SERÁ SOMENTE UMA QUESTÃO DE SEMÂNTICA

Por Dr. Afranio Garcez – Advogado

afranio2Nos últimos dias estive a pensar em várias coisas que acontecem no cotidiano de nosso País, inclusive, recebendo em nossa casa a visita ilustre do nosso querido amigo, bancário aposentado, e agora Advogado, sim advogado com “A” maiúsculo, o meu querido amigo de infância Francisco Silva, tive o prazer de com ele passar a última tarde de domingo conversando sobre vários assuntos. Falamos de literatura, música, de poesia, da beleza que é a Cidade de Curitiba, onde atualmente ele reside, da nossa maravilhosa e querida Vitória da Conquista. Também conversamos muito a cerca da política, e como esta tem sido ingrata com alguns dos políticos que se dizem representantes da nossa cidade, e na verdade o são de fato e de direito. Quantas coisas belas estão sendo perdidas em nossa cidade por conta da politicagem, do “puxasaquismo” de várias pessoas que estão mais interessadas é em ter empregos, enquanto nós outros trabalhamos.

Relembramos o nosso passado, quando ainda meninos brincávamos juntos, e lá pelas tantas referir-me ao talento nato dos intelectuais, Professor Paulo Pires, Eduardo Moraes, e do Ezequiel Sena, cujos nomes não podiam ficar de fora. Lembramos com saudade do nosso querido Jardim das Borboletas, que hoje recebe o nome de Praça Tancredo Neves, e que eu recuso-me terminantemente a designar um local público tão belo e agradável com tal nomenclatura, até mesmo, porque, jamais o ilustre homenageado jamais fez alguma coisa por nossa cidade, e mesmo merecedor de uma homenagem, ainda acredito que deveria ser o seu nome emprestado a outro logradouro público. Falamos da constante luta do nosso querido e meu dileto amigo André Cairo, que tanto faz e reivindica por Vitória da Conquista, e principalmente pela pujança e raça de nosso povo. Lembramos que em nossa história política há uma página bela, que é o fato de nunca termos tido um Prefeito desonesto. Omissos tivemos e temos, pois não atenderam ou não atendem aos reclames legítimos do nosso sofrido povo. Já à noite cair na besteira de ir assistir televisão, e aí começo a ver num canal um escândalo político, mudo de canal, o apresentador fala de outro escândalo, então procuro assistir um filme em DVD. Durante esta semana fiquei pasmo ao ver o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados absolver o Deputado Edmar Moreira. É caro leitor, aquele mesmo pobre filho de um pedreiro que tinha um sonho e conseguiu realizá-lo, construindo um castelo digno de disputar com os mais belos e requintados castelos da Europa. Lembrei-me então da conversa que tive dia anterior com o Francisco Silva, onde eu lhe expunha uma idéia, que acredito ser um absurdo jurídico: Se um pobre rouba é ladrão, se um funcionário público rouba o patrimônio público é peculatário, se um político desvia o dinheiro destinado ao seu Estado, ou ao seu município, comete um desvio de conduta que irá posteriormente chamar-se quebra de decoro. Afinal de contas, quem rouba um tostão também rouba um milhão, e qual a diferença entre estas nomenclaturas? Acredito do ponto de vista do direito não ser nenhuma, apenas que o que rouba, o ladrão irá mofar na cadeia, enquanto os demais se saíram bem, e ficarão durante muito tempo conhecidos. Quem não se lembra do escândalo das “sanguessugas”? Ah este já está velhinho. Então o da operação Satiagraha: Este em menos de 48 horas os presos e indiciados pela Polícia Federal já haviam obtidos os seus respectivos Habeas Corpus, e de acusados passaram a condição de acusadores. Ainda esta semana o nosso pobre Presidente do Senado Federal, o ex-presidente José Sarney vem sendo bombardeado por várias acusações, e que acusações. Cada uma mais grave que outra. Será que a nossa imprensa está inventando tudo isso, ou somos nós que estamos sonhando. Aí é que mora o perigo, pois pela vasta documentação apresentada pelos denunciantes, inclusive amigos do Presidente do Senado, e alguns dos seus colegas, a nós parece ser algo mais grave do que pensamos, e que pensa e o caro leitor irá também chegar à mesma conclusão que eu chego, ou seja: Ainda há homens de bem na política, mas que a maioria não merece a lambuja do pão dormido isto é um fato, assim como, querem passar para a nossa população como um todo, que tudo não passa de uma diversificação de nomenclatura para crimes cometidos por pessoas de “castas diferentes”.

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