DIRETO DA PRAÇA

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 28 dez 2009

Paulo Pires

O Metrô do Professor Ubirajara Brito

Nosso pensador-mór Ubirajara Brito estará nesta terça feira na Resenha Geral expondo sua proposta para construção de um metrô na cidade de Vitória da Conquista. Algumas pessoas estranharam a postulação do professor e isso me remete ao que disse o filósofo americano William James, em 1907, em sua obra Pragmatismo: “Primeiro a nova teoria é atacada por ser absurda; depois admite-se que é verdadeira, mas óbvia e insignificante; por fim ela é considerada tão importante que seus adversários afirmam que foram eles que a descobriram”.

Vou dizer o óbvio: Se Vitória da Conquista mantiver o mesmo ritmo de crescimento que estamos tendo nestes últimos anos [e isso parece ser inquestionável] a cidade terá que realizar imediatamente a obra proposta por doutor Ubirajara, sob pena de daqui a uns cinco anos termos nossa mobilidade urbana totalmente inviabilizada. Em 2015, nossa cidade certamente terá uma população rondando ou além um pouco de 500 mil habitantes. Com o padrão e a mobilidade social que o país e a cidade promovem, não seria de todo errado dizer que parte expressiva dessa população vai adquirir carro. E aí, haja rua para acolher tanto veículo. Por isso, faz-se urgente pensar, ou melhor, concretizar a proposta do Professor. Conquista lhe ficará eternamente grata.

Os mais céticos dirão que se trata de uma proposta muito onerosa para o Erário Municipal e, portanto, Conquista não teria condições de realizá-la. Neste sentido os pessimistas estão certos. Mas se observarmos o contexto e fizermos uma gestão profissional junto ao Ministério das Cidades, veremos que a idéia é perfeitamente factível. Não há nada nela que seja delirante. Trata-se, pois de um projeto que vê a cidade com o olhar de quem está acompanhando o desenvolvimento da cidade tal qual ela se projeta e prenuncia para os próximos anos. E o professor Ubirajara da varanda do seu apartamento assiste ao nosso desenvolvimento pensando o que será de nós, sem um sistema de transporte público adequado ao nosso crescimento.

Diria ainda que as novas idéias sempre foram mal interpretadas quando surgiram. E neste, caso vale lembrar o que disse outro filósofo, agora um inglês, John Locke, em seu Ensaio sobre o Entendimento Humano: “As novas opiniões são sempre objeto de desconfiança, e geralmente de refutação, sem qualquer motivo, além do fato de ainda não serem comuns”. Este colunista diria que no dia em que as pessoas estiverem usando esse metrô do Prof. Ubirajara todos se perguntarão: O que seria de Conquista sem um equipamento dessa utilidade?

Em relação ao eminente mestre afirmo com convicção que conhecendo um pouco de suas idéias, como eu as conheço, e por se tratar de uma pessoa com notória erudição e sapiência, a cada dia ele mais se aproxima daquilo que Mao Tsé-Tung denominava de Homem Social. Existem diversos tipos de homem. O professor está na categoria de Homem-Social. E este é aquele que vive o tempo inteiro impregnado do pensamento coletivo. Sua existência pessoal fica sempre relegada a um plano secundário. Ele se enquadra naquilo que o grande líder comunista chinês afirmava: “É o ser social do homem que determina o pensamento. Quando as idéias corretas características da classe alta são apreendidas pelas massas, essas idéias se transformam na força material que modifica a sociedade e o mundo”. Sábias palavras…

Creio que é hora de pensarmos esta cidade como um gigante que está voluptuosamente contido em seu crescimento por faltar-lhe alguns equipamentos e apetrechos capazes de promover esse boom desenvolvimentista. O próprio professor, ao analisar os processos porque passamos, diz com a segurança que nossa História recente lhe permite ver, que o engenheiro José Pedral foi o responsável pela transição da Conquista dos Coronéis para a Conquista dos bacharéis. Isso é inteiramente verdadeiro. Guilherme por sua vez, e aqui a afirmação é minha, é o responsável pelo surgimento de uma cidade que deixou os seus compromissos com atividades primárias e secundárias, para se transformar numa cidade Universitária e de Serviços qualificados no setor terciário.

Se ainda estamos em um patamar inferior ao que deveríamos estar, é porque nos falta cumprir alguns projetos imprescindíveis para esse fim. Um Aeroporto, por exemplo, é uma desses instrumentos imprescindíveis. Não nos esqueçamos de que o Metrô de Buenos Aires foi construído no inicio do século passado pela Cia. Metropolitana de Paris. Os argentinos concederam aos franceses um prazo de 70 anos para exploração. Findo o prazo, o metrô da capital argentina foi incorporado ao patrimônio da cidade. Creio que uma gestão profissional junto ao Ministério das Cidades, acionando construtoras como Odebrecht ou OAS [ou ambas] traria para nossa cidade um saldo bastante positivo. Essas duas empresas poderiam ir ao BNDES pegar os recursos necessários – numa parceria Público-Privada – e ficariam com o direito de exploração por 70, 80 ou os anos devidamente calculados no contrato. Os conquistenses se lembrarão sempre do grande Professor Ubirajara. Amém.

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