Atrás Do Chiclete

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 out 2018

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Por Nando da Costa Lima

Esses dias encontrei com Massinha e ele me perguntou qual o meu estilo literário, se era conto, crônica ou “causo”. Pois bem, não é nenhum desses. Eu escrevo romance “comprimido”, estilo genuinamente conquistense. É mole?

Até parece que foi ontem…

Deusinete e Averaldo, um casal simples que tinha muito em comum, adoravam o carnaval e tinham verdadeira paixão pelo Chiclete com Banana. Essa paixão pelo Chiclete era tão exagerada que eles faziam qualquer negócio pra estarem pre­sentes em qualquer apresentação da banda. Quando souberam que “Béu” estaria em Conquista animando a micareta só fal­taram endoidar, daquela vez eles iriam poder realizar um velho sonho em comum, é que tanto ela como ele pagavam caro para serem filmados pela TV, trocando um beijo apaixonado atrás do Chiclete com Banana, essa ideia era quase uma obsessão. Dessa vez eles estavam perto de casa, tinha tudo pra dar certo. Antes de começar a festa eles já sabiam todos os locais onde estavam localizadas as câmaras de televisão, só não entraram pro Massicas por­que a grana tava curta. O jeito era seguir o Chiclete de fora das cordas, mas não tinha erro! Dentro ou fora das cordas a televisão não ia deixar passar nada.

No primeiro dia de micareta eles estavam inquietos e mesmo sabendo que o Chiclete só ia sair à tarde foram cedo pra Praça do Gil, quando deu meio dia já estavam travados de conhaque. Deusinete tava tão bêbada que tentou agarrar Sabino (o dono do Bar) pensando que era “Béu” do “Chicrete”, aí o pau quebrou, e o soco no olho que Averaldo acertou no amor impediu que eles tentassem realizar o sonho do beijo atrás do trio logo no início da festa. No segundo dia ofereceram uma garrafa de guaraná cheia de “cheirinho da Loló” pra Averaldo, ele pensou que era coisa pra beber e tomou toda de vez. Só não morreu porque Dr. Cabral tava por perto e fez uma respi­ração boca a boca, demorou mais de meia hora pra ressuscitar o homem, o Dr. ficou com o “beiço” roxo e Averaldo mesmo depois de recuperado do desmaio ainda saiu trocando as per­nas. O terceiro dia foi terrível, tiveram que chegar cedo pra conseguir um banco vazio na pracinha, pegaram um que ficava de frente pra câmara, com o estômago naquele estado a coisa ia ficar bem mais difícil. Mesmo assim eles estavam dispostos a tentar, só não tentaram porque Deusinete achou de comer um acarajé e não se sabe como ela conseguiu cair daquele jeito em cima do tabuleiro de Carmem, a coisa só não foi mais séria porque o dendê ainda não estava no ponto, ela caiu sentada em cima do tacho, foi preciso a ajuda de dois policiais para desen­talar Deusinete do tacho, ficou com a bunda parecendo cara de gringo quando toma muito sol. E mais uma vez voltaram pra casa sem realizar o planejado.

E veio o quarto e último dia, ela com o olho roxo e a bunda que era uma bolha só e ele com o estômago pra sair pela bo­ca, mesmo assim ainda tinham esperança. . . O azar foi que quando estavam treinando o beijo num trio que vinha na frente do Chiclete, Averaldo deu bobeira e deixou o pé na frente; o trio não só passou por cima como ainda deu uma paradinha pra tocar umas cinco músicas enquanto ele berrava de dor e o pessoal que estava em volta fazia o mesmo pensando que era alguma dança inventada em Salvador. Quando o trio resolveu sair de cima de seu pé não deu nem tempo dele cair pra trás de dor, foi aparado por um policial e quase ia preso por dançar a Timbalada com muita violência. Só depois de muita explicação é que foi levado pro hospital em lugar da cadeia. E assim o casal passou a micareta Alto Astral, não chegaram nem a ver o Chiclete de perto… Antes não tivessem vindo.

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