A sofisticada tabaroa do poeta

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 ago 2018

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Por Nando da Costa Lima

 

Aqui é tão diferente…, é Conquista que escolhe a gente, chega sorrateiramente e toma conta da gente! O amor aqui é latente…

Quando dei por mim eu estava na Conquista “meio civilizada, meio tabaroa” do poeta Laudionor de Andrade Brasil. Um dos grandes nomes da poesia diferente da terra do frio. Ele olhava pra Conquista e enxergava poesia, ninguém a amou tanto, é um daqueles raros poetas que nos transporta pra dentro da sua poesia. Arapucas, badoques, alçapões, gaiolas, juritis, Simão, Rua Grande, Barracão… Tudo girando na cabeça, coisas que às vezes nem são citadas, mas que estão presentes nos versos dos poetas que voam, eles nos levam aonde querem. É aí que se revela a mágica… Odores, sons, mágoas, alegrias, barracões e brincadeiras. Tudo vida, tudo versos. “Eu te amo demais/ Mais que toda gente! / Quem te fere é a mim que fere/ Quem te maltrata, / É a mim que maltrata / É a mim que atiram o cuspo do desprezo / Os que te desprezam! / E porque te amo assim Conquista / Eu sou profundamente bairrista”.

Ele nasceu no primeiro ano do século vinte e, como todo grande poeta, estava bem além do seu tempo. Mesmo assim, não deixou de se apaixonar por sua terra, e fez de Conquista sua eterna musa. Quando um poeta transcende, sua poesia nunca é corroída por modismos… O tempo é uma constante ameaça, ele passa como se estivesse desafiando o homem a deixar sua marca, justificar sua existência! E isso é difícil, muito difícil. Pro poeta então… Só os que voam alto conseguem deixar sua marca no lombo do tempo. O poeta Laudionor Brasil foi criado na Rua Grande, brincando pelos arredores de Conquista. Uma infância feliz. Quase toda poesia dele foi voltada ao espaço em que viveu. Versos lindos, inspiradíssimos. Faz bem pra alma saber que pessoas tão maravilhosas viveram aqui na nossa terra, parece até que eles marcaram pra se encontrarem aqui: Íris, Camillo, Laudionor, Erasthótenes. Eles reinaram absolutos e criaram coisas incríveis… Valsaram com a dama do frio. E o tempo revelou uma nova Conquista para novos poetas, que aprenderam com eles a voar alto sem tirar os pés do chão. Pois é, poeta, nossa cidade cresceu. Muita gente se apaixonou pelo seu jeito tabaréu chique de ser… Mas ninguém conseguiu demonstrar aquele “amor paixão” como você fez: “Sou um selvagem que ficou parado, / ante o esplendor da civilização / E tenho na minh’alma lavada / O orgulho dum nativo não domado / O amor às causas simples do sertão”.

E a cidade, hoje bem diferente da Conquista da sua mocidade, mesmo tendo conservado seu charmoso lado tabaréu, sente o amor que emana dos seus belos versos. Só os magos conseguem isso, seus versos ganham vida própria. “Minha cidade bonita / Conquista meio civilizada / Conquista meio tabaroa/ terra de minha infância alegre e boa / terra da minha adolescência descuidosa / terra da minha tumultuosa mocidade / como me punge a certeza amarga, que eu tenho / que não serás, berço querido / terra da minha velhice inatingível”. O poeta deixou sua sofisticada tabaroa antes de completar 50 anos.

Tentar explicar as partidas e chegadas em versos é um doce devaneio. Coisa de poeta.

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