Em Salvador, o Dique; em BH, Pampulha; no Rio, Rodrigo de Freitas; em Conquista…

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Publicado por Editor | Colocado em Meio Ambiente, Vit. da Conquista | Data: 20 set 2016

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Por Fábio Sena (Blog)

Pode não parecer à primeira vista, mas isto é uma lagoa.

Pode não parecer à primeira vista, mas isto é uma lagoa.

Um pesquisador de meio ambiente ou um amante do turismo ecológico que resida em outra cidade e que, despertado o interesse de estudo sobre unidades de conservação ambiental em Vitória da Conquista, obtenha acesso à descrição do Parque Lagoa das Bateias no site oficial da Prefeitura Municipal, há-de se encantar com a narrativa ali exposta. “A Lagoa das Bateias faz parte da sub-bacia da Bacia do Rio Santa Rita, que integra a do Rio Verruga e localiza-se na zona urbana de Vitória da Conquista, possuindo uma área de aproximadamente 53 hectares. Após a intervenção da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a área da Lagoa recebeu uma nova estrutura, tornou-se uma Unidade de Conservação, que além de desempenhar funções de manutenção dos mananciais hídricos e de ter importância como monumento paisagístico e área de lazer para a cidade, estimulou investimentos em saneamento, conservação, educação ambiental, lazer e turismo”.

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Sendo oportunizada a este mesmo pesquisador ou turista ecológico uma visita in loco ao parque, em poucos minutos ele dirá da gritante distância entre teoria e prática, ou entre intenção e gesto, como preferiria Chico Buarque de Holanda. Arquitetada para assegurar melhores condições de habitabilidade à antiga ocupação do Bairro Santa Cruz com um conjunto de obras que incluía a construção de um canal de macrodrenagem que liga a Serra do Peri-Peri à Lagoa das Bateias, a unidade de conservação está longe de cumprir suas missões, entre elas a de espaço de convivência. Moradores do entorno temiam desde 2005, quando o Município na gestão de José Raimundo Fontes deu início às obras de requalificação, que a área se transformasse num novo “pinicão”. Adivinhos ou pessimistas, o fato é que a profecia está quase a se cumprir. A obra custou mais de R$ 20 milhões. O ex-prefeito José Fernandes Pedral Sampaio a ironizou: “Projetei uma lagoa, fizeram uma ilha”.

Bois.

O dono deste gado permitiu que os mesmos se alimentasse e fizessem a cesta por ali mesmo.

Quem ainda frequenta o Parque Lagoa das Bateias percebe que, entre 2007 (quando o equipamento foi entregue ao público) e 2016, a área – que teve seus momentos de esplendor – sofreu degradação em múltiplas dimensões e afugentou mesmo os mais renitentes frequentadores, ciclistas e pedestres. A lagoa é uma unanimidade às avessas. Antes uma exuberante paisagem natural e formidável espaço de convivência humana, atualmente o parque é um ambiente descuidado, feio, agredido por descarte de objetos indesejáveis como sacos plásticos e entulhos. Tornou-se um ambiente lúgubre, que exala mau cheiro. O mato ganhou expressão. As tabuas invadiram a lagoa e o belíssimo espelho d’água, que um dia serviu de fundo a românticos registros fotográficos, está escondida sob vasta e indesejada vegetação.

Este é Nivaldo: o único a usar focinheira em seu cão; outros não têm a mesma sensibilidade.

Este é Nivaldo: o único a usar focinheira em seu cão; outros não têm a mesma sensibilidade.

Num domingo, dia 12 de Setembro, em visita ao Parque, foi possível a este blog identificar profundas contradições entre aquilo que foi arquitetado pelo poder público e aquilo em que efetivamente se transformou o lugar. Por ali transitam incólumes cavalos e bois. Uma criança, por muito pouco, não foi literalmente atropelada por um equino que, em disparada, fugia ao controle do dono. E são muitos donos que, sabedores da absoluta ausência do poder público, fazem da área da lagoa um privilegiado pasto para seus bichos. Não são poucos os animais que transitam ali entre as gentes. Num dos registros, o flagra: um casal deleita-se estendido sobre branquíssimo lençol próximo de onde deveria existir um espelho d’água. Enquanto caudalosamente se beijam, estão acompanhados por cavalos que, confortavelmente, servem de “vela” à cena romântica. Outros tantos grupos de pessoas dividem o lazer da tarde com esses vários animais. Contrariando uma lei municipal, também é bastante comum o trânsito de pessoas com cães perigosos sem o uso de focinheira (no cão, por óbvio), subordinando outros transeuntes a risco.

