E ele nunca mais fez gol… (Ficção)

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 Maio 2015

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Por Nando da Costa Lima

NandoE João Carne Assada, o “Canhotinha de Ouro”, que batia falta como ninguém e não perdia um gol do meio de campo pra frente nunca mais irá sair de campo carregado pela torcida… Foi operar de fimose e, não se sabe porque, amputaram seu pé esquerdo. Erro médico, errar é humano (Quem inventou esse ditado popular deve ter sido a mãe de um médico). Foi aí que Pedrão “Três Bago” (irmão de “Carne Seca”) ficou puto e desabafou: “Também, a gente entra num hospital e encontra um cidadão com roupa de médico, pose de médico, estetoscópio pendurado no pescoço, as enfermeiras bonitas chamando o sacana de doutor, a gente acaba botando fé. Só que de médico ele não tem porra nenhuma, a não ser o diploma conseguido sabe-se lá como. Daí o time perde o melhor ponta esquerda da região e fica por isso mesmo. Médico uma porra!”.

Se for qualquer tipo de doença que os exames laboratoriais não possam localizar, o médico com certeza lhe dirá ou chamará alguém da família e informará que é tudo psicológico. Não seria também a medicina catastroficamente praticada um estado retroativo da ciência? O óbvio, a sensatez, a investigação estão sendo deixados de lado. Foram naturalmente substituídos por quem vê a lógica como uma deformidade neurológica. O lado psicológico está dando novos rumos à ineficiência de nossos médicos (nem todos, só 80%). É até engraçado diagnosticar uma doença não detectada com outra. Como a medicina mudou e ficou fácil de ser praticada depois de oficializado o politicamente correto. “Estado psicológico”. Tudo é naturalmente psicológico. E assim vamos levando, acho até que a grande maioria dos médicos acham que o juramento de Hipócrates não passa de uma sandice. Ele (Hipócrates) deveria estar num estágio evoluído de depressão quando escreveu aquilo. E os responsáveis por tudo isso lavam as mãos. Por que pelo menos não age como a OAB que só deixa o bacharel começar a profissão depois de conseguir a tão sonhada carteira? Isto evita que muita gente despreparada exerça uma profissão sem saber nada (nem sempre dá certo). É melhor do que deixar que anualmente as faculdades lancem no mercado milhares de jovens sem a mínima condição de exercer as ciências médicas. É isto que leva as massas a se convencerem de que a maioria dos seres humanos sofre de depressão, os que não concordam é porque estão num estágio evoluído deste mal. A depressão é o meio mais fácil para justificar o que grande parte dos médicos não consegue decifrar, algo que vá além do que foi ensinado nos bancos das sucateadas universidades (nem todas). E a indústria do “pavor a tudo” (fabricantes de antidepressivos) agradecem e enriquecem com a “bestialidade médica”. Existem três tipos de médicos: o “semideus”, aquele que enxerga o paciente como uma “coisa” que pode ou não dar lucro. Tem o médico verdadeiro, aquele que vê o paciente como um ser humano igual a ele e exerce a medicina como um sacerdócio, chegam a dar bom dia, boa noite, o paciente até relaxa. Tem também o truculento (ou cavalo batizado, como queira): já recebe o cidadão com cara fechada e dando bronca, o paciente fica se achando o último dos últimos. Parece até que não saber explicar o que está sentindo é um delito grave. Mas enquanto os “semideuses” vão ganhando espaço com seus erros e acertos, a causa psicológica vem se tornando cada vez mais natural. E aí morre gente diariamente… Será que a morte também é um estado psicológico? Nossos “médicos”, com raras exceções, já escolhem esta profissão esperando dias melhores, não passam por nenhuma avaliação antes de ingressarem no mercado de trabalho. O treinamento é feito nos pacientes do SUS, isto é um absurdo. E ainda tem o agravante da ética médica, os erros médicos só veem a público quando denunciados por familiares de pacientes mais bem informados e raramente são apurados, pois a maioria é questão “psicológica” dos parentes “deprimidos” pela perda de um ente querido. E o finado provavelmente morreu por não acreditar que o que tinha era psicológico. Ainda bem que inventaram o raio X, caso contrário fratura só seria levada a sério se fosse exposta. Sorte nossa que os odontólogos (dentistas) ainda não aderiram ao “estado psicológico”. Já imaginou? Enquanto isso, nós continuamos nos lascando em mãos erradas. Temos que ter a sorte de cair nas mãos de médicos que praticam a verdadeira medicina. Coisa rara, muito rara. Mas Deus não iria nos deixar tão desprotegidos, são raros, mas ainda existem aqueles que podemos chamar de médicos.

E enterraram o pé esquerdo de João Carne Seca com chuteira e tudo debaixo de um pé de jaca do campo das “sete casa”. Foi triste, até a filarmônica tocou o hino da cidade no dia… Dona Cotinha, mãe do atleta, uma santa que sempre se conformou com tudo, chegou a comentar com a nora: “Pelo menos ele se livrou daquele calo seco”.

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