30 mil hectares de eucalipto para nada

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Economia, Vit. da Conquista | Data: 04 ago 2015

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Eucalipto

No ano de 1998 o governo do Estado da Bahia instituiu um programa denominado Florestas Para o Futuro, com a finalidade de fomentar o plantio de maciços florestais homogêneos de espécies nativas e exóticas e, dessa forma abastecer o mercado futuro de biomassa. Contudo, ocorre que devido à falta de experiência do médio e pequeno produtor rural, bem como da falta de demonstrativos de viabilidade econômica, o programa se resumiu à criação de duas associações de reposição Florestal, sendo uma em Vitória da Conquista – AFLORE e outra na serra geral – ABAFLORE. A primeira cumpriu bem o seu papel, distribuindo mudas e insumos para o desenvolvimento de pequenos e médios plantios, que seriam computados na obrigação jurídica de repor dos seus associados, os médios consumidores de lenha que compunham as associações.

No ano de 2002 houve a criação da SEMARH, Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia, e ali foram reunidos todos os órgãos da esfera ambiental, a saber SRH – Superintendência de Recursos Hídricos, CRA – Centro de Recursos Ambientais e SFC – Superintendência de Florestas e de Conservação. Este último vislumbrou por meio de seu quadro técnico efetivo a grande viabilidade do Planalto de Conquista em produzir biomassa para fornecimento às siderúrgicas de Minas Gerais, sob a forma de carvão vegetal, uma vez que esse fornecimento já ocorria naturalmente, só que com produto ilegal. Dessa forma se iniciou por iniciativa do escritório da SFC de Vitória da Conquista um programa de fomento, que legalizava as supressões clandestinas passiveis de serem autorizadas, desde que ali fossem plantadas florestas de produção, ficando as áreas de floresta clímax e em estágio avançado de regeneração protegidas.

O programa foi um sucesso, principalmente entre os produtores que investiram em até 50 hectares, limite máximo em que os técnicos da SFC poderiam acompanhar. E os resultados foram evidentes, principalmente pelo comércio já aos três anos de estroncas e escoras para a construção civil, e aos cinco e sete anos para serraria que abastecera as indústrias de estofados da região que é polo desta atividade.

Por outro lado, o grande produtor também viu na silvicultura uma possibilidade de investimento, ainda mais depois que programas como o FNE – Verde, administrado pelo Banco do Nordeste, passou a disponibilizar recursos com baixas taxas de juros e longos prazos para pagamento. Neste diapasão, a região saltou de 1.700 para quase 30.000 hectares de maciços florestais homogêneos. Fato que sobrecarregou a demanda local, ora restrita à lenha para cerâmicas, estroncas para construção civil e serraria para indústria moveleira. Com isso os preços da “madeira em pé” despencaram chegando aos ridículos R$16,00 o estéreo de lenha em pé em 2012, e sem aproveitamento de galhada e pontas.

Hoje o preço gira em torno de R$22,00 reais, mas como o real sofreu uma forte desvalorização, é provável que na verdade o preço, em se tratando de valor de retorno de investimento, seja os mesmo R$16,00 do ano de 2012.
Para se ter uma ideia, o BNB disponibilizou recursos a partir de 2005 com a perspectiva de venda da floresta em pé por R$30,00 o estéreo em 2012. Ou seja, não fosse a seca e a consequente anistia parcial dada pelo Governo Federal muitos produtores estariam inadimplentes com o banco.

Fica evidente que a região precisa de uma indústria de base de biomassa, para que pelo menos o preço do produto se estabilize. Seja uma fábrica de MDF, uma termoelétrica, uma siderúrgica próxima à estrada de ferro, ou mesmo uma fábrica de laminado, ou de pellet, como já foi cogitado recentemente.

Não há de se esperar atitude do Governo do Estado, que tem demonstrado repúdio pela atividade florestal fora do extremo sul, alguma atitude que beneficie o setor, uma vez que a primeira atitude da atual gestão de meio ambiente foi desmontar todo o programa de fomento à atividade florestal ligada à silvicultura, deixando os órgãos ambientais apenas com a fiscalização e o licenciamento, e até estes estão sendo paulatinamente passados aos Municípios, que, com raríssimas exceções, não tem competência técnica para gerir a pasta.

Foto: Ilustração

Fonte: Jornal Conquista Forte é Conquista Unida

 

 

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