Localizado na Zona Oeste, historicamente desprovida de área de lazer e entretenimento, o Parque Lagoa das Bateias foi abandonado na gestão do prefeito Guilherme Menezes e mereceu boas dúzias de matérias em blogs, rádios e TV’s, além de um grande número de pronunciamentos na Câmara de Vereadores e até de uma audiência pública. Nada sensibilizou o gestor. Nenhum dedo movido para assegurar qualquer investimento público ao espaço. Foi a vereadora Lúcia Rocha quem mais vezes reivindicou ações para conter o crescimento do mato e a falta de segurança. Ela também narrou os recorrentes os casos de vandalismo por falta de agentes de segurança. Além disso, a parlamentar apontou a existência de lixo no local atuando como agente facilitador da proliferação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor de doenças como dengue, chikungunya e zika. Foram falas ao vento.

O Blog do Fábio Sena solicitou de algumas pessoas que manifestassem opinião sobre a carência de espaços de convivência em Vitória da Conquista, com foco especial no caso da Lagoa das Bateias, que recebeu vultosos investimentos públicos e foi, durante algum tempo, um excelente lugar. Jornalistas, professores, cicloativistas, servidores públicos, psicóloga, advogada, administradora, candidatos, enfim, pessoas que atuam em diversos segmentos sociais foram convidadas a emitir opinião. E o fizeram. Em todos, uma certeza: é preciso devolver o espaço à comunidade e cuidar para torná-lo um ambiente saudável para o convívio humano, para a convivência de crianças, jovens, adultos e idosos.

A professora ANA LÚCIA SANTOS, moradora durante muitos anos do bairro Santa Cruz, lamenta o estado atual de abandono e reivindica maior cuidado com esses espaços principalmente nas periferias. “A Lagoa das Bateias poderia ser um grande centro de convivência para a população da periferia, mas com a água contaminada é desaconselhável nadar ou mesmo pescar, o que reduz a capacidade turística e funcional do local. A ideia era transformar a lagoa num parque aquático, mas todos sabemos que ecologia não é o forte dessa administração. Veja o caso do poço Escuro. Penso que sem lazer a periferia vira um grande caldeirão em ebulição e sem o recurso poderoso como é a lagoa, aliada à falta de políticas públicas voltadas para a juventude, nós não venceremos a crescente onda de violência que se instaura na cidade. O Bairro Santa Cruz foi uma forte referência e um celeiro de boas ideias pra mim, e eu percebi que não se enxerga esse potencial”, adverte a professora.

Ton Fernandes, técnico judiciário.

Ton Fernandes, técnico judiciário, em execício na Lagoa das Bateias

A historiadora e militante feminista OTÍLIA SOARES, moradora do Bairro Brasil, argumenta que a Lagoa das Bateias é “um espaço interessante na cidade”, e deveria se tornar um grande espaço de lazer e de interação social. “Claro, precisa-se de novos investimentos; futuramente poderia se transformar num lago, se for concluído o projeto de decantação da lagoa. Mas, uma consulta popular poderia formatar melhor essa ideia; eu sou das que acredita que o povo é capaz de pensar junto com a gestão”, afirmou Otília. O técnico judiciário TON FERNANDES afirma ser necessária uma intervenção da Prefeitura na área que no início era um importante espaço de visitação e prática esportiva do conquistense, principalmente do morador da Zona Oeste. “O abandono, a falta de manutenção dos equipamentos esportivos e a ausência de segurança acabaram por afastar os frequentadores. Uma pena para uma cidade como a nossa onde os espaços públicos com alguma estrutura para o esporte e lazer são escassos”.

André Ará: cicloativista, tem urgência na requalificação.

