Inflação sobe 7,31% em 12 meses; maior resultado desde 2005

0

Publicado por Roberto Silva | Colocado em Brasil, Economia | Data: 07 out 2011

Tribuna da Bahia

O IPCA (Índice Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, continuou subindo e apresentou variação de 0,53% em setembro, ante 0,37% de agosto, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (7).

A alta de 0,16 ponto percentual eleva o indicador para 4,97% no acumulado do ano — taxa bem acima da taxa de 3,60% relativa a igual período de 2010.

Mais uma vez, o IPCA ficou acima do teto da meta do governo –de 6,5% para 2011– ao registrar nos últimos 12 meses a taxa de 7,31%, o mais alto desde maio de 2005 (8,05%).


Em setembro de 2010, a taxa havia ficado em 0,45%. Mesmo em alta, o indicador ficou em linha com a estimativa do mercado que esperava variação de 0,54% no mês e 7,32% em 12 meses.

Por mais um mês, os preços dos alimentos pressionaram o indicador, com variação do grupo de 0,64%. No entanto, houve uma desaceleração na relação com o mês anterior, quando a taxa havia subido 0,72%.

Em setembro, houve um menor crescimento de preços de determinados itens, como carnes (de 1,84% em agosto para 0,99%), frutas (de 3,07% para 1,45%) e pão francês (de 0,63% para 0,57%), além das expressivas reduções nos preços do alho (de -8,96% para -16,84%), cebola (de -7,40% para -7,69%) e tomate (de -0,58% para -6,79%).

Os alimentos que pressionaram o indicador foram: o feijão carioca (6,14%), açúcar refinado (3,82%) e cristal (3,42%), frango (2,94%) e leite (2,47%).

Outro foco de aceleração dos preços veio do grupo transportes, cujos preços avançaram de 0,03% em agosto para 0,70% em setembro.

As passagens aéreas exerceram o principal impacto no mês, com 0,09 ponto percentual. Para viagens em setembro, os vôos disponíveis subiram, em média, 23,40% em relação à média daqueles que foram disponibilizados pelas empresas para viagens em agosto, mês em que as tarifas haviam apresentado queda de 5,95%.

O resultado do grupo foi influenciado também pelos combustíveis (de -0,09% em agosto para 0,69% em setembro), com o preço do litro do etanol indo dos 0,3% registrados em agosto para 3,00% de setembro, e o litro da gasolina, 0,5% mais caro, enquanto em agosto teve queda de 0,14%.

Preocupação

A inflação preocupa o governo há meses. Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse a alta dos preços é tão ruim quanto o juro alto.

Desde dezembro o governo anuncia ações para conter o crédito e reduzir o consumo. O objetivo é esfriar a economia e segurar a inflação, que cresce mês a mês.

Com a volta da crise econômica mundial, no entanto, o governo vem adotando um discurso contraditório, que prega o fortalecimento da demanda interna e o consumo, ora afirma que a inflação deve cair sob influência do cenário externo.

Os comentários estão encerrados.