Convenção do PMDB: Geddel ataca Wagner e busca se aproximar do DEM e do PSDB
Confira a cobertura completa da Convenção Estadual do PMDB, ocorrida neste domingo no Hotel Othon, em Salvador
do Política Livre

Geddel, ao chegar para a convenção do PMDB
O discurso do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), pré-candidato a governador do PMDB, hoje pela manhã, durante a convenção em que o partido reelegeu para seu comando seu irmão Lúcio Vieira Lima, deu o tom do que deve acontecer nas eleições de 2010. O peemedebista teceu fortes críticas ao governador Jaques Wagner (PT) e buscou aproximar-se do PSDB e o DEM, através de elogios aos presidentes das legendas, respectivamente, Antônio Imbassahy e Paulo Souto, contra quem concorrerá nas eleições ano que vem.
“Ainda que estejam à frente de um projeto diferente do nosso, (eles) aceitam o convite feito pelo nosso partido a todos os partidos do Estado, demonstrando que é possível sim mantermos discordâncias, trilharmos caminhos diferentes, mas é mais do que possível, é necessário e obrigatório entendermos que a política pode ser feita de forma substantiva e não adjetiva, com respeito mútuo”, declarou.
Os elogios à postura política se transformaram em crítica velada, ao comentar sobre a postura do PT baiano com João Henrique, que já criticara o partido do governado Jaques Wagner no mesmo evento: “João diz, de forma clara, aos que apesar de dizerem de uma forma, praticam de outra, confundem. Respondem à cortesia, educação e relações civilizadas, essas sim, republicanas, com falta de apoio e compromisso político”, disse, recordando do rompimento petista com o prefeito nas eleições municipais de 2008.
Geddel criticou a gestão do governo do Estado na área cultural, na infra-estrutura, na Segurança Pública e Saúde: “Prioridade não se estabelece no discurso, mas no orçamento. Em 10 meses, mais de R$ 60 milhões para fanfarronar na propaganda enquanto investiu apenas R$ 15 milhões na Segurança Pública”, disse, lamentando também “a perda de investimentos” para outros Estados do país.
Por fim, o ministro convocou os membros do PMDB a iniciarem a campanha, ainda que de forma indireta: “A partir da virada do ano não é hora mais do comodismo, da espera, da observação. Homens e mulheres que compartilham esse sentimento comigo arregacem as mangas e levem a cada canto da Bahia a minha palavra de fé e o meu compromisso com o nosso Estado”, apelou.
João Henrique agradece a Geddel e acusa PT de boicotá-lo por três anos

Geddel, João Henrique, Temer e João Cavalcanti
Num dos discursos mais fortes realizados até agora na convenção do PMDB, o prefeito João Henrique agradeceu o apoio que recebeu do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) na campanha de 2008, depois de ter seu governo, segundo ele, boicotado “por dentro por três anos” pelo PT. ”Conseguimos mostrar à população de Salvador como enfrentar e resolver os problemas com o apoio do ministro Geddel Vieira Lima, numa parceria que Deus abençoou”, disse João Henrique. O evento é prestigiado, entre outros, pelo presidente nacional do PMDB, Michel Temer, o empresário João Cavalcanti, cotado para candidato ao Senado na chapa de Geddel, além do senador César Borges (PR), do ex-governador Paulo Souto e do deputado federal ACM Neto, do DEM, e do presidente do PSDB, Antonio Imbassahy.
Temer confirma que apoio a Dilma depende da solução de conflitos estaduais
Em entrevista exclusiva, o presidente nacional do PMDB e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), afirmou hoje que o apoio de seu partido à candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT) depende apenas da resolução dos problemas com o PT enfrentados nos Estados: “O importante é fazer o ajustamento nos Estados, como estamos fazendo aqui na Bahia. Aqui, a solução foi o palanque duplo para Dilma”. Temer nega que o desempenho da petista nas pesquisas possa direcionar a decisão do partido.
O mal-estar gerado com a declaração do presidente Lula, que pediu ao PMDB uma lista tríplice para escolher o vice de Dilma, segundo Temer, já foi contornado. O peemedebista discorda que a atitude de Lula desprestigiaria seu nome, até então o favorito para a disputa: “Em absoluto. É um assunto inteiramente superado. Eu nunca fui candidato a vice-presidente, as pessoas que dizem que eu sou. É primeiro preciso fechar a aliança e depois escolher o nome que melhor somasse para a aliança”, salientou.
Temer não vê relação entre a decisão de Lula e as denúncias de que seu nome estaria em uma suposta lista de caixa 2 da Camargo Corrêa: “É uma denúncia apócrifa. Eu já entrei na Justiça”, afirmou.
Apoio do partido – Temer, disse durante a convenção do partido, que ocorreu no Othon Hotel, que o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) tem total apoio da legenda no plano nacional para ser candidato ao governo da Bahia.
César Borges distribui simpatia, mas não diz para onde vai

César Borges fez questão de dizer que estava entre amigos na convenção do PMDB
O senador César Borges (PR) foi o único político de fora do PMDB a discursar hoje pela manhã na convenção do partido em que o peemedebista Lúcio Vieira Lima deve ser reeleito presidente. Ele falou em nome dos demais presidentes de partidos – Paulo Souto, do DEM, Antonio Imbassahy, do PSDB, e Jonival Lucas Jr., do PTB -, fez um discurso muito simpático ao PMDB, recebeu apelos para ser o candidato a senador de Geddel Vieira Lima, mas não deu pistas para onde vai – se compõe a chapa com Paulo Souto, com o próprio Geddel ou com Jaques Wagner, do PT.
Borges reafirma que amigos estão no DEM e PMDB, mas que não fecha portas
Em entrevista logo após ter discursado na convenção do PMDB, o senador César Borges negou que haja qualquer aproximação política com o governador Jaques Wagner (PT) com vistas à eleição de 2010. Segundo Borges, a “aproximação se deveu a nível de interesses da Bahia. Foi uma estrada, trabalho feito pelo PR, Ministério dos Transportes, e o governador teve a gentileza de me colocar para participar da solenidade (ato de assinatura das obras), mas essas questões não se colocam a nível partidário, político”, garantiu.
Apesar de ressaltar que não passa de especulação a sua participação na chapa petista, Borges não fechou as portas para uma aproximação: “A mim me satisfaz muito saber que meu nome está bem colocado e que é ventilado por todas as correntes políticas. Mas meu caminho natural é estar ao lado daqueles com quem eu sempre caminhei. Mas politicamente você nunca pode fechar as portas e janelas. As conversas podem existir se houver interesse da Bahia em primeiro lugar. Meu caminho natural está com meus amigos, que estão no DEM e no PMDB”, disse.
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