André Ará: cicloativista, tem urgência na requalificação.

O cicloativista, marqueteiro e candidato a vereador ANDRÉ ARÁ afirma que “a visão é clara de completo abandono”. Segundo ele, trata-se de “mais um equipamento importante para a melhoria da qualidade de vida da nossa cidade que, infelizmente, não é tratado com seriedade”. Ará tem uma indagação: “Pois se a prefeitura investiu milhões na criação, como é que “não tem” verba para uma manutenção mínima? Ou é falta de planejamento ou é omissão. Nada justifica. Vão ter que gastar muito mais agora na despoluição e resgate da mata original. O que deve ser feito de imediato é um estudo dos danos causados pela quantidade de esgoto e poluição despejados ali. Em seguida um plano viável de revitalização; plantio de novas árvores, etc. Manutenção e recuperação dos equipamentos de lazer, iluminação adequada, posto policial e buscar parceria com a iniciativa privada para gerir aquilo como negócio. Porque só a partir daí que a população passará a ocupar de fato este importante equipamento. Mas falta vontade política, na minha opinião”.

Nadjara Régis: falta esclarecer as razões do não-investimento na área.

Nadjara Régis: falta esclarecer as razões do não-investimento na área.

 

A advogada NADJARA RÉGIS, mestranda da UFBA em Direito Público, afirma que “a boa administração é medida pela capacidade de planejamento, por decisões fundamentadas para atingir certos objetivos e finalidades, por decisões impessoais e transparentes, por exemplo”. Ela argumenta que houve um investimento milionário na gestão do ex-prefeito Jose Raimundo para constituir o Parque Lagoa das Bateias e que ninguém sabe até hoje quanto custaria a manutenção daquela obra. “A gestão sucessora, se fez algum estudo sobre o impacto financeiro da manutenção, nunca o deixou transparente para a Câmara de Vereadores e para a população em geral, especialmente as entidades sociais que defendem o meio ambiente e associações de moradores do local do Parque. Então, a atual gestão decidiu, por omissão, deixar as taboas crescerem até acabar com o espelho d’água. Foi uma decisão silenciosa e, obviamente, que compromete os cofres públicos para o futuro. Uma decisão sem justificativa e fundamentação conhecidas. Hoje, em vez de Parque Lagoa das Bateias, temos Parque Taboas das Bateias. Triste, um desamor à nossa cidade o abandono àquela área que pode ser comparada ao Dique do Tororó, na capital, cujo investimento contempla o bem-estar de várias gerações diferentes desde que foi construído para um “cartão portal”. O Parque Lagoa das Bateias é um equipamento com visível potencial turístico e cultural, que quando for bem cuidado promoverá uma cena urbanística democrática”, afirmou a advogada.

Professor Paulo Cairo: de frequentador assíduo a ex-visitante do parque.

Professor Paulo Cairo: de frequentador assíduo a ex-visitante do parque.

O engenheiro agrônomo e doutor em Fisiologia Vegetal pela Universidade Federal de Lavras, PAULO CAIRO – professor do Departamento de Fitotecnia e Zootecnia – deu o seguinte e sintomático depoimento: “Eu frequentava bastante a Lagoa das Bateias, logo quando a prefeitura arrumou aquele espaço, porque eu achava que tinha um astral muito bom, tinha uns bares/restaurantes, pista de ciclismo, etc. Eu até fazia as vezes de guia turístico para amigos de fora, mostrando e comentando sobre a Lagoa, e olhe que eu moro no Jardim Candeias, que fica do lado oposto da cidade. Com o tempo, foram abandonando a Lagoa, e eu comecei a me desinteressar de ir lá. Hoje, creio que deve fazer uns 5 ou 6 anos que não passo por aquela região. Acho que precisa revitalizar aquele espaço. Mas, para um projeto definitivo, tenho dúvidas se poderia ser algo bancado apenas com recursos da prefeitura. Precisa drenagem e desvio de esgotos, estudos sobre a melhor fauna e flora para o interior da Lagoa, estimular a instalação de bares e restaurantes de boa qualidade, promover eventos regulares, criar o hábito de frequentar o espaço. Quiosques para artesanato, souvenires, feiras gastronômicas, enfim, iluminação adequada, segurança”.

