Cultura da Insanidade

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Publicado por Editor | Colocado em Cultura, Geral | Data: 04 out 2013

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por Valentina Vaz

A única forma de mantermo-nos sãos

menina“Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas pode chegar o dia em que nos perguntaremos: Quem assinou isto por mim?” Achei esse trecho num livro chamado Ensaio sobre a lucidez. O título, que já é bem sugestivo, me fez pensar que um dos pactos que firmamos, inconscientemente quando nascemos, é o de manter-se lúcido, o de morrer são.

Não poderemos enlouquecer. É essa a regra, na pressa e no amor nos manteremos em perfeita lucidez. É a ditadura da sanidade. Teremos que estar devidamente dentro dos nossos ternos e em perfeita comunhão com a trilogia nascer, trabalhar e ir-se embora desse mundo. Mas, antes que fosse tarde, alguém nessa caminhada anti Alice no País das Maravilhas, deixou escrito: “Aprendi neste ofício que os que mandam não só não se detêm diante do que nós chamamos absurdos, como se servem deles para entorpecer as consciências e aniquilar a razão.”

Alguém aí, ainda está são pra perceber que inverteram tudo, que estão se apropriando do que é a loucura e a transformando no conceito de sanidade? Alguém aí ainda consegue enxergar que mais louco que é quem não morre de amor, quem vive contando dinheiro, quem não abraça apertado até o coração encostar no outro, quem não dança no meio da rua quando toca aquela musica que gosta, quem não fica hipnotizado com o cachorrinho que acabou de nascer, quem não enche o olho de lágrima quando percebe que vive a grande loucura de se enclausurar nessa prisão social de ter que ser exclusivamente aquilo que esperam de nós? Tem alguém aí?

Nesse mundo, onde tudo está ao contrário, estar são, significa enlouquecer. Deixei-me picar pelo vício insanável de manter-me louca. Foi a Cultura da Insanidade que veio para desembaralhar as coisas. E digo mais, a existência dela é a única forma de mantermo-nos sãos.

 

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