Governo fixa “meta voluntária” de redução de gases entre 36,1% e 38,9%
Uol
O Brasil levará para a convenção do clima das Nações Unidas em Copenhague, na Dinamarca, o compromisso “voluntário” de reduzir as emissões de gás carbônico em até 38,9% até 2020.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (13), em São Paulo, após reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Carlos Minc (Meio Ambiente), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Franklin Martins (Comunicação Social), além de representantes das áreas ambiental e energética do governo.
Nas últimas semanas, o governo discutiu propostas para a redução de emissão de gases e já havia finalizado a possibilidade de um compromisso em torno de diminuição nas emissões até 2020.
O compromisso brasileiro leva em conta a perspectiva de crescimento do PIB entre 4% e 6% anuais, ao longo do período.
“O Brasil tem compromisso com o desenvolvimento sustentável e isso implica uma posição muito clara que é de redução das emissões de gases”, disse Dilma em entrevista coletiva na sede da Presidência, em São Paulo. “As ações serão voluntárias e passíveis de verificação”.
Metas
A maior parte desse compromisso virá da redução do desmatamento da Amazônia Legal, que o governo espera que diminua em 80%. Anteriormente já havia sido estabelecido que pelo menos 20% da meta viria dessa área. No cerrado, onde as políticas de conservação são menos rígidas, a redução seria de 40%.
Dilma e Minc afirmaram que a aplicação das metas depende também de financiamento. Uma estimativa do Banco Mundial aponta que US$ 400 bilhões são necessários para combater o aquecimento global até 2020. A União Europeia já se disse disposta a contribuir com 100 bilhões de euros, mais de US$ 149 bilhões. “Também queremos lidar com estes recursos”, afirmou o ministro do Meio Ambiente. “Mas o Brasil também tem recursos próprios para garantir o cumprimento desses compromissos”, completou.
Dilma, favorita de Lula à sucessão presidencial em 2010, afirmou que o compromisso de redução se baseia em “ações factíveis” e que por isso o Palácio do Planalto estará atento a meios de financiamento dessas iniciativas, também junto à iniciativa privada.
No cenário mais otimista, de redução de 38,9% das emissões até 2020, 24,7% do total vem da redução do desmatamento na Amazônia e no cerrado; 6,1% de ações na agropecuária, em especial a recuperação de áreas de pastagem; 7,7% em iniciativas na área de energia, como a expansão da oferta de energia por hidrelétricas e 0,4% em operações no ramo de siderurgia. A redução do desmatamento da Amazônia contribui com o maior percentual: 20,9%.
No cenário menos otimista, as metas para uso da terra se mantêm em 24,7%, mas diminuem nas iniciativas em agropecuária (4,9%), energia (6,1%) e siderurgia (0,3%).
Minc afirmou que a meta brasileira é ambiciosa apesar de o país ainda estar em desenvolvimento. “A Índia vai dobrar suas emissões até 2020. A meta do Brasil, que é voluntária, é a mais audaciosa entre os países emergentes.” Mais cedo, o presidente Lula disse que a delegação brasileira chegaria a Copenhague “com moral ainda mais alta do que no dia em que fomos lá para conquistar as Olimpíadas para o Rio de Janeiro”.
Imprima esta matéria
|
Envie esta matéria
| 53 visualizaçõesDê seu voto:









