29% querem vacina dos EUA; só 9% dizem preferir imunizante da China

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Publicado por Editor | Colocado em Saúde | Data: 02 nov 2020

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poder360

20% preferem vacina da Europa

Só 3% tomariam uma da Rússia

Bolsonaristas optam pela dos EUA

Leia o levantamento PoderData

Entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, 33% preferem a vacina dos Estados Unidos e só 2% a da China

Pesquisa PoderData mostra que 29% dos brasileiros preferem tomar uma vacina contra covid-19 que seja feita nos Estados Unidos. Outros 20% afirmam que, se pudessem, escolheriam 1 imunizante que fosse feito por países da Europa.

O percentual dos que optam por vacinas desenvolvidas por farmacêuticas da China ou Rússia é menor, 9% e 3%, respectivamente.

Todas as taxas tiveram variação dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais em relação ao último levantamento, feito de 17 a 19 de agosto.

A pesquisa foi realizada pelo PoderDatadivisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é realizada em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 26 a 28 de outubro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 488 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os brasileiros que representem de forma fiel o conjunto da população.

O levantamento foi feito logo depois da repercussão do embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Adversários ferrenhos, o presidente e o tucano divergem sobre a obrigatoriedade da vacina.

Além disso, em 21 de outubro, em ato contrário à vacina da China, o Bolsonaro cancelou 1 acordo firmado pelo Ministério da Saúde para aquisição de 46 milhões de doses da CoronaVac, imunizante contra covid-19 desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Frente à resistência do governo federal, Doria decidiu fechar o contrato pela compra da CoronaVac. Das 46 milhões de doses do imunizante, 40 milhões serão produzidas no Brasil. Na última 4ª feira (28.out.2020), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a importação de matéria-prima da China para produção da vacina.

Os temas repercutiram fortemente na mídia, principalmente de forma negativa. Em grupos de WhatsApp, pipocaram vídeos de supostos médicos e profissionais de saúde –criticando e elogiando o governo.

Após a mobilização de partidos, tanto a obrigatoriedade da vacina quanto a desistência da compra da CoronaVac pelo governo federal serão analisadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

PoderData também mostrou que 56% dos brasileiros defendem a obrigatoriedade da vacina e 36% são contra essa medida.

A divisão de pesquisas do Poder360 também indica que 63% dos brasileiros “com certeza tomariam” a vacina contra o coronavírus caso ela já estivesse disponível.

ESTRATIFICAÇÃO

PoderData separou o recorte da pesquisa por sexo, idade, região, escolaridade e renda. Observam-se os maiores percentuais de preferência nos seguintes grupos e regiões:

  • Vacina feita na China: homens (10%); pessoas de 60 anos ou mais (15%); os que têm ensino superior (12%); moradores do Nordeste (12%); e os que ganham de 5 a 10 salários mínimos (19%);
  • Vacina feita nos Estados Unidos – homens (32%); pessoas de 16 a 24 anos (43%); os que têm só o ensino fundamental (33%); moradores da região Norte (43%); e os desempregados ou sem renda fixa (33%);
  • Vacina feita na Europa – homens (25%); os que têm de 25 a 44 anos e os que têm 60 anos ou mais (22% em cada estrato); os que têm ensino médio e superior (26% em cada estrato);  moradores do Sul (27%) e os que ganham mais de 10 salários mínimos (43%);
  • Vacina feita na Rússia – mulheres (4%); os que têm de 16 a 24 anos e de 45 a 59 anos (3% em cada estrato); os que têm apenas o ensino fundamental (3%); moradores do Centro-Oeste (10%); e os desempregados ou sem renda fixa (4%).

Leia a estratificação completa no infográfico abaixo:

Atualmente, estão sendo realizados 4 estudos clínicos de vacinas contra o coronavírus no Brasil, todos estão na 3ª e última fase de testes. Eis quais são:

  • Vacina de Oxford – produzida pelo laboratório sueco AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, da Inglaterra;
  • CoronaVac – desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan;
  • Vacina BNT162b1 – desenvolvida pela empresa alemã de biotecnologia BioNTech e pela farmacêutica norte-americana Pfizer;
  • Vacina Jansen-Cilag – produzida pela farmacêutica belga Janssen, do grupo norte-americano Johnson-Johnson.

No mundo, a 1ª vacina que recebeu aprovação regulatória foi a da Rússia: a Sputinik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou. Na última 3ª feira (27.out.2020), o país pediu à OMS (Organização Mundial da Saúde) a aprovação do uso emergencial do imunizante.

VACINA X BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro e parte da sua base de apoio, inclusive seus filhos, glorificam rotineiramente a aproximação da administração federal com o governo dos Estados Unidos, que antecipou em julho a compra de US$ 1,95 bilhão em

vacinas da Pfizer e BioNTech.

Bolsonaro, no entanto, ainda não manifestou nenhuma preferência sobre alguma vacina, mas se disse contrário à da China. Na última 2ª feira (26.out.2020), o presidente ainda defendeu o investimento no tratamento da doença ao em vez da produção de 1 imunizante contra o coronavírus, que já matou mais de 158,4 mil pessoas no país.

“Não é mais fácil e até mais barato investir na cura do que na vacina?”, questionou. “Pelo que tudo indica, todo mundo que tratou precocemente com uma destas 3 alternativas aí [hidroxicloroquina, ivermectina e o vermífugo Anitta] foi curado”, disse.

O posicionamento do presidente parece influenciar os que avaliam positivamente seu trabalho individual na Presidência. Dos que acham o Bolsonaro “ótimo” ou “bom”, 33% preferem tomar uma vacina feita nos Estados Unidos e só 2% preferem 1 imunizante produzido pela China.

Já dos que acham o presidente “ruim” ou “péssimo”, 29% preferem uma fórmula desenvolvida na Europa. Outros 18% preferem a produção chinesa e 2% preferem uma feita na Rússia.

Considerando a avaliação do governo federal em geral, dos que aprovam o governo, 36% têm preferência por uma vacina norte-americana e só 2% optam pela russa.

Entre os que desaprovam o governo, 29% preferem 1 imunizante produzido na Europa, 18% a dos EUA, 17% a da China e só 2% querem a da Rússia.

SABRINA FREIRE
30.out.2020 (sexta-feira) – 6h00

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