H1N1: para vice-prefeito, imprensa criou desespero na população

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Saúde | Data: 27 abr 2016

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por Mateus Novais

DSC_1474A coletiva de imprensa convocada pela Prefeitura Municipal, na manhã desta quarta-feira (27), deveria se restringir a atualização dos casos ligados à gripe H1N1 e as doenças provocadas pelo mosquito Aedes Aegypti. Mas, infelizmente, também funcionou como uma sessão de descarrego do vice-prefeito Joás Meira. O segundo homem no alto escalão de comando do Executivo Municipal aproveitou o espaço para dar uma “lição” de jornalismo aos jornalistas.

A lição ocorreu no momento em que a secretaria de Saúde, Karine Brito, foi questionada sobre o fato de um homem armado ter entrado em um Posto de Saúde, no bairro Pedrinhas, e obrigado uma funcionária a aplicar a vacina contra a gripe, sem que o mesmo pertencesse ao grupo de risco da doença. O vice-prefeito, então, tomou a palavra e, deixando os altos números de mortes provocados pela H1N1 de lado, fez-se entender que casos como este só ocorre porque a imprensa cria um pânico na população.

“Tenho 30 anos como médico e a gente já acompanhou muita coisa e sobrevivemos. E por que sobrevivemos? Porque teve informação, teve cuidado, porque teve precaução. Quando o H1N1 começou, nem vacina tinha e não teve essa mortandade toda porque as medidas preventivas foram implantadas. Então, essa cultura alarmista da imprensa que tem que deixar de existir. Nós temos que ter uma cultura informativa. Nós não podemos descansar e achar que está tudo bem, mas não podemos também estar alarmados, desesperados e desesperando a população”, disse o vice-prefeito.

O que o médico Joás Meira se esqueceu de mencionar é que a população está preocupada porque está muito bem informada e sabe que, só no município em que ele é vice-prefeito, os casos notificados da H1N1 subiram de 10 para 27, entre 2015 e 2016 – destes 5 foram positivos, e resultaram em pelo menos uma morte, já que outras duas foram inconclusivas. O vice-prefeito também deixou de lado o fato da Campanha de Vacinação 2016 ter sido antecipada, contando com uma elogiável adesão da população – ao contrário do que ocorreu em 2015, quando a Campanha em Conquista teve de ser prorrogada por mais de um mês para atingir a meta de 80% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Esta conscientização, definitivamente, não é mérito da Secretarias ou Ministério da Saúde.

Outro ponto esquecido pelo vice-prefeito é que os resultados dos exames de diagnósticos para H1N1 estão sendo realizados a toque de caixa. Ao contrario do que ocorrem com os diagnósticos da Dengue, Zika e Chikungunya – que, infelizmente, não estão ganhando o mesmo destaque da H1N1. Para se ter uma ideia, dos 2.354 casos de dengue notificados em Vitória da Conquista, 1.756 ainda aguardam o diagnóstico.

Então, desculpe em discordar, senhor vice-prefeito. Mas a população e a imprensa têm motivos de sobra para se preocupar.

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