo a tradição. A vida de São Lucas, como evangelista e como médico, foi tema de um romance histórico muito difundido, intitulado “Médico de homens e de almas”, de autoria da escritora Taylor Caldwell, embora se trate de uma obra de ficção.

Naquele momento que estávamos naquele ambiente, bastante familiar e de respeito, fiz outra pergunta: O que é ser médico de família? Uma moda que volta? Um retrocesso saudosista que abre mão dos progressos da ciência e da medicina? Afirma Dr. Pablo Gonzáles Blasco. Ou talvez um oportunismo de um programa de governo, que chega com ares de solucionar os problemas de saúde do cidadão comum?

- Onde estão os chamados médicos de família?

Um antigo clínico que eu tenho contato e faço das suas palavras um aprendizado, dizia:

- Antes de conhecer a doença, você tem que conhecer a pessoa que tem a doença. E concluiu: “Não existem doenças, mas doentes”. Não podemos esquecer de Dr. Willian Oster, um grande médico, que afirmava: “Mais importante do que o médico faz, é o que o paciente pensa que o médico está fazendo”.

Uma história de um velho médico e professor:

- Olhe, dizia: eu costumo dizer aos meus pacientes que sou o médico de “passando mal”. Não importa se está com dor de cabeça, ou dor nas costas, o paciente não pode ficar como um ping pong e aquela via sacra, procurando especialidades, tratando o indivíduo por setor. Por isso sou o médico de passando mal.

Estar doente não é fácil pra ninguém. A primeira pessoa que você quer do seu lado é a mãe; depois um médico que te cuide.

Com certeza o médico gostaria de fazer que o seu consultório ficasse cheio de pacientes que gostassem dele, que pagam e querem retornar e não querem processar você. Mas, às vezes não é assim que acontece. A relação médico-paciente é o grande segredo para o médico ter sucesso profissional. Apesar de toda atenção que a comunidade médica vem dando aos aspectos emocionais e mentais, muito difícil às vezes, o médico estabelecer com o paciente uma boa relação, proveitosa para ambos.

Cada médico tem que encontrar o seu caminho e a sua forma, demonstrando eficiência, segurança e sua disposição de ouvir. Por outro lado, quando o médico é agredido a sociedade tem sua parcela de responsabilidade. “descrença das pessoas com a classe passam pela “socialização da medicina”, que a própria sociedade permitiu.

Os médicos estão, cada vez mais, expostos a demandas judiciais. (Dr. Roberto Luiz D’Ávila). A prática da medicina defensiva permite ao médico exercer uma medicina de baixo risco e de alto custo, por medo de serem denunciados. Por isso uma boa medicina é caracterizada pela comunicação honesta e aberta entre o médico e o paciente. Após aquele pequeno contato com pessoas anônimas do bairro, continuamos nossa viagem.

*Médico da Família.

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