Filósofo, Euvaldo acredita que não basta a infraestrutura. É preciso envolver a comunidade.

Filósofo, Euvaldo acredita que não basta a infraestrutura. É preciso envolver a comunidade.

O professor e filósofo EUVALDO COTINGUIBA, defende que ao se pensar a revitalização e requalificação de um espaço público, seja uma praça, um parque, ou um centro de cultura etc. não basta investir nos aspectos materiais, na construção, na estrutura. “Mais que isso, tem que se lembrar de que aquele espaço precisa ser convertido em uma extensão das habitações das pessoas, que seja ocupado pela convivência dos cidadãos. Pensar na praça e no parque sem um projeto de futuro que incentive esta ocupação, a tomada de posse deste pelo cidadão acaba sendo um investimento com pouco retorno e que acaba não sendo aproveitado como deveria. A Lagoa das Bateias é um destes espaços em nossa cidade. Gastou-se para que fosse reformada, reestruturada, mas sem continuidade na promoção de sua ocupação e tomada de posse pela população. Faltaram projetos que permitisse ao povo tomar posse dela. Faltou principalmente a manutenção, o processo educacional das comunidades vizinhas para que entendessem aquele espaço como uma continuidade de suas habitações”.

Na visão do filósofo, é fundamental pensar a revitalização e requalificação do espaço aliada à qualidade de vida daquela área, carente e destituída de opções de lazer, de coleta de lixo etc. Precisa-se resgatar a autoestima de seus moradores. “É estranho investir tanto dinheiro para revitalizar uma área como aquela e o bairro vizinho continuar depositando o lixo em caçambas por não terem coleta nas ruas, gerando grande acúmulo de lixo no entorno da própria Lagoa. Pensou a revitalização local sem regulamentar a situação das habitações ali existentes. Outra questão central em qualquer projeto de revitalização e requalificação é a sua manutenção. Essa manutenção deve ser realizada não apenas pela prefeitura ou órgão público responsável, que deve fazer as manutenções periódicas necessárias, mas também pela comunidade, através da conservação, do cuidado e do tomar aquilo como seu. Precisamos pensar na figura do fiscalizador público e do zelador ambiental da própria comunidade. Isso tem faltado muito em nossos espaços públicos. O cidadão não se sente dono e destinatário daquilo que é público, essa questão está em muito vinculada à nossa “crise cidadã”, assunto para outras discussões”.

Silvio França acha que faltou compreender o significado total da obra.

Silvio França acha que faltou compreender o significado total da obra.

 

O poeta, geógrafo e professor SÍLVIO FRANÇA tem a convicção de que a Lagoa não foi um projeto simples, pelo contrário, foi um projeto de proporções grandiosas e que dependeu de orçamento também vultoso. “Creio que a prefeitura subestimou a dimensão da obra e o seu planejamento, ou seja, o seu projeto em si. A ideia de uma área de lazer e entretenimento como a Lagoa das Bateias é válida e bem-vinda, todavia carece de uma melhor infraestrutura e um detalhado e exaustivo estudo de viabilidade e adequação da obra. A prefeitura, no afã de construir este símbolo para a nossa cidade, não percebeu o quão complexo é o entorno da lagoa. Não levou em conta que a infraestrutura do entorno é precário e extremamente carente de saneamento básico. Há que se solucionar a questão dos esgotos que correm a céu aberto e desaguam na lagoa, corrigir também a precariedade das habitações no lado norte do parque, cujo montante de resíduos domésticos são também despejados no leito da lagoa… Enfim… há que se reestruturar todo o projeto que apresentou inúmera falhas, desde estudos prévios mais acurados até o dimensionamento do orçamento para uma obra dessa magnitude”.

Na visão do geógrafo, o caso em tela não é abandono. “A lagoa virou um “elefante branco” e o poder público achou melhor não elevar ainda mais o custo da obra, mesmo porque o fim da gestão se aproxima e acharam por bem passar o “pepino” pra frente, para quem está chegando, com gás novo e motivação para trabalhar. Não quero dizer com isso que houve irresponsabilidade da prefeitura, não! Vejo como uma medida acertada, pois ficar consertando o que está errado só gera mais gasto. O (re)planejamento, neste caso, tem que ser cabal. Penso que a obra é plenamente factível, mesmo sem a retirada total das tabuas. O que vale agora é corrigir as falhas de projeto e saber o que realmente se quer construir no local. Vejo que uma parceria com as esferas estadual e federal, além da iniciativa privada poderá dar cabo da obra caso ela se torne orçamentariamente inviável, o que eu não acredito pois boa parte do projeto já está pronto, ainda que de maneira a desejar!”.

Eliane Assunção: falta interesse com a periferia.

Eliane Assunção: falta interesse com a periferia.

A administradora e professora universitária ELIANE ASSUNÇÃO, é curta e grossa: moradora há quase 40 anos na Urbis 2, ela afirma que o descaso se dá pelo simples fato de a Lagoa das Bateias localizar-se na periferia: “Moro na Urbis 2 desde os três anos de idade. Vi o bairro Santa Cruz ser formado, passei a infância e adolescência aqui! Posso falar o quanto o Parque Lagoa das Bateias representa para a comunidade desses bairros, incluindo a Urbis3, 4 e 5. Entretanto, o que representava a perspectiva de um espaço de lazer, entretenimento, possibilidade de integração, prática de esporte, cultura e capacitação (como já pensei diversas vezes que poderíamos ter uma biblioteca e um auditório naquele espaço, além de uma academia, parque infantil e uma espécie lan house, internet), tornou-se uma frustração diante do abandono, sujeira, falta de opções, equipamentos sem manutenção e também de falta de segurança”.

Ela argumenta que a falta de espaços é tão grave que, ainda assim, muitas pessoas utilizam o espaço para realizar ciclismo, caminhadas e jogar futebol nas quadras, “embora estejam muito mal cuidadas”. E acrescenta: “No ano de 2009, recebi em Vitória da Conquista um primo que mora em Boston; circulamos pela cidade e, logo que passamos pelo parque, ele comentou que onde morava, um local parecido, foi adaptado para a prática de esportes aquáticos… Acredito que seria possível especialistas avaliarem. No aspecto empreendedor, penso que em toda a extensão do parque poderíamos ter restaurantes, cafés, sorveterias e outros empreendimentos oferecendo serviços úteis à população num ambiente agradável, acompanhado por uma boa gestão pública que valorize a cultura, o esporte e o lazer entendendo como serviço essencial à qualidade de vida da população. Falta dizer que a iniciativa do Museu é excelente, porém, não funciona pois não há acompanhamento e nem acolhimento da população do professor na visitação, bem mesmo renovação das exposições, o que torna tudo obsoleto e sem interesse. A Lagoa das Bateias poderia funcionar como um complexo de entretenimento onde a prefeitura consolidaria importantes parcerias com as faculdades e universidades. Mas não ha vontade política porque está na periferia”.

Tatiana Miranda, jornalista: frustrada.

Tatiana Miranda, jornalista: frustrada.

A jornalista TATIANA MIRANDA SOUSA, criada no Bairro Brasil e atualmente moradora do Bairro Ibirapuera, afirma que um de seus anseios e de boa parte de suas rede de relações é a revitalização da Lagoa das Bateias. “Foi uma obra importante, que custou caro ao município, entregue ao povo com um Museu, parque infantil, campo de futebol, bancos e barras para exercício, idealizada como uma opção de lazer, a Lagoa atualmente sofre com o abandono do poder público. Em parte tomada pelo mato alto e com trechos sem iluminação, favorecendo a atuação de assaltantes, o que outrora foi tido como um ponto de encontro, agora afugenta muitos frequentadores. Eu, assim como tantas outras pessoas, utilizo o espaço para caminhadas e tropeço, com frequência, na frustração. Gostaria que ali tivesse restaurantes, mais quiosques. Gostaria que o espaço fosse melhor equipado, para ser melhor aproveitado por crianças, idosos e atletas. Gostaria de ver a Lagoa transformada realmente num lugar de convivência”, comenta a jornalista.

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