Comandante da CAESG faz balanço dos assaltos a bancos na região Sudoeste

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Publicado por Editor | Colocado em Polícia, Sudoeste, Vit. da Conquista | Data: 10 maio 2013

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da Redação

mascarenhas1Em 2012, na base do Sindicato dos bancários de Conquista e região, ocorreram 12 ataques a instituições financeiras. Em 2013, até o momento, houve um doloroso sequestro de dois funcionários do BB de Belo Campo. Sobre o assunto, o jornal O Piquete, veículo produzido pela assessoria de comunicação do sindicato dos bancários, entrevistou o comandante da Cipe/Caesg, major Mascarenhas. Nós reproduzimos toda a entrevista abaixo. Confira:

Qual a resposta de vocês para a sociedade?

Observamos essa redução na jurisdição do Sindicato dos Bancários de Conquista e Região. Tivemos ocorrências em Guanambi, Malhada e Ibiassucê. A que atribuímos essa redução? Primeiro, fizemos um trabalho muito forte juntamente com os comandantes dessas cidades, principalmente na região de Condeúba, onde encontrávamos resistência.

O Major Selmo fez um serviço de monitoramento da rede bancária. Hoje, a Caesg, as guarnições e o Comando de Cândido Sales têm o monitoramento da cidade e região. Resolvemos o problema de Condeúba e vizinhança.

Em Cândido Sales, também já implantamos esse mesmo sistema. Estamos para implementar em Barra do Choça, Planalto e Anagé. É um sistema que opera com um conjunto de fatores entre a Polícia, Câmara de Dirigentes Lojistas, Banco do Brasil, Bradesco e Prefeitura Municipal para que a sua implementação.

Ainda é pouco. Precisaríamos de muito mais. Apresentamos o projeto para a Superintendência do BB e do Bradesco. Esperávamos uma contribuição maior por parte dos bancos, pois é um projeto de baixo custo e grande validade. Isso impede um pouco essa sensação de segurança ampla.

Além disso, estamos com um policiamento bastante reforçado nos dias de grande movimentação financeira: pagamentos, aposentados, transporte de numerário. Aumentamos significativamente o nosso quantitativo operacional nessas áreas para combate naquela data onde verificávamos um aumento dessas ocorrências.

Qual a previsão para os próximos sistemas de videomonitoramento?

Já fizemos o planejamento e agora está em fase de implementação em Barra do Choça. Já estamos em discussão com Planalto, Poções e Anagé.

Como os bancos contribuem?

Ainda não fomos contactados pelo Itaú e Caixa. Não os contactamos por um aspecto de estatística. Até hoje não tivemos ocorrência em nenhum dos dois. Já tivemos o apoio da Caixa em Cândido Sales. Mas, assim que a demanda surgir, vamos também procurá-los.

Nossos maiores “clientes” são Banco do Brasil e Bradesco. Porém, a contribuição ainda é mínima. Eu não falo nem a contribuição de ordem financeira. Mas sim a contribuição estratégica. Por exemplo: quando uma agência vai ser instalada, ou mesmo seu sistema de segurança, nós (que somos responsáveis pelo sistema de prevenção e combate a assaltos) não somos convocados.

Em Condeúba, consultamos os bancos para colocarmos um monitoramento/sensor na porta das agências para que, à noite, quando a porta fosse estourada, soasse um alarme aqui na sede da Caesg, na viatura mais próxima e na sede da companhia da cidade.

Eles não permitiram isso, alegando segurança estratégica. Entraríamos com equipamento, pessoal, mas eles se negaram. Nós temos a filmagem, mas fica monótona e cansativa. Mas, se o assaltante fosse observado lá, e nós acionados, seria diferente. Ou seja, eles rechaçaram e é um prejuízo para a segurança pública e para a investigação dessas quadrilhas.

O sensor não ficaria dentro da agência. Quando fosse explodido, os alarmes soariam e teríamos essa agilidade, pois os assaltantes ficam nos locais por cerca de 30 minutos. Eles arrombam, furam, instalam, explodem e localizam o numerário. Até a movimentação, qualquer pessoa que passe pela agência durante a madrugada, iria despertar aqui.

Outro fator, de conduta humana, que não é de estratégia. A conduta dos gerentes nas agências do interior em compartilhar, com os comandos, suas rotinas. O banco resiste a nos manter contato para dizer se está tudo bem, se chegaram bem em suas residências. Até mesmo um sms. No dia em que ele não comunicar, a polícia já fica atenta e vai verificar. Se fosse um protocolo de segurança, iríamos diminuir a questão dos sequestros.

O Bradesco não tem feedback algum. Nunca participam de reuniões, sequer deram qualquer satisfação. A reunião só ocorre com os gerentes das agências, quando vamos fazer esse planejamento do sistema de vídeomonitoramento. Mas, em termos estrutural, de estratégia de segurança, o Bradesco não dá satisfação alguma.

Em Tanque Novo, tivemos um assalto na agência do Bradesco e a filmagem era da pior espécie. A qualidade pior possível, sem porta giratória. E essa é uma área que sempre foi alvo de investidas. Já sinalizamos para instalar o monitoramento e não tivemos nenhum feedback. Estamos trabalhando sozinhos, quando deveríamos trabalhar conjuntamente.

A redução do numerário nos terminais de auto-atendimento também é uma importante medida. Esperamos que, com isso, também diminua o interesse dos bandidos.

Não queremos entrar na parte interna do banco. Isso não nos interessa. Mas, quando esses indivíduos chegam à noite e estouram, assaltam um gerente, não estamos trabalhando apenas com questão patrimonial. Estamos trabalhando com sensação de segurança pública, temor e pânico que causa à população. Queremos implantar essas ferramentas tecnológicas na área externa.

Que os gerentes também nos procurem para adotarmos condutas, rotinas.

Em relação às quadrilhas? Como está a situação?

A investigação faz parte do Garcif, mas aqui na região já prendemos algumas. Dois indivíduos que planejavam um sequestro com a gerente do Santander. Em Guanambi, prendemos uma grande quadrilha de explosão e estamos tentando investigar com a Polícia Civil as outras quadrilhas.

A região de Guanambi, após a prisão, tivemos uma baixa. Há uma grande mobilidade dessas quadrilhas. Recentemente, prendemos um dos grandes líderes de assalto a bancos. O “Shrek”, que estava morando em Livramento, havia sido condenado a 30 anos por assalto a banco em Maracás, Tanque Novo, Barreiras, Tancredo Neves e São Paulo. Com três anos concedeu a saída temporária para o Dia dos Pais e ele nunca mais voltou. Prendemos com um carro roubado.

Temos deficiências estruturais de efetivo. Já temos armamento suficiente, mas estamos com efetivo aquém.

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