Conquista: ritmo crescente de homicídios cria cenário preocupante para o futuro

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Segurança | Data: 05 ago 2016

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por Mateus Novais

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O relato de um jovem de 10 anos emocionou as pessoas que compareceram à Câmara Municipal de Vitória da Conquista, nessa quinta-feira (4). Durante uma audiência pública que discutia a violência, o garoto Alexandre Gomes relatou que este mal social tirou a vida de três pessoas de sua família: tio, tia e pai. A tia de Alexandre foi esfaqueada com 20 anos, seu pai foi assassinado com 25 anos e seu tio com 20, estes dois com arma de fogo. “O que faz uma criança sem seus pais? Onde está a lei? Cadê os direitos e a segurança?”, questionou Alexandre.

A emocionante indagação do garoto traz a tona o problema da violência que cerca a juventude conquistense. Dados consolidados da Secretaria de Segurança Pública apontam que, entre 2012 e 2015, foram registrados 513 homicídios no município – este número aumentará consideravelmente ao término de 2016, já que nos sete primeiros meses deste ano foram computados 115 mortes violentas. Os números envolvendo crianças e adolescentes também chamam muito a atenção. Nos últimos seis anos, 257 crianças e adolescentes foram executados por arma de fogo no município.

O ritmo crescente de homicídios preocupa e cria um cenário nefasto para o futuro. Segundo a projeção da coordenadora do Conselho Tutelar da Zona Leste da cidade, Juliana Mota, até 2040 ocorrerá mais de 6 mil homicídios em Vitória da Conquista, caso não haja ações que possibilitem a reversão do crescimento da violência. “Em Vitória da Conquista várias crianças e adolescentes têm seus direitos violados, em geral pela família e por instituições que deveriam resguardar a segurança”, afirma Juliana.

O especialista em criminologia, o coronel da Polícia Militar, Esmeraldino Correia, aponta uma média de 8,7 mortes de jovens a cada mil habitantes em Conquista. “No estado, estamos atrás apenas de Itabuna, Cariacica e Camaçari”. O coronel aponta problemas como baixa escolaridade, o uso e abuso de drogas, o isolamento da mulher, a desigualdade dentre homens e mulheres, acesso às armas e aceitação a violência, como importantes fatores sociais que colaboram para os números da violência